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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Sociedade Secreta de Jesus

Roméro da Costa Machado

A Sociedade Secreta de Jesus

É um livro que pode nos fazer pensar, apesar de que a fé está com quem
têm.
E, não deixa de ser uma grande leitura.

Sumário

O Avô de Deus
Erros e Contradições Bíblicas: Antigo Testamento
Erros e Contradições Bíblicas: Novo Testamento
Os Ensinamentos de Jesus
O Sermão da Montanha e As bem-aventuranças
A Sabedoria e os Ensinamentos de Jesus
Os Essênios
A Sociedade Secreta de Jesus
1º Final Jesus Morre na Cruz
2º Final Jesus NÃO Morre na Cruz


"A dor, o medo e o sofrimento são o combustível das
religiões. E o que se costuma chamar de "fé", na maioria das
vezes não passa de uma expectativa desesperada do ser
humano em ver resolvido seus problemas, por algo ou
alguém alheio ao seu conhecimento."


O Avô de Deus

"Pai, você não acha que Deus deve ser muito triste???..."
"Triste? Triste, por que, filho?"
"Claro que ele é triste, pai. Ele não tem avô!"
Essa observação, de um dos meus filhos, antes de alcançar os
dez anos de idade, tomou-me de surpresa, embora, em si, o
tema não tenha ou contenha novidade alguma. Entretanto,
levado a sério, sério mesmo, não há como desviar-se da
questão, passar ao largo de uma observação como esta,
simplesmente porque ela é apresentada num formato
infantil... ou mesmo não se pode contar uma historinha
qualquer para iludir uma criança, fugindo ao tema... são
recursos simples de adultos, inaceitáveis face aos danos que
podem ser produzidos caso a questão não seja esclarecida
adequadamente, ainda que para uma criança, e também por
tal fato ser um escapismo tolo, uma fuga ao tema que,
aparentemente infantil, merece um aprofundamento muito
além das considerações triviais. Afinal, encarada com
sinceridade e honestidade, a questão tida como infantil é
muito mais séria, muito mais complexa e profunda do que
parece.
Principia pelo fato de que para uma criança, a figura do avô é
tudo, é a felicidade suprema. O avô é o "pai com açúcar". É o
avô quem leva o neto para passear nas férias e em alguns
finais de semana. É o avô quem leva o neto para pescar, para
passear nos parques temáticos, que conta pacientemente
histórias encantadas. O avô, para um neto, é a felicidade em
vida. E, segundo este neto, coitado de Deus, ele não tinha
avô. Deus era menos feliz do que qualquer menino da Terra
que tem um avô.
Aí, neste ponto, enquanto eu disfarçava meu embaraço em
responder honestamente a um questionamento simples de
uma criança e tentava organizar meus pensamentos, meu
filho aprofundou o tema e foi mais radical ainda... Deus não
tinha avô, não tinha pai, não tinha mãe, não tinha irmãos...
era um solitário, coitado.
"Coitado de Deus, né pai? Ele vive sozinho!!!"
Pronto, estava estabelecida a questão de uma forma simples
e singela, numa clareza de uma argumentação infantil,
cristalina, e que ao mesmo tempo apresentava-se de uma
complexidade terrível, uma vez que nada podia ser
simplificado. A questão exigia uma resposta honesta, correta
e direta.
"Olha, filho, tudo que você vê, tudo que existe no
mundo, tudo, tudo, foi Deus quem criou. E se algo existe no
mundo, neste ou em qualquer outro planeta, no sistema
solar, ou não, em qualquer outra galáxia, é porque foi criado
por alguém. E esse alguém é Deus, o criador do universo."
"Pai, e onde Ele mora? Onde Ele vive? Como Ele é?"
"A gente costuma dizer poeticamente que ele mora
no coração das pessoas. Ele não tem forma, ou tem a forma
que você quiser. Chame-o de Criador do Universo, de Es-
pírito Santo, de "Mãe Natureza", do que você quiser. Deus
existe e está em todos os lugares e em todas as coisas. Mas,
lembre-se que Deus é o que mora no seu coração e que não
tem forma, muito menos uma forma humana. O Deus bar-
budo, sentado numa nuvem, perseguindo e castigando as
pessoas, é uma coisa burra, tão improvável quanto velha.
Esse Deus barbudo é uma figura mitológica, cópia malfeita e
contraditoriamente escarrada da mitologia grega ou romana,
onde os deuses viviam de roupão branco, no Olimpo, e
virava e mexia interferiam na vida das pessoas, privilegiando
uns e castigando outros."
"Mas, pai, se Deus existe e ele é bom, é do bem... por que
ele deixa existir o mal?"
"Por causa de uma coisa chamada livre arbítrio. Imagine o
seguinte: Existe Deus. Existe o plano divino (que é a vontade
de Deus), do qual nós não temos o mínimo conhecimento
ou interferência. Mas, além do plano divino (destino,
maktub) existe o livre arbítrio (que é a vontade do ser
humano, a interferência pessoal de cada um). O livre arbítrio
existe para que cada um tome seu destino nas mãos e siga o
caminho que achar mais conveniente, arcando com as
conseqüências de agir bem ou mal. Deus foi muito sábio em
dar ao ser humano o livre arbítrio. O mundo seria horroroso
com tudo igual, tudo certinho, todo mundo fazendo as
mesmas coisas, ninguém se esforçando para melhorar. Seria
um tédio só. Não fosse o livre arbítrio e todos nós, seres
humanos, seríamos iguais, todos bonzinhos, como se
fôssemos robôs. Não haveria o mal. Só haveria o bem. Tudo
já estaria previamente escrito. E ninguém precisaria fazer
nada. Era só cruzar os braços e deixar a vida seguir seu curso
pois tudo já estaria previamente escrito por Deus, sem a
interferência humana."
"Mas pai, se ele não é um velho barbudo, como você diz,
como é que ele é?"
"Eu não sei, ninguém sabe e quem disser que sabe estará
mentindo. Ninguém jamais viu Deus. Guarde isso como uma
verdade absoluta para o resto de sua vida. Ninguém sabe ou
saberá sobre a forma de Deus, sobre como é Deus, sobre o
início da humanidade ou sobre o fim dela. A vida é uma
festa em que entramos nela depois dela já ter começado e
saímos dela antes de acabar. Tudo que for dito sobre o antes
e o depois, de onde nós viemos e para onde nós iremos, ou
sobre o início da vida e o após a morte, será uma grande
invenção humana sem qualquer base lógica ou científica.
São meras conjecturas e invencionices para tentar esclarecer
o que ninguém sabe ou tem certeza. Pois de certo, certo
mesmo, só os mistérios que o homem viverá uma vida
inteira e jamais encontrará as respostas."
"Filho, essas histórias inventadas sobre o início do mundo
e das vidas passadas ou do após a morte decorrem do fato do
ser humano sempre querer ter uma explicação para tudo. O
ser humano não se conforma que haja uma só questão a que
ele não responda. O ser humano não admite dizer "eu não
sei". Daí as pessoas inventam histórias mirabolantes sobre a
origem da humanidade e a criação do mundo ou de como é
ou será o mundo dos seres humanos após a morte. A
humanidade não aceita o fato de que os seres humanos
(todos os que já viveram até hoje) não tenham conseguido
responder com inquestionável acerto as questões sobre o
significado da vida: Como o mundo começou? Como é e
para onde nós vamos após a morte? Este é o grande mistério
da vida, irrespondível."
"O ser humano, apesar de haver caminhado mais de dez mil
anos de "vida inteligente" mal deu um passo além da idade
da pedra. Contínua o mesmo selvagem pré-histórico,
ignorante, e que sequer conhece a si mesmo. Não consegue
resolver coisas muito mais elementares e simples (se é que
isso pode ser chamado de simples) como entender e
controlar as ações humanas involuntárias."
"Pai, o que é esse negócio de ações humanas
involuntárias?"
"De uma forma simples, é mais ou menos assim: Você
manda o olho piscar, ele pisca. Você manda a boca falar, ela
fala. Você manda a perna andar, ela anda. E assim por
diante. Essas são as ações humanas voluntárias. São as ações
do corpo humano que você pode comandar.
As ações humanas involuntárias são aquelas que Deus deu a
você e que não dependem de você mandar que aconteça ou
de sua vontade. Você não manda a unha crescer, mas ela
cresce independentemente de você mandar. Você não
manda o cabelo crescer, mas ele cresce. Você não manda os
ossos crescerem, mas eles crescem. Você não manda as
células se multiplicarem, mas elas se multiplicam. Você não
manda criar um óvulo, e muito menos criar um
espermatozóide, e eles são criados independentemente da
sua vontade.
Já imaginou você monitorando milhões de espermatozóides?
"Isso! Agora! Vamos lá! Todo mundo junto! Vamos invadir o
óvulo, vamos criar vida"... O ser humano, coitado, imagina
saber muito, mas não sabe e não domina sequer os mais
"elementares" segredos contidos nele mesmo, que dirá do
que está além dele.
Além destas questões, de natureza física, os seres humanos
têm muita dificuldade em assimilar e trabalhar com o que
não pode ser visto, com o que é imaterial. O amor, ele
confunde com prazer da carne. A bondade, ele confunde
com dar esmola. E assim com muitas e muitas coisas que são
imateriais. O ser humano não se conforma com o imaterial.
Tenta dar forma para as coisas imateriais, mas coitado, cria
toscas figuras pobres para coisas tão complexas que ele não
sabe como são ou como foram formadas.
"Você é capaz de imaginar fisicamente a paz, o amor, a
bondade, o perdão? Pois é... com Deus é a mesma coisa. O
ser humano, incapaz de lidar com um Deus imaterial,
desconhecido, tratou de criar uma forma para Ele, como se
pudesse dar uma forma para o amor, para a compreensão,
para a paz, para o perdão e tantas outras coisas imateriais.
Mas, principalmente, foi em razão do medo do ser humano
diante da vida e da falta de respostas para a sua origem e
existência que o homem criou um Deus à sua imagem e
semelhança."
"Ué... Deus criou o homem ou o homem criou Deus?
Deus então é fruto do medo do ser humano?"
"Não é bem assim... Apesar de John Lennon haver dito na
música "God" (Deus) que "God is a concept by which we
measure our pain" (Deus é um conceito pelo qual nós
medimos nossa dor), Deus não é só fruto da dor, do
sofrimento ou do medo. Embora eu reconheça que a dor, o
sofrimento e o medo são campos fertilíssimos para a idolatria
a Deus, de uma maneira exacerbada e exagerada, onde o ser
humano, medroso, sofredor, torna-se vítima fácil dos
gerentes de religião e dos exploradores da fé alheia. E aí,
neste caso, Deus passa a ser uma idolatria absurda, fruto do
medo e da dor, com o qual eu não concordo a mínima, pois
Deus não é isso e não é só isso. Razão pela qual eu escrevi
(em 1992) que eu não era "Nem tão estúpido para ser ateu,
nem tão medroso para acreditar em Deus."
"Peraí... agora confundiu um monte de coisa... Ateu é
burro, estúpido? Você acredita ou não acredita em Deus? Só
os medrosos acreditam em Deus? Foi Deus quem criou o ser
humano ou fomos nós que criamos Deus? Deus Não existe?"
"Calma... vamos por parte. Ser ateu sem lógica (negar
por negar) é burrice, é estupidez, pois nega a sua própria
existência. Ser ateu por discordar de um Deus personificado
à imagem e semelhança dos homens, é até inteligente.
Eu, de minha parte, acredito que Deus existe. Claro que
alguém criou o que conhecemos por universo. E em razão
disso eu assumo que Deus existe. A prova da existência de
Deus é a existência do mundo. Se o mundo existe, alguém
criou. E este alguém que criou, nós chamamos de Deus, de
criador do universo ou dê você o nome que quiser. Mesmo
que alguém algum dia diga para você que o mundo foi criado
pelo "Big Bang" (uma grande explosão), alguém criou o "Big
Bang", e este alguém é Deus. Mas, daí dizer que ele é um
velho barbudo sentado numa nuvem a distância é grande.
"Tudo bem... mas quem criou Deus?"
"Filho, tente imaginar dois conceitos de Deus. Um Deus,
imaterial, sem forma definida, desconhecido, que existe
antes de tudo, que criou tudo que existe no mundo, e que
nada sabemos dele. É a história do antes do nascimento e do
depois da morte. Ninguém tem a resposta. Ninguém sabe. E
quem disser que sabe, seja quem for, estará mentindo. E
outro Deus, o Deus barbudo sentado na nuvem, o Deus
mitológico, que é uma invenção do ser humano, que,
sentindo-se só, com medo, com muito medo da vida e da
falta de respostas para a sua origem e existência, este homem
criou um Deus à sua imagem e semelhança. É o tal Deus
velho, barbudo, sentado numa nuvem, mitológico, e que
promove um monte de justiças e injustiças, interferindo
diariamente na vida das pessoas. De uma maneira bastante
genérica. É o Deus personificado que algumas religiões
criam, inventam, pregam e vendem por aí a torto e a
retalho."
"Esse Deus personificado pelas religiões, então, é uma
invenção como se fosse o Papai Noel dos adultos?"
"É por aí... Mais ou menos isso... Se um dia apresentarem
a você a imagem física de Deus, pode rir porque você estará
diante de um mentiroso que acredita no Papai Noel dos
adultos. Mas, se você conseguir sentir no seu coração, amor
pelo seu semelhante, paz interior, perdão para aqueles que
errarem (mesmo que sejam seus adversários ou inimigos),
fraternidade, harmonia, você estará diante de Deus. Ele está
em todas as coisas da humanidade e é um mistério profundo
e absoluto. Ele está na sua gargalhada, que eu tanto adoro.
Está na bondade do ser humano. Está no amor ao próximo.
Está numa planta que nasce. Está na chuva que cai e traz
vida. Está no sol que aquece. Está na bênção de cada dia que
nasce. Está em tudo que existe e em todas as partes. Não
busque Deus em uma forma. Busque Deus em um
sentimento."
"Então, pai, se eu tiver um bom sentimento eu me
aproximo de Deus? Se eu der esmola ou um brinquedo meu
para uma pessoa que precisa eu me aproximo de Deus?"
"Não tão simples assim. Antes de mais nada, se você, por
exemplo, pegar uma moeda, uma roupa ou um brinquedo e
der a alguém que esteja necessitando, faça a sua doação em
segredo e não deixe a sua mão esquerda saber o que a direita
está fazendo. Não faça seu ato em público e nem o divulgue,
pois isso é um assunto particular e restrito entre você e
Deus. Ao repartir o que você tem a mais com quem não
tem, você estará praticando alguns dos maiores
ensinamentos cristãos, como a piedade, o amor ao próximo
e a humildade. E entre tantas as formas de se aproximar de
Deus essa é apenas uma dessas pequeninas formas.
Entretanto, o mais importante ainda não foi feito. Ou seja,
agradecer a Deus por ter e por poder dar. Agradeça pela sua
saúde, pelo seu corpo perfeito, pela boa vida que você tem e
pela chance de você ter a graça e a oportunidade de poder
ajudar a alguém materialmente. E aí, filho, aí sim, diante
deste sentimento nobre, que preenche o seu coração de
amor ao próximo, você estará diante de Deus.
Como na prece franciscana, a felicidade em encontrar Deus
está em dar mais do que receber, consolar mais do que ser
consolado, buscar a fraternidade no amor ao próximo e a paz
no silêncio do coração. Reconhecer-se no seu semelhante.
São coisas aparentemente simples, mas de uma dificuldade
muito terrível de ser superada.
"Então, pai, toda vez que eu der esmola ou um brinquedo
meu para alguém que precisa, sou eu quem está recebendo o
presente por poder dar e por poder me aproximar de Deus?"
"Mais ou menos isso. Não basta dar uma esmola, uma
ajuda ou um brinquedo. Não é a esmola que te aproxima de
Deus. O que te aproxima de Deus é o sentimento de piedade
pelos que têm menos e na sua vontade em ajudar ao
próximo. Pois a esmola sozinha, sem o sentimento de ajuda
ao próximo, é nada, é só um ato mecânico e material, mais
nada.
Antes de mais nada entenda a diferença entre o material (o
ato material de dar) e o imaterial (o sentimento de querer
ajudar ao próximo) e que a coisa funciona de forma bastante
oposta e diferente do que possa parecer, pois você
(e não a pessoa a quem você está ajudando materialmente) é
que está recebendo uma dádiva. Você está tendo uma
oportunidade de através de uma ato material ajudar um
semelhante, e com isso receber uma oportunidade
(imaterial) de crescer e melhorar como ser humano. Você
está chegando-se a Deus (sentimento imaterial) através de
um gesto material. E aí, sim, agradeça a Deus, pois você
recebeu uma graça de poder ajudar a alguém e de poder
melhorar como ser humano. Ou seja, é você quem deve
agradecer a Deus por ter tido a chance de melhorar como
ser humano. Entendeu agora?"
"Tá certo, pai. Agora eu entendi legal."
"Na busca pelo sentimento nobre de caráter, na busca
pelo aperfeiçoamento como ser humano é que você irá
encontrar Deus. Mas você não precisa buscar Deus somente
numa esmola ou numa ajuda ao seu semelhante. Você
poderá vê-lo numa planta, numa paisagem, num rio, numa
cachoeira, num animal, num ser que nasce, num por do sol,
num arco íris, e em todos os nascimentos que representam o
milagre da vida. Principalmente busque Deus no seu
semelhante. Basta você abrir o coração com sentimento que
Ele entra e ilumina a sua vida. E por isso, agradeça a Deus,
todos os dias pelo milagre da vida e por você fazer parte
deste milagre.
Isso representa dizer, meu filho, respondendo à sua
pergunta, que Deus não sendo uma pessoa, à imagem e
semelhança do ser humano, como ele foi erradamente in-
ventado pelos homens, Deus não tem avô, não tem mãe,
não tem irmãos, não se sabe se Ele é homem ou mulher, se é
preto ou branco, e muito menos qual é a sua real forma.
Conforme eu havia dito, isso é um mistério sobre o início e
o fim da vida. Ninguém sabe como ele é. Ninguém nunca o
viu pessoalmente, e quem disser em contrário estará men-
tindo para você.
"Mas, pai, e as imagens que a gente vê?"
"São apenas isso... imagens. Frutos das religiões.
Conforme eu já havia dito, o ser humano tem muita difi-
culdade em lidar com o que não vê, com o imaterial. E
Deus, como o amor, a bondade, o perdão, e todas as coisas
imateriais, para poder ser melhor compreendido, precisava
ser personificado. Daí a necessidade das religiões de se ter
uma imagem para Deus e para seus auxiliares. E como o ser
humano não sabia como lidar com o imaterial, passou a
personificar o amor, o perdão, a bondade, a fraternidade, a
esperança inventando formas para Deus. Criou vários tipos
de imagens, que mudaram com o tempo, através da história
da humanidade. Zeus, por exemplo, já foi uma imagem de
Deus muito popular na Grécia. Assim como a sua versão
romana Júpiter. Em quase todas as religiões os seres
humanos inventam imagens para retratar Deus ou seus
auxiliares, semideuses, anjos, santos, etc. E isso decorre
fundamentalmente daquilo que já foi dito: da incapacidade
do ser humano em lidar com o imaterial.
Independentemente de religião, Deus, o criador do
universo, Mãe Natureza, ou o nome que você queira dar, é
um só. Cada religião dá a sua versão para Deus. Cada um
personifica Deus como quiser... índios acreditavam no Deus
Sol e na Deusa Lua. Gregos acreditavam num Deus, ou Zeus,
cercado de deuses e deusas. Deus do Vento, Deus do Mar,
Deus do Vinho, Deusa da Beleza, Deusa da Caça, etc. Tinha
Deus para tudo que era gosto. Tudo que existia na natureza,
na face da terra, tinha um Deus específico por trás regendo
essa coisa.
"Puxa vida, pai, os índios e os antigos eram muito
ignorantes."
"Não, filho. Não é ignorância, é mais solidão, dor e medo
diante do desconhecido e da vida do que ignorância. O ser
humano sempre foi assim. Sempre teve muito medo diante
da vida e do desconhecido. E sentindo-se incapaz de
resolver sozinho, as coisas que desconhecia e do medo que
sentia inventava um Deus capaz de resolver as coisas que ele
sozinho achava-se impossibilitado de resolver. E a grande
maioria da humanidade faz exatamente isso. Incapaz de
buscar em si, em seu interior, as forças para enfrentar a vida,
transfere para Deus a responsabilidade de resolver seus
problemas particulares.
Em resumo, o ser humano sempre transferiu para Deus a
responsabilidade de resolver as coisas para ele, ser humano.
Desde que o mundo é mundo, nada mudou. Ainda hoje é
assim, acredite. O ser humano de hoje é exatamente igual ao
selvagem primitivo ou ao índio de milhares de anos atrás.
Teme muito mais a Deus do que o ama de verdade. O sol, a
lua e os astros ainda hoje são tão adorados com a mesma
intensidade e o mesmo fervor quanto nos milhares de anos
passados, só que atualmente esses astros são adorados sob a
forma de ciência (?), chamada de astrologia.
Ainda hoje, pessoas ditas e tidas como sérias se apresentam
como: Eu sou sagitariano, eu sou de libra, eu sou de leão,
etc., como se a posição dos astros no dia do nascimento de
alguém pudesse determinar caráter, forma de conduta, etc.
Na realidade, o ser humano do século vinte e um tem os
mesmos medos e anseios do homem da idade da pedra,
apavorado diante da vida, e buscando proteção num astro,
numa estrela, num sol, numa lua, num planeta qualquer...
Ensinamentos cristãos e budistas são bastante claros a
respeito disso e alertam para este fato ao dizerem: "Parem de
buscar pelo sagrado no céu. Abram as janelas de seus cora-
ções e com um transbordamento de luz o sagrado virá e
trará a alegria ilimitada... Vocês fingem que precisam adorar
o sol... mas o sol não atua espontaneamente, e sim pela
vontade do Criador do Universo, que o fez"
Dizendo assim, friamente, até parece cruel retratar que o ser
humano não evoluiu nada em mais de vinte séculos. Mas,
por mais constrangedor que possa parecer, em mais de vinte
séculos de "evolução", o ser humano está somente a um
passo adiante da idade da pedra, pois ainda hoje muita gente
transfere seus medos e suas responsabilidade para Deus e
seus "assistentes" e carregam badulaques, amuletos, estátuas,
imagens de semideuses, anjos ou santos de sua devoção,
buscando "proteção" contra seus medos e suas fragilidades,
transferindo para Deus e seus auxiliares a responsabilidade
de resolver os problemas dos seres humanos.
Basta você visitar uma igreja, templo, sinagoga, mesquita,
terreiro (de qualquer religião) para conferir todo o medo do
ser humano diante da vida, quer pela idolatria das imagens
(mais por medo do que por amor), incentivada pelas
religiões, quer pelas ofertas de ex-votos (pagadores de
promessas) pelas "curas" e "graças" recebidas, quer pelos
amuletos coisas inanimadas e quetais, vendidos para
darem sorte ou "proteger" a quem os carregar, como se isso,
sendo algo além de seus poderes pessoais reais, pudesse
mudar ou interferir na vida das pessoas."
"O ser humano, pai, ao invés de buscar se fortalecer
interiormente para sua defesa, por medo, então transfere
seus problemas para coisas (amuletos, imagens) que su-
postamente possam protegê-lo?"
"Mais ou menos, filho. Não se pode generalizar, pois
existem religiões que ensinam a busca permanente do
aperfeiçoamento interior e o autoconhecimento como for-
mas de buscar a Deus. Algumas religiões até têm máximas
como: "Se queres um escudo impenetrável, fica dentro de ti
mesmo."
Mas, não pense que o medo e a fragilidade humana param
por aí na idolatria de imagens e personificações em metal,
barro ou gesso. Há coisa muito mais antiga do que a idolatria
de imagens, que persistem até hoje e que são terríveis. São
os sacrifícios de animais (e até de gente) para "aplacar a ira
dos Deuses" ou para buscar uma "graça" ou "ajuda" espiritual,
exatamente como era feito há milhares e milhares de anos,
desde a idade da pedra, por pessoas ou povos tidos como
"ignorantes".
Isso mesmo. Pessoas medrosas diante da vida matavam ou
ainda matam pobres e inocentes animais (e até pessoas), sob
a desculpa de fazer oferenda a deuses, santos, anjos ou coisa
que o valha, como se Deus fosse um ser sanguinário que
bebesse o sangue de animais e seres humanos. E esperam,
essas pessoas (ignorantes), com isso, obter algum tipo de
graça pelo holocausto e mortandade de gente e animais.
Conforme você pode ver, meu filho, não há limite para o
medo do homem e a superstição do ser humano. Este ser
humano tem um longo caminho a cumprir, pois evoluiu
muito pouco desde a idade da pedra ou mesmo comparado
ao selvagem, ao índio, ao silvícola.
E falando em índio, silvícola, outro grande engano
geral da humanidade é o ser humano dito civilizado,
contrapondo-se à "ignorância" do índio, dizer-se
monoteísta, achando que é monoteísta, sem jamais ter sido
monoteísta.
Ou seja, o ser humano sempre praticou o politeísmo, di-
zendo-se monoteísta independentemente da religião que
professava. O ser humano sempre aceitou Deuses, Deusas e
respectivos auxiliares, sob as mais variadas formas,
semideuses, anjos, santos, apóstolos, espíritos (santo ou não).
Muito dificilmente você encontrará um ser humano que
acredite em Deus, somente em Deus e mais nada, sem
semideuses, anjos ou quaisquer outros auxiliares. (Não que
isso politeísmo seja bom ou ruim. É só um registro
para deixar bem claro que as pessoas, no afã de sentirem-se
superiores aos "ignorantes" silvícolas, sequer se dão conta
que são tão politeístas quanto os silvícolas, embora
imaginando-se monoteístas)
Da mesma forma, assim como existe a crença na pluralidade
de Deuses e ajudantes, a pluralidade de crenças faz parte do
gênero humano. Sempre haverá pluralidade de religião,
mesmo nos domínios mais austeros e totalitários, pois a
liberdade de fé ou crença religiosa é um dos mais importan-
tes dos direitos humanos (Direito à vida, Direito à
liberdade... de pensamento... de expressão... de crença
religiosa).
Embora nem sempre aconteça esta liberdade de crença
religiosa nos regimes totalitários, vez por outra, até mesmo
nos países hipocritamente chamados de democráticos, como
os Estados Unidos, por exemplo, o Estado sempre procura
dar uma interferência direta na religião do povo em geral,
procurando impor a "sua" religião como oficial.
Na moeda americana, por exemplo, há a inscrição religiosa
de que "Nós acreditamos em Deus" (In God we trust). E os
ateus? Como ficam? Não têm o direito de não acreditar no
Deus do dólar e de Wall Street? São obrigados a acreditar no
Deus do Governo? O Governo pode ter um Deus particular?
Pode impor uma religião?
Outro exemplo desta interferência estatal na religiosidade
das pessoas é o caso dos julgamentos americanos, onde há a
obrigatoriedade de não ser ateu e ter que "jurar por Deus",
sobre a Bíblia, que você está dizendo a verdade ("So help me
God"). Felizmente, num julgamento famoso, o editor Larry
Flynt desafiou a corte americana e não jurou sobre a Bíblia,
dizendo que ele tinha o direito constitucional de não jurar
pelo Deus do governo americano, e que a pátria não podia
ter um Deus oficial. Ele queria ter a liberdade de
pensamento, a liberdade de expressão e a liberdade de
crença religiosa. Foi uma das maiores vitórias do americano
comum contra a hipócrita religião oficial governamental
americana. ("O povo contra Larry Flynt")
"Puxa pai, eu nunca imaginei que isto pudesse acontecer
num país como os Estados Unidos. Ainda bem que aqui no
Brasil isso não existe. Não é?"
"Nada disso. Aqui no Brasil também tem esse tipo de
autoritarismo religioso institucionalizado. Só que disfarçado
e ninguém reclama.
Oficialmente foi decretado pelo governo brasileiro o dia 12
de outubro (que sempre foi "Dia da criança") como sendo
feriado nacional por ser o Dia de Nossa (deles) Senhora de
Aparecida, a padroeira do Brasil (dos Católicos).
Ora... e quem não é católico? É obrigado a ter uma tal de
Nossa Senhora Deles como a padroeira do Brasil de todos? É
uma aberração e uma violação constitucional a imposição de
uma religião oficial do Estado ao povo brasileiro. E as demais
religiões? Como ficam? Já pensou se cada religião obrigar o
governo a decretar dia tal como feriado nacional em razão
de cada religião? Isso é um absurdo total."
Cada qual tem a sua crença e deve ser respeitado em
suas convicções. Até porque cada um tem o livre arbítrio
para escolher aquilo em que quer acreditar. Não existe uma
religião única, muito menos uma que seja mais certa do que
a outra. Quem quiser acreditar em Jesus, que acredite. Quem
quiser acreditar em Maomé, que acredite. Quem quiser
acreditar em Buda, que acredite. Quem quiser acreditar em
Orixás, que acredite. Quem quiser acreditar em Moisés,
David e Abraão, que acredite. Quem quiser acreditar em
espíritos, que acredite. Quem quiser acreditar em pedras,
cristais, paralelepípedos, que acredite. O ser humano é e
deve ser livre para escolher o que e no que acreditar. Você
mesmo, quando crescer, vai escolher aquilo em que você
quiser acreditar, independentemente da minha interferência
ou da interferência da sua mãe.
Independentemente da crença que você vier a ter, tenha em
mente uma única coisa: Seja tolerante com toda e qualquer
convicção religiosa, mesmo das que você discorde, total ou
parcialmente, pois até mesmo o ateu tem lá as suas
convicções que devem ser respeitadas, ainda que você
acredite em Deus como o criador do universo e isso seja
para você a mais absoluta verdade. Respeite sempre qualquer
crença, mesmo que o que você acredita seja o contrário do
que os outros acreditam. Mesmo que essa pessoa seja ateu ou
acredite em números, em pedras ou paralelepípedos.
"Mas pai, esse negócio de acreditar em pedras e
paralelepípedos é brincadeira sua, não é?"
"Que brincadeira que nada. Tem gente que acredita em
videntes, ciganas, números, em cartas ou mesmo que as
coisas de Deus, mesmo inanimadas como uma pedra,
possam conter ou captar uma energia e por isso cultuam
uma pedra, um cristal ou um paralelepípedo. Entretanto,
mesmo que você não entenda, ache estranho ou não acre-
dite, você deve respeitar a crença dessas pessoas, até porque
ninguém é dono da verdade e você pode estar redon-
damente enganado nas suas convicções."
É direito de qualquer ser humano acreditar no que
quiser, ou se quiser, até de não acreditar em nada. Pode, por
exemplo, depositar sua crença ou superstição em símbolos
ou ícones de aparente resultado imediatista como fadas,
duendes, pedras, cristais, paralelepípedos, números, cartas, e
coisas do gênero, ainda que isso contrarie tudo que você
possa pensar a respeito.
É um direito seu discordar de uma pessoa que cultua um
duende, uma fada, uma pedra, um cristal, um número, uma
carta ou coisa do gênero. Tanto quanto é direito destas
pessoas acreditarem no que quiserem."
"Mas pai, adorar pedra e paralelepípedo?"
"O que tem demais nisso? Eu não adoro pedra e nem
paralelepípedo. Essa é uma convicção minha, mas eu tenho
que respeitar a convicção de quem acredita em pedras e
paralelepípedos. Até porque, adorar pedra não é tão novo
assim. Em séculos passados, por exemplo, pessoas adoravam
as pedras em Stonehenge (local sagrado, na Grã-Bretanha,
onde cultuava-se um monte de menires grandes pedras
pontiagudas colocadas em círculo). Outros adoravam os
deuses gigantes de pedra da Ilha de Páscoa. Os egípcios e os
gregos adoravam imagens de pedra e esperavam com isso
que seus espíritos, depois da morte carnal, fossem ascender
aos Deuses. Portanto, adorar pedra não é tão novo assim.
Mas, o importante e inegável é o direito dessas pessoas em
terem a sua crença, secreta ou abertamente, cultuando Deus
ou não, ou quantos Deuses queiram."
"Mas pai... se você defende o ponto de vista de que Deus
existe, você não está negando o direito do ateu em não
acreditar em Deus? Não está?"
"Não... eu não estou negando o direito do ateu acreditar
que não existe Deus. Ele, o ateu, acredita no que quiser
acreditar, problema dele. Ele pode negar o mundo, negar a
natureza, negar até a sua própria existência. Problema dele.
Ele pode até acreditar na ausência de Deus. Problema dele.
Eu estou simplesmente expondo o meu ponto de vista em
acreditar em Deus, embora contrário ao dele, mas sem negar
o direito dele ateu em sua crença. Pois ainda que eu
discorde dele (ateu), luto pelo inalienável direito dele ter a
convicção que quiser. Isto não tem nada a ver com
concordar ou discordar do ateu. Tem a ver com democracia,
com liberdade de pensamento, liberdade de opinião,
liberdade de crença religiosa. O que eu estou dizendo é a
minha convicção, que não tem nada a ver com o direito dele
ter ou não ter um Deus. Eu tenho minhas convicções, que
não são as dele, acredito que eu existo, que você existe,
acredito que o mundo existe, e que alguém criou isso. E esse
alguém que criou tudo isso, convencionou-se chamar de
Deus, Criador do Universo. Só isso. Eu não estou
defendendo a existência do meu Deus como o único Deus
certo e correto. Estou simplesmente expondo o meu ponto
de vista em relação à existência do mundo, da natureza, da
criação, do universo. Isso, não tem nada a ver com o direito
ou não do sujeito querer ser ateu."
"Veja bem, filho. Se hoje eu discriminar o ateu,
amanhã eu discrimino uma religião por ser exótica, depois
discrimino outra porque eu acho absurdo, e daí para a in-
tolerância religiosa é um pulo. Logo estarei achando que só a
minha religião é a certa e a única que presta."
"E qual a religião melhor que existe?"
"Não, filho. Não existe uma religião melhor do que as
outras. A melhor religião que existe é aquela que você
acredita, que você se sente bem e na qual tenha fé,
independentemente dela ser popular ou não. Toda religião,
qualquer que seja ela, tem uma função social útil,
disciplinadora, que alimenta a auto-ajuda. Mas, ao mesmo
tempo, toda religião tem em seu bojo uma inevitável função
destrutiva, que é exploração financeira da fé alheia e a quase
automática intolerância religiosa, supondo ser a "sua" religião
a única religião correta sobre a face da Terra.
Seja qual for a religião que você venha a ter, tenha em
mente sempre e acima de tudo a tolerância religiosa e o
respeito às convicções alheias. Cada ser humano tem direito
ao seu Deus, ainda que cada qual tenha um íntimo e
inconfesso sentimento de que o seu Deus é o único "salva-
dor". E no fundo, bem lá no íntimo, cada ser humano tem
uma pena enorme das demais religiões que não têm um
Deus como o seu. E é exatamente isso que eu gostaria que
você evitasse, essa certeza de que o seu Deus é o único Deus
que existe e o único Deus do mundo, o único que salva. Não
caia nesta tentação. Isso é uma armadilha terrível que leva
imediatamente à intolerância religiosa.
Tudo isso é como uma verdade árabe, existe a minha
verdade, a sua verdade e a verdade. Existe o meu Deus, o seu
Deus e Deus.
O importante não é a religião que você professa ou como é o
seu Deus. Desde que você acredite e que aquilo te faça bem,
a religião já estará cumprindo uma função social útil. O que
não pode e não deve existir nunca é o lado negro da religião,
o sectarismo religioso, a intolerância religiosa. Até porque a
intolerância religiosa é a maior assassina da humanidade.
Nunca matou-se tanto na humanidade como o que se matou
(e ainda se mata) em nome de Deus. Foram santas
inquisições, caça às bruxas, carnificinas das santas cruzadas e
a libertação do santo sepulcro. Cristãos contra mouros.
Católicos contra protestantes. Judeus contra Muçulmanos.
Homens matando homens, mulheres e crianças, tudo "em
nome de Deus".
Deus não tem nada a ver com isso. Deus não tem nada a ver
com a ignorância humana. Deus nunca pediu para ninguém
matar ninguém ou impor credo algum em seu nome.
"E a nossa religião, pai, qual é? A gente é católico?"
"A sua eu não sei, você vai ter que escolher quando
crescer e quando tiver maior conhecimento. Mas, por
enquanto, a gente procura dar a você os ensinamentos
baseados nos ensinamentos que a gente teve de berço. Ou
seja, você foi batizado na igreja católica, tem aulas de
catecismo, aprende coisas sobre a Bíblia, vai fazer primeira
comunhão... e quando crescer vai fazer a sua opção religiosa,
seguindo aquela que melhor se adaptar às suas convicções."
"E a Bíblia, pai, não é uma boa religião?"
"Não... Bíblia não é religião. A Bíblia é um livro de
ensinamentos, embora seja tido como sagrado por algumas
religiões e até mesmo considerado por algumas religiões
como sendo a palavra de Deus, assim como é Alcorão (O
Corão) para os muçulmanos, ou a Torah (e Talmud) para os
judeus. São livros de sabedoria, importantíssimos como
fonte de ensinamento, bases de suas religiões (Cristãs,
Muçulmanas, Judaicas). Sendo que a Bíblia, é mais co-
nhecida nossa, por sermos ocidentais, com cultura diferente
dos orientais ou médios-orientais. O que não quer dizer que
ela, a Bíblia, seja mais certa ou mais errada que Alcorão (O
Corão) ou a Torah."
"A Bíblia, sozinha, é a base de trocentas religiões, sendo
que muitas delas são, na verdade a maioria, conhecidas
como religiões cristãs ou evangélicas, pelo fato de valo-
rizarem mais os evangelhos do Novo Testamento, que
enfoca, fundamentalmente, a vida e obra de Jesus. Mas, por
mais estranho que possa parecer, lembre-se que muita gente
e muitas religiões seguem os ensinamentos de Jesus, mas não
são necessariamente cristãos. Quer pelo fato de Jesus ser
maior do que o próprio cristianismo controverso, quer por
não aceitarem certas versões da Bíblia (existem várias), tidas
como imprecisas, fantasiosas e inverídicas e por isso
consideram Jesus como um grande espírito de luz (como em
muitas religiões espíritas), como um profeta (como em
algumas ramificações da religião muçulmana), onde Jesus é
um grande e importante profeta, ou, para outras religiões,
um espírito altamente iluminado que habitou o planeta
Terra. E por isso, ou seja, por serem seguidores parciais dos
ensinamentos de Jesus, e não radicalmente integrais, não se
confessam como unicamente cristãos."
"É bom lembrar e deixar bem claro, contudo, que não
existe uma só e única Bíblia. Ao contrário, existem várias
Bíblias, várias versões de Bíblia, e que não necessariamente
dizem a mesma coisa, assim como nem sempre centralizam
suas atenções em Jesus."
"Quer dizer, pai, que existem tantas versões de Bíblia e
tantas versões de cristianismo que nem os cristãos não se
entendem entre si?"
"Como sempre, fruto da intolerância religiosa, do
sectarismo religioso, cada qual fica querendo impor sua
versão da Bíblia como sendo a versão única e definitiva,
esquecendo-se que Deus é Deus e que a Bíblia é só um
conjunto de livros, escritos e feitos por homens, seres hu-
manos, de uma enorme sabedoria, é bem verdade, mas que
deve ficar restrito a isso: um livro, conjunto de vários livros,
escrito por seres humanos, encerrando uma enorme gama
de conhecimento e sabedoria."
"Talvez a Bíblia, para nós ocidentais, seja o livro mais
importante da humanidade, até porque, embora contenha
contradições incríveis (assim como Alcorão e a Torah),
registra ensinamentos fantásticos. O mínimo que pode-se
dizer da Bíblia é que (independentemente dos erros e
contradições) é uma enorme fonte de sabedoria e um dos
maiores registros antropológicos que existe. E como todo
livro, escrito por seres humanos, lamentavelmente, tem
muitos erros, muitas contradições, muita incongruência,
muito exagero, algumas bobagens, que chegam até a ser
infantis diante do que a humanidade evoluiu e do que se
conhece hoje, principalmente no tocante à lógica, biologia,
zoologia, astronomia e física. O que, no entanto, não retira
da Bíblia a importância como um livro importantíssimo de
enorme fonte de sabedoria e ensinamento. Mas, daí a ser um
"Livro Sagrado" ou "A palavra de Deus"... a distância é
enorme.

Erros e Contradições Bíblicas
Antigo Testamento

"Pai, se a Bíblia tem tantos erros, por que ninguém fala
deles?"
"Fala sim, filho. Você é que não sabe. O problema é que
esta questão de contestar a Bíblia arrasta-se por séculos e
séculos. Vem de muito longe. Do tempo em que o Estado e
a igreja viviam juntos abertamente, eram parceiros e faziam
uma união terrível. Obrigavam as pessoas a acreditar no que
estava escrito na Bíblia. Quem discordasse da Bíblia era
queimado vivo, era um ateu, um bruxo, um herege. E,
logicamente, ninguém queria ser queimado vivo ou ter sua
família perseguida porque alguém fora (fora) considerado
herege. Mas, ainda assim, mesmo diante de todo este risco, a
Bíblia foi muito contestada e é muito contestada ainda hoje
em dia, pois até mesmo entre membros de uma mesma
convicção religiosa existem divergências bíblicas quase que
insuperáveis. Haja vista que os próprios cristãos se dividem
em muitas centenas de denominações (igrejas) de
agremiações diferentes. Nem eles se entendem entre si, cada
qual criando e inventando suas interpretações pessoais e
particulares para as coisas que estão escritas na Bíblia.
A bem da verdade, os cristãos, de uma maneira geral, não
hoje em dia, mas ao longo dos séculos, não primavam pelos
princípios da liberdade. Para eles, liberdade resumia-se no
direito de forçar os outros na crença de sua religião. Tudo
que fugisse ou escapasse do cristianismo era heresia.
Qualquer contestação à Bíblia era considerada heresia.
Essa técnica de impor a sua religião cristã como sendo a
única religião certa, considerando como herege tudo mais
que fosse diferente, embora fosse uma técnica autoritária
bastante simples, sempre mostrou-se de uma eficácia
avassaladora.
Os defensores da Bíblia consideravam a Bíblia como sendo
"a palavra de Deus" e ao mesmo tempo apresentavam-se
como sérios moralistas (em geral, "uniformizados" de
moralista, pois para demonstrar um aparente moralismo
usavam sóbrios "uniformes", que mais assemelham-se a
fantasias, e dependendo do século estas vestimentas ora são
roupões sóbrios, túnicas cheias de paramentos, ora como,
recentemente, paletó e gravata), e quem não acreditasse na
Bíblia e na "moralidade" dos representantes sóbrios "bem
vestidos" da Bíblia era considerado um imoral, um herege.
E tendo como pano de fundo as fogueiras da inquisição para
atormentar a sanidade das pessoas, guiadas pelo medo, as
pessoas passaram a "acreditar" na Bíblia muito mais por
medo e imposição do que por qualquer outra coisa.
O certo é que, independentemente de toda essa questão, a
Bíblia passou a ser (autoritariamente) imposta e considerada
como um livro sagrado, ou o mais grave, imposta
autoritariamente como sendo a "palavra de Deus". E por ser
a "palavra de Deus" não havia como alguém contestar as
sábias "palavras de Deus" (senão era fogueira na certa).
Foi preciso muita força e coragem daqueles que sabiam que a
Bíblia não era a "palavra de Deus" para contestar as bobagens
que estavam na Bíblia e com isso trazer a luz (renascença) à
idade das trevas (idade média).
Hoje em dia, libertos do massacrante poder da igreja
(embora a igreja ainda detenha um certo poder hipócrita),
não temos mais que sujeitarmo-nos às regras imperiais da
igreja ou enfiar a cabeça na areia como avestruzes esperando
que Deus nos proteja do medo e da superstição por estarmos
contestando palavras e preceitos errados passados pela
Bíblia.
Ainda assim, embora atualmente ninguém seja mais man-
dado para a fogueira da santa inquisição por discordar do que
está escrito na Bíblia, a maioria das pessoas sente-se
intimidada e ameaçada pela excomunhão, pelas pragas que
são rogadas, pelas maldições e ameaças de arder no inferno,
ao apontarem erros e incoerências do que está escrito na
Bíblia. Em geral, estas pessoas que contestam a Bíblia são
acusadas (pela via fácil da defesa religiosa) de serem o
anticristo ou de estarem incorporadas ou orientadas pelo
diabo."
"Mas, pai, você não vai ser acusado de anticristo, né pai?"
"Não sei. Pode até ser. Tem ignorante para tudo. A via
mais fácil de defesa da Bíblia é excomungar a quem contesta,
ameaçar com o inferno, chamar de herege ou coisa do
gênero. Mas também, se excomungarem, não faz a menor
diferença. Não será isso que irá alterar o rumo da minha vida
ou a firmeza das minhas contestações.
De uma forma errada e fundamentalista, os cristãos do
mundo inteiro são doutrinados a acreditar cegamente no que
está escrito na Bíblia, de preferência o mais cegamente
possível, sem perguntar, sem contestar e estão condiciona-
dos a idolatrar a Bíblia como sendo a "palavra de Deus", e a
aceitar e acreditar, fervorosamente, em tudo e qualquer
coisa, por mais estúpida que seja, sem questionar, de ver-
dade. Porque, questionar, para a igreja, é proibido, é profa-
no, é anticristão.
Para você, filho, entender as críticas à Bíblia, primeiramente
você tem que entender que a crítica e o questionamento
não são sacrilégio, heresia ou imoralidade. Porque perguntar,
questionar, tentar entender, não são sinais ou sintomas de
heresia. E, acima de tudo, antes de qualquer coisa, você tem
que ter a mente aberta. Até porque, os seus
questionamentos têm uma direção, uma finalidade, que é a
busca da verdade e de Deus.
Para saber o que diz a Bíblia, antes é necessário saber o que é
a Bíblia, como ela está composta e dividida, para depois você
tentar entender o seu conteúdo.
A Bíblia é um conjunto de livros, escritos por pessoas
normais, comuns, de carne e osso como eu e você, dife-
rentes somente por serem estudiosos de religião, que ano-
taram o que era passado pela tradição oral, boca a boca, e
que também copiaram e plagiaram grande parte do que está
escrito em outros livros e ensinamentos mais antigos, como
a Torah dos judeus, por exemplo. As palavras da Bíblia, em
grande parte, são palavras de sabedoria e ensinamento, mas
também tem muita bobagem, muita mentira, muito erro,
muita contradição, conforme a gente vai ver a seguir.
Portanto, a Bíblia não têm nada de "palavra de Deus", no
sentido literal. Isso é invencionice e historinha que aos
poucos você vai entender perfeitamente.
A Bíblia, embora existam muitas versões e traduções, uma
pluralidade de Bíblias, por isso mesmo não é um livro único,
de texto único, é um dos maiores focos de discórdia entre os
cristãos. Mas, de uma maneira geral, a Bíblia está dividida em
Antigo Testamento (com vários livros e vários autores,
sendo que o mais tradicional e idolatrado por determinados
segmentos religiosos é o Pentateuco, ou os cinco livros de
Moisés) e Novo Testamento (composto por quatro
evangelhos teoricamente escritos por quatro evangelistas:
Mateus, Marcos, Lucas e João, e mais alguns livros, cartas ou
epístolas, entre eles o Apocalipse, que dependendo do
século e da versão da Bíblia o Apocalipse ora está na Bíblia,
ora não está). Ou seja, resumidamente, Antigo Testamento,
Novo Testamento.
Inicialmente a Bíblia era somente o Pentateuco (os cinco
livros de Moisés), posteriormente foram acrescentados ou-
tros livros ao Antigo Testamento, e foi somente em 185
d.C., com o pronunciamento do Bispo Irineu, que os cristãos
começaram a aceitar os quatro evangelhos do Novo
Testamento. Entretanto, de fato, de fato mesmo, foi em 367
d.C. com a epístola papal de Atanásio que os quatro
evangelhos foram oficialmente aceitos, compondo o Novo
Testamento.
O Antigo Testamento, ou o livro do velho Deus, na parte do
Pentateuco, é parecido com um livrinho de histórias
infantis, falando sob a criação do mundo, da perseguição do
povo judeu e do sofrimento desse povo no Egito. Nele Deus
é apresentado de uma forma muito pequena, como um Deus
tribal, um Deus apenas dos hebreus (judeus), preocupado
com o povo hebreu (judeu) e com o seu quintal, como se o
infinito fosse pequeno e o mundo girasse somente em torno
de Israel, do Oriente Médio, Norte da África e o Oeste da
Ásia. E é neste livro de historinhas que é contado a
historinha fantástica de Adão e Eva, do dilúvio e da arca de
Noé, entre outras historinhas mirabolantes..., enfim, tirando
a parte de sabedoria, provérbios, ensinamentos e salmos, o
Antigo Testamento é um livro de conto de fadas dos adultos,
tendo como protagonista um Deus personificado como
velho, barbudo, sentado numa nuvem, muito semelhante ao
ser humano, que numa hora é vingativo e que em outra
enche-se de culpa e perdoa. Ou seja, carrega todos os
amores, paixões, ódios e defeitos do bicho-homem. É o
Deus velho, inventado e criado pelo homem, à imagem e
semelhança do ser humano.
Esse Deus velho "sentado numa nuvem", que não tem
nada a ver com o Deus imaterial, criador do universo ,
coitado, é digno de pena. Parece uma caricatura estereo-
tipada de um marido mandão, machista, preguiçoso, inde-
sejável, e que qualquer esposa reconheceria nele seu par-
ceiro de infortúnio. Só faltando sentar-se em frente da
televisão e gritar pedindo para a mulher trazer uma lata de
cerveja.
Esse Deus personificado, quase humano, descrito pelos
escribas autores do Antigo Testamento, assemelha-se muito
aos Deuses gregos e romanos, pois além de possuir emoções
e desejos notadamente humanos, Ele é do sexo masculino
(mulher naquele tempo não valia nada), tratava a mulher
como escrava ou como um ser ignóbil e inferior. Ficava
bravo com facilidade, espraguejava, vociferava, gritava,
enganava, mentia, se enfurecia, castigava, era vaidoso,
exibicionista, gostava de ser bajulado e de receber oferendas.
Tinha até umas pessoas de quem Ele gostava mais, e outras
de quem Ele gostava menos. E, tinha até um povo (judeu) de
sua preferência.
Por isso, filho, com um Deus tão humano como esse
descrito no Antigo Testamento, eu não me surpreendi quan-
do você me perguntou se Deus tinha avô, se Ele era homem
ou mulher, se era preto ou branco, se tinha pai, mãe. Você
não está errado não. É perfeitamente cabível a sua dúvida.
Esse Deus velho, do Antigo Testamento, assemelha-se muito
a um Papai Noel dos adultos.
Não bastasse o Antigo Testamento apresentar um Deus
velho improvável, acrescente-se ainda os erros e contradi-
ções gritantes do Antigo Testamento (a Terra era chata, era o
centro do universo, o Sol é que girava em torno da Terra. As
estrelas e os planetas eram fixos e pareciam lâmpadas
pregadas e penduradas no céu. Sem contar que o Sol poderia
ser parado durante algum tempo diante da Terra ou a Terra
diante do Sol e nada acontecer ao planeta Terra e ao sistema
solar).
Diante de tantos descalabros, ao longo dos anos, nem com as
fogueiras da inquisição e nem com as ameaças para que a
Bíblia fosse lida e interpretada diferentemente do que estava
escrito e fosse sempre dado uma interpretação alucinada e
mirabolante para as bobagens ali escritas, o Deus velho do
Antigo Testamento, o tal "velho barbudo sentado numa
nuvem", desacreditado, coitado, não resistiu e teve que
passar para a aposentadoria, imposta pelos próprios cristãos,
que renegaram este Deus e trataram de criar um novo Deus,
específico para o Novo Testamento.
Hoje em dia, as religiões cristãs (salvo os tradicionais
ortodoxos) evitam falar desse Deus velho, do Antigo
Testamento, evitam fazer referência a Ele, têm vergonha
d'Ele. Rezam para que não se fale do Deus velho do Antigo
Testamento. Preferem o Deus novo do Novo Testamento. O
novo Deus. O Deus da moda. O Deus do terceiro milênio.
"E quais são esses tantos erros bíblicos do Antigo
Testamento, pai?"
"Vamos por parte, com calma. Eu não quero que você
entenda a Bíblia na base da brincadeira, embora as vezes o
assunto descambe para o ridículo. Mas, ao contrário, quero
abordar a questão de maneira séria, citando os principais
casos de erros e contradições, para que, munido de fatos e
dados, você tire as suas próprias conclusões.
Da mesma forma, eu não gostaria que você, por falta de
informação, achasse que os budistas estão errados porque
vivem a vida somente preocupados com o lado espiritual e
esquecem da vida material, ou que os muçulmanos são uns
fundamentalistas radicais mandando todo mundo, que
contrariar as leis de Alá, arder no mármore do inferno. Ou
qualquer outra religião que tenha este ou aquele senão.
Diante de qualquer religião, por mais absurda que possa
parecer, respeite. Questione, mas respeite. Entretanto, não
abra mão de sua sanidade, de sua inteligência e de exercer o
seu direito de crítica. Questione. Questione sempre. Busque
a verdade e o conhecimento. Jamais leia a Bíblia ou qualquer
outro livro religioso de mente entorpecida, disposto a aceitar
coisas improváveis e absurdas, aceitando as coisas por
aceitar. Muito menos leia os ensinamentos religiosos com
desdém ou menosprezo. Busque a verdade como uma coisa
universal, atemporal, que viva e resista por séculos e séculos,
não por perseguição ou imposição, mas porque é lógica,
racional e compreensível.
Antes e acima de qualquer coisa, tenha em mente que Deus
não é regional, não é tribal. Deus não é um tiraninho de
aldeia, preocupado com coisas pequenas, com um povo,
com um lugar geográfico. Deus não é privilégio das Améri-
cas, da Europa, da África, ou da Ásia. Assim como não é
privilégio de país algum, seja da China, do Japão, de Israel ou
dos países Árabes. Deus é e tem que pertencer a uma
verdade universal. E toda vez que você estiver contrariando
a verdade universal você estará sendo tribal, regional, tendo
um ser pequeno de mente estreita como sendo um Deus,
restrito à sua tribo, ao seu mundinho, ao seu país ou
continente.
O cristão radical (fundamentalista), como qualquer
fundamentalista de qualquer religião, embora pense que
tem, não possui a verdade-verdadeira. O muçulmano radical,
embora pense que tem, não possui a verdade-verda-deira.
Cada religião arroga-se no direito de achar-se única e
soberana religião dona da verdade, chegando mesmo a sentir
pena e comiseração das demais religiões, acreditando que
lodo mundo pode ter uma religião, mas o seu Deus, o seu
Deus particular, é o único e verdadeiro Deus. E que o resto
do mundo está enganado a respeito de Deus.
Não caia nessa armadilha. Não crie um Deus para você. Não
invente um Deus. Busque o ensinamento, busque a
sabedoria, busque a universalidade da vida e você encontrará
Deus no amor, porque Deus é amor, Deus é paz, é perdão, é
o respeito e o amor ao próximo, independentemente da
religião que você professe. Pois só neste tipo de
universalismo o ser humano é solidário e compreensivo."
"Universalismo? O que é isso?"
"É o seguinte: O ser humano só concorda entre si nas
coisas universais. Paz, por exemplo, é universal e todo
mundo é a favor. Todo mundo concorda. Fome, por exem-
plo, é universal e todo mundo é contra. Mas, se o seu vizi-
nho no particular fizer uma besteirinha, der uma
pisadinha no seu calo... aí o tempo fecha. E com Deus é
mais ou menos a mesma coisa, pois, em princípio, todo
mundo concorda com Deus (salvo os ateus). Mas, quando
você sai do universalismo e particulariza a religião, dividindo
quem fica com o que... aí a coisa descamba e acaba partindo
até para o fundamentalismo e a intolerância religiosa. Por
isso é que eu estou dizendo que a gente deve primeiro
buscar as coisas imateriais e universais (paz, amor, perdão,
amor ao próximo, etc.) e fazer as religiões convergirem para
este foco, pois na particularidade cada religião puxa a brasa
para a sua sardinha.
O maior dos problemas causados pela religião, de uma
maneira geral, é a intolerância religiosa, o sectarismo, o
egoísmo e egocentrismo religioso. Cada qual achando a sua
religião a melhor do mundo, se não a única correta. E é
desta convicção tola, estúpida, de mente estreita, que nasce
o sectarismo, o fundamentalismo, a intolerância religiosa.
Isto porque, as religiões não colocam como fundamento
principal de sua existência o ensinamento, o conhecimento,
o questionamento, até mesmo da própria existência do ser
humano diante de Deus. Antes pelo contrário, preferem a
exploração da religião pelo domínio do medo (o castigo
"divino", o inferno e satanás, são a base disso) como uma
forma de manter o devoto da religião em permanente estado
de dúvida entre o céu e o inferno para manter a religião viva
acima de todas as coisas. Baseiam-se primordialmente na
ameaça da punição, do castigo, do céu contra a ameaça do
inferno.
As pessoas que temem o inferno ficam assombradas com a
punição eterna, cegas e dominadas pelo medo. A idéia de
inferno (como um lugar, uma região fixa e determinada) é
uma invenção maquiavélica para garantir a hegemonia
religiosa e estabelecer uma ditadura religiosa dominada pelo
medo. Essas pessoas que temem e acreditam no inferno
(como região, lugar fixo) vivem sua vida debaixo de uma
tirania muito maior do que qualquer ditador humano possa
estabelecer. Essas pessoas sentem-se constantemente
vigiadas e acreditam até que permanentemente haja um olho
"divino" vigiando todos os seus atos e até mesmo lendo os
seus maus pensamentos. Essas pessoas acreditam que todas
suas palavras estão sendo registradas, todas suas ações estão
sendo anotadas, até mesmo seus pensamentos mais íntimos
são conhecidos e julgados pelo mestre cruel, pronto para
aplicar, sem dó nem piedade, o castigo eterno."
"Então não existe o Diabo, pai?"
"Personificado... não. Com rabo e chifre, não. Assim
como não existe o Deus personificado, como um velho
barbudo sentado numa nuvem. O bem existe, tanto quanto o
mal existe. A bondade existe, tanto quanto a maldade existe.
Mas, daí você personificar Deus e o Diabo, à imagem e
semelhança do homem, colocando um barbudo sentado
numa nuvem e o outro de rabo e chifre numa fogueira, a
diferença é grande.
Se você falar no bem como forças de luz, tudo bem. Se você
falar no mal como forças das trevas, tudo bem, também. São
sentidos figurativos aceitáveis. Se você falar na lei do
retorno, ou seja, se você praticar o bem ele volta para você
ou se você praticar o mal você será vítima da sua própria
maldade, é compreensível. Pode-se até dizer que é uma "lei
universal" (a lei do retorno). Mas, colocar imagem para o
bem ou para o mal, aí já não faz mais sentido. Errado é
personificar, dar forma humana a uma coisa imaterial como
a bondade e a maldade, o bem e o mal, a Deus ou ao Diabo.
Quando as religiões transmitem ensinamentos (salmos,
provérbios, etc.) essas religiões são lindas e caminham na
direção certa. Mas, quando partem para a ameaça de você
(ou sua alma) arder no inferno, do castigo perpétuo, na
abusiva e descarada exploração do medo do ser humano ao
desconhecido, ao invés da pregação do amor, da sabedoria e
do conhecimento, essas religiões praticam o que há de pior
na humanidade. Voltam a agir como na época do
obscurantismo, como na idade média ou idade do terror,
como se o ser humano fosse o mesmo ignorante da idade da
pedra. E tratam o ser humano da pior forma que existe,
mantendo-o permanentemente amedrontado e em profun-
do estado de ignorância."
"Mas, pai, eu não quero saber muito das outras religiões,
depois a gente discute isso. Vamos falar sobre a Bíblia e os
problemas da Bíblia que é a religião mais perto da gente."
"Veja bem, filho, quando eu falei de outras religiões era
para deixar bem claro que eu não estava apontando esta ou
aquela como a religião ideal. Ao contrário, eu queria mostrar
que qualquer que seja a religião que você siga, fuja do
sectarismo e da intolerância religiosa. Adote a religião que
quiser, mas seja ecumênico na postura. Aceite antes de tudo
o ecumenismo como regra de convivência."
"Ecumenismo? O que é isso? É religião?"
"Não. O ecumenismo não é religião, é um tipo de
comportamento, como aquilo que eu falei ainda há pouco
sobre o universalismo. Mas, se você quiser adotar isso como
regra de vida, o ecumenismo até pode ser uma religião ou
uma convicção. O ecumenismo surgiu no início do
cristianismo sob a forma de gnosticismo, como uma solução
para a pregação do evangelho, de maneira a alcançar a maior
quantidade de gente possível. Foi a forma (gnóstica)
encontrada para congregar todas as tendências e
denominações religiosas debaixo da mesma religião cristã.
Ou seja, manter os cristãos unidos. Embora a idéia fosse boa,
não deu certo, pois a igreja católica quis coordenar o ecume-
nismo e centrar em si o ecumenismo, daí veio o fracasso e a
dispersão (mas a idéia de respeito e tolerância ecumênica é
muito boa).
Hoje em dia, o sentido de ecumenismo é bem mais amplo
do que o que foi tentado pela igreja católica no início. O
Ecumenismo é uma universalidade de religiões centrada na
disposição de convivência e no diálogo entre várias
tendências religiosas. Em termos simples, quer dizer,
aceitação de diálogo entre todas as religiões possíveis.
Mas, voltando ao cristianismo e à Bíblia, abordando
claramente a religião cristã, em especial a religião católica,
que é a que está mais próxima de você. Se você puder ler a
Bíblia e tirar dela os ensinamentos que ela contém, ótimo.
Leia os salmos, leia os provérbios, leia os ensinamentos. Há
muita coisa linda na Bíblia. É um livro fantástico. Mas leia a
Bíblia com a mente aberta, entendendo as coisas com o
coração, mas sem abrir mão do questionamento, da sua
sanidade e da sua inteligência. Não aceite as coisas por acei-
tar. Não aceite interpretações burras ou estúpidas para re-
mendar as bobagens do que foi escrito. Não aceite por ter
que aceitar, muito menos tenha a Bíblia como "a palavra de
Deus". A Bíblia foi escrita por seres humanos, de carne e
osso como você. E principalmente tenha em mente que
assim como existem estes livros que compõem a Bíblia,
existem trocentos outros que foram retirados ou negados a
sua inclusão na Bíblia por serem gnósticos ou "apócrifos",
contradizendo a verdade regional e local do oriente médio
nos séculos em que aquela realidade foi retratada.
Nós estamos falando da Bíblia (e não do Corão (Alcorão),
Torah, etc.) porque você, filho, está sendo parcialmente
direcionado para uma religião cristã quase que por
hereditariedade ou por uso e costume do país católico em
que você vive, porque é uma questão de cultura do nosso
povo. Fomos colonizados e catequizados por jesuítas. Fomos
criados e educados na religião católica, aceitando todos os ri-
tuais e sacramentos da religião: comunhão, batizado, casa-
mento, etc. Eu fui batizado, crismado, ia sempre à missa,
participava das atividades regulares da igreja, fiz encontro de
casais com Cristo, fui coroinha, congregado mariano, ajudei
missa, estudei teologia, acompanhei procissão. E, queira ou
não, os filhos tendem a adquirir as convicções religiosas dos
pais. Se eu fosse judeu, certamente você teria ensinamentos
da religião judaica. Se eu fosse muçulmano, você estaria
tendo ensinamentos da religião muçulmana. E assim por
diante.
O que eu estou querendo dizer é que, embora você esteja
tendo toda a base e ensinamento da religião cristã, por causa
da formação de seus pais, porque sua mãe é católica e eu um
dia fui católico, você não tem necessariamente que seguir os
passos do que os seus pais são ou foram um dia, e muito
menos o que somos agora. Ao contrário, você está livre para
escolher a religião que quiser. Não se atenha aos seus pais
como exemplos, até porque da mesma forma que eu
questionei a religião católica, a que eu pertencia, assim como
questionei várias outras religiões, antes de pensar em adotá-
las, cedo ou tarde você deverá questionar, também, tudo isso
que ora eu passo a você como informação.
"Se você não é católico, pai, qual é a sua religião?"
"Eu até poderia me considerar católico, na acepção da
palavra Katholikós = Universal, conforme usado pela
primeira vez no ano 110 por Inácio da Antióquia. Mas,
jamais me consideraria católico-apostólico-romano, por sé-
rias e quase irreconciliáveis divergências com a igreja ro-
mana (do riquíssimo Papa que mora no Vaticano). Desta
igreja, embora mantenha respeito, estou dela divorciado.
Honestamente eu não saberia classificar nominalmente a
minha religião, se é que o que eu acredito seja religião, c se
religião for, se ela tem nome.
No futuro, quando você tiver maior conhecimento, você
também poderá e deverá questionar tudo isso que estamos
debatendo agora.
Por agora, entenda somente que, racionalmente, nem a
Bíblia, nem Alcorão, nem a Torah, nem livro religioso
algum, embora sejam livros inspirados, com grandes e pre-
ciosos ensinamentos, nenhum desses livros é a "palavra de
Deus" (literalmente). São livros que foram escritos por
escribas, seres humanos, e como tal, são imperfeitos.
Esses livros não são a palavra de Deus, literalmente, porque
nunca um ser humano viu Deus, nunca um ser humano
falou com Ele, e muito menos Deus se prestou ao pequeno
papel de escrever um livro ou vários livros para dar aos seres
humanos um manual ou guia de sobrevivência na Terra,
como algumas religiões, de uma maneira geral, querem fazer
crer.
A bem da verdade, por mais contraditório que possa parecer,
todos os livros religiosos, sejam de quais religião forem
no sentido figurado são a palavra de Deus, porque toda
palavra inspirada, de sabedoria, é tida como a palavra de
Deus. Mas, acontece que espertos religiosos, aproveitam-se
do sentido figurado, garantem literalmente que tal e qual
livro é a palavra de Deus, como se Deus fosse um executivo
ditando o que lhe convém, enquanto um escriba qualquer
faz o papel de secretário particular de Deus. Isso é uma
bobagem infinita e de um fanatismo religioso sem
precedentes.
Note bem que isso de considerar determinado livro como "a
palavra de deus" não é privilégio da religião cristã. Acontece
em qualquer religião. E, por esta razão, por terem sido
escritos por seres humanos, todos os livros religiosos, seja de
que religião for, têm erros, têm contradições, têm mentiras,
tanto quanto é próprio dos seres humanos cometerem estes
tipos de erros. Até porque a perfeição humana não existe."
"Ah, então quer dizer que os erros que existem na
Bíblia também existem nos outros livros religiosos?"
"Claro que existem."
"E estes erros, pai, existem porque esses livros foram
escritos por seres humanos iguais a nós? E por isso esses
escritores da Bíblia cometeram um monte de erros?"
"Exatamente isso."
"Que erros bíblicos são esses, pai?"
"Bom, vamos ver se agora a gente engrena. Vamos
parar um pouco de explicações paralelas e começar a falar
sobre os erros e contradições da Bíblia sem fugir do tema.
Vamos falar primeiro do Antigo Testamento. OK?
Comecemos pela tentativa de explicação de como Deus
criou o universo e todas as outras coisas. Já aí, bem no
comecinho, a Bíblia vira um livro de conto de fadas, quando
tenta explicar a criação do mundo, do primeiro homem, da
primeira mulher (Adão e Eva). A questão torna-se confusa,
imprecisa, ilógica e irracional. A criação do mundo, das
coisas e dos primeiros seres humanos, não resiste à menor
análise, pois, conforme eu havia falado antes para você, todo
aquele que estiver revelando para você como o mundo
começou (Gênesis) e como ele terminará (Apocalipse), esse
alguém estará mentindo e falando de algo que nenhum ser
humano sabe e jamais saberá.
Não bastasse essa invencionice tola de conto de fadas, da
criação do mundo, os dois filhos de Adão e Eva, Caim e
Abel entram em disputa, um mata o outro, não se explica
como foi a questão dos sucessivos incestos dos filhos com a
mãe Eva (porque não havia outra mulher) para a criação da
humanidade. E aí, solenemente, os primeiros seres do
mundo saem de onde estão e encontram um povo distante.
Isso mesmo... um povo (Surgido como e de onde, se Adão e
Eva eram os primeiros seres humanos?). É como a historinha
de Papai Noel que precisamente à meia noite ele chega na
casa de todo mundo, no mundo todo, ao mesmo tempo. Ou
como o coelhinho da Páscoa que mesmo não sendo ovíparo,
coloca ovos, e de chocolate, e dá de presente para todas as
pessoas.
Se você acreditar em Papai Noel e Coelho da Páscoa você
tem tudo para acreditar na história da criação do mundo
relatada pela Bíblia.
Outra história fabulosa é a do dilúvio e da arca de Noé, onde
após chover terrível e ininterruptamente na Terra, por
dezenas de dias, alagando tudo, todos os animais da
humanidade, de todas as partes do mundo: das Américas, da
Europa, da África, da Ásia, da Oceania e mais os do Polo
Norte e do Pólo Sul lembrem-se que o mundo é muito
maior do que Israel ou o oriente médio, e os autores do
Antigo Testamento esqueceram-se disso -, todos os animais
do mundo dirigiram-se para um único local do planeta, onde
estava a tal arca de Noé. E milhares de espécies diferentes de
animais, muitos deles carnívoros e predadores entre si,
foram recolhidos numa arca e sobreviveram mila-
grosamente. Como se os carnívoros pudessem comer vege-
tais e como se os animais não se comessem entre si e não
fizessem suas necessidades fisiológicas na arca.
Já pensou milhares e milhares de animais, vindos de todas as
partes da Terra, a maioria composta de predadores entre si,
não comerem nada, nem uns aos outros e ainda por cima
fazendo xixi e cocô na arca? Isso faz parecer a história de
Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa ter uma credibilidade
acima de qualquer suspeita.
Envergonhados com isso e com outras histórias tolas e
absurdas, a maioria dos cristãos admite: "Acredito na Bíblia,
mas não acredito em Adão e Eva e na arca de Noé". Como se
isso fosse resolver o problema de credibilidade da Bíblia. A
falta de credibilidade da Bíblia e os grandes erros bíblicos
estão muito além de Adão e Eva e da arca de Noé.
Daí, quando você mostra mais e mais erros e contradições
da Bíblia, os mesmos cristãos, justificando, argumentam: "Eu
acredito na Bíblia, mas só no Novo Testamento". Como se
isso também resolvesse a questão. Renegam o velho Deus do
Antigo Testamento, sentado na nuvem, em troca de um
Novo Deus, novinho em folha, mais bonito e mais
charmoso,
Os cristãos não admitem, mas a maioria deles desejaria que o
Antigo Testamento nunca tivesse sido escrito. Por isso, eles,
envergonhados do velho Deus do Antigo Testamento, estão
mudando a adoração do sentido bíblico genérico de religião
(Antigo e Novo Testamento) para focarem a religião bíblica
somente num segmento evangélico específico de um novo
Deus exclusivo dos evangelhos do Novo Testamento.
"Mas, pai, além dessas historinhas que você citou, existe
ainda tanto erro e contradição assim na Bíblia?"
"Existe, filho. Muito mais do que você possa pensar.
Alguns teólogos e pesquisadores chegaram a apontar mais de
dois mil erros e contradições bíblicas. Logicamente, não
vamos falar sobre todos esses erros e contradições bíblicas,
mas somente alguns mais relevantes, mais gritantes, para
você poder compreender e entender bem o que estou
falando, até para que você entenda, de vez, que a Bíblia é
um livro de humanos, escrito por humanos, para humanos.
(Sem que isso seja vergonha ou demérito algum) Vamos
começar pelo Antigo Testamento do velho Deus sentado
numa nuvem. Vejamos alguns exemplos:"

Quem é Deus e o que é Deus, segundo a Bíblia?

Por uma questão de tradução do texto original da Bíblia para
diversos idiomas, a palavra Deus é freqüentemente utilizada
como uma palavra só: Deus. Entretanto, o próprio nome
"Deus", no original, era considerado tão sagrado, tão sagrado,
que era representado por um tetragrama (quatro letras) que
nem pronunciar seu nome era possível ou permitido. Assim
é que nos textos originais existem várias palavras que
referem-se a Deus. Porém, o mais estranho disso, não é
chamar Deus por vários nomes diferentes, mas tratá-lo
como se Deus fossem várias pessoas diferentes e existissem
vários Deuses. Senão, vejamos os nomes pelo qual Deus ou
os Deuses são citados pela Bíblia, no original:

1) Elohim / Eloah (Vindos do céu).
2) El Chaddai (Onipotente / O todo poderoso)
3) Elión (O Altíssimo)
4) Adonai (Divino)
5) Javé (O Deus vivo) Jeová de Jehovah, transliteração das
quatro letras impronunciáveis (IHVH, JHVH, JHWH,
YHVH e YHWH) que designavam Deus, cujo nome era tido
por sacratíssimo, não podendo sequer ser pronunciado em
voz alta.

"Afinal de contas, pai: Quem é Elohim? Quem é Eloah?
Quem é El Chaddai? Quem é Elión? Quem é Adonai? Quem
é Javé? Quem é Jeová? São todos a mesma pessoa? Ou são
vários deuses?"
"Aparentemente, filho, são a mesma pessoa. Mas
como a própria Bíblia diz que existem vários Deuses..."
"Vários Deuses? Mas Deus não é um só?"
"Pois é... veja só:"

Quantos Deuses existem? (Deuteronômio 6:4) "O
senhor vosso Deus é o único Senhor."
Essa é uma presunção universal bastante conhecida, e que
defende a tese do monoteísmo. Só não é dito se este Deus
único é homem ou mulher, preto ou branco, novo ou velho,
tem pai ou mãe, tem avô... aceita-se, informalmente, como
um Papai Noel de adultos, um Deus velho, mitológico,
sentado numa nuvem. Uma versão mais moderna do
mitológico Zeus (Deus dos gregos) ou de Júpiter (Deus dos
romanos).

(Gênesis 1.26) "Também disse Deus: Façamos o homem à
Nossa imagem, à Nossa semelhança."
Opa... pera aí... Nossa? No plural? Se Deus é único, não pode
haver plural... É uma questão de lógica elementar.

(Gênesis 3.22) "Então disse o senhor Deus: "Aqui está o
homem, que pelo conhecimento do bem e do mal, se
tornou como um de Nós.
Novamente aqui Deus fala dele e de seus companheiros
Deuses, no plural, deixando claro que Deus é plural (mais de
um) e não singular (único).
Essa questão pode ser resolvida de algumas formas. A mais
simples é atribuindo erro na "versão" da Bíblia que você
possui. Afinal, as Bíblias são muitas, têm várias traduções, e
muitas versões, tendo sempre uma com redação mais
propícia e mais adequada ao gosto de cada grupo religioso a
que pretende convencer.
A outra forma é alegar que o plural, no caso, é uma figura de
estilo, usado como um "plural majestático". Exatamente igual
quando uma pessoa fala "nós isso... nós aquilo" querendo
dizer "eu'. (É uma desculpa até que razoável, diante das
tantas coisas indesculpáveis, mas ainda assim é uma desculpa
bastante esfarrapada)
Bem, a seguir, vem a perfil cruel de Deus."
"Como assim?"
Um Deus cruel e assassino (Números 15.32)
"...encontraram um homem a apanhar lenha num dia de
sábado (...) Então o Senhor disse a Moisés: Esse homem
deverá ser punido com a morte (...) e o apedrejaram até
morrer, como o Senhor tinha ordenado a Moisés."
Caramba!!! Veja só !!! Só porque o pobre coitado do homem
estava apanhando lenha num sábado, e antigamente o
sábado era santificado para os judeus, lá veio o velho Deus
rancoroso dos hebreus, raivoso e assassino, sentado na
nuvem, e mandou seu discípulo predileto, Moisés (e maior
figura do judaísmo) apedrejar até matar o pobre coitado do
apanhador de lenha.
Em resumo, um sujeito, um pobre coitado, foi apanhar
lenha, e só porque era sábado, Deus vai e manda Moisés
apedrejar e matar o pobre coitado. E o pior... Moisés vai lá e
mata o sujeito, cumprindo uma determinação "sagrada",
"divina".
Você acredita neste Deus, filho? É esse o seu Deus? Vamos a
mais exemplos:"

(Êxodo 20.13) "Não Matarás"
Um belo ensinamento, como tantos outros que existem na
Bíblia. Até aí nada demais. É parte daquilo que foi dito
antes... quando a Bíblia cria normas de conduta, de
comportamento ou ensinamentos tudo vai muito bem... mas
quando descamba para atender os interesses dos sacerdotes
donos da religião...

(Levítico 24.17) "Quem matar alguém, será morto"
Aí já começa a "Lei de Talião". Olho por olho, dente por
dente. É a lei da vingança. É o Deus vingativo, odioso. Um
Deus de amor não pode, jamais, possuir uma lei destas. Não
existe sabedoria alguma nisso. Isso é de uma falta de
sabedoria assustadora. Algo bem medíocre, bem ao estilo
dos sacerdotes e escribas do templário judeu que mandaram
escrever a Bíblia sob encomenda. Aliás, Mahatma Gandhi
destroçou esse ensinamento odioso, raivoso, praticando
aquilo que os gurus e pacifistas (como Cristo) sempre
praticaram: a não-violência.
Inspiradíssimo, Gandhi ensinou: "Olho por olho, dente por
dente, e a humanidade terminará cega e banguela".
(Perfeito!!!)
Ressalte-se que Jesus também se insurgiu contra este
"ensinamento" bíblico, contra esta "Lei de Talião". E foi
exatamente nesta hora que Ele falou que não devemos
revidar, mas sim oferecer a outra face.

(Samuel 6.19) "O Senhor... feriu deles setenta homens. O
povo chorou, porquanto o Senhor fizera tão grande
castigo...Quem poderá estar na presença do Senhor? E para
onde poderá se afastar?"
Meu Deus !!! Mas o que é isso? Um Deus que deveria ser
somente amor, paz, fraternidade, impondo o medo e o
terror? Que Deus louco é esse, que castiga, impõe tanto
medo que nem deixa espaço sequer para onde o povo possa
correr?

(Oséias 14.1) "Os seus filhos cairão ao fio da espada, serão
despedaçados, e aberto os ventres das mulheres grávidas".
Pelo amor de Deus!!! (Do meu Deus, logicamente... não esse
Deus velho aí) Um Deus que despedaça filhos e mulheres
grávidas, abrindo-as ao meio... ??? Esse não é o meu Deus, de
maneira alguma. E ainda querem que adoremos um Deus
assassino desse calibre, que passa os pobres no fio da espada
e despedaça mulheres grávidas abrindo-lhes os ventres.

(Deuteronômio. 20. 16) "Quanto às cidades daqueles povos
que o Senhor teu Deus dá para ti por herança, não deixará
subsistir nelas uma só alma."
Um Deus justo e universal, que prega o amor, a paz, a
fraternidade entre as pessoas nunca falaria para religiosos
selvagens sacrificarem pessoas indefesas, derrotadas, não
deixando vivo uma só alma. Isso é uma mentira de sacer-
dotes saduceus selvagens e tribais para justificar o roubo e
assassinato de seus vizinhos. Isso é a pregação do ódio, do
medo. Foi sustentado nisso que muitas religiões se
mantiveram por séculos e séculos. Na pregação do medo, do
terror, da ameaça. Ensinava-se antes temer a Deus do que a
amá-lo. Ensinava-se a matar o inimigo e não deixar subsistir
uma só alma.
Desde quando "não deixará subsistir nelas uma só alma" é
um ensinamento divino ou um conselho de Deus?
Deus, o verdadeiro, o de verdade mesmo, é amor. E um
Deus que é amor não pode mandar fazer carnificina, matar
apedrejando, matar crianças e abrindo mulheres grávidas ao
meio ou matando tudo que respire.
Esse Deus, velho e caduco do Antigo Testamento, é
exatamente o Deus que mata os cristãos de vergonha e faz
com que sintam vergonha do Antigo Testamento e procu-
rem abrigo e um novo Deus no Novo Testamento.

O império do terror (Deuteronômio 28.16) "Serás
maldito na cidade e nos campos... malditos serão os frutos de
suas entranhas... serás maldito quando entrares e maldito
quando saíres... O Senhor suscitará em tua casa a infelicida-
de, a desordem, a ruína... até que sejas aniquilado. O Senhor
enviar-te-á a peste... O Senhor ferir-te-á com a consumpção
(definhar), com a febre, com inflamações de toda espécie,
com apatia, com icterícia que te perseguirão até que
sucumbas. O Senhor afligir-te-á... com hemorróidas, com
sarna seca e sarna úmida, de que não poderás curar. Casarás
com uma mulher e outro a possuirá. Edificarás uma casa e
não morarás nela. Plantarás vinhas e não colhereis frutos. O
Senhor ferir-te-á nos joelhos e nas coxas com furúnculos
maus, incuráveis, que se estenderão da planta dos pés ao
cimo da cabeça. Todas essas maldições cairão sobre ti se não
obedeceres à voz do senhor".
Este é o império do terror. (Você será maldito, seus filhos
serão malditos, sua mulher se deitará com outro, você terá
furúnculos incuráveis, hemorróidas, peste, icterícia, sarna
seca, etc., etc., etc.). Esta é a forma odiosa e repulsiva como
os religiosos saduceus, gerentes de templo, amedrontavam e
aterrorizavam as pessoas medrosas e ignorantes, obrigando-
as a acreditarem na Biblia como sendo a voz e a "palavras de
Deus" (As pragas de ontem, são o inferno e o diabo de hoje).
E, infelizmente, é baseado neste medo, neste terrorismo,
que as religiões inspiradas na Bíblia se mantiveram por
séculos e séculos e se mantêm nos dias de hoje.
Nada disso tem a ver com Deus. Nada disso tem a ver com
amor, são insanidades feitas e pregadas na Bíblia por
religiosos espertos e interesseiros, visando manter os fiéis
debaixo de um regime de terror e na ignorância como se as
palavras da Bíblia fossem infalíveis e tivessem sido ditadas
por Deus e feitas em nome de Deus.

O Deus vingativo (Jeremias 13.14) "Fá-los-ei em pe-
daços, atirando uns contra os outros, tanto os país como os
filhos, diz o Senhor. Não terei compaixão, nem piedade,
nem clemência, para que não os destrua."
(Deuteronômio 21.18) "Se um homem tiver um filho
rebelde... este será levado ao conselho de anciãos e morrerá
apedrejado por todos os habitantes da cidade. Assim
eliminarás o vício, e todo o Israel, ao sabê-lo, terá grande
temor."
(Êxodo 11.4) "Assim falou o Senhor: Pelo meio da noite
passarei pelo Egito, todo primogênito morrerá, desde o
primogênito do faraó até o primogênito da escrava..."
Deus! Deus! Deus! Quem poderia adorar um Deus como
esse? É um Deus tirano, raivoso, vingativo. É o Deus dos
hebreus, dando força específica ao sinédrio ("será levado ao
conselho de anciãos..."). Mostra o lado mais negro e cruel do
ser humano. Isso só faz com que "fiéis" amedrontados que
não pensam, não raciocinam, não questionam, apenas se
abaixem e rastejem diante desse Deus tirano. Só um ser
humano acovardado, amedrontado e ameaçado poderia
adorar cegamente a um Deus assassino, sanguinário, tirano,
vingativo como o que a Bíblia descreve como o Deus velho
do Antigo Testamento, sentado numa nuvem.
Esse é o Deus que mata os cristãos de vergonha. Esse Deus,
hebreu (judeu), amigo de Moisés, é tão estranho e íntimo de
Moisés que até fornece o seu roteiro de viagem... "pelo meio
da noite passarei pelo Egito"... e depois, num grande conluio
com Moisés e com o povo hebreu (judeu), volta toda sua ira
contra os egípcios, ameaçando desde o faraó até a última
escrava. (Dá para acreditar num Deus desses?)
Que Deus é esse que ameaça fazer as pessoas em pedaços,
atirando uns contra os outros, pais contra filhos, sem ter
compaixão, piedade ou clemência?

O Deus Mentiroso (Êxodo 20.16) "Não dirás falso
testemunho contra teu próximo"
É um belo ensinamento. Mas, no entanto, veja a seguir...
(Reis 22.23) "O Senhor pôs o espírito da mentira na boca de
todos os profetas, e o senhor falou o que é mau contra ti."
Vamos tentar entender... A "palavra de Deus", ou o que
querem que seja a "palavra de Deus" diz para não haver falso
testemunho contra o próximo. Mas, ao mesmo tempo essa
tal "palavra de Deus" diz que foi o Deus velho do Antigo
Testamento, aquele velho barbudo sentado numa nuvem,
quem pôs o espírito mentiroso na boca dos profetas...???... É
isso?

(II Tessalonicenses 2.11) (Aqui indo adiante ao Novo
Testamento) "Por isso é que Deus lhes mandará uma potên-
cia enganadora, a operação do erro, para darem crédito à
mentira."
E ainda reforça... Deus manda errar, induz ao erro, para dar
crédito às mentiras.
Realmente, os seres humanos que se diziam inspirados por
Deus para escrever os textos bíblicos apresentaram-se de
corpo inteiro, com todos os seus enormes defeitos humanos,
nos textos que redigiram.
Esse Deus, descrito no Antigo Testamento, (e corroborado
por Paulo em Tessalonicenses) não pode ser o Deus de
qualquer ser humano com um mínimo de raciocínio e
discernimento.

Adoração de imagens (Êxodo 20.4) "Não farás para ti
imagens esculpidas."
Aqui a Bíblia fala para não fazer ou adorar imagens e
esculturas. Ou seja, não adorar essas tais esculturas de santos
que você vê espalhado por tudo quanto é igreja por aí...
esculturas e imagens de santos, anjos, padroeiros, etc., dessas
que a gente vê, adora, venera e compra a retalho por aí nas
lojas e nas igrejas.

(Êxodo 25.18) "Farás dois querubins de ouro batido... um em
cada lado das extremidades do propiciatório."
Veja bem... em Êxodo 20 diz que é para não adorar imagens.
Já em Êxodo 25 a ordem é para fazer imagens (esculturas) de
querubins de ouro. E tem gente que acha que isso não é
contradição.

O Deus perfeito, sem arrependimento? (Números
23.19) "Deus não é mortal para mentir, nem filho de Adão
para que se arrependa ou mude de opinião."
Aqui Deus não mente e não se arrepende. Embora já
tenhamos visto anteriormente Deus mentindo e colocando a
mentira na boca dos profetas.

(Êxodo 32.14) "E o Senhor arrependeu-se do mal e das
ameaças que proferira contra o seu povo."
Aqui, o Deus que não se arrepende, já se arrependeu. É ou
não é contradição?

(Gênesis 6.7) "Então arrependeu-se o Senhor de haver feito
o homem sobre a terra, e isso lhe pesou no coração (...) pois
me arrependo de os haver feito."
Aqui, mais uma vez, o Deus perfeito que não se arrepende,
se arrepende novamente. São contradições e mais contra-
dição, fruto da pluralidade, diversidade, de escribas, seres
humanos, que escreveram a Bíblia sob encomenda dos
sacerdotes e religiosos. Mas, o mais estranho é como na
Bíblia Deus é feito de bobo, de idiota... Todo mundo (na
Bíblia) é esperto e bonzinho... David é espertíssimo, Moisés
é super esperto, 'Noé é inteligentíssimo... só Deus, coitado, é
um bobo aloprado e tem que ser instruído e acalmado a todo
instante.
Na história do bezerro de ouro, Deus é um destemperado,
perde a compostura, se irrita, diz que vai fazer e acontecer,
vai mandar matar todo mundo e Moisés, o calmo, o
tranqüilo, o equilibrado, dá uma acalmada no Deus
temperamental (e mata somente três mil pessoas). No caso
anterior, de Gênesis 6.7, Deus se irrita (é quase o seu estado
normal, a irritação), fica arrependido de ter criado o ser
humano, e revoltado diz que vai acabar com a humanidade.
Aí, o "calmo" e sapiente Noé dá uma lição de moral em
Deus, ri da birra e da infantilidade de Deus, acalmando-o e
fazendo-o voltar ao equilíbrio...
Como os hebreus (judeus) vivos, Noé e Moisés, são
bonzinhos e como Deus é um destrambelhado, segundo a
Bíblia...dos hebreus (judeus).

A escravidão abençoada por Deus (Levíticos 25.44-
46) "O escravo ou escrava que pretendais adquirir, devem
sair dos povos que vos rodeiam... Podê-los também comprar
entre os filhos dos estrangeiros... Podeis deixá-los em
herança aos vossos filhos, afim de que os possuam depois de
vós, tratandoos perpetuamente como escravos..."
Aqui Deus não só incentiva a escravidão como cria
verdadeiras normas (na realidade um tratado escravagista)
regulando a escravidão, incitando os "senhores" a comprar
escravos dos filhos dos forasteiros e dos povos vizinhos,
como se os forasteiros não fossem gente. (Uma visão bem
tribal do povo judeu que habitava o Oriente Médio e que
espalhou variantes de sua religião pelo mundo).

(Êxodo 21.2,7) "Se comprares um escravo hebreu, seis anos
servirá; mas ao sétimo sairá forro de graça...Se um vender
sua filha para ser escrava, esta não sairá como saem os
escravos."
Como um Deus tribal, o Deus dos hebreus, estabelece dois
tipos de escravidão: 1) Para os escravos não judeus,
adquiridos dos povos vizinhos a escravidão era perpétua
(Levíticos 25.46). 2) Mas, se o escravo fosse um judeu
(hebreu) a escravidão só durava seis anos... (Esperta essa
lei...!!!)
Legal esse Deus hebreu!!! Escravidão eterna para todo
mundo e escravidão máxima de seis anos para os hebreus
(judeus).
Para deixar bem claro que o Deus velho do Antigo
Testamento é feito, criado e inventado à imagem e
semelhança dos homens que o inventaram, e que este Deus
não passa de um Deus tribal dos hebreus, um tiraninho de
aldeia, aqui, novamente, faz a pregação em favor da
escravidão, visando manter e garantir os privilégios dos
senhores nobres e sacerdotes, assim como atender aos
interesses econômicos da época. E, logicamente, mesmo
garantindo o interesse econômico da escravidão, estabelece
que a escravidão para todas é perpétua, mas para os hebreus
(judeus) é só por seis anos...
Igualdade e justiça não são o forte desse Deus hebreu velho
do Antigo Testamento. Atender aos interesses religiosos de
amor, perdão, e compreensão que deveriam nortear uma
religião realmente inspirada em sentimentos divinos, nem
pensar...

(Êxodo 21.4) "Mas se for o senhor quem lhe deu uma es-
posa, e ele teve dela filhos ou filhas; a esposa e as crianças
dele serão de seu senhor e ele escravo sairá apenas com suas
roupas do corpo."
Aqui, é dado seqüência ao tratado bíblico escravagista de
como deve ser o comportamento tribal dos senhores nobres
diante dos escravos e da plebe ignara.
Esse é o Deus velho do Antigo Testamento, sentado numa
nuvem, o Papai Noel dos adultos, que os cristãos têm tanto
medo e vergonha de admitir como Deus, pois não só
incentiva a escravidão, como estabelece normas e regras
para se manter e cuidar de um bom escravo.

(Êxodo 21.5-6) "E se o escravo disser claramente, amo meu
senhor, minha esposa, e minhas crianças: Não sairá livre...
então o senhor o trará até os juízes... e o amo dele furará a
sua orelha com uma sovela; e ele o servirá sempre como
escravo."
Decididamente, isso não é um livro santo, isso é um tratado
escravagista. Não é a palavra de Deus, e esse não é o Deus
que uma pessoa com um mínimo de inteligência possa
aceitar.
Isso que está escrito em Êxodo 21 é vergonhoso, mostra
exatamente a pequenez do Deus tribal de Israel que foi
criado à imagem e semelhança do homem. A igreja, de uma
maneira geral, sempre esteve ao lado do Estado por séculos e
séculos, e sempre apoiou a escravidão. Sempre serviu ao
atraso da humanidade, defendendo as classes dominantes.
Sempre foi o cerne do obscurantismo. Esses dispositivos
religiosos, bíblicos, são a prova mais viva disso e a mais
contundente das provas. E o pior é que considerando-se a
Bíblia como "a palavra de Deus" todos estes textos em defesa
da escravidão são textos tidos como se fossem santos,
inspirados como se fosse Deus falando, e foi desta forma
c|ue estes textos bíblicos serviram para justificar a escravidão
no mundo todo por muitos e muitos séculos e até re-
centemente justificavam (a sério) o apartheid na África do
Sul, como se fosse algo divino, inspirado.
Acredite ou não, os escravagistas, os defensores da es-
cravidão e do apartheid racial justificavam, a sério, para o
povo e para o mundo, que a escravidão e a superioridade de
uns homens sobre outros era legítima e fruto da inspiração
divina e que esta superioridade dos brancos sobre os negros
estava, inclusive, em Êxodo, e portanto era a "palavra de
Deus" valorizando os brancos e escravizando os negros.

A vingança hereditária (Deuteronômio 24.16) Os pais
não serão mortos pela culpa dos filhos, nem o filho pela
culpa dos pais.
Até aí tudo bem. Parece um ensinamento lógico que
fundamenta até um princípio legal, de direito (princípio da
personalização da pena e da sua não-transmissibilidade).

(Isaias 14.21) "Preparai-vos para a matança dos filhos por
causa da maldade de seus pais."
Pronto... lá vem de novo o velho Deus do Antigo Tes-
tamento pregando a matança de inocentes, o morticínio, a
chacina, a mortandade. E principalmente difundindo o ter-
ror, o medo, atribuindo aos filhos a punição hereditária por
culpa dos pais.
Esse não é e não pode ser o Deus de quem quer que seja que
tenha um mínimo de raciocínio elementar.

O Deus tribal, um tirano de aldeia (Deuteronômio
13.6-8) "Se teu irmão, o filho de tua mãe. Ou teu filho, ou
tua filha, ou tua esposa a quem trazes no teu seio. Ou teu
amigo a quem amas como a tua alma, te quiser persuadir,
dizendo-te em segredo, vamos servir outros Deuses... Tens o
dever de matar... Apedrejá-lo-ás porque ele quis apartar-te
do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito da casa da
servidão."
Aqui, o Deus velho do Antigo Testamento, sentado numa
nuvem, mostra toda a sua pequenez, sua face menor. Não só
está distante de questões realmente importantes como:
amor, paz, compreensão, fraternidade, justiça, perdão e de
questões cósmicas e universais, como exibe-se na qualidade
de um Deus tribal, um tiraninho de aldeia, preocupado com
os adeptos que possam deixar de contribuir para a riqueza de
sua religião de hebreus e que possam passar para outras
religiões, adorando outros deuses.
O Deus velho do Antigo Testamento é tão claramente
humano e tão descaradamente inventado pelos humanos
que quase pode-se ver o choramingo de Deus: "Não vão me
abandonar por outros Deuses. Afinal de contas quem te
mandou ser escravo no Egito não fui eu, mas quem te li-
bertou da escravidão egípcia fui eu... no mínimo, você me
deve gratidão".
Pobre velho Deus velho do Antigo Testamento, sentado
numa nuvem, criado e inventado por homens... Chega a ser
ridículo assistir o choramingo desse Deus velho, implorando
para que não o deixem só e não o troquem por outros
Deuses ou por outras religiões e invocando uma reserva de
mercado, um "direito de preferência" na escolha religiosa.
Acredito em Deus. Lógico que acredito em Deus. Mas não
tenho nenhum tipo de desespero ou medo suficiente a
ponto de ter que acreditar num Deus medíocre, falho, falso,
como esse Deus hebreu medíocre do velho do Antigo
Testamento.
Acredito em um Deus de amor, que é grande, infinito, mas
nunca poderia acreditar em um Deus bizarro, pequeno,
tribal, exclusivo dos judeus, odiosamente pequeno. O
verdadeiro Deus do universo não é pequeno. O Deus que a
Bíblia descreve no Antigo Testamento é um Deus muito
insignificante para uma crença inteligente. Quem poderia
adorar um Deus como esse Deus do Antigo Testamento que
é uma ofensa e afronta à inteligência alheia?
Não posso e não acreditarei num Deus assim. Esse Deus c
uma mentira, uma impostura. É uma blasfêmia contra a
própria idéia de Deus.
Com um Deus medíocre como o Deus descrito no Antigo
Testamento, os sacerdotes saduceus e os escribas nem
precisavam se dar ao trabalho de criar a figura do Diabo. O
próprio Deus já é uma ameaça de sofrimento eterno.

(Êxodo 29.45-46) "Residirei entre os filhos de Israel, e serei
o seu Deus....e eles saberão que eu sou o Senhor seu Deus
que os tirei fora da terra do Egito e que eu posso morar entre
eles: Eu sou o Senhor seu Deus."
Quanta arrogância !!! E quanta estreiteza geográfica. Um
Deus tribal, restrito aos hebreus, aos filhos de Israel, um
tirano de aldeia, sem grande alcance, preocupado somente
com a tribo de Israel e o seu relacionamento com o Egito. É
um Deus pequeno demais, tribal demais, criado por
sacerdotes hebreus, para justificar as cobranças de dízimos e
de prestação de serviços de sacramentos e para justificar as
atrocidades que a tribo dos hebreus cometeu durante
séculos.
Pobre Deus velho, do Antigo Testamento. E querem fazer
desses escritos bíblicos a "palavra de Deus".
Claro que isso, esse amontoado de bobagens e atrocidades,
não é a palavra de Deus.
Deus é bom e é da paz? (Deuteronômio 32.4) "Ele é
justo e reto.
Este é e deve ser o princípio do que seja Deus. O Deus
inspirado no amor, cósmico, universal, baseado no princípio
de justiça e da retidão de caráter."

(Isaias 45.7) "Eu sou o Senhor... formo a luz, e crio as trevas,
eu faço a paz e crio o mal, faço a felicidade e a
infelicidade..."
Pronto, aí já começa o dedo humano com suas bobagens,
invencionices e as interferências dos desejos dos escribas e
sacerdotes.

(Êxodo 15.3) "O Senhor é um guerreiro, ele é quem dirige as
batalhas."
Aí está, de corpo inteiro, o retrato fiel do Deus dos hebreus,
o Deus particular de Israel.. Tem que ser forte, tem que ser
guerreiro, tem que matar, tem que mandar matar, tem que
impor o medo e o terror, senão eles acreditam que Deus
não será temido o bastante para ser respeitado como Deus.
Já o Deus do amor, da paz, da compreensão, da fraternidade,
da justiça, do perdão, não passa nem perto dos textos
bíblicos do Antigo Testamento.

O incitamento à caça às bruxas (Êxodo 22.18) "Não
deixarás viver a feiticeira. (20) Aquele que oferecer sacrifício
a outros deuses será exterminado.
Tu castigarás de morte aqueles, que usarem de sortilégios, t
de encantamentos."
Guarde bem esta passagem bíblica. Foi exatamente este
trecho raivoso e discriminatório que fundamentou os
maiores assassinatos da história da humanidade. Foi alegando
obedecer à Bíblia e perseguir a bruxaria, sortilégios e
encantamentos que, sacerdotes e religiosos, dizendo-se agir
em nome de Deus, que se praticou chacinas (orno a caça às
bruxas, a santa inquisição e trocentas perseguições religiosas
espalhadas pelo mundo obscuro da regueira religiosa. Bastava
alguém ser acusado de bruxaria ou sortilégio ou de estar
usando de encantamento para ser acusado, pela igreja, de
ser bruxa para ser "purificada" na fogueira.
Esta citação bíblica "Não deixarás viver a feiticeira"
inspirou um dos episódios mais negros da humanidade, e
uma das maiores vergonhas pela qual o ser humano se viu
rebaixado. Uma mancha indelével e que jamais será
esquecida pelos registros históricos.
Outro importante destaque é para a exclusividade do
"franchising" religioso. Ou seja, Aquele que oferecer sacrifí-
cio a outros deuses será exterminado. Quer dizer, você so-
mente poderá dar dinheiro para este templo, para esta reli-
gião. Sua alma e seu dinheiro Me pertencem. Se fores adorar
outros Deuses serás exterminado...
Lamentável... Terrivelmente lamentável. Não é à toa que
cristãos do mundo inteiro sentem vergonha do Antigo
Testamento, evitam-no de todas as formas e restringem-se a
reconhecer basicamente o Novo Testamento.

As exigências de ofertas para Deus (Gênesis 22.2)
"Deus disse a Abrahão: "Toma teu filho, teu único filho
Isaac, e a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali
em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei."
(Êxodo 22.29) "Não tardarás em trazer ofertas do melhor das
tuas ceifas e das tuas vinhas; o primogênito de teus filhos me
darás. Procederás da mesma forma com o primogênito de
sua vaca e de sua ovelha..."
Holocausto perpétuo (Êxodo 29. 38) "Sobre o altar
oferecereis o seguinte: dois cordeiros de um ano,
diariamente e para sempre. Um oferecido de manhã e outro
à tarde. Com o primeiro cordeiro, oferecerás um décimo de
flor de farinha, amassada, com um quarto de azeite, e um
quarto de vinho... este holocausto será perpétuo..."
É o império do terror e da vigarice religiosa.
Existe alguma dúvida de que este Deus velho do Antigo
Testamento, sentado numa nuvem, tal qual Zeus (Deus dos
gregos) ou Júpiter (Deus dos romanos), é o Deus dos hebreus
(judeus)? Esperto, esse Deus... antes de cuidar das questões
existenciais e universais (amor, perdão, compaixão,
fraternidade, etc.) trata de instituir um esquema de ofertas
para manutenção dos espertos sacerdotes e religiosos
representantes comerciais de Deus na Terra. Na verdade,
além de instituir o sistema de ofertas, estabelece a oferta
como algo sagrado, pertencente a Deus, e que, portanto, se
for desobedecido poderá ensejar grande castigo, inclusive a
ira de Deus, que conforme já vimos anteriormente, domina
tudo e a todos pelo medo, pelo terror, matando ou
mandando matar.
Aqui nesta passagem bíblica os espertos sacerdotes, como se
fosse Deus falando, instituem a vigarice do dízimo perpétuo,
para manter as igrejas ("oferecerás um décimo de flor de
farinha") e ainda criam a exigência de ofertas obrigatórias,
mantendo o pobre coitado do povo sofrido em permanente
estado de miséria, obrigado a dar tudo que é seu para a
manutenção dos espertos sacerdotes dos templos,
representantes comerciais do Deus de Israel na Terra..
A cumprir essa vigarice de Êxodo 29, o pobre coitado do
crente e temente a Deus deveria viver em função de dar
"dízimo" perpétuo à igreja e de não fazer outra coisa na vida
a não ser dar seus bens para a igreja. Isto porque de manhã e
de tarde ele, o pobre crente, tinha que dar "dois cordeiros de
um ano, diariamente e para sempre. Um oferecido de
manhã e outro à tarde". E o mais apavorante: "este
holocausto será perpétuo..."
Mas, o mais cruel é perceber a interferência humana dos
escribas judeus nesta história toda. Veja bem. Segundo a
Bíblia, a "palavra de Deus", oferecer sacrifício ao Deus dos
hebreus é mais do que obrigatório, para poder sustentar e
manter os sacerdotes que vendiam estes mesmos animais
nos templo (motivo da ira de Jesus) para serem mortos em
sacrifício (holocausto) ao Deus dos hebreus.
Entretanto, os "espertos" sacerdotes vigaristas (a quem Cristo
expulsou do templo como vendilhões) fizeram constar na
Bíblia, como se fosse a "palavra de Deus", que oferecer
sacrifício a outros Deuses (que não fosse o Deus dos
hebreus) deveria ser punido com a morte.
Isso é uma descarada vigarice religiosa. Isso é a exploração
religiosa mais desavergonhada e cretina que possa existir.
Isto é ofender à inteligência alheia e tratar o povo "temente"
a Deus como um bando de imbecis obrigados eternamente a
servir e a manter os espertalhões do templo (diariamente e
para sempre. Um cordeiro oferecido de manhã e outro à
tarde". E o mais apavorante: "este holocausto será
perpétuo...)
Jesus tinha total razão em enfurecer-se com as leis e com as
palavras "divinas" dos sacerdotes vigaristas do templo. Essa
exploração humana feita pelos religiosos (representantes
comerciais de Deus na Terra), como se fosse em nome de
Deus, foi o grande divisor de águas da religião e o principal
motivo que levou Jesus à crucificação. Ou seja, o embate
frontal entre Jesus e os sacerdotes vigaristas do templo foi o
maior e o grande motivo que levou Jesus à crucificação.
Foram os sacerdotes do sinédrio e não os romanos que
impuseram a crucificação e o castigo a Jesus por ser contra o
comércio na igreja, contra os vendilhões do templo, contra
as cobranças de pobres coitados para manter a riqueza e
grandeza da igreja.
Mil vezes Jesus venha à Terra e mil vezes se indisporá
contra a enganadora cobrança coercitiva do dízimo por sa-
cerdotes vigaristas, representantes comerciais de Deus na
Terra. Mil vezes Jesus se indisporá contra as "ofertas" divinas
obrigatórias para beneficiar os vigaristas dos templos. Mil
vezes se indisporá contra a matança de animais. Mil vezes se
indisporá contra este holocausto de animais e contra a
exploração de pobres "tementes" a Deus.
Essa vigarice de pregação religiosa de dízimo obrigatório, de
holocausto de animais, de "ofertas" obrigatórias a Deus,
perdura por séculos e é a base e riqueza das religiões. Uma
contradição completa. Isso porque, ainda hoje, algumas
religiões endeusam Jesus e contraditoriamente vivem da
exploração em seu nome, ao mesmo tempo exigindo,
coercitivamente, o dízimo obrigatório para se manterem,
enquanto, ao mesmo tempo, abençoam as ofertas e o
holocausto dos animais.
É claro que uma igreja, um templo, deve viver de seu
trabalho e das doações (voluntárias, é claro) de seus mem-
bros ou componentes. Agora, daí a tornar obrigatória a
doação ou o dízimo, enganando o povo, dizendo que isso é a
vontade e a palavra de Deus, que está na Bíblia, e por isso
não pode e não deve ser desobedecido, é uma grande, uma
enorme vigarice religiosa.

Morcego virou ave? (Deuteronômio 14:11-18) "Toda a
ave pura comereis. Porém estas são as que não comereis: a
águia, (...) a poupa e o morcego."
Para deixar bem claro que a Bíblia não é a palavra de Deus, e
que o que ali está escrito foi escrito e inspirado por
humanos, expondo toda sua ignorância e todas as suas fra-
gilidades, aqui vai mais uma dessas fragilidades: a ignorância
(o desconhecimento) em zoologia.
A águia é uma ave, a poupa, para quem desconhece, é uma
ave (da família dos corvos), o morcego, apesar de voar, é um
mamífero. Não é uma ave.
A cultura científica universal e a zoologia evoluíram
bastante, mas independentemente desta evolução, se a Bíblia
fosse a palavra de Deus, se tivesse sido ditada por Deus, o
morcego seria naquele tempo o mesmo morcego que é
agora, um mamífero, e Deus, sendo Deus, sapiente
atemporal, saberia naquele tempo o mesmo que sabe agora,
não se enganaria numa questão tão simples de zoologia. Mas
como a Bíblia não é a palavra de Deus, foi escrita por
escribas comuns, a mando de sacerdotes e religiosos
humanos, ignorantes em zoologia, que naquele tempo não
sabiam diferenciar uma ave de um mamífero, fica aqui a
evidência e prova de quanto o ser humano interferiu
pessoalmente na Bíblia.

Insetos têm quatro patas? (Levítico 11.21-23) Mas de
todo inseto que voa, que anda sobre quatro pés, podereis
comer...
Aqui mais uma ignorância dos sacerdotes e dos religiosos
humanos que escreveram a Bíblia e que colocaram a culpa
em Deus. Insetos não têm quatro patas (ou pés). Insetos têm
três pares de pernas, na realidade seis patas.
E ainda querem fazer crer que Deus naquela época
desconhecia isso, ditou errado para os escribas da Bíblia e só
agora, com a evolução do conhecimento da humanidade, é
que os escribas ficaram sabendo que os insetos possuem seis
patas.
Essa é mais uma, dentre as tantas provas e evidências, de que
a Bíblia, a despeito dos inúmeros erros, é um grande livro de
ensinamentos filosóficos, sim, mas que está longe, muito
longe de ser a palavra de Deus ou de ter sido escrita por Sua
ordem ou inspiração.
Apesar de ser um livro que em alguns momentos contém
grande sabedoria espiritual, a Bíblia é um livro de humanos,
escrito, feito e impresso pelos humanos, com todos os erros
e defeitos inerentes ao ser humano. Falsear isto, é falsear
tudo.

Dúvida terrível Temos que amar a Deus (Deuteronômio
6.5), ou temos que ter medo de Deus (Deuteronômio 6.15)?
Essa "obrigação" de ter que amar a Deus, em si, já
desqualifica o Deus bíblico do Antigo Testamento como um
verdadeiro Deus de amor, isto porque amor não se impõe e
não se obriga. Ao contrário, o Deus do Antigo Testamento é
um. Deus ameaçador, que nada tem a ver com amor, é um
Deus imposto, obrigatório, onde você é obrigado a temê-lo
antes de amá-lo. Isto porque, segundo a Bíblia, antes de tudo
e acima de qualquer outra coisa, você deve temer a Deus.
(Até recentemente, os religiosos confessavam-se como po-
vos tementes a Deus, o que é um absurdo completo e total)
Isso não é Deus. Isso não pode ser Deus. Isso não tem nada a
ver com amor, com perdão, com paz, com fraternidade,
amor ao próximo. Isso é um Deus específico e particular, um
Deus dos hebreus, para servir ao sinédrio judaico. Só e tão
somente isso.

O céu amparado por colunas? (Jó 26.11) As colunas
do céu tremem, e se espantam da sua ameaça.
Mantendo aquela ignorância já citada, de que a Terra era
plana, que o céu era uma coisa fixa que cobria-nos a cabeça,
que os planetas e as estrelas eram coisas fixas no céu, como
se fossem lâmpadas pregadas no teto, aqui o céu é amparado
por colunas...
Santa ignorância dos sacerdotes que ordenaram aos escribas
para colocarem na Bíblia essas coisas tolas e colocaram a
culpa em Deus, dizendo que a Bíblia é a palavra de Deus.
O "santo" Moisés (Números 31.14.17.18) Indignou-se
Moisés grandemente contra os oficiais do exército (...)
Disse-lhes: Por que deixastes com vida todas as mulheres?
(...) Agora matai todas as crianças do sexo masculino. E
matai também a todas as mulheres que coabitaram com
algum homem, deitando-se com ele... mas todas as donzelas
que não conheceram homem e deitaram com ele, trinta e
dois mil, reservem-nas vivas para vocês mesmos."
Grande imagem do patrono e figura principal da religião
judaica. Assassino cruel, matador de mulheres e crianças (do
sexo masculino, pois as do sexo feminino ele tomava-as para
si e para os seus) e de mulheres casadas (que coabitam com
homem), pois as donzelas serviam de pasto para o "grande"
Moisés e seus homens.
Aliás, Moisés era mesmo um "santo", mandou passar no fio
da espada milhares e milhares de pessoas que adoravam o
bezerro de ouro, menos, é lógico, seu "santo" irmão. Moisés
tinha um senso de justiça fantástico, bastante peculiar e
particular.
Graças aos escribas hebraicos, que escreveram a Bíblia como
se fosse a palavra de Deus, fica para toda a eternidade o perfil
exato e por inteiro das "santas" figuras bíblicas, como
Moisés.

Bom conselho (Deuteronômio 21.10) "Quando fores à
guerra... se vires uma mulher de bela aparência...
primeiramente levá-la-ás para a sua casa... despirás teu
vestido de cativa... ela chorará durante um mês... depois
disso ela será tua mulher."
Isso não é nem pode ser um texto bíblico inspirado por
Deus. Isso é um manual de rapto, seqüestro e estupro. Que
não ponham a culpa em Deus, como se sua palavra fosse,
pelos relatos das atrocidades contidas na Bíblia. E nem se
atribua a Deus a origem de tais relatos. Isso é uma insanidade
da associação dos seres humanos (sacerdotes) que
escreveram a Bíblia e do Deus velho do Antigo Testamento,
que não tem nada a ver com o Deus de verdade.

O "santo" David (Samuel 11.2) O Rei David obteve uma
das suas muitas esposas por seqüestro, estupro e assassinato.
Bathsheba (Betsabá), esposa de Uriah, ficou grávida de
David. Para se livrar de Uriah, David manda-o numa missão
suicida, onde é morto. Sem Uriah, David traz Bathsheba
(Betsabá) para viver em sua casa. E, por "castigo", o Senhor
perdoou o pecados de David mas golpeou, matando, a
criança que a esposa de Uriah teve de Davi.
Mas que belo exemplo de "justiça divina" do Deus velho do
Antigo Testamento. A pobre da Bathsheba (Betsabá), esposa
de Uriah, depois de ter sido seduzida e seviciada por David,
de ver seu marido ser morto por artifício de David, foi
estuprada por David, teve um filho ilegítimo proveniente
desse estupro... e o que fez o Deus velho do Antigo
Testamento? Puniu David? Não! Matou o filho da viúva de
Uriah estuprada por David.
Mas que bela "justiça divina".
E o "santo" David continua a ser, como o "santo" Moisés,
uma das figuras patriarcais centrais da religião judaica.

A face de Deus (Êxodo 33.20) "Não poderás ver a
minha face, pois homem nenhum pode ver a minha face, e
viver."
Este é o grande preceito bíblico e grande dogma universal.
Ninguém vê Deus. Ninguém nunca viu Deus. Ninguém
pode ver Deus.

(Êxodo 33.23) "Depois, quando eu tirar a mão, me verás
pelas costas, mas a minha face não se verá."
Voltamos ao reino da fantasia, da mentirinha. Apesar de não
se ver a face de Deus, vê-se a personificação do Deus velho
do Antigo Testamento, de roupão branco, sentado numa
nuvem, mas de costas. Sem mostrar a face... mas
conversando normalmente.
Belo progresso. Não mostra a face, mas mostra... as costas.

(Gênesis 32.30) "Jacó chamou àquele lugar Peniel, pois disse:
Vi a Deus face a face, e a minha vida foi poupada."
A mentira vai evoluindo, evoluindo, evoluindo
gradativamente. Primeiro ninguém pode ver a face de Deus.
Depois, Deus só aparece de costas, sem mostrar a face, mas
conversando. Agora Deus já aparece cara a cara para uns
apaniguados...
Jacó, para ser santificado pelos simpatizantes escribas da
Bíblia, diz ter visto Deus, face a face (cara a cara), como se
isso fosse possível.
Mentira? Erro? Contradição? Ou pura bobagem dos escribas,
seres humanos, que redigiram a Bíblia como se fosse a
palavra de Deus, atribuindo ao livro uma santificação
inexistente?

(Êxodo 33.11) "Falava o Senhor a Moisés face a face, como
qualquer um fala com o seu amigo."
Pelo visto, Moisés, David e Jacó têm grande prestígio com
os escribas da Bíblia. Seqüestram, estupram e matam, e nada
de mal lhe acontece. Jacó esteve com Deus cara a cara e sua
vida foi poupada. E agora é a vez de Moisés, que esteve com
Deus, cara a cara, como com um amigo, numa conversa
bastante coloquial e informal.
E ainda querem que o Antigo Testamento tenha
credibilidade...
Depois das bobagens sobre a criação do mundo, de Adão e
Eva, da arca de Noé, de parar o Sol diante da Terra, do Sol
girar em volta da Terra plana, onde o céu é fixo e sustentado
por pilastras, dos planetas e estrelas serem fixos pendurados
no céu como se fossem lâmpadas num teto; do morcego
virar ave; dos insetos terem quatro patas; agora apresentam
Deus como um sujeito velho e barbudo sentado numa
nuvem e que nos momentos de folga, na falta do que fazer,
mantém conversas coloquiais com Moisés, David e Jacó.
E depois não sabem como e porque o Antigo Testamento é
tão repudiado (pelos próprios cristãos) e criticado pela parte
inteligente da humanidade.

(Êxodo 24.9-11) Subiram Moisés e Aarão, Nadab e Abiú, e
setenta dos anciãos de Israel, e viram o Deus de Israel.
Debaixo dos seus pés havia como que uma calçada de pedra
de safira que se parecia com o céu na sua claridade. Mas
Deus não estendeu a sua mão contra os escolhidos dos filhos
de Israel... eles contemplaram a Deus, e comeram e
beberam.
Virou festa. Decididamente não é de Deus, do Deus
verdadeiro, que estamos falando. É uma "coisa" qualquer
apelidada de Deus de Israel (aquele tal Deus tribal, aquele
tiraninho de aldeia que mata, manda matar, que xinga,
esbraveja, que odeia, que se vinga). É o tal Deus dos
hebreus, íntimo de Moisés, o grande patrono dos hebreus.
Aquele que é um assassino cruel, matador de mulheres e
crianças (do sexo masculino, pois as do sexo feminino ele
tomava-as para si) e de mulheres casadas (que coabitam com
homens), pois as donzelas serviam de pasto para o "grande"
Moisés e seus homens.
Pois é, este mesmo Moisés, íntimo que estava do Deus dos
hebreus, o Deus velho do Antigo Testamento, Deus de
Israel (o tal Deus tribal), agora não só encontrava-se cara a
cara com Deus como Deus ainda recebia Moisés e seus
amigos Aarão, Nadab e Abiú e mais setenta anciãos do
sinédrio para uns comes e bebes informal, onde o máximo
de protocolo que Deus exigia era não estender a mão aos
convidados.
Esse é o momento exato em que as religiões bíblicas deixam
a condição de religião e assumem a face de mitologia bíblica.
As mitologias grega e romana eram tão fantasiosas quanto a
mitologia bíblica, mas ninguém era obrigado a acreditar num
livro grego ou romano como se fosse a "palavra de Deus"
(embora os gregos fossem excelentes intelectuais, escritores
e escultores)

O incentivo ao incesto (Gênesis 19.31-32) "A mais
velha disse à mais jovem: "Nosso Pai é velho, e não há um
homem na terra com quem possamos casar, segundo o
costume de todo o mundo. Venha, vamos fazer nosso pai
beber vinho, e deitaremos com ele, que podemos preservar
a semente de nosso pai."
(Gênese 19.36) "Assim estavam ambas as filhas de Ló
esperando um filho de seu pai."
Desde os relatos da criação do mundo, a Bíblia, de uma
maneira geral e direta, entende o incesto como uma coisa
normal, natural. Foi assim na historinha fantasiosa de Adão e
Eva e seus descendentes, e é assim em Ló e suas filhas,
sendo que ao longo da Bíblia diversos casos de estupro e
incesto são praticados como atos de pura normalidade. É a
moral "atemporal" dos "sólidos" ensinamentos tribais bí-
blicos.
À bem da verdade, esse Deus dos hebreus pouca diferença
faz dos Deuses gregos e romanos. Os Deuses gregos e
romanos costumavam estuprar e engravidar virgens, praticar
o incesto, tendo filhos com suas filhas... um hábito que foi
passado para os hebreus como uma cultura normal da época.
As diversas semelhanças entre as mitologias grega e romana
e a mitologia das religiões bíblicas são mais do que claras e
evidentes.

Incentivo à prostituição (Oséias 1.2) "O Senhor co-
meçou a falar com Oséias: "Vai, toma por mulher uma
prostituta e gera filhos de prostituição, porque a nação não
cessa de se prostituir"
Dizer o quê diante de um descalabro desses? Esse sábio
conselho, segundo a Bíblia, é o que de melhor Deus podia
fazer por Oséias em termos de ensinamento.
Esse, por acaso, é o seu Deus? Você pode imaginar o seu
Deus dando um conselho desses?

Sábios conselhos (Provérbios 26.4) Não respondas ao
tolo segundo a sua estultícia, para que também não te faças
semelhante a ele.
(Provérbios 26.5) Responde ao tolo segundo a sua
estultícia, para que também não te faças semelhante a ele.
(Em algumas versões bíblicas, esses provérbios são em re-
lação ao louco e sua loucura, ao invés do tolo e sua tolice.
Mas o sentido é o mesmo)
Sábio conselho:
Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia.
Responde ao tolo segundo a sua estultícia.
Parece o Oráculo de Delfos, que quando perguntado o que
aconteceria na guerra entre os dois maiores impérios gregos
da época, o oráculo deu como "sábia" resposta que "um
grande império iria ser destruído". Mas é claro. Se os dois
maiores impérios gregos iriam lutar entre si, um iria ser
destruído e deixaria de ser um grande império.
Como no Oráculo de Delfos: "Responda e não responda ao
tolo segundo a sua estultícia". É um sábio conselho. Digno
de um oráculo grego.

Matando o que não mais existia (Êxodo 9:3-6) Deus
mata todos os animais dos egípcios com uma forte
pestilência; nenhum deles sobreviveu à pestilência.
Depois, no mesmo Êxodo, (Êxodo 9.19-21,25) Deus mata
todos os animais dos egípcios com uma chuva de granizo.
Como Ele (Deus) poderia matar novamente todos os animais
dos egípcios com uma chuva de granizo se Ele já havia
matado antes todos os animais de pestilência e não havia
sobrado nenhum?
É claro que esta é somente mais uma das trocentas
contradições bíblicas em que ora é dito uma coisa e a seguir
é dito outra, completamente diferente.

Questões indigestas
Que me perdoem pela abordagem voltaireana, a seguir, mas
vejamos alguns questionamentos, pertinentes, surgidos em
razão de dúvidas do nosso dia a dia, imaginando-se as
questões como tendo sido levantadas em razão do
seguimento fiel ao texto do Antigo Testamento da Bíblia.
O Brasil é tido como a terra do churrasco, mesmo longe
do Rio Grande do Sul, onde a carne de boi é quase um
objeto de adoração. Assim sendo, questiono: Quando eu
faço um churrasco e queimo a carne como um touro no altar
de sacrifício, e sei que de uma maneira bíblica, isso cria um
odor agradável para Deus, conforme Levíticos 1.9.
Entretanto, surge um grande problema: os meus vizinhos
enlouquecem com o cheiro do churrasco. Eles reclamam
que o odor é terrível para eles. Devo matá-los por heresia,
conforme manda a Bíblia?
Face às desigualdades sociais existentes nos países do
terceiro mundo, um pobre conhecido meu gostaria de
vender sua filha como escrava, como é permitido na Bíblia
em Êxodo 21.4 a 7. Entretanto, tenho uma grande dúvida de
aconselhamento quanto à questão financeira: Qual seria o
preço bíblico justo por ela, como escrava? Continua valendo
somente trinta moedas ou o câmbio mudou?
Em Levíticos 25.44 a Bíblia afirma que eu posso possuir
escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem
comprados de nações vizinhas. Ou seja, posso comprar nos
países vizinhos do Brasil, mas não posso comprar escravos
aqui no Brasil. Um amigo meu diz que essa permissão de
compra de escravos nos países vizinhos somente se aplica
aos paraguaios, mas não aos argentinos. Por que eu não
posso comprar um escravo argentino?
Um conhecido meu insiste em trabalhar aos sábados. Em
Êxodo 35.2 claramente afirma que ele deve ser morto por
trabalhar aos sábados. Daí eu pergunto: Eu sou moralmente
obrigado a matá-lo mesmo? Devo usar que prática religiosa
para este fim? Apedrejamento, passar no fio da espada, abri-
lo ao meio igual o que se fazia com as mulheres grávidas,
segundo a Bíblia?
Um outro amigo acha que comer marisco, camarão e
lagosta é uma abominação (Levíticos 11.10). Seria esta
abominação (comer marisco, camarão e lagosta) uma
abominação maior ou menor que a homossexualidade, que
para a Bíblia também é uma abominação passível de morte?
Naquele tempo em que os escribas fizeram a Bíblia não
existiam os óculos. E em Levíticos 21.18-20-21 afirma que
eu não posso me aproximar de Deus se eu tiver algum
defeito na visão. Como eu uso óculos para ler, a minha visão
para perto não é lá muito boa, eu questiono: Devo me afastar
de Deus por problema de visão? Será que é por isso que
algumas igrejas mandam os fiéis atirarem fora seus óculos
durante certos cultos públicos em estádios e os transmitidos
pela televisão?
Eu confesso: Eu corto meus cabelos e aparo a barba e o
bigode, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso
seja expressamente proibido em Levíticos 19.27. Como isso
é um crime, segundo a Bíblia, eu devo me matar ou pedir a
alguém que me mate em nome de Deus?
Eu sei que comer a carne de porco, por ser um animal
com pés bifurcados, me faz impuro (Levíticos 11.7-8). Mas
eu adoro torresmo, lingüiça, costeleta de porco, e feijoada.
Devo me matar biblicamente pelo crime da feijoada?
Eu tenho uma horta, planto diversas árvores frutíferas e
tenho uma plantação variada de verduras e vegetais. Sei que
isso viola Levíticos 19.19 (plantando dois tipos diferentes de
vegetais no mesmo campo) pois a Bíblia proíbe plantar duas
plantas diferentes no mesmo campo. Minha esposa também
viola Levi ticos 19.19, porque usa roupas feitas de dois tipos
diferentes de tecido (algodão e poliéster), que a Bíblia
também proíbe o uso de dois tecidos diferentes na mesma
roupa. Além do mais, quando eu me enfureço, tenho o
hábito de xingar e blasfemar muito, como o Deus da Bíblia.
Será que eu corro o risco de morrer apedrejado conforme
Levíticos 24.14-16? Aliás, eu tenho um monte de
conhecidos meus que agem da mesma forma. Será que eu
poderia queimá-los em uma cerimônia privada, conforme
previsto em Levíticos 20.14?

A bem da verdade, esses questionamentos, voltaireanos,
entram aqui como um testemunho do absurdo que é quando
ao invés da Bíblia estar tratando de questões universais sé-
rias, entra na discussão de pormenores tribais como: pragas e
ameaças divinas, castigos divinos, maldições divinas,
vinganças divinas, assassinatos divinos, ou estabelecendo
como possuir escravos, inclusive fixando uma tabela de
preços de escravos.
Quando o Antigo Testamento da Bíblia deixa de se preo-
cupar com coisas sérias e universais e passa a definir e a
estabelecer regras para pureza e impurezas de animais e de
seres humanos, virgindade, incesto, sacrifícios e holocausto
de animais, dízimo e ofertas, brigas tribais, que não têm o
menor sentido para um Deus cósmico, universal, a Bíblia
transforma-se, a partir daí, num livro absolutamente co-
mum. Pois somente um Deus pequeno, tribal, como o Deus
velho do Antigo Testamento, é que questões tribais como
estas passam a ter sentido.
Envergonhados com este Deus tribal do Antigo Testamento,
os cristãos não admitem, mas a maioria deles desejaria que o
Antigo Testamento jamais tivesse sido escrito. Por isso, a
nova geração de cristãos é predominantemente evangélica,
ou seja, adoradores do evangelho, em especial os quatro
evangelhos que compõem o Novo Testamento,
envergonhados que estão do velho Deus velho do Antigo
Testamento, e por isso mesmo estão mudando de Deus,
trocando o Deus velho do Antigo Testamento para um Deus
novo, o Deus do Novo Testamento: Jesus.

Erros e Contradições Bíblicas
Novo Testamento

"E Jesus, pai? É Deus de verdade?"
"Não, filho... Deus é Deus, Jesus é Jesus. Pretender
transformar Jesus em Deus, trocando um Deus pelo outro,
fingir que o Deus do Antigo Testamento não existe, nunca
existiu, e que somente existe o Deus do Novo Testamento,
não modifica muita coisa. Ao contrário, sob certos aspectos,
até complica e desacredita o Novo Testamento. Isto porque,
se Jesus é filho do mitológico e personificado Deus velho da
Bíblia, conforme faz crer a Bíblia, então Jesus sendo filho do
Deus personificado do Antigo Testamento... continua a
história... filho do Deus mitológico velho do Antigo
Testamento, barbudo, de roupão branco, sentado numa
nuvem... etc."
"Como é que é? Não entendi, pai...!!!"
"Se o novo Deus do Novo Testamento, Jesus, não é filho
de José e sim filho de um outro Deus personificado (um
outro Deus que não o Deus mitológico e velho do Antigo
Testamento)... então estão criando um outro Deus, também
personificado como no Antigo Testamento, e incorrendo
em novos e velhos erros. Isto porque, ao personificar o
novo Deus, tratando-o como uma pessoa (seja o Deus velho
ou um novo Deus criado), sendo Ele a imagem do ser
humano, e como tal, responsável pela fecundação de Maria,
mantendo ou não relações sexuais com ela (exatamente
como os Deuses da mitologia grega e romana faziam para
"produzir" novos deuses, semideuses, etc.), volta-se a todo
aquele questionamento de Deus ser uma figura mitológica
criado e inventado à imagem e semelhança do ser humano,
e aí vem todo o questionamento de ser homem ou mulher,
preto ou branco, ter pai e mãe, avô, etc.
Entendeu agora, filho? Realmente admitir a fecundação de
Maria, por Deus, é trocar seis por meia dúzia. Voltaríamos à
estaca zero do Deus velho do Velho Testamento ou de um
Deus personificado.
Para facilitar a compreensão e não entrar numa discussão
interminável que remete ao Antigo Testamento e todos os
questionamentos de um Deus velho e mitológico que
envergonha os cristãos embora eles não admitam
vamos admitir que Jesus é filho de Deus (o verdadeiro
criador do universo, sem forma, que ninguém sabe como é e
que jamais foi visto por quem quer que seja) como todos nós
somos filhos de Deus e tudo mais que existe no mundo é
filho ou criação de Deus. (Sem falar na fecundação física de
Maria, feita por Deus, pois aí a questão fica interminável)
Vamos admitir dessa forma e ignoremos, por instantes, essa
fantasia mitológica de que Deus (como se fosse gente) veio
ao mundo, teve relações sexuais com Maria, engravidou-a, e
ela continuou virgem. Isso é coisa de mitologia, e sequer
chega a ser original, posto que é uma cópia mal feita das
mitologias grega e romana."
"Quer dizer, pai, que antes de Cristo os Deuses também
engravidavam pessoas para fazer novos Deuses?"
"Pois era assim, filho, que funcionavam as mitologias,
principalmente a mitologia grega."
"E a mãe de Jesus, pai? Como foi que ela engravidou?"
"Normalmente, ora. Como todo mundo. Jesus inclusive
teve irmãos e irmãs."..
"Teve irmãos e irmãs? Por que é que não se fala disso?"
"Não só falam como está escrito e documentado, na
própria Bíblia. A gente vai ver isso com mais detalhe e
precisão mais para a frente. Por enquanto entenda que
Maria, apesar de muito jovem (e por isso as traduções
oportunamente "confundem" jovem com virgem), teve uma
vida de casada absolutamente normal. Casada com José,
Maria teve filhos, e vários (ao todo foram sete. Ou seja,
Jesus, mais quatro irmãos e duas irmãs), conforme Mateus
confirma em seu evangelho (13:55-56): "Por acaso não é Ele
o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria?, e seus
irmãos Tiago, José, Simão e Judas, e suas irmãs não vivem
elas todas entre nós?"
À bem da verdade, nestes versículos só existe um equívoco,
é tratar Jesus e José como carpinteiro, quando na realidade a
palavra correta utilizada é "tekton", que é uma espécie de
"faz tudo", um camponês, um artesão, que além de cuidar do
campo faz de tudo um pouco, inclusive carpintaria. E Jesus
era bem isso, um artesão camponês (que também fazia
serviços de carpintaria). Tanto que em suas parábolas estão
bastante presentes e impregnadas sua vida de camponês com
exemplos ligados à agricultura e à pecuária.
E tem mais. Em Gálatas (1:19) está claramente dito: "Não vi
mais nenhum dos apóstolos, a não ser Tiago, irmão do
Senhor".
Recentemente foi encontrado a funerária de Tiago, irmão de
Jesus, com a inscrição original em aramaico: "Yaákóv, bar
Yosef, akhui di Yeshua" (Tiago, filho de José, irmão de
Jesus)"
"Mas pai, se Maria teve uma vida comum e normal, como
todo mundo, por que inventaram essa história de
virgindade?"
"Para tornar Jesus "puro" desde o nascimento. Quem
acompanhar outros versículos dos evangelhos da Bíblia, meu
filho, entenderá perfeitamente a razão e o porquê de ter sido
inventado a história da virgindade de Maria. Pois, se Jesus
fosse uma pessoa comum, um qualquer, filho de um
camponês, um carpinteiro, ninguém lhe daria credibilidade,
pois "santo de casa não faz milagre". Ou conforme registrado
em Mateus (13:57-58): "Mas Jesus disse-lhes: "um projeta só
é desprezado na sua pátria e em sua casa." E não fez ali
muitos milagres por falta de fé daquela gente". Ou seja, para
que acreditassem em Jesus foi preciso que Ele fosse fazer
milagre longe de sua terra natal, e com isso foi criado uma
história mitológica de que Ele era filho de Deus, fecundado
em uma virgem, e que Maria ficou virgem até morrer. Como
se a conjunção carnal de Maria desacreditasse Jesus e sua
obra."
"Então "eles" (os religiosos escribas) queriam Deus ou um
quase Deus que já nascesse puro como se fosse um Deus?"
"É mais ou menos isso. A Bíblia até promove uma grande
confusão, ora chamando Jesus de Filho do Homem (porque
ele é, realmente, filho de José), ora chamando Jesus de Filho
de Deus (porque também ele é, como todos nós somos só
que a Bíblia não esclarece isso e cria uma grande confusão,
dando a entender que Jesus é filho carnal de Deus o que é
uma bobagem terrível)
Em João (5:25) é dito: "Em verdade, em verdade vos digo
que a hora vem, e já chegou, em que os mortos ouvirão a
voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão".
Entretanto, no mesmo João (5:27) é dito: "E lhe deu o poder
e autoridade para julgar, porque é o Filho do Homem".
Veja bem, filho, que João mesmo cria a confusão, ora
chamando Jesus de Filho de Deus, ora chamando Jesus de
Filho do Homem.
Mas, isso não é um caso isolado, pois tanto João quanto os
outros evangelistas chamam Jesus, em várias passagens,
alternadamente, de Filho de Deus e de Filho do Homem,
demonstrando que Jesus era homem de carne e osso, filho
do homem (com direito até a árvore genealógica, conforme
traçado por Mateus), nascido e concebido como todo e
qualquer ser humano. E Maria, sem que isso a desmereça, só
foi virgem até o casamento, pois daí em diante teve vários e
vários filhos e Jesus teve irmãos e irmãs.
Quer ver exemplos, na própria Bíblia?
(Mateus 13:55-56): "Por acaso não é Ele o filho do
carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria?, e seus irmãos
Tiago, José, Simão e Judas, e suas irmãs não vivem elas todas
entre nós?"
(Mateus 12:46) "Estava Ele ainda a falar à multidão, quando
apareceram Sua mãe, Seus irmãos, que do lado de fora
procuravam falar-Lhe."
(Lucas 8:19) "Sua mãe e Seus irmãos vieram ter com Ele,
mas não podiam aproximar-se por causa da multidão.
(João 7:3-6) "Disseram-Lhe, pois, Seus irmãos: 'Sai daqui e
vai para a Judéia, a fim de os Teus discípulos também verem
as tuas obras, pois ninguém que pretende ser conhecido atua
em segredo. Já que fazes estas coisas, manifesta-te ao
mundo'." De fato, nem Seus irmãos acreditavam Nele. Jesus
disse-lhes: 'O Meu tempo ainda não chegou'.
Está mais do que claro. Não está? Inclusive é bom reparar na
citação anterior, de João, que de uma vez só, cita no mesmo
versículo os irmãos e os discípulos de Jesus, mostrando que
são diferentes irmãos e discípulos. Jogando por terra, desta
forma, a desculpa esfarrapada, inventada por alguns
religiosos (exegetas de bicicleta), de que o termo "irmãos"
referia-se aos discípulos de Jesus ou a Seus primos ou
parentes distantes.
Se os verdadeiros irmãos de sangue de Jesus, não são seus
verdadeiros irmãos, pelo simples argumento cínico de que
"irmãos" queria dizer qualquer parente ou amigo, então
Maria também não seria mãe de Jesus, pois Jesus só a tratava
por "Mulher", e quase nunca por mãe.
Essa história de nascimento de virgem decorre sim-
plesmente de uma cópia judaica das mitologias existentes,
principalmente das mitologias grega e romana, onde os
Deuses para criar novos Deuses ou semideuses ou heróis,
engravidavam virgens como uma forma de desde o
nascimento considerar a autoridade do novo Deus como
sendo inquestionável. O novo Deus ou semideus, ao ser
fecundado por Deus em uma virgem, já nascia poderoso por
ter sido fecundado por um Deus, e isento de "pecado", por
ter sido gerado em uma virgem.
Outro fator que contribuiu para a invenção mitológica de
Jesus ter nascido de uma virgem, decorre de uma neces-
sidade de se adaptar a vinda do messias às profecias exis-
tentes no Antigo Testamento, que diziam que o messias viria
do ventre de uma virgem. Entretanto, meu filho, nem isso é
verdade, pois nos textos originais a palavra mal traduzida por
"virgem" é "almah", que na realidade, bem traduzida, em sua
forma mais exata, significa simplesmente "jovem mulher",
"rapariga", "menina", "donzela". Não necessariamente uma
virgem."
"Mas, pai... eles não poderiam ter confundido e errado na
tradução?"
"De maneira alguma... Não se pode nem alegar que a
virgindade de Maria foi um mero "erro de tradução", pois a
palavra que realmente significa "virgem" é "bethulah". Tanto
que no livro de Isaías, "bethulah", como "virgem", aparece
quatro vezes (23:12, 37:22, 47:1, 62:5). Ou seja, os
tradutores sabiam o tempo todo que "almah" não significava
virgem, e que a palavra "bethulah", significando realmente
virgem, jamais foi usada em relação a Maria ou em relação à
profecia da vinda do messias.
Resumidamente, até mesmo no texto da Bíblia, em hebreu, a
virgindade de Maria e a alegada virgindade na profecia da
vinda do messias não existem e são obra da invenção
humana, mais especificamente de religiosos interessados em
adaptar os textos da Bíblia (Antigo Testamento) aos
interesses religiosos momentâneos, pretendendo, com isso,
manter os "fiéis" na mesma ignorância que sempre tentaram
manter em relação à parte de conto de fadas do Antigo
Testamento."
"Quer dizer, pai, que em momento algum a Bíblia fala em
virgem Maria?"
"No original, não. Só nas traduções e versões. O correto a
respeito de Maria é jovem mulher ("almah"), que não quer
dizer, necessariamente, virgem. Mas, alguns poderão alegar
que nos evangelhos de Mateus (1:18-25) e Lucas (1:26-35)
consta que Jesus nasceu de uma virgem (embora a maioria
dos textos destes evangelhos seja cópia entre si, adulterados
pela igreja e adaptados às profecias do Antigo Testamento,
para fazer coincidir as profecias do Antigo Testamento com
o que ocorreu no Novo Testamento).
Vejamos: Só Mateus (1:23) apela para as escrituras hebraicas
(Antigo Testamento) como explicação para a virgindade de
Maria, induzindo o leitor da Bíblia a acreditar que isso era
profético, que há muito estava escrito no Antigo Testamento
e que profeticamente iria acontecer. Entretanto, não é bem
isso que está no Antigo Testamento. Veja:
Isaias (7:14) "Por isso mesmo, o Senhor, por Sua conta e
risco, vos dará um sinal: Olhai: A jovem (palavra correta)
mulher está grávida e dará a luz a um filho, por-lhe-á o
nome de Emmanuel".
Veja bem. O Antigo Testamento não fala em virgem, mas
sim numa jovem mulher, e que o filho desta jovem mulher,
segundo o profeta Isaias, irá chamar-se Emmanuel.
Se por um lado Mateus adultera o texto bíblico do Antigo
Testamento, pois "almah" não significa virgem e sim jovem
mulher. Por outro lado Mateus adultera mais ainda a
"profecia", posto que Jesus não se chama Emmanuel,
conforme previsto na profecia do Antigo Testamento. Aliás,
o próprio nome de Jesus é de um mistério absoluto.
"Mistério como? O nome dele não é Jesus?"
"Também..."
"Também como? É ou não é Jesus?"
"Ele chama-se Jesus ou Yesus em latim. Ou Yeshua
também em latim ou Jeshua em hebraico. Mas também é
Josué ou Giosué ou Joshua ou Yoshua, dependendo de onde
Ele é chamado. E até mesmo atende pelo título de Cristo ou
Christós em grego."
"Não entendi nada. Qual o seu verdadeiro nome de
Jesus?"
"Para nós é Jesus e pronto. Pois todos esses nomes, na
realidade não são nomes como nós conhecemos. Na verdade
são títulos honoríficos ou apelidos que significam "Salvador",
"Ramo", "Vara", "Ungido", "Messias", "Escolhido".
Coincidência ou não, é assim também em relação a Deus
que, no texto original da Bíblia, é chamado de Elohim, Eloah
(Vindos do céu), El Chaddai (Onipotente / O todo
poderoso), Elión (O Altíssimo), Adonai (Divino), Javé (O
Deus vivo) ou Jeová. E no caso de Jesus aconteceu algo bem
semelhante, vez que ele recebeu vários nomes, ou melhor,
vários apelidos, significando títulos honoríficos.
Um outro apelido de Jesus bastante comum é o de "Jesus de
Nazaré", adaptado do hebraico Yeshua (Salvador) Netser
(Ramo). Entretanto, "Jesus de Nazaré" ou Yeshua Netser não
é um nome, e sim um título, que significa o Salvador de
Nazaré, ou o Ramo de Nazaré, ou o Ramo Salvador de
Nazaré. Isto porque, havia a necessidade de se adaptar o
nome de Jesus às benditas profecias do Antigo Testamento,
como em Isaias 11:1, ao tentar predizer que de Jessé (pai do
Rei David) nasceu a Vara ou o Ramo, predizendo um
messias "E sairá uma Vara do tronco de Jessé, e um Ramo
crescerá fora de suas raízes..."
"Ah... então quer dizer que o nome d'Ele, na verdade, é
um título, e como Ele chama-se Jesus e não Emmanuel não
se cumpriu a profecia do Antigo Testamento?"
"Exatamente isso. O nome de Jesus é um título honorífico
(O Salvador). E por Jesus não se chamar Emmanuel, não se
cumpriu a profecia do Antigo Testamento."
"Bom, pai, mas qualquer que seja o nome de Jesus, isso
não modifica a vida dele... Ou modifica?"
"Não. Claro que isso não modifica a vida de Jesus. Estes
registros em relação a Jesus não modificam em nada a sua
história e nem pretendem modificar, pois qualquer que seja
ou tenha sido seu nome, mundialmente será conhecido
simplesmente como Jesus para a maioria, com direito a
variações como Jesus de Nazaré, Jesus Cristo e para uns
tantos será Joshua, ou Jeshua.
Veja bem, filho, eu somente abordei a questão do nome de
Jesus por dois aspectos: Primeiro, porque os apelidos e os
nomes na "Sociedade Secreta de Jesus" é absolutamente
fundamental (Jesus é Xpto, Simão é Pedro, João irmão de
Tiago é Boanerges, Batolomeu é Natanael, Levi é Mateus,
Tomé é Dídimo, etc.)."
"É mesmo?"
"É sim !!!"
"Segundo, porque o nome desmistifica a profecia
falsificada no Novo Testamento, feita às avessas. Ou seja,
inicialmente foi dito no Antigo Testamento que o messias
seria o filho de uma virgem (na verdade uma "jovem") e que
se chamaria Emmanuel. E posteriormente tentou-se
adulterar esta história e foi colocado no Novo Testamento,
70 anos depois de Jesus ter nascido, uma nova "profecia
retroativa" dizendo que o filho da "virgem" se chamaria
Jesus e com isso tentando enganar as pessoas como se a
"profecia" tivesse acontecido."
"Nossa... mas tanta briga só por causa de um nome?"
"Não existe briga. O que existe é o fato de, se você
questionar e pesquisar, a verdade sempre acaba aparecendo,
apesar das pessoas ficarem escondendo para tentar
transformar Jesus em Deus, como se isso fosse salvar a
humanidade. (Aliás, se isso, essa bobagem de Mateus, fosse
fundamental, a humanidade já estaria salva e não haveria
mais sofrimento)."
"Bom... então a história parou por aí...??? Não insistiram
mais no fato da profecia e nem que Jesus é Deus?"
"Que nada. Até hoje insistem em transformar Jesus em
Deus, esquecendo-se do mais elementar disso tudo: Deus é
Deus e Jesus é Jesus. Isso é inquestionável.
Você quer ver uma coisa? Veja como a própria igreja ensina
errado para você. Por exemplo: reze a "Ave Maria".
"Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendito
é o fruto do Vosso ventre: Jesus. Santa Maria, Mãe de
Deus..."
"Pode Parar!!! Viu só? Você mesmo repete a bobagem
sem sequer notar. Santa Maria, Mãe de Deus? Desde quando
Jesus é Deus? E desde quando Deus tem mãe?
Essa confusão com relação à questão de Jesus ser filho de
Deus ou filho do homem (José), acontece porque a própria
Bíblia, para variar, confunde isso tudo, inúmeras vezes, e em
passagens até não muito distantes."
"Mas, pai, se isso é tão claro, Deus é Deus e Jesus é Jesus,
conforme você diz, por que e como foi criada a confusão
originalmente?"
"Por vários motivos, mas sendo o principal deles devido à
invencionice de João (Evangelista), que em 10:30 afirma que
Jesus teria dito que Ele (Jesus) e o pai (Deus) eram um só
("Eu e o pai somos um"). Daí, para explicar a diferença entre
a verdade e a força de expressão, são séculos de disse que
disse, falou mas não disse. Falou mas não foi bem isso que
quis dizer... uma complicação.
Na verdade, essa bobagem de confundir Jesus com Deus só
interessa ao segmento religioso que, sentindo-se incapaz de
amar a Deus sem uma forma definida, atribui a Jesus a
condição de ser Deus. Mais especificamente, à imagem
bonita de Jesus, cada vez mais bonita fisicamente, que
começou com uma figura bizantina feia, foi aformoseando,
aformoseando, sendo melhorado por pintores, até que hoje
em dia já há imagens lindíssimas de Jesus com cabelos louros
e de olhos azuis. Repare que ninguém quer a imagem de
Jesus bizantino feio, muito menos a imagem de Jesus que foi
criada por computador, retratando-o como Ele deveria ser
fisicamente, segundo estudos antropológicos de como
deveria ser o judeu mediano daquela época.
"Mas, pai, não há um meio de desmentir isso? Jesus
mesmo não poderia desmentir isso?"
"Ele mesmo, Jesus, já desmentiu, filho. Os homens é que
não querem ver. Jesus renegou esta condição de ser Deus
inúmeras vezes. Até mesmo a sua condição de rabino judeu,
sábio essênio religioso, não lhe permitia assumir a identidade
de Deus, o que seria uma heresia para ele, justo Ele, um
"rabi" (mestre), profundo conhecedor das leis divinas
judaicas. Seria uma blasfêmia inominada. Isto, sem contar
que a própria Bíblia relata os diálogos de Jesus com Deus, na
cruz, onde, primeiramente, ele pede perdão a Deus pelos
seus algozes, dizendo: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o
que fazem". (Logicamente, se Jesus fosse Deus este diálogo
seria impossível). E no clímax do martírio, Jesus chega
mesmo a duvidar de seu relacionamento com Deus, ao
questionar: "Pai, Pai, por que Me abandonaste?" (Coisa que
ele não faria se fosse Deus e se tivesse conhecimento dos
planos de Deus divinos). E rendendo-se a Deus e aos
planos divinos que Ele desconhecia, conclui: "Está con-
sumado. Seja feita a Vossa vontade" (a vontade de Deus e
não a vontade de Jesus).
"Quer dizer que Jesus duvidou de Deus?"
"Não é bem assim... Jesus achava que sabia tudo,
conhecia todos os planos de Deus, mas não conhecia. E
quando viu-se frente a frente com a morte, sem entender os
planos de Deus, Ele duvidou e perguntou: "Pai, por que Me
abandonaste?" Mas, rapidamente, Ele lembrou-se de Suas
reflexões no horto. Lembrou-se que Ele teria que tomar
daquele "cálice amargo", e rendendo-se a Deus concluiu:
"Seja feita a Vossa vontade".
Filho, é absolutamente desnecessário alongar a questão se
Jesus é Deus ou não é Deus. Pois somente para atender
interesses religiosos comerciais de determinados segmentos
de igrejas é que Jesus é confundido com Deus, sob a
afirmativa dúbia e tola de que "Jesus Cristo é o Senhor",
como se "Senhor" (dono de escravos) fosse designativo de
Deus. Só isso. Nada mais do que isso.
Entenda bem e de uma vez por todas: Jesus não é Deus.
Jesus não é Senhor, pois Senhor é feitor de escravos. Jesus é
Jesus. Deus é Deus e Senhor é uma herança maldita dos
tratados escravagistas implantados na Bíblia e que os re-
presentantes comerciais das igrejas fazem questão de man-
ter. Chamar Deus ou Jesus de Senhor é uma bobagem do
tamanho do universo.
"Quer dizer então que Jesus ser Deus é meramente
para atender a uma questão de interesse financeiro-
religioso?"
"É isso aí. Só isso. Exatamente isso."
Resta alguma dúvida de que Deus é Deus e Jesus é Jesus?
Não? Então abordemos a questão da segunda metade da
Bíblia (Novo Testamento), já que o Antigo Testamento,
excluído a parte mitológica e fantasiosa da criação do
mundo, Adão e Eva, arca de Noé, dilúvio e etc., sobra exa-
tamente o mais importante e o que vale a pena ler na Bíblia,
que são as belas palavras dos salmos, dos provérbios, e dos
ensinamentos e sabedorias.
Diferentemente do Antigo Testamento, que
messianicamente é tido como a "palavra de Deus", escrito e
inspirado por Deus, o Novo Testamento (ou a principal parte
dele) foi escrito por quatro apóstolos ou evangelistas, seres
humanos, de carne e osso, que contaram a saga e a vida de
Jesus. São eles: Mateus (que foi um coletor de impostos
Levi , que também viveu na época de Jesus e foi Seu
discípulo); Marcos (que não conheceu Jesus, registrou o
evangelho por ouvir dizer. É tido por alguns como o autor
do primeiro evangelho); Lucas (um médico que também não
conheceu Jesus e reproduziu seus escritos por ouvir dizer, a
quem atribui-se, também, o "Ato dos Apóstolos") e João
(que viveu na mesma época de Jesus, foi Seu discípulo, foi
evangelista, pregador do evangelho boas novas de
Jesus, a quem atribui-se, também, o "Apocalipse", e algumas
cartas ou epístolas).
Com muita boa vontade, e bota boa vontade nisso, aceita-se
que os quatro evangelhos sejam de autoria de Mateus,
Marcos, Lucas e João, isso porque os evangelhos não são
assinados, não existe qualquer prova, qualquer referência ou
comprovação histórica quanto os evangelhos terem sido de
autoria destes apóstolos, e o mais grave, não existe sequer
prova material da existência física desses manuscritos
originais em aramaico (Os manuscritos originais não eram
assinados, suas autorias são questionáveis, os textos eram
folhas soltas, foram misturadas, traduzidas, refundidas pelas
igrejas de acordo com os interesses e a convicção religiosa
da época).
A bem da verdade, sabe-se que estas autorias foram
atribuídas e impostas pela igreja de modo a conferir um
certo ar de credibilidade a estes manuscritos. (Embora isto
possa parecer irrelevante, é de vital importância para a
aceitação dos evangelhos e a sua propagação no mundo
cristão).
De uma maneira geral os quatro evangelhos ficaram
divididos em três evangelhos chamados sinópticos (do grego
"synoptikós", que quer dizer sinopse, ou várias coisas vistas
de maneira resumida), que são os de Mateus, Marcos e
Lucas, mas que na realidade são os que foram assumi-
damente copiados uns dos outros, como se fosse uma coisa
só e refundidos (reescritos) pela igreja. E o quarto evangelho
é o "não-sinótico", que é o de João, o vaidoso, o pernóstico e
carente João Evangelista, que de versículo em versículo
achava sempre um jeito de se incluir no próprio texto,
escrevendo sobre ele mesmo como "o discípulo a quem
Jesus amava". Entretanto, esta separação entre evangelho
sinótico e não sinótico é absolutamente irrelevante, haja
vista que a igreja refundiu (reescreveu) os quatro evan-
gelhos, pasteurizando-os com o mesmo interesse e atribuiu-
lhes as autorias que ora são as conhecidas.
Independentemente das questionáveis autorias dos
evangelhos, há que se fazer o registro que somente o
evangelho de Mateus foi originalmente escrito em aramaico
(língua falada na Galiléia e na Judéia), mas ainda assim, estes
manuscritos foram perdidos, restando somente versões em
grego. Enquanto que os outros três evangelhos,
estranhamente, foram "encontrados" já escritos em grego
(língua que mal se falava na região da Galiléia e na Judéia).
O que representa dizer que, de tudo que existe como re-
gistro histórico dos evangelhos, restam somente cópias em
grego (e não em aramaico) e que as exatas palavras de Jesus
em aramaico estão perdidas para sempre. E isso talvez
explique a confusão de palavras trocadas, palavras não ditas
e/ou conflitantes quando comparadas entre os evangelhos.
Os evangelhos seriam "perfeitos" se as autorias pudessem ser
determinadas e confirmadas e se os manuscritos existissem
fisicamente em original (manuscritos e em aramaico) e
pudessem ser estudados. Entretanto, a igreja colocou tudo a
perder, pois o que resta são cópias "refundidas" e traduções
do que seriam os originais. Sem contar que a igreja primeiro
selecionou quais folhas soltas ela queria e quais não queria,
em seguida atribuiu suas autorias a Mateus, Marcos, Lucas e
João, para finalmente excluir e banir os evangelhos que,
cinicamente, a igreja chama de apócrifos (os Gnósticos, o
evangelho dos hebreus, o evangelho dos essênios, o
evangelho dos ebionitas, o evangelho dos egípcios, o de
Tomé, o proto-evangelho de Tiago, o de André, o de
Bartolomeu, o de Filipe, o de Maria Madalena, o de
Nicodemos, o de Barnabé, o de Pedro, e até mesmo os
Manuscritos do Mar Morto) que não interessavam e não
interessam porque conflitam muito com os quatro evange-
lhos (também apócrifos) escolhidos pela igreja, vez que estes
evangelhos banidos considerados cinicamente como
apócrifos ("cinicamente, porque todos os evangelhos são
apócrifos, inclusive os quatro de Mateus, Marcos, Lucas e
João, uma vez que nenhum evangelho é assinado e suas
autorias são imputadas e não podem ser comprovadas)
pois os chamados raivosamente pela igreja de evangelhos
apócrifos assim foram considerados pois retratavam a vida de
Jesus, do nascimento aos 30 anos, que a igreja tanto queria
esconder e por isso desmistificavam as interpretações
mirabolantes criadas pela igreja a respeito de Deus e de
Jesus.
Este banimento dos evangelhos, raivosa e vingativamente
alcunhados pela igreja como "apócrifos", teve lugar durante
o Concílio de Nicéia, 325 d.C., quando a igreja mandou
destruir as cópias dos evangelhos que desagradavam as
versões da igreja, bem como mandou condenar à morte
quem possuísse cópia dos evangelhos "apócrifos", como por
exemplo os cinco evangelhos de Tation que demonstram
Maria e Jesus como não pertencentes à nobre descendência
da casa de Davi; o evangelho egípcio demonstra a passagem
adulta de Jesus no Egito e sua experiência no zoroastrismo; o
evangelho essênio destaca a vida de Jesus como essênio; o
evangelho dos hebreus apresenta a atuação de Tiago na
condição clara de irmão de Jesus, enfocando a infância de
Jesus como um simples ser humano; o evangelho de
Barnabé mostra as viagens de Jesus ao extremo oriente
(principalmente China e Índia) não registradas na Bíblia; os
evangelhos de Tomé e Filipe relatam que os cristãos não
acreditavam que Jesus havia morrido na cruz; e em atos de
Tomé é demonstrado que não só Jesus viveu na Índia como
Tomé foi o introdutor do cristianismo na Índia. Tomé foi
proscrito principalmente por relatar em seu evangelho que
Jesus não nasceu de nenhuma virgem. O evangelho de
Filipe, por sua vez, não só destaca a ida de Jesus para a Índia
como acrescenta como companheiros de viagem a sua mãe
Maria e a consorte de Jesus, Madalena.
Logicamente, a igreja não queria e não quer nem de perto (e
nem de longe) ouvir falar desses evangelhos. Mas, apesar dos
esforços e ameaças da igreja os registros destes evangelhos
atravessaram séculos e séculos, sobreviveram e estão aí
desmentindo e desmistificando as coisas que a igreja tanto se
empenhou em ocultar.
Hoje, não há mais como a igreja esbravejar, ameaçar de
morte ou sustentar as mentiras contra os evangelhos que ela
cinicamente chama de "apócrifos" (embora evite discutir
sobre o tema) pois diante das evidências gritantes o melhor é
silenciar e quem sabe daqui a mil anos pedir perdão,
novamente, como teve que fazer em relação às cruzadas e os
crimes praticados por ela, igreja, durante a santa inquisição.
Entretanto, apesar disso tudo, é bom que se enalteça a atual
posição da igreja católica, onde já há um grande avanço, pelo
fato da igreja reconhecer nas próprias explicações (bulas) das
Bíblias atuais que os quatro evangelhos do Novo Testamento
(Mateus, Marcos, Lucas e João) são realmente apócrifos e
que foram montados ao gosto e interesse da igreja, com fins
meramente de catequese. Ou seja, a igreja confessa que
pegou as folhas soltas que interessavam, montou os quatro
evangelhos que haviam sido escolhidos por ela, reescreveu-
os a bel-prazer, de acordo com os interesses da igreja da
época, visando basicamente ter algo escrito para as missões
de catequese."
"E como foi que a igreja criou esses evangelhos e atribuiu
aos quatro evangelistas, pai?"
"Começou por volta do ano 150 da nossa era. A igreja
pegou aquela "papelada" toda isso porque os evangelhos
não eram livros completos, eram folhas soltas e foi
separando e atribuindo autoria: Isso é de fulano, isso é de
sicrano, isso é de beltrano... e no final, depois de ter pilhas
de papéis amontoadas, separou em evangelhos por autoria,
reescreveu tudo, dando uma redação final a seu gosto, e
criou um salseiro terrível. Pois, na tentativa de harmonizar
os textos e fazer tudo coincidir (Mateus copiava Marcos, daí
Marcos copiava Mateus, e Lucas copiava os dois. A tal ponto
isso aconteceu, que acabou até perdendo a importância se
quem escreveu primeiro foi Marcos ou não, pois tudo
acabou sendo cópia de tudo e pasteurizado pela igreja), e
então a própria igreja acabou deparando-se com um
problema enorme. Ou seja, quando os evangelhos estavam
narrando o mesmo fato, quando aparecia contradição e
discrepância... a quem dar maior credibilidade?"
"A quem? A qual evangelista?"
"A ninguém... pois se originalmente já havia discre-
pância e contradição entre os textos, até mais não poder, na
dúvida a igreja preferiu deixar as contradições entre os textos
a ter que dar razão a um e tirar a razão de outro."
"Como assim, pai?"
"Por exemplo, se um evangelista dizia que tal coisa
havia acontecido numa determinada hora ou num deter-
minado lugar, e outro evangelista dizia que havia acontecido
noutra hora ou noutro lugar, a igreja preferiu deixar as duas
versões, mesmo sabendo que uma das duas versões estava
errada, porque ela não sabia qual das duas versões era a
versão correta. E como ela, igreja, caso fizesse uma escolha,
poderia estar fazendo a escolha da versão errada, foi
preferível manter as duas versões mesmo sabendo que uma
estava certa e a outra estava errada. Até porque, seria mais
fácil colocar a culpa em quem lê do que remendar o texto."
"Colocar a culpa em quem lê? De que maneira?"
"Simples. Basta chamar de herege a pessoa que ques-
tiona qualquer parte do texto bíblico. Basta ameaçar de
excomunhão quem duvidar do texto e amaldiçoar com a
pena de penitência eterna. Basta dizer que quem duvidar da
legitimidade do texto está possuído pelo demônio. É só
chamar de anticristo a pessoa que contesta."
"E tem gente que acredita nisso?"
"Se tem? Como tem... A maioria acredita cegamente
nos quatro evangelhos!!!"
"Mas a igreja reescreveu mesmo os evangelhos?"
"Olha... para não ficar parecendo opinião pessoal
minha, vou citar a própria versão do Vaticano, a própria
palavra oficial, inscrita na Bíblia Sagrada Nova Edição
Papal, feita pelos missionários capuchinhos de Lisboa, Por-
tugal.
Pág. 973 "Atualmente temos quatro Evangelhos
canônicos: segundo Mateus, segundo Marcos, segundo
Lucas e segundo João. Tais livros não nasceram desses
autores de uma só assentada, como geralmente acontece
com os livros modernos. Antes de verem a luz, eles
passaram por um período de gestação nas primitivas
comunidades cristãs. Por isso, não têm apenas a garantia
dum simples autor, mas também a da igreja, em cujo seio
nasceram."
"Uma primeira compilação de tais "folhas soltas" deve ter
sido feita em Jerusalém, em arameu; o seu autor, segundo a
tradição, foi o apóstolo Mateus. Mas este original não chegou
até nós. Traduzido para o grego, e muito ampliado por volta
do ano 70, é o atual Evangelho segundo Mateus. Esta
refundição deve ter-se verificado provavelmente em
Antióquia."
"Estas narrações, à força de serem repetidas, tendiam a to-
mar uma forma unitária e fixa. Pouco a pouco começaram a
pôr-se por escrito para atender às necessidades catequéticas."
"A presente obra leva por título "Evangelho segundo S.
Mateus". Este título, porém, não pertence ao original. Os
autores não costumavam assinar os seus escritos. Mas a igre-
ja, já por volta do ano 150, atribui esta obra a Mateus, um
dos doze, identificado como Levi, o cobrador de impostos."
Dá para perceber como foi feito? Primeiro foram coletadas
folhas soltas, que eram uma coletânea de citações de Jesus
(Sem história, só frases soltas. As histórias foram montadas
mais tarde). Depois, em suas respectivas igrejas na Antióquia
/ Anatólia (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes,
Filadélfia, e Laodicéia) o texto foi refundido (montado uma
história para harmonizar com o texto), posteriormente os
evangelhos foram novamente refundidos e adaptados aos
interesses da catequese. Daí surgiram Marcos como o
primeiro evangelho a ser escrito e Mateus como a primeira
compilação dessas folhas soltas compondo um evangelho,
observando-se a seguinte cronologia:

60 a 70 d.C. Evangelho atribuído a Marcos
70 a 85 d.C. Evangelho atribuído a Mateus
85 a 95 d.C. Evangelho atribuído a Lucas
95 a 110 d.C. Evangelho atribuído a João
150 d.C. Refundição dos quatro evangelhos pela
igreja

Qualquer pessoa que queira aprofundar-se no estudo da vida
de Jesus, e que queira chegar o mais próximo possível da
verdade jamais poderá aceitar somente estes quatro
evangelhos como os únicos evangelhos de Jesus, e muito
menos aceitar o texto desses evangelhos como de autoria
inquestionável, absolutamente corretos e inalterados, pois
eles foram reescritos de acordo com os interesses das igrejas,
na época. E a própria igreja católica confessa e assume ter
sido feita esta "refundição" dos textos.
Infelizmente, a igreja do passado, aquela que impôs o Antigo
Testamento pelo medo e pela ameaça, que praticou as
barbaridades das santas cruzadas, das santas inquisições, que
levou a humanidade ao seu mais negro período: o
obscurantismo da idade média; fiel às suas origens
reescreveu os evangelhos fabricando e montando uma
"verdade" editada, que ela, igreja queria como verdade, e ao
mesmo tempo impondo quais evangelhos deveriam ser lidos
e quais deveriam ser banidos.
Ocultando e renegando os demais evangelhos e manuscritos,
a igreja omitiu, com isso, por exemplo, uma vida inteira de
Jesus, do nascimento até sua morte (?). Reescrevendo os
textos dos evangelhos, fala parcialmente e de maneira
equivocada do nascimento de Jesus. Omite a infância de
Jesus e conta a entrada na adolescência (Bar Mitzvah) como
uma precocidade de Jesus (12/13 anos) numa tal "conversa
com os sábios", quando na realidade tratava-se de um
conhecido ritual judaico de Bar Mitzvah (um ritual judaico
que representa a saída da infância e entrada na juventude,
onde o adolescente deve dizer aos adultos, amigos e
parentes, porque merece deixar de ser criança e ser recebido
no mundo dos adultos). Tudo isso numa competição
religiosa tola, para descaracterizar a forte ligação de Jesus
com sua religião de berço, o judaísmo. Como se Jesus não
fosse judeu e nunca tivesse sido judeu.
E daí, a igreja omite toda a adolescência, juventude e vida de
Jesus até os 30 anos, aproximadamente.
Bom, mas comparando-se o Antigo e o Novo Testamento,
pelo menos nesta questão de "autoria", tem uma coisa de
bom nos quatro evangelhos também apócrifos (apesar de
estarem na Bíblia) que foram escolhidos para formar o Novo
Testamento, os autores são assumidamente seres humanos,
de carne e osso, são conhecidos: Mateus, Marcos, Lucas, e
João, criando, assim, um aspecto de maior credibilidade que
o Antigo Testamento e não se impinge ao povo, como
"verdade" absoluta, que o evangelho seja a "palavra de
Deus". Ao contrário, os evangelhos passam a ser o relato de
quatro pessoas, seres humanos, falando sobre a vida do ser
humano mais fantástico e mais importante que a
humanidade já produziu até hoje: Jesus."
"Bom, então aí fica tudo certo, né pai?"
"Não. Melhora, mas não resolve. Porque existem três
grandes fatores de complicação: 1) O fato da igreja ser co-
autora dos textos. 2) A falta de provas de que foram eles
mesmos (os quatro evangelistas) que escreveram os textos e
que estes textos em folhas soltas não foram misturados com
os dos escribas saduceus e fariseus. 3) O fato do relato ser
pessoal e com isso cada um interferir diretamente no texto."
"De que maneira?"
"Sabe-se que a história contada por cada um dos
quatro evangelistas é o relato de pessoas (seres humanos)
que, segundo o que viram ou o que ouviram falar, estão
contando a vida de Jesus como um relato "histórico", ainda
que observados pela ótica estritamente religiosa.
Embora os evangelhos sejam de autoria conhecida (pelo
menos imputadas a certas pessoas) e de serem uma espécie
de relatos "históricos" de uma vida, existe embutido no
relato a interferência humana e pessoal de quem relata a
história, a paixão de quem conta, a emoção, a vontade de
fazer uma coisa tão bonita e tão perfeita que acaba incor-
rendo em sérios e quase irreparáveis erros, onde a cada
conto é aumentado um ponto, e a soma desses pontos
acrescentados acaba comprometendo o próprio relato. Sen-
do salvo, somente, pela grandiosidade da verdadeira vida de
Jesus, que é maior do que o que os evangelistas pretenderam
contar.
A bem da verdade, os relatos dos quatro evangelistas da
Bíblia só não prejudicam mais a vida de Jesus porque a vida
d'Ele é tão fantástica, tão fantástica, tão fantástica (mesmo
tirando os erros e absurdos dos relatos), que torna-se
proveitosa sob qualquer aspecto."
"Mas, será, pai, que os evangelistas interferiram tanto
assim nos textos bíblicos?"
"O que? A melhor forma de demonstrar o quanto os
quatro evangelistas interferiram pessoalmente nos relatos
bíblicos é citando exemplos.
Inúmeras são as distorções dos fatos e da realidade, algumas
chegam a ser tão gritantes que mal se pode supor que tais
barbaridades tivessem sido ditas ou vividas por Jesus.
Assim como no Antigo Testamento, em certas oportu-
nidades os quatro evangelistas escorregam, carregam nas
tintas, e pintam um Jesus tão medíocre, arrogante e autori-
tário quanto o Deus do Antigo Testamento, como por exem-
plo quando atribuem a Jesus a frase: "Ninguém vai ao Pai
senão por mim".
"Sim... E daí?"
"E daí? Dá para imaginar um Jesus arrogante? Dá para
imaginar Jesus excluindo todas as demais religiões e dizendo
que só Ele pode levar as pessoas a Deus?"
"É... Eu não tinha pensado nisso."
"Quem estudou a vida de Jesus sabe que Ele jamais foi
arrogante. Sabe que jamais Ele diria semelhante barbaridade.
Esta frase, se fosse verdadeira, supõe dizer que antes de Jesus
existir ninguém ia a Deus porque Jesus nem existia... e se Ele
não existia, como ir a Deus, se para ir a Deus tinha que
passar por Jesus? Ou seja, antes d'Ele (Jesus) existir ninguém
ia a Deus pois não passava por Jesus. E depois d'Ele (Jesus)
existir somente os cristãos vão até Deus... (Uma bobagem
total e completa)
Isso é fanatismo religioso, isso é excludência, isso é
sectarismo, isso é fundamentalismo puro. Segundo essa
bobagem evangélica, os muçulmanos estão desgraçados, os
judeus estão desgraçados, os budistas estão desgraçados, os
espíritas estão desgraçados, etc., toda a humanidade que não
for cristã está desgraçada, pois na concepção fundamentalista
cristã, "só Jesus Cristo salva" e leva as pessoas a Deus.
Quando é mais do que sabido que Jesus disse exatamente o
oposto: "Na casa de Meu Pai há muitas moradas" (João
14:2), e aí sim, nesta citação de João, Jesus mostra-se
universal, ecumênico, afinado com um Deus aberto a todas
as religiões."
"É, pai... olhando assim, dessa maneira, você tem razão.
Acho que Jesus não falaria aquilo de só Ele levar as pessoas a
Deus."
"Filho, esta frase fundamentalista, profundamente infeliz
("Ninguém vai ao Pai senão por mim") é de um sectarismo,
de uma arrogância, de uma intolerância religiosa
incompatível com a postura e o legado do próprio Jesus. Esta
frase, além de ufanistamente burra é de uma intolerância
inconcebível para com tudo que Jesus fez e pregou para a
humanidade.
Dá para acreditar que uma bobagem dessas tivesse sido dita
por Jesus? Pois é, mas, no entanto, assim como essa
bobagem está na Bíblia atribuída a Ele, certamente cultivada
por escribas saduceus, muitas outras foram cometidas pelos
quatro evangelistas, isto porque eles (ou quem escreveu por
eles e a eles atribuiu os escritos) eram frutos do meio em que
viviam, e em razão disso os escritores dos evangelhos
aceitavam e acreditavam nas velhas bobagens do Antigo
Testamento. É só ver as passagens do Antigo e do Novo
Testamento para verificar que quase nada mudou em relação
a questões semelhantes a esta. Ou seja, continuavam a tratar
a mulher como um ser inferior e como um ser de segunda
classe; achavam natural a escravidão; a separação da
sociedade por castas, e coisas do gênero (coisas que Jesus
jamais pregou ou compactuou). E em razão disso, ao não
atentarem corretamente para a postura pacifista de Jesus,
para a postura de não-violência de Jesus, para a postura
humanitária de perdão e amor ao próximo, os evangelistas
inverteram a prioridade em seus relatos e passaram a
valorizar coisas menores como o curandeirismo, os milagres
e coisas do gênero (que qualquer pregador ou mistificador de
esquina faz "em nome de Jesus" para auferir lucros e
benefícios, contrário ao que Jesus ensinava), e deixaram em
segundo plano exatamente a maior obra de Jesus, que foram
os seus ensinamentos.
Jesus é o que é... não porque Ele sofreu. Porque muita gente
sofre ou sofreu até mais do que Ele.
Jesus é o que é... não porque Ele morreu na cruz. Porque
todo mundo morre um dia e teve gente que teve morte
muito pior do que a de Jesus na cruz. Inclusive, no dia de
sua crucificação, dois ladrões foram crucificados ao seu lado
e nem por isso os ladrões merecem ser santificados.
Jesus é o que é... simplesmente porque o que Ele disse
ninguém jamais disse ou havia dito antes. O que Ele passou
de ensinamentos ninguém jamais passou. O que Ele deixou
como legado e exemplo de vida, ninguém jamais deixou.
Super valorizar curas e curandeirismo, como "milagres", é
fazer o jogo dos algozes de Jesus, os saduceus. É deixar de
dar importância ao humanitarismo essênio de Jesus e
valorizar o curandeirismo, os holocaustos de animais, e a
venda, no templo, de produtos "bentos" e milagrosos para
curas, é reeditar os fariseus vendilhões do templo que Jesus
um dia expulsou do templo às chicotadas."
"E por que você, pai, acha que alguém escreveu os
evangelhos e atribuiu a autoria aos evangelistas?"
"Eu não digo que eles, os quatro evangelistas, não tenham
escrito os evangelhos. Eu digo que eles não assinaram o que
escreveram (e por isso os evangelhos bíblicos são apócrifos),
e que não escreveram sozinhos os evangelhos. Tem muita
co-autoria nisso. Tem os escribas saduceus (que não
acreditavam na imortalidade da alma e por isso valorizavam
o lado material e o curandeirismo que é atribuído a Jesus),
tem os fariseus que impuseram suas idéias contrárias aos
essênios, tem a igreja que refundiu os escritos todos. Nunca
esqueça que os manuscritos eram "folhas soltas" e que estas
"folhas soltas" escritas em aramaico foram perdidas, e que as
versões em grego podiam ser acrescentadas e subtraídas
conforme o gosto de quem montou o evangelho. (E o
detalhe mais importante: À época quase ninguém sabia ler
ou escrever na Judéia. E basicamente a leitura e a escrita
eram privilégios de uns poucos dos saduceus e fariseus, o
que não era o caso dos discípulos de Jesus.)
"E como a gente vai saber o que cada evangelista
escreveu? Como saber o que os escribas saduceus escreve-
ram? E o que a igreja escreveu ou "refundiu"?"
"Não vamos saber nunca. O máximo que a gente vai
conseguir é agir por eliminação."
"Como assim?"
"Como Michelângelo, por exemplo. Certa feita uma
pessoa maravilhada com as esculturas de Michelângelo (as
mais belas e mais perfeitas que o mundo já viu), perguntou a
ele, como é que ele olhava para um bloco de pedra mármore
e conseguia fazer sair dali uma escultura tão perfeita, sem
um erro, sem um remendo, como se fosse viva. No que
Michelângelo respondeu: "É simples, basta você imaginar o
objeto que você vai esculpir, como um cavalo, por exemplo,
e tirar do bloco de pedra tudo que não for cavalo."
Com os evangelhos deve ser feito a mesma coisa. Basta
imaginar o Jesus humilde e humanitário como conhecemos,
como um pregador do amor ao próximo, da fraternidade, um
humilde, um pacifista, e retirar do texto tudo que for
discrepante disso.
- "Falando assim, pai, até parece fácil."
"Eu não digo que seja fácil. Mas, ao menos sei que tudo
que me revoltar e parecer incompatível com o que Jesus foi
como figura humanitária, tudo que for contrário ao que Ele
viveu, ensinando, com humildade, as mais belas palavras de
sabedoria, eu posso atribuir como obra de um escriba
saduceu, fariseu ou da própria igreja. Ou seja, O Jesus
ecumênico que disse que "Na casa de Meu Pai há muitas
moradas", não é o mesmo radical excludente e sectarista que
"disse" que ninguém ia ao Pai senão por Ele (Jesus).
Tudo que for diferente e incompatível com: Amai-vos uns
aos outros como eu vos amei; Se alguém bater em tua face,
oferece a outra, Não deixes a tua mão esquerda saber o que
faz a mão direita; ou como em Mateus (6:1-5): Quando
fizeres milagres, não se exiba e não o faças em público;
Quando orares, não seja como os hipócritas que gostam de
rezar de pé nas sinagogas e nas ruas para serem vistos pelos
homens; Quando fizeres o bem a alguém não permitas que
trombeteiem por ti. Porque todas estas lições de humildade
que Jesus sempre passou são incompatíveis com as bobagens
que os escribas saduceus alegam que Ele disse ou fez, como
o curandeirismo super valorizado nos evangelhos, o
exibicionismo, a arrogância e a soberba atribuída a Jesus. E
por isso, tudo o que for diferente de humildade,
humanitarismo, amor, paz, fraternidade, não-violência, é
incompatível com a imagem de Jesus.
Desculpe eu insistir, filho, mas a frase atribuída a Jesus,
"Ninguém vai ao Pai senão por mim", ela é emblemática e
um dos exemplos mais claros do que Jesus jamais diria. Pois
esta frase representa o que de pior pode exprimir em termos
de sentimento cristão. É fundamentalismo cristão puro.
"E cristão também é fundamentalista, pai?"
"Mas é claro, filho. Qualquer religião pode ensejar o
radicalismo, o fundamentalismo. Diferentemente do que
supõe os cristãos, como se radicais e fundamentalistas fos-
sem somente os outros, o fundamentalismo atinge toda e
qualquer religião baseada na intolerância religiosa. Até por-
que Deus não é propriedade privada de qualquer seita ou
religião. E, "Ninguém vai ao Pai senão por mim" é uma frase
basicamente fundamentalista, pois não só os cristãos vão a
Deus.
O fato de os fundamentalistas de todas as espécies, cristãos,
judeus, muçulmanos (seja de que religião for) clamarem que
eles e apenas eles vão para o céu e que o "seu
Deus" é o único e verdadeiro Deus, joga por terra toda a base
e todo o castelo de areia que fundamenta a base da religião a
que os fundamentalistas professam.
Os fundamentalistas, de qualquer religião, não só agem com
base na suposição de que eles são os únicos que estão certos
e que só eles vão a Deus, como agem com base no
terrorismo religioso, na base da ameaça, do terror, sempre
apelando para o lado frágil das "vítimas", induzindo-as a
acreditarem no que eles querem ameaçando-as e
aterrorizando-as.
A insensibilidade dos fanáticos religiosos, fundamentalistas,
cristão ou não-cristão, é revelada em sua pregação
oportunista, tendo como alvo as pessoas frágeis e
desesperadas, que num determinado momento de dor es-
tejam passando por dificuldades, por privações, ou por
grande necessidades. E, sob o pretexto de levar conforto
espiritual e conhecimento religioso às pessoas, acabam por
incutir-lhes grande e terrível ameaça (Diabo, Satã, Satanás,
Inferno) aterrorizando ainda mais as pessoas frágeis e inse-
guras, como se quem não acreditasse em suas palavras e
pregações fosse sofrer o terrível mal do castigo do sofri-
mento eterno."
- "Quer dizer, pai, que o terror e a ameaça de pragas que
existia no Antigo Testamento persiste no evangelho?"
- "Pior, filho, muito pior. Acabaram com aquelas pragas
malucas do Antigo Testamento, como ser consumido por
hemorróidas, icterícia, furúnculos, sarna seca e sarna úmida
ou que a esposa iria ser possuída por outro, e acabaram
criando coisa muito pior. Substituíram a promessa e crença
de vida eterna por uma ameaça de sofrimento eterno.
Os fundamentalistas religiosos, interessados na manutenção
da "clientela", por mero interesse econômico e financeiro,
trataram de difundir o medo, a ameaça, o pavor, antes
mesmo do amor ao próximo. E com isso, a igreja materialista
cristã criou, fundou e inaugurou um cristianismo baseado e
fundamentado no medo, na ameaça da tortura perpétua, no
fogo eterno. E essa injustiça perpétua essa ameaça
permanente tornou-se a base e o coração da religião
cristã. As pessoas passaram a "acreditar" e a depender da
religião cristã não pela razão, não pelo desejo de amor ao
próximo, não pelo sentido de melhorar e evoluir
espiritualmente, mas pelo medo, pelo simples medo da
tortura eterna em substituição à vida eterna."
"Mas os evangelistas pregam isso na Bíblia?"
"Se pregam? Chega a ser criminoso o que Lucas diz em
12:4-5, atribuindo tais palavras a Jesus: "Não temais os que
matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Vou
mostrar-vos a quem deveis temer: Temei a aquele que
depois de matar-vos tem o poder para lançar-vos na Geena
(no inferno). Eu digo a vós, esse é a quem deveis temer."
("Geena" ficava nos arredores de Jerusalém, era uma
espécie de lixeira da cidade, onde, inclusive, imolava-se
pessoas pelo fogo. Razão pela qual a Bíblia refere-se à
"Geena" como um inferno bem próximo, bem aterrorizante,
um lugar de suplícios, martírios e sofrimentos.)
Essa é uma das piores faces do fundamentalismo cristão: A
pregação do medo e do terrorismo. Estas palavras de Lucas,
atribuídas a Jesus, jamais seriam proferidas pelo Jesus
pacifista, da pregação do amor ao próximo.
Um enviado de Deus, pregador de palavras de sabedoria,
jamais iria difundir o medo pela ameaça do sofrimento
eterno. Isso, é substituir o velho Deus do Antigo Testamen-
to por um Deus muito pior, que ao invés de amor e perdão
prega o medo e a ameaça do sofrimento eterno. É a substi-
tuição da vida eterna pelo fogo eterno.
Declarações como estas, atribuídas a Lucas, que sabemos são
palavras de homens materialistas, cruéis, avarentos,
insensíveis, de mente pequena, são palavras de ameaça, de
terror e vingança. São palavras usadas para assustar e
oprimir. São palavras para dar poder ao pregador, ao pastor,
ao padre, à igreja e aos gerentes de religião de uma maneira
geral. São palavras para destruir a razão do ser humano e
fazer da mente humana um escravo.
Com certeza, essa é uma lasca de mármore que deve ser
excluída do bloco. Porque "isso", seguramente, não é uma
citação que Jesus faria."
- "Mas, pai, como eu vou saber, com certeza, o que é de
Jesus e o que não é de Jesus?"
- "Filho, o seu coração dirá. Basta ter a mente aberta. Basta
questionar. Não tenha medo de questionar. Não aceite as
coisas pacificamente só porque foram impostas como um
dogma religioso. Busque a verdade, sempre, e a verdade te
libertará.
Aqueles que formam sua base religiosa fundamentada no
medo do sofrimento eterno do inferno, e que temem e
acreditam na personificação do diabo com rabo e chifre, no
inferno como um lugar indesejável onde se é jogado nele,
no fogo eterno que queima as almas e quetais, tornam-se
servos e escravos da religião. Nunca terão condições de
questionamento e de libertação da alma. Estarão abrindo
mão de um ensinamento cristão precioso, que é a busca da
verdade ("Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará")
e jamais saberão a verdade, pois quem abre mão de
questionar, de raciocinar, de buscar a verdade, de perguntar,
e passivamente aceita essa ameaça de sofrimento eterno,
estará cego e escravizado pelo medo fundamentalista
religioso. A idéia de inferno foi inventada para subjugar a
humanidade e estabelecer uma ditadura religiosa tão terrível
que aqueles que nela acreditam vivem toda sua vida sob uma
tirania muito maior e muito pior do que qualquer tirania
imposta por um tirano humano.
A religião deve servir como base de paz e para o consolo dos
seres humanos, nos momentos de angústia, nos momentos
de dor e sofrimento. Jamais ser usada para ameaçar.
Toda religião que ameaça, ao invés de consolar, está no
caminho errado.
A Bíblia, em seus salmos, provérbios e ensinamentos, é um
instrumento poderoso para meditação, oração, consolo e
conforto nas horas de solidão, tristeza ou adversidade, mas
quando usada como uma arma de terror, tortura, ameaça e
propagação do medo, ela perde a sua validade,
transformando algo sagrado em uma paródia bizarra.
O conceito de inferno, do fogo eterno, do castigo eterno,
diabo, ou satã, ou demônio, é uma paródia bizarra sim, uma
invenção religiosa que visa basicamente estabelecer o
domínio pelo medo. A própria personificação de "Satã" (com
chifres, rabo e pata bifurcada) é uma invenção religiosa
deturpada, vez que a própria palavra "Satã" é derivada de
uma palavra hebraica que significa "obstáculo".
Com isso, à partir deste "obstáculo" foi criado uma entidade
"divina", personificada, com chifre, rabo e pata bifurcada,
para rivalizar com um Deus, também personificado como
um velho, de roupão, sentado numa nuvem, tocando harpa.
Estabelecendo assim uma batalha cósmica eterna entre o
bem e o mal, entre Deus e o Diabo, como se o mal, ou sua
personificação: o Diabo, pudesse deixar de ser algo humano
e passasse a ser uma falha ou um lapso do próprio Deus.
Sim, porque se o mal (ou sua personificação: o Diabo) ao
invés de ser algo criado pelo livre arbítrio do ser humano,
passa a ser personificado como uma divindade do mal,
logicamente passa a ser uma divindade criada e permitida
pelo próprio Deus, tão poderoso quanto Deus, lutando di-
retamente com Deus, por toda a eternidade.
Com isso, ao inventarem o Diabo personificado com rabo e
chifre, dando a ele poderes tão grandes quanto os poderes de
Deus, logicamente esse Deus, também personificado, então
passa a ser um Deus falho e medianamente poderoso, vez
que tem que se sujeitar a viver, conviver e lutar,
permanentemente, com o Diabo, que é o mal que Ele (Deus)
mesmo criou, tão poderoso quanto Deus. Ou seja, esse
terrorismo de personificação de Deus e Diabo é uma
bobagem total.
Assim como nas demais religiões onde o Diabo rivaliza com
Deus, a obsessão dos cristãos, amedrontados com o Diabo,
passou a ser tão importante, tão essencial, tão vital para a
sobrevivência do cristianismo como religião quanto Deus. E
passou-se a prestar muito mais atenção no mal e na sua
erradicação do que na prática do bem. O Diabo virou figura
de destaque e o responsável direto pela caça às bruxas, que
foi, na verdade, um endurecimento e uma propagação muito
maior ainda do que o que a igreja tanto tentou reprimir por
quase mil e quinhentos anos. Ou seja, a maioria das religiões
não só criou a figura personificada do Diabo como
adversário natural de Deus (para explicar e justificar a
existência da maldade, como coisa imaterial, não
personificada), como criou, com isso, a pior de suas
invenções: o culto ao ocultismo, o culto ao medo, o culto ao
terror e à maldade. Pois, como ensina Aldous Huxley,
"Pensando primeiramente no mal nós tendemos, mesmo
com excelentes intenções, a criar oportunidades para o mal
se manifestar".
Com a institucionalização desse culto às avessas ao Diabo,
personificado com rabo e chifre, passou-se a atribuir ao
Diabo tudo que de errado acontecesse na humanidade e
tudo mais que não fosse do agrado dos dirigentes religiosos.
Fundamentalistas religiosos passaram a ver as pegadas (de
patas bifurcadas) do demônio em toda parte e em tudo que
não se lhes agradasse. Tudo que existisse de errado passava
automaticamente a ser "obra do Diabo". E é com base nesta
justificativa que passaram a impor e governar as religiões (de
várias denominações, cristãs e não-cristãs) com base no
medo e no terror, ameaçando tudo e a todos com o estigma
do Diabo.
Se você ficou doente, foi obra do Diabo. Se algum ente
querido morreu, foi obra do Diabo. Se qualquer coisa deu
errado na sua vida, foi obra do Diabo. Até mesmo os
questionamentos bíblicos como os que agora estão sendo
feitos não só passam a ser heresia, como, também, são
atribuídos a obra do Diabo, que é para que as pessoas fiquem
cegas religiosas, devotadamente exploradas por diretores de
religião, de modo a que ninguém jamais venha a questionar
os erros e as contradições religiosas ou bíblicas."
"Então, pai, Deus existe e o Diabo não existe?"
"Não é bem assim. Deus, o criador do universo existe,
mas não é um velho barbudo sentado numa nuvem. O
Diabo (a maldade) existe, mas não é um ser de rabo, chifre e
pata bifurcada. O Diabo conforme equivocadamente apre-
sentado pelas religiões é a personificação (material) da
maldade (imaterial). A maldade, que é imaterial, é fruto e
obra do ser humano, exclusivamente do ser humano e não
tem nada a ver com Deus, o criador do universo."
- "Pai, mas como a gente consegue se livrar do terrorismo
dessas pessoas (pregadores) que citam textos da Bíblia e
ameaçam as pessoas, com o Diabo e com o inferno, dizendo
que estão agindo "em nome de Jesus"?"
- "Combatendo fogo com a razão. Citando para o pregador
os textos da própria Bíblia. Afinal, ele não é pregador? Não
diz que age em nome de Jesus? Não diz que faz curas e
expulsa demônios? Não prega e diz que acredita piamente
que toda palavra da Bíblia é verdadeira? Então que prove do
próprio veneno, nos textos da Bíblia.
(Marcos 16:17-18) "Eis os milagres que acompanharão
aqueles que acreditarem: Em Meu nome expulsarão os
demônios, falarão línguas novas, apanharão serpentes com
as mãos e se ingerirem alguma bebida mortífera não sofrerão
nenhum mal; imporão as mãos sobre os enfermos e eles
recuperarão a saúde."
Agora ficou bastante simples identificar e desmascarar os
charlatões religiosos que vivem ameaçando as pessoas com o
Diabo, com o inferno, dizendo-se capaz de expulsar
demônios e fazendo cura "em nome de Jesus". Basta mandá-
los pegar como manda a Bíblia uma serpente venenosa
com as mãos para serem picados, e ingerirem bebida
mortífera (veneno). Se forem pregadores verdadeiros e
crentes com fé em Jesus, não sofrerão mal algum. Não é
mesmo? Eles não estão operando "em nome de Jesus"?
Então? Não há o que temer. Não é isso que está na Bíblia?
Ou será que desta vez, para este caso, os charlatões não
acreditam mais na Bíblia?"
"Mas você, pai, não pode ser acusado de estar
distorcendo ou profanando a Bíblia?"
"Depende. Acusar qualquer um pode acusar qualquer um
do que quiser. Ter razão é diferente. Isso que eu fiz não é
distorcer as palavras da Bíblia, porque se pregadores
vigaristas aproveitam-se de incautos, dizendo que como
manda a Bíblia expulsam demônios e operam milagres
"em nome de Jesus", então que provem que estão agindo
"em nome de Jesus". Que sejam picados por uma serpente
venenosa e que bebam veneno e provem estar agindo "em
nome de Jesus". Não te parece lógico que o texto da Bíblia
seja usado neste sentido? Ou será que somente neste caso o
texto da Bíblia não deverá ser lido e entendido conforme
está escrito?
Isso, filho, não é heresia ou profanação, é questionamento.
Não se deve abrir mão do questionamento pelo simples e
mero receio de estar sendo profano. Pois o inverso disso é a
ignorância e a total submissão aos textos da Bíblia
interpretados por vigaristas, ou pior, sujeitando-se a uma
submissão incontestável aos textos bíblicos e rendendo-se a
um ícone muito pior do que tudo que possa existir, ou seja, a
bibliolatria (idolatria à Bíblia acima de todas as coisas).
Na realidade, esta bibliolatria nasceu e foi concebida
juntamente com a idolatria a um absurdo Deus do Antigo
Testamento, forjado inicialmente por escribas saduceus,
seguido pelo culto ao terror, na personificação exacerbada
do Diabo (no Novo Testamento). A bibliolatria foi inventa-
da, por gerentes de religião, fundamentalistas cristãos, como
se a Bíblia fosse um ícone, um ídolo para ser adorado, e
jamais questionado suas palavras sob qualquer forma, sob
pena de profunda heresia e cultuamento ao Diabo e às forças
das trevas.
A bem da verdade, no sentido contrário a esta estúpida e
burra bibliolatría, quem quiser saber e conhecer Jesus e o
cristianismo há que questionar cada palavra da Bíblia em
busca da verdade cristã ("Conhecereis a verdade e a verdade
vos libertará") e ter uma mente bem aberta, sem pre-
conceito, para poder enxergar os erros, as contradições, as
bobagens e os exageros contidos não só no Antigo Testa-
mento, como os erros, as contradições, as bobagens e os
exageros contidos no Novo Testamento, principalmente nos
quatro evangelhos. A começar pelo fato de que os evange-
lhos foram manipulados e escritos nos interesses da igreja e
que deliberadamente esta mesma igreja ditatorialmente
excluiu outros evangelhos, proibindo-os de compor a Bíblia,
por estrito interesse econômico e financeiro das religiões
cristãs, acomodadas na manutenção da ignorância dos fiéis e
ao mesmo tempo amparadas pelo chicote e pela ameaça do
sofrimento eterno aos "hereges" que ousavam contestar as
"santas e sábias palavras" da Bíblia ou que fossem contrários
à bibliolatria (idolatria da Bíblia como um ícone ou um
ídolo).
Antes de aceitar cegamente as palavras escritas na Bíblia
como verdade absoluta, há que se questionar, questionar,
questionar e questionar as contradições gritantes, as
incoerências evidentes entre os próprios textos da Bíblia que
se desmentem seguidamente. Há que se questionar a
autenticidade de quem relata, e principalmente se os fatos
narrados condizem com o que se conhece historicamente
sobre o fato ou sobre tal pessoa. Há que se questionar e
buscar, permanentemente, a verdade, até como forma de
libertação religiosa.
"Pai, dá para citar algum exemplo de coisas que estão na
Bíblia, mas que você tem certeza de que não deveriam estar
porque Jesus não falaria ou não agiria assim?"
"Mas é claro que dá. São trocentos os exemplos.
Vamos ver alguns dos exemplos principais ou os mais sig-
nificativos, pois não dá para listar todos eles, uma vez que
são muitos os casos de absurdos, erros, discrepancias e con-
tradições.
Por exemplo, filho, dá para imaginar Jesus dizendo que Ele
não é da paz e sim da guerra?"
- "De maneira alguma, pai."
- "Alguém em sã consciência pode imaginar que Jesus teria
dito que não veio trazer a paz e sim a guerra?
Pois então é só conferir Mateus (10:34) para verificar esta
bobagem saída da boca de Mateus (ou de quem quer que seja
que a ele atribuiu a autoria do evangelho) afirmando que
Jesus disse: "Não pensais que estou vindo para enviar paz
para a terra: Eu não vim trazer a paz, mas a espada."
Na realidade esta passagem representa bem o sonho do povo
hebreu (judeu), mormente os saduceus e fariseus, que
queriam um messias forte, vigoroso, um guerreiro, de espada
na mão, montado em um cavalo branco e que viesse libertar
o povo hebreu, e que antes de tudo, que fosse nascido de
um Deus e parido por uma virgem.
Jesus era justamente o oposto. Não tinha cavalo branco e
sim um jumento (e emprestado, ainda por cima). Não era
forte fisicamente, mas franzino. Era filho de um homem
comum, um simples camponês ou carpinteiro. Não era um
guerreiro, mas sim um humilde pacifista, adepto da não-
violência. Sua mãe não era virgem e sim uma mulher
comum e mãe como tantas outras, com vários filhos. Essa
era a realidade e o grande pesadelo dos judeus (hebreus) que
esperavam o messias. E por isso, para tentar alterar essa
realidade, dura e cruel para quem esperava tanto, é que os
evangelistas (na realidade, ajudado por escribas saduceus e
fariseus), e mais a igreja católica que no ano 150 da nossa era
selecionou e reescreveu os manuscritos, tentando alterar a
realidade dos fatos, interferiram pessoalmente nos relatos da
vida pessoal de Jesus, atribuindo a Ele fatos e situações
absolutamente incompatíveis com a figura de Jesus.
E quem pensa que o relato evangélico de Mateus é só um
pequeno equívoco e um caso isolado, observe-se a se-
qüência em Mateus (10:35), atribuído a uma pregação de
Jesus: "Porque eu vim separar, o filho do seu pai, e a filha da
sua mãe, e a nora da sua sogra. (36) de tal modo que os
inimigos de um homem serão seus próprios familiares. (37)
Aquele que amar pai ou mãe mais que a mim não é digno de
mim: E aquele que amar o filho ou filha mais do que a mim
não é digno de mim."
- "Meu Deus do céu, pai. Jesus disse isso mesmo?"
"Claro que não. É aquela história que a gente havia
conversado antes. É só tirar do bloco de pedra tudo que não
for da escultura. E no caso do evangelho, é só tirar do
evangelho tudo que não for de Jesus...
"Isso", essa coisa, essa aberração, não pode ser palavras de
Jesus. É inimaginável que Jesus, humilde, como pacifista e
humanitário, um pregador do amor e da não-violência, um
religioso e sábio essênio (a ser visto em relatos sobre "A
Sociedade Secreta de Jesus") tenha dito que não veio trazer a
paz e sim que veio trazer a guerra e a espada. Isso é muito
semelhante às bobagens ditas sob encomenda pelos
judeus/saduceus/fariseus "autores" e "inventores" do Deus
velho do Antigo Testamento. Isso parece-se muito com
aquele Deus pequeno, tribal, rancoroso do Antigo
Testamento. Não se parece em nada com quem realmente
foi Jesus.
Alguém pode imaginar Jesus jogando filho contra pai, filha
contra mãe? Só mesmo na mente tortuosa dos escribas do
Antigo Testamento e dos judeus/saduceus/fariseus que
"inspiraram" os trechos dos quatro evangelistas do Novo
Testamento. Razão pela qual as pessoas interessadas em
religião de uma forma geral, os estudiosos, os pesquisadores
e os teólogos têm que questionar, questionar, questionar e
questionar, e ter a mente bastante aberta, comparar e
entender que no relato dos quatro evangelistas existe muita
coisa de opinião pessoal e particular, e que os quatro
evangelistas ao relatarem os acontecimentos da vida de Jesus
acrescentaram coisas segundo a crença do templário da
época e/ou segundo suas convicções pessoais. Pois, qualquer
pessoa, por mais leiga que seja, sabe que Jesus não era cruel,
a ponto de jogar filho contra pai e filha contra mãe, e que
não era arrogante a ponto de dizer que só ele salvaria e
levaria as pessoas a Deus."
"Pai, isso não é um caso isolado?"
"Não!"
"Uma exceção?"
"Não!"
"Um caso de interpretação errada?"
"Não! Se bem que sempre haverá um religioso ten-
tando inventar uma versão ou interpretação mirabolante
para algo tão simples, claro, cristalino. Até porque, é mais
fácil inventar uma versão ou interpretação mirabolante para
as barbaridades que estão escritas na Bíblia, como se tives-
sem sido ditas por Jesus, do que admitir que foram os pró-
prios religiosos da igreja que manusearam, manipularam e
"refundiram" os textos dos manuscritos adaptando-os aos
interesses da própria igreja.
Religiosos supõem que admitir, agora, os erros bíblicos
retiraria da Bíblia a aura de livro santo. Daí, insistem na
manutenção do erro e da mentira, até como forma de so-
brevivencia da própria igreja, pois é mais fácil converter
uma pessoa à cristandade pelo símbolo da cruz do que pelo
símbolo do peixe; pelo sofrimento do que pelo altruísmo; do
curandeirismo do que pelos ensinamentos humanitários. E
com isso os erros bíblicos são secularmente mantidos."
"Tem outros exemplos como este?"
"Mais exemplos? São vários. Marcos diz que Jesus
mandou as pessoas cortarem suas mãos, seus pés, e arran-
carem seus olhos, ante o pecado. Marcos (9:43:48): "E se tua
mão te ofende, corte-a: é melhor para ti entrar na vida
eterna mutilado, que tendo duas mãos, ir para o inferno,
para o fogo que nunca apaga: (44) onde o bicho que rói
nunca morre, e o fogo nunca apaga. (45) e se teu pé te
ofende, corte-o; é melhor para ti entrar na vida eterna coxo,
que tendo dois pés ser lançado no inferno, no fogo que
nunca será extinto: (46) onde o bicho que rói nunca morre,
e o fogo nunca apaga. (47) e se o teu olho te ofende,
arranque-o fora: é melhor para ti entrar no Reino de Deus
com um olho, que tendo dois olhos ser lançado no fogo de
inferno: (48) onde o bicho que rói não morre, e o fogo não é
extinto."
"Meu Deus do céu, pai!!! Jesus falou isso?"
"Estas não são palavras sensatas de um humanitário
sensato como Jesus. Não são palavras do Jesus que a
humanidade conhece como humilde, humanitário, manso,
pacifista, adepto da não-violência. Estas são palavras de
loucura, dos insanos escribas judeus/saduceus/fariseus, os
mesmos que criaram as ameaças, as maldições e as pragas do
Antigo Testamento. É só atentar para o tanto de terror, de
ameaça, de crueldade que existe no texto para perceber,
claramente, a caligrafia dos religiosos saduceus/fariseus in-
teressados na manutenção do terrorismo religioso e do
"status quo" de benesses e benefícios destinados aos donos,
gerentes e senhores do templo.
Os exemplos dessas insanidades são tantos, tantos, tantos
que dá para se perceber claramente a intenção da igreja em
manusear os "escritos sagrados" do evangelho. São vários os
casos atribuindo citações como se fossem de Jesus, mas que
na realidade são pensamentos e desejos pessoais de quem
redigiu os evangelhos e de quem os "revisou", como se
fossem palavras de Jesus. São aberrações gritantes. São casos
assustadores.
Pode alguém imaginar, por exemplo, Jesus dizendo que
quem tem muito vai ter mais ainda, e que o pobre miserável
que nada tem terá menos ainda?"
"De maneira alguma, pai. Jesus jamais diria que os ricos
terão mais e mais, e que os pobres terão cada vez menos.
Isso é loucura."
"Pois é exatamente esta bobagem, na realidade uma
opinião pessoal de quem escreveu, que após relatar a mag-
nífica parábola do semeador, contada por Jesus, eis que
inventa a parábola dos talentos e acrescenta uma opinião
pessoal, interferindo na história, como se fosse Jesus falando.
Vejamos Mateus (13:12): "Pois a aquele que tem, dar-se-lhe-
á e terá em abundância; mas aquele que não tem, ser-lhe-á
tirado até o pouco que tem". (Um absurdo completo)
É possível alguém acreditar que algo desse tipo tivesse sido
dito por Jesus? Sim, porque das duas uma: Ou Jesus nunca
disse uma barbaridade dessas e os evangelistas (ou quem
escreveu por eles) estão mentindo e interferindo na história.
Ou Jesus não é nem perto e nem parecido com o que se
conhece dele. E obviamente entre as duas opções é mais
crível que os evangelistas (ou quem escreveu por eles)
estejam mentindo (como fizeram muitas vezes em seus re-
latos) e que Jesus jamais teria dito uma bobagem dessas."
"Pai, esta citação não poderia estar no lugar errado,
referindo-se a outra coisa?"
"Não!"
"Não poderia ter uma interpretação diferente?"
"Não! É a bobagem contada e repetida na "Parábola dos
Talentos". A questão é clara, cristalina. Embora, conforme a
gente já viu, sempre haverá um religioso tentando inventar
uma versão ou interpretação mirabolante para algo tão
simples, claro, cristalino."
"Meu Deus, pai... realmente os casos apresentados são
terríveis. Jesus jamais diria algo desse jeito. Está muito claro
que as pessoas que escreveram os evangelhos interferiram
demais no relato."
"É, filho, mas Jesus foi profético e via longe, veja o que
ele disse sobre os escribas pregadores.
"Tomai cuidado com os escribas pregadores que gostam
de se exibir de vestes sóbrias, de pregar e ser reconhecido
nas praças e de ocupar os primeiros lugares no templo; eles
devoram as casas dos pobres e das viúvas a pretexto de
orações. Estes receberão um castigo mais severo."(Marcos
12:38-40)
Os escribas pregadores, os saduceus e os fariseus que
interferiram e co-escreveram os evangelhos, assim como a
igreja que "refundiu" os textos atribuindo a autoria a quatro
evangelistas, erraram muito, principalmente ao invés de
valorizarem os ensinamentos de Jesus e a Sua pregação de fé,
passaram a apresentar Jesus como um simples curandeiro,
um farsante que fazia milagres a torto e a direito, em geral
exibindo-se em público, contrário ao que Jesus mesmo
pregava. Este Jesus incongruente, apresentado pelos
evangelistas como curandeiro, exibicionista, arrogante, não é
nem perto e nem parecido com o Jesus que se tem
conhecimento.
Eles, os escribas, abriram mão de valorizar as pregações e
ensinamentos de Jesus, para valorizar, prioritariamente as
curas e o curandeirismo. Os escribas saduceus e fariseus, co-
autores dos evangelhos como se fossem os citados
evangelistas, supervalorizam o curandeirismo, sem explicar,
por exemplo, por que ressuscitar alguns mortos? (ocupando
o mesmo corpo material) Por que ressuscitar uns e não
outros? Por que não ressuscitar todos os justos? Jesus não
acreditava numa vida eterna? Jesus não acreditava na
imortalidade da alma? Por que Jesus ressuscitou Lázaro? Só
porque Jesus chegou atrasado a um encontro com Lázaro e
porque era íntimo de uma de suas irmãs? Por que Jesus
ressuscitou Lázaro e não José, Seu próprio pai? (Pois quando
José morreu, e Jesus tinha cerca de 30 anos, Jesus entrou em
pânico, desespero e profundo sofrimento) Por que curar
alguns doentes e não outros? Acaso todos os justos não
merecem cura?
Com essa história de curandeirismo bíblico, Jesus acabou
sendo pintado pelos escribas como um vulgar curandeiro,
arrogante, presunçoso e exibicionista, bem diferente do
Jesus conhecido como humilde e pacifista, avesso a exibição
e arrogância. E com isso, os escribas acabaram criando uma
nódoa, uma mancha quase que irreparável na biografia de
Jesus. E pior, passaram a incentivar o curandeirismo e a
vigarice religiosa das curas imediatas "em nome de Jesus".
Senão vejamos:
Ao invés de mostrar Jesus procedendo com humildade, sem
vaidade, sem soberba e sem arrogância, não deixando a mão
esquerda saber o que a mão direita fazia (como ele mesmo
ensinou); fazendo o bem sem dar publicidade do fato, ou
conforme citado em Lucas 8:57, em que numa das
poucas vezes de humildade e sensatez recomenda aos
beneficiários da cura para que não contassem o "milagre" da
cura para ninguém, os escribas saduceus e fariseus,
misturados aos evangelistas "pintam" um Jesus como um
curandeiro, presunçoso, vaidoso, arrogante e exibicionista,
praticando todos os seus atos de curandeirismo em público,
exibindo-se, e mais, mandando que todos tomassem
conhecimento do fato, para a glória d'Ele mesmo."
"Puxa vida, pai... é muita maldade apresentar Jesus desta
maneira, como arrogante e curandeiro."
"Mas foi bem isso que os escribas fizeram, filho. No
interesse de valorizar o curandeirismo ao invés dos
ensinamentos humanitários e pacifistas de Jesus, os escribas
pregadores, visando o lucro dos templos com a venda de
curas milagrosas "em nome de Jesus", em proveito próprio,
para que pregadores curandeiros de toda espécie saíssem por
aí praticando curandeirismo "em nome de Jesus", eles
pintaram Jesus como um presunçoso e arrogante curandeiro.
Nas "Bodas de Caná", por exemplo, por pura exibição, sem
qualquer fundamento religioso, os escribas pintam Jesus
exibindo-se e transformando água em vinho, na frente de
muitos, simplesmente para que houvesse vinho numa festa
em que ele estava presente. (Em outras passagens exibe-se
como um curandeiro, fazendo curas públicas milagrosas)
Qual o sentido bíblico desse "milagre" de transformar água
em vinho? Qual a necessidade disso? Que lição tirar desse
"milagre"? (Se bem que sempre haverá um religioso
exegeta de bicicleta tentando inventar uma versão ou
interpretação mirabolante para algo tão simples, tão claro,
tão cristalino).
Numa outra oportunidade, Jesus é apresentado pelos escribas
exibindo-se na frente de todos fazendo o "milagre" da
multiplicação de pães e peixes, no seu estrito interesse
pessoal, para alimentar pessoas interessadas em vê-Lo e
ouvi-Lo fazer um sermão.
De início, é de se deixar bem claro que o "milagre" da
multiplicação de pães e peixes, conforme contado na Bíblia,
é exatamente o oposto de como é relatado. Isto porque, não
existe a multiplicação de pães e peixes. O que existe é a
divisão de pães e peixes, o que é bem diferente. Ou seja, ao
invés de um "milagre" de mágica de multiplicação de pães e
peixes, que não encerra ensinamento religioso algum, é só
um mero ato público de magia, existe, sim, o milagre
verdadeiro da divisão de pães e peixes, que encerra um
magnífico ensinamento cristão de dividir o que se tem com
os irmãos mais necessitados.
E, de mais a mais, Jesus jamais faria um milagre ou qualquer
coisa que O beneficiasse pessoalmente, como no caso da
alimentação a seu público ouvinte com pães e peixes, como
uma forma de "pagamento" às pessoas que vieram para
escutá-Lo e segui-Lo em pregações. Ele mesmo disse isso de
maneira bem clara e inconteste: (João 5:30) "Eu nada posso
fazer por mim mesmo".
Estas "mágicas" em público, estas curas em público, estes
"milagres" em público, toda esta exibição pública, é
totalmente incompatível com o recatado Jesus, humilde, que
conhecemos, despido de qualquer vaidade (Mateus 6:2)
"Não permitais que toquem trombetas por ti"; "Guardai-vos
de fazer as vossas obras diante dos homens para vos
tornardes notados por eles. (Mateus 6:1). Pois, até para dar
esmola Jesus recomenda que se dê em segredo; que até para
orar Jesus recomenda que se faça recluso e não nas ruas e
praças para ser visto pelos homens.
Como pode este exemplo e símbolo de humildade ser
pintado por escribas saduceus e fariseus como um curan-
deiro, um mágico, um exibicionista, um arrogante, exibindo-
se em público? Como pode isto estar na Bíblia e as pessoas
aceitarem pacificamente e não questionarem este contra-
senso?
É só questionar e as intenções pessoais dos escribas
aparecem por inteiro: Qual o sentido bíblico de Jesus fazer
esta mágica em público ou este milagre de alimentar, ora
4.000, ora 5.000 pessoas, fora mulheres e crianças? À troco
de que? Mostrar poder? Exibir-se em público? Isso contraria
tudo que Jesus sempre pregou sobre anonimato, segredo,
silêncio e humildade. E, se era para alimentar os famintos...
por que alimentar somente a sua platéia, seu público ouvinte
e os seus "amigos" e não os necessitados? Se era para curar
alguns... por que não os justos e somente alguns? Se era para
ressuscitar alguém, por que ressuscitar Lázaro e não seu pai,
José? E por que não ressuscitar todos os justos e todos que
necessitassem?
Esse curandeiro exibicionista não é Jesus. Jesus jamais agiria
conforme o relatado pelos escribas.
Qual o sentido de ressuscitar Lázaro? Para que? Trazer de
volta à vida uma pessoa que estava fedendo, cheirando a
carniça depois de quatro dias de morto? Só porque Jesus
chegou atrasado na casa de Lázaro e não pôde curá-lo quan-
do estava doente?
Isso é uma bobagem atroz.
Não existe um único motivo para Jesus ressuscitar Lázaro
que não seja exibicionismo. Até porque, se Jesus fosse
ressuscitar alguém que merecesse, teria ressuscitado seu pai,
José, que foi uma perda enorme para Ele, que apesar de
sofrer, chorar e pedir a Deus por seu pai, Jesus foi incapaz de
ressuscitar a quem ele mais amava na vida, que foi seu pai,
José. Assim como transformar água em vinho nas bodas de
Caná (de seu primo Benjamim) não passa de mero relato
atribuindo publicamente poderes mágicos a Jesus.
A ressurreição de Lázaro é uma das piores invenções da
Bíblia, pois não só joga por terra o conceito de renascimento
e vida eterna (valorizando sobremaneira a vida material)
como retira da morte o caminho natural de Deus. Isto
porque, a única coisa certa na vida é a morte e a morte da
matéria é a maior de todas as justiças de Deus. A morte
nivela igualmente a todos: ricos, pobres, cultos, incultos,
religiosos, ateus. Todos são inapelavelmente igualados pela
morte. E o que a ressurreição de Lázaro faz é desdizer todos
os conceitos de espiritualidade. E pelo motivo mais fútil do
mundo... algo como: "...desculpe-me por ter chegado
atrasado, e como compensação vou ressuscitar Lázaro para
me desculpar pelo atraso..." (Inimaginável na mente de uma
pessoa normal, mas bastante compreensível para quem
escreveu as pragas e as historinhas fantasiosas do Antigo
Testamento)
Na realidade, os fatos aconteceram de maneira bem
diferente do narrado pelos escribas. Claro que aconteceram.
E nesse caso, é bom atentar para o que Jesus realmente disse
dos escribas e alertou sobre eles:
"Tomai cuidado com os escribas pregadores..." (Marcos
12:38)
"Se a vossa virtude não superar a dos escribas e fariseus, não
entrareis no reino dos céus." (Mateus 5:20)
"Vós, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos preveni."
(Marcos 13:23)
(Nota: Num sentido bíblico, escribas e pregadores têm o
mesmo significado, (Marcos 1:22, 2:6, e 2:16), uma vez que
os escribas também exerciam o sacerdócio e eram
pregadores)
Atentem! Tomem tento! Jesus está claramente alertando:
"Cuidado com os escribas pregadores, não se deixem
enganar pelas palavras. Usem a inteligência. Pensem.
Questionem. Quem souber ler, leia. Quem tiver ouvidos,
ouça."
O "milagre" dos pães, por exemplo, é tão absurdo quanto
controverso, e choca-se frontalmente quando Jesus foi
instado a fazer milagre semelhante, diante da tentação do
Diabo, no deserto. Posto que Ele mostrou-se incapaz de
transformar pedra em pão, pois os milagres de Jesus não são
para serem exibidos em público, não são para serem usados
em proveito próprio. Não são para fazer Deus exibir Seu
poder e Sua força. Portanto, os escribas erraram, e muito,
em apresentar Jesus como um exibicionista público. Esse
curandeiro exibicionista não é Jesus.
Não sabendo como lidar com determinados fatos, por falta
de conhecimento da doutrina cristã que principiava nascer,
e não sabendo dimensionar a importância do que Jesus fazia
(achando que mágica e milagre são mais importantes que as
lições de vida e os ensinamentos deixados por Jesus), os
escribas confundem o fato de Jesus não querer fazer com
não conseguir fazer. E assim é o caso relatado como não
tendo conseguido fazer "milagres" de cura em sua própria
terra, jogando a culpa nos "homens de pouca fé", alegando
que ninguém faz milagre em sua própria terra.
A bem da verdade, por ignorância dos escribas, este é só
mais um triste e pobre retrato, dentre tantos casos, de um
messias curandeiro, arrogante e exibicionista, pintado pelos
escribas que a igreja selecionou como o ideal para retratar a
vida de Jesus. Vejamos mais alguns casos incompatíveis com
Jesus:

(Mateus 17:17) Após curar um louco, Jesus vocifera
"Geração descrente e perversa, disse Jesus, até quando
estarei convosco? Até quando vos hei de suportar?"
Será esse o Jesus humilde, manso, pregador da paz, da
fraternidade, do amor, que por simples e humana in-
tolerância diz claramente estar de saco cheio dos homens e
da humanidade? É esse o retrato de Jesus que a igreja e os
escribas querem passar? "Até quando vos hei de suportar?"

(Marcos 2:1-12) Jesus exibe-se curando um pa-
ralítico na frente de todos, "para que todos soubesse do
poder do Filho do Homem" (Ele) e Ele fosse glorificado".
É esse o significado da "obra de Jesus" retratado pelos
escribas? Um curandeiro vaidoso e exibicionista que realiza
uma cura de um paralítico somente para dar uma
demonstração de força e poder do "Filho do Homem"?

(João 9:13) Jesus cura um cego cuspindo na terra e
fazendo uma pasta de lodo para colocar nos olhos do cego.
Curandeirismo?
Se isso cuspir na terra e fazer lama para colocar no olho
do paciente não é curandeirismo, então o significado de
curandeirismo mudou muito.
Esse relato dos escribas saduceus/fariseus só interessa mesmo
aos dirigentes vigaristas curandeiros do templo, os quais
Jesus expulsou como vendilhões.
Que outra mensagem os escribas pretenderam passar com
esse relato que não fosse o do curandeirismo, do qual eles
eram devotos, praticantes e beneficiários?

(Marcos 7:33-34) Jesus cura um surdo-gago
enfiando o dedo no ouvido do surdo e cuspindo na boca do
gago.
Curandeirismo? Mais curandeirismo? É essa a mensagem que
a Bíblia quer passar reiteradamente com o evangelho de
Jesus?

(Marcos 5:19-20) Após curar um "endemoniado",
Jesus recomenda que seja dado grande publicidade de seus
milagres: "Vai para a tua casa, para junto dos teus, e conta-
lhes tudo que o Senhor fez por ti". Ele retirou-se e começou
a apregoar na Decápole o que Jesus fizera por ele, e todos
ficavam admirados.
Esse retrato de curandeiro exibicionista, muito mais do que
um retrato imperfeito de Jesus, é todo o pretexto e mau
exemplo que pregadores vigaristas e curandeiros, que
exploram o povo "em nome de Jesus", precisam para saírem
vendendo curas, remédios, amuletos e "objetos santos" ou
de sorte. Pois, se o próprio Jesus está sendo apresentado na
Bíblia pelos evangelistas como um curandeiro que exorciza,
retira demônios em público e ainda se exibe com ampla
publicidade do feito, nada mais natural que atualmente
hordas de pregadores curandeiros ajam da mesma maneira,
"em nome de Jesus", vendendo, pelas praças e pelas
esquinas: curas, "milagres", amuletos e objetos tidos como
sagrados para cura imediata de "fiéis".
Felizmente Jesus vê mais longe, é sábio o suficiente para
saber que os escribas distorcerão suas palavras, curandeiros
vigaristas irão sair pelo mundo prometendo e fazendo falsos
milagres "em nome de Jesus", e que muita mentira será dita
em seu nome. Daí, Jesus, por ser especial, diferente de tudo
que existiu na Terra, deixou-nos um legado que
simplesmente explica tudo.

Jesus alerta contra os pregadores, escribas e
profetas.

"Tomai cuidado com os pregadores escribas que gostam
de se exibir de vestes sóbrias, de pregar e ser reconhecido
nas praças e de ocupar os primeiros lugares no templo; eles
devoram as casas dos pobres e das viúvas a pretexto de
orações, listes receberão um castigo mais severo." (Marcos
12:38-40)
"Muitos Me dirão: Senhor, Senhor, não foi em Teu nome
que profetizamos? Em Teu nome que expulsamos os
demônios? Em teu nome que fizemos muitos milagres? E
então dir-lhes-ei: "Nunca vos conheci, afastai-vos de mim,
vós que praticais a iniqüidade." (Mateus 7:22-23)
"Surgirão muitos falando em meu nome. E seduzirão
muitos". (Marcos 13:6)
"Acautelai-vos para que ninguém vos iluda". (Marcos
13:5)
"Acautelai-vos dos falsos pregadores e falsos profetas que
se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas que por
dentro são lobos vorazes." (Mateus 7:15)
"... pois surgirão falsos pregadores e falsos profetas
que farão sinais e prodígios a fim de enganarem."(Marcos
13:22)
"Se a vossa virtude não superar a dos escribas e fariseus, não
entrareis no reino dos céus." (Mateus 5:20)

"Vós, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos preve-
ni." (Marcos 13:23)

Simplesmente perfeito. Profético. Irretocável.

Filho, a maldade que foi feita com Jesus, pelos escribas, após
a sua "morte", assemelha-se com toda a maldade que os
saduceus e fariseus fizeram com Ele em vida, levando-O à
crucificação. Se em certos momentos não for pior.
Veja, por exemplo, que existiam dois grandes homens,
pertencentes à Sociedade Secreta dos Essênios, que (inclu-
sive nasceram com diferença de seis meses entre um e ou-
tro) vieram para mudar o mundo, e que eram muito amigos
e quase irmãos: Jesus e João Batista. Inclusive, havia uma
grande dúvida, na época, até mesmo dentro da Sociedade
Secreta dos Essênios, se o messias era Jesus ou se o messias
era João Batista.
E, no entanto, o que fizeram os escribas saduceus e fariseus
para se vingar, ao mesmo tempo, desses dois amigos, quase
irmãos, para toda a posteridade? Simplesmente jogam um
contra o outro e apresentam um Jesus pequeno, vaidoso,
mesquinho, preocupado com a rivalidade mesquinha e
pequena com João Batista. Veja:
(Marcos 7:22-23) "(Jesus) Tomando a palavra
disse aos enviados: 'lde contar a João o que vistes e ouvistes:
Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos,
os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, a boa nova é
anunciada dos pobres, e feliz de quem não tiver em Mim
ocasião de queda'".
É esse o messias-curandeiro cuja "grande obra" são somente
curas? É esse o messias esperado, pintado pelos escribas
como um curandeiro? É esse o messias que em Sua enorme
vaidade disputa e rivaliza com João Batista a preferência em
ser o primeiro ou "o maior"? É uma maldade terrível dos
escribas atribuírem tamanha pequenez e vaidade a Jesus.
Mas, as vinganças contra João Batista e contra Jesus não
param por aí. Vejamos (Marcos 11:12). Jesus procura uma
figueira para comer uns figos e não acha os frutos. Irritado
com a falta de frutos na árvore Ele amaldiçoa a figueira. No
dia seguinte (Marcos 11:20) a figueira secou e morreu.
É esse o "Jesus superstar", irritadiço, temperamental e
vaidoso messias que o mundo tanto esperou? Um sujeito que
fica irritadinho porque a árvore não tem frutos para
alimentá-lo e com isso amaldiçoa-a secando-lhe até a morte?
Que exemplo de vida é esse? Esse não é Jesus... Essa é mais
uma lasca de pedra a ser retirada do bloco, pois esse não é
Jesus.
(João 2:18:20) Exibindo-se para os religiosos que o
questionavam por haver expulso os vendilhões do templo,
Jesus garante que se quiser poderá destruir o templo dos
judeus e que mesmo sem ajuda poderá reerguer, sozinho,
em apenas três dias, o templo que levou 46 anos para ser
construído.
É esse fanfarrão e exibido o messias que esperavam? Que
destrói e constrói quando quiser? É essa a imagem que
esperam poder passar?
É esse o messias que sai por aí fanfarronando e dizendo que
é o tal, é o maior, e que se quiser destrói e constrói quando
quiser, como fez com a pobre figueira...???
Esse não é o Jesus dos sonhos de ninguém!
Esse é um retrato mal acabado de um messias pintado pelos
escribas saduceus e fariseus, que por não ser o messias que
eles esperavam, vingativamente, pelos escritos que
deixaram, agora querem enterrá-Lo, mesmo depois de "mor-
to" e "ressuscitado".
Mas, o mais lamentável nesta história toda de textos irreais e
inadmissíveis é que embora um grupo de religiosos cristãos,
ao invés de enxergar fatos como estes como sendo erro dos
escribas, prefere inventar e criar interpretações mirabolantes
e fantasiosas, levando o sentido do texto para longe, muito
longe, do sentido do que realmente está escrito.
Este segmento de igreja, por falta de coragem em apontar os
erros dos escribas saduceus e fariseus, e incapaz de
reconhecer seus próprios erros na montagem da "salada de
frutas" das folhas soltas que viriam a compor os evangelhos,
prefere inventar interpretações fantasiosas e mirabolantes
através de exegetas (pessoas que fazem exegese =
interpretação de palavras ou textos) para montar explicações
sobre o inexplicável. Ou seja, ao invés de reconhecerem o
erro dos saduceus, fariseus e da própria igreja, no que está
escrito, como está escrito, a igreja inventa e cria uma
história tão fantasiosa que às vezes até acaba dizendo coisa
muito pior do que o que está escrito, quando não troca seis
por meia dúzia e diz a mesma coisa com uma interpretação
diferente. São os exegetas de bicicleta."
"Exegeta de bicicleta? O que é isso, pai?"
"O exegeta de bicicleta é aquele que interpreta qual-
quer texto, não importando o que esteja escrito, levando o
sentido das palavras sempre para o mesmo local ou con-
clusão, no interesse do que ele quer como resultado.
Por exemplo, se alguém diz: "Deus mata as pessoas".
Qualquer pessoa interpreta que Deus mata as pessoas. Pura e
simplesmente. Mas se for colocado na Bíblia a mesma
expressão: "Deus mata as pessoas", o exegeta de bicicleta dirá
que a frase é igual bicicleta, mas só que completamente
diferente. Ou seja, é isso que está escrito, mas não é isso que
se quer dizer. Que nem bicicleta, só que completamente
diferente.
Para o exegeta de bicicleta, tudo que ele não sabe explicar
fica sendo igual a bicicleta, só que completamente diferente.
Por exemplo: Um carro é que nem bicicleta (tem roda,
direção, se movimenta, mas...), só que completamente
diferente. Ou seja, interpreta, explica, mas não quer dizer
absolutamente nada.
Pergunte ao exegeta de bicicleta sobre o que é o amor. Ele
dirá que o amor é que nem bicicleta (dá prazer, mas...), só
que completamente diferente.
Pergunte ao exegeta de bicicleta sobre o que é o ódio. Ele
dirá que o ódio é que nem bicicleta (às vezes machuca,
mas...), só que completamente diferente.
Pois é, religiosos "exegetas de bicicleta" criaram uma
"versão" fantasiosa e mirabolante para este caso da destruição
do templo e reconstrução em três dias, dizendo que o que
Jesus quis dizer é que Ele, Jesus, se quisesse, poderia destruir
o templo dos judeus (não fisicamente, mas pela comoção
pela sua morte), e que com a sua ressurreição, após três dias,
ele reconstruiria o templo (ou construiria outro).
Pura exegese de bicicleta. É que nem bicicleta (a gente
desmonta e monta, mas...), só que completamente diferente.
Primeiro: Em que, isso muda a história? Jesus continua
sendo apresentado como o mesmo arrogante e prepotente,
conforme descrito no versículo, dizendo que é o tal, o
poderoso, que destrói e constrói quando quiser. (Isso não
muda nada a história).
Segundo: Jesus colocava as suas pregações de duas maneiras
bem distintas: 1) Quando Ele queria que as pessoas
pensassem sobre o que Ele estava falando, ele falava por
parábolas para que as pessoas pensassem, raciocinassem,
interpretassem, e chegassem a uma conclusão. 2) Quando
Jesus não queria que distorcessem o que Ele estava dizendo,
Jesus falava diretamente, (para evitar os exegetas de
bicicleta) como é o caso das bem-aventuranças; amai-vos
uns aos outros; conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará; buscai primeiramente o reino de Deus e sua justiça
e todas as coisas materiais vos serão acrescentadas; sereis
medidos com a medida que empregardes para medir, etc. E,
no caso da citação do templo e dos três dias, mesmo que
fosse parábola, ainda assim, a explicação é tão ruim quanto a
citação do texto original.
É mais fácil, simples e honesto, reconhecer que os
versículos do caso são obra da "criatividade" dos escribas
saduceus e fariseus, e da "refundição" dos textos pela igreja
que não foi bem isso que Jesus disse, do que tentar inventar
uma história de exegese de bicicleta para melhorar a
infelicidade que foi colocada como um texto evangélico de
Jesus.

Mas, continuemos com os exemplos... (João 10:9) "Eu
sou a porta. Se alguém entrar por mim salvar-se-á."
Mesmo interpretando-se o texto como sendo um indicativo
de que Jesus é o caminho, a verdade e a vida, aqui Jesus
aparece como um messias auto-proclamado. Ou seja, um
messias vaidoso proclamado por Ele mesmo (e não por
terceiros) como a salvação do mundo. "Eu sou. Eu posso. Eu
faço... Eu, eu, eu... irritante "Eu". Essa falta de humildade
não é de Jesus.

(João 10:11) "Eu sou o bom pastor"
Aqui, novamente, Jesus aparece como um messias auto-
proclamado, tipo: "Eu... Eu... Eu... Eu sou o bom. Eu sou o
máximo. Eu sou o bom pastor. Eu, eu, eu... irritante Eu".
Essa falta de humildade não é de Jesus.

(João 10:18) "Ninguém me tira a vida. Sou eu que a
dou a Mim mesmo". Tenho o poder para dá-la e tornar a
tomá-la."
Eu, eu, eu... irritante "Eu". E Deus? Onde Deus fica nisso?
Deus é mero coadjuvante? Isso é um absurdo total e
completo. Como Jesus poderia ter dito isso dessa forma
arrogante, presunçoso, pretensioso? Justo Ele que sabia de
Sua sina e que até havia prevenido os discípulos em relação
ao cálice amargo (sacrifício e morte) que Ele iria ter que
tomar, segundo os planos de Deus. É inconcebível esta des-
crição feita pelos escribas, da arrogância de Jesus, supondo-
se Ele como o todo poderoso. Jesus, jamais falaria isso.
Inclusive, este texto choca-se total e violentamente com a
Sua confissão aos discípulos de que Ele nada podia fazer por
Ele mesmo, conforme (João 5:30) "Eu nada posso Jazer por
mim mesmo".
Resta a você, filho, retirar do bloco de pedra tudo que não é
escultura, retirar dos textos evangélicos tudo que não for de
Jesus, pois como ele mesmo ensinou: "Se a vossa virtude não
superar a dos escribas e fariseus, não entrareis no reino dos
céus." (Mateus 5:20). Ou seja, não seja refém dos escribas.
Não adianta nada ler o texto do evangelho, se você não
puder perceber com o coração o que Jesus realmente disse e
fez, e o que os escribas escreveram distorcendo a Sua vida,
sua obra e suas palavras."
"Mas pai, Jesus não poderia estar dizendo uma coisa
querendo dizer outra?"
"De maneira alguma. Jesus sabia exatamente o valor de
cada palavra. Tanto que quando Ele dizia uma frase ou um
pensamento, Ele sabia exatamente o sentido e o significado
de cada palavra e do que Ele estava dizendo. Jesus era
essênio, sabia a força e o poder das palavras e as usava como
um mantra, como uma reza, como uma oração. As palavras
eram para ser entendidas exatamente como Ele as havia dito,
sem interpretações mirabolantes e fantasiosas. Pois quando
Ele queria que o que Ele estivesse dizendo fosse fruto de
reflexão, de meditação, de interpretação Ele falava por
parábolas. (E por isso ele deixou um número enorme de
parábolas para serem interpretadas, meditadas, refletidas).
A frase: "Ninguém me tira a vida. Sou eu que a dou a Mim
mesmo" não tem nada de parábola, é uma frase, somente
uma frase, medíocre, ufanista, arrogante, prepotente. E que
jamais teria sido dita por Jesus que sabia da Sua morte e da
Sua submissão a Deus. Quer dizer, uma frase como esta
jamais seria dita pelo Jesus que nós conhecemos.
Bom, mas voltemos aos exemplos das barbaridades bíblicas
dos textos dos escribas saduceus e fariseus:

(João 15:5) "... porque sem mim nada podeis fazer."
Aqui, Jesus é retratado como um arrogante e
fundamentalista. Sempre focado no próprio umbigo do Eu,
eu, eu... irritante "Eu".

(João 8:12) "... já não vos chamo servos."
Quer dizer que já não chama mais os discípulos de servos,
mas antes chamava? Só interessava ter discípulos se fossem
servos? De maneira alguma isso é verdade. Jesus era um
humilde sábio essênio, chamava os discípulos de discípulos e
os discípulos chamavam-no de rabi (mestre). Jamais um
humilde-humanitário como Jesus pregaria a escravidão, a
servidão.

(João 15:6) "Se alguém não estiver em Mim, será lan-
çado jora como uma vara e secará; lança-lo-ão ao jogo e
arderá."
Aqui dá para perceber, claramente, o terrorismo e
fundamentalismo que nortearam a maior parte do Antigo
Testamento escrito pelos escribas saduceus e fariseus. Aqui
está, por inteiro, a caligrafia dos saduceus e dos fariseus.
Algo do tipo: "Eu faço e aconteço, e quem não estiver co-
migo vai arder no inferno". Terrorismo puro.

(João 15:14) "Vós sereis Meus amigos se fizerdes o
que eu vos mando."
O mínimo que se pode dizer desta infeliz frase medíocre dos
escribas saduceus, atribuída a Jesus, é que trata-se de uma
chantagem. Pretendem apresentar Jesus como um
chantagista? Querem os escribas que ele condicione a ami-
zade à obediência?

(João 8:12) "Eu sou a luz do mundo"
Eu, eu, eu... irritante "Eu". Vejam a mediocridade dos
escribas saduceus. Aqui pretendem apresentar Jesus como
um presunçoso, arrogante. Mas, no entanto, em outra pas-
sagem colocam a coisa da maneira correta. Ou seja, ao dizer
que: "Vós sois a luz do mundo... vós sois o sal da terra..."
(Esse sim, é Jesus. Esse é o Jesus que humildemente
reconhece o valor do ser humano e que vê além do próprio
umbigo, não o que se acha o máximo, o tal, o poderoso, e
que se titula como a luz do mundo e o sal da terra).
Portanto, é preciso ter discernimento, a mente bastante livre
e aberta, para separar a lasca de pedra da estátua. Separar o
texto que é de Jesus do texto saduceu, fariseu ou "refundido"
pela igreja imperial do segundo e terceiro séculos.
Ao se ler o Novo Testamento tem-se que ter o cuidado
permanente, permanente, permanente, de que TODOS os
textos foram escritos em folhas soltas, e por isso mesmo,
muitas outras folhas soltas foram acrescentadas por escribas
saduceus e fariseus, misturadas e incorporadas às dos
verdadeiros evangelistas e depois "refundidos" pela igreja.
Portanto, as autorias dos textos pelos quatro evangelistas são
presumidas e não necessariamente verdadeiras, geradas pela
co-autoria, pela pasteurização e uniformização dos textos
pela igreja.

(João 14:6) "Ninguém vai ao Pai senão por mim"
Arrogante, presunçoso e fundamentalista. Nada é mais
arrogante, presunçoso e fundamentalista do que esta frase.
Pois encerra como ensinamento que na humanidade inteira,
antes de Jesus, ninguém ia a Deus e depois de Jesus somente
quem fosse cristão iria a Deus. (Esta frase é de uma
imbecilidade fundamentalista a toda prova)
Jesus, por ser um humilde pacifista humanitário, um manso
ao extremo, pertencente à Sociedade Secreta dos Essênios (o
que irritava profundamente aos saduceus e aos fariseus), e
sendo Ele um profundo conhecedor das escrituras, um rabi,
um mestre, jamais seria portador de tamanha arrogância e
vaidade pintada pelos escribas saduceus e fariseus.
Exatamente porque Jesus era essênio e conhecia muito bem
as escrituras e os ensinamentos essênios, jamais se enredaria
na arrogância e na vaidade, pois um dos primeiros
ensinamentos dos essênios era a humildade. E o contrário da
humildade, é a vaidade, que está claramente condenada no
ensinamento essênio, retratada inclusive em Eclesiastes, ao
qual Jesus jamais desobedeceria.

(Eclesiates 1:2 "Vaidade das vaidades, dizia o pregador,
vaidade das vaidades, tudo é vaidade" ("Vanitas vanitatum,
eclesiastes dixit, vanitas vanitam, omnia vanitas")

Para melhor compreender a luta surda que existia entre os
diversos grupos de hebreus (saduceus, fariseus, essênios,
zelotes), simplificadamente chamados de judeus, vejamos
algumas das principais características de cada grupo:

Saduceus Eram a elite religiosa, sacerdotal e
aristocrática de Jerusalém. Dominavam tudo. Eram ricos, em
geral sabiam ler e escrever (o que era raro na época); tinham
o poder, juntamente com os romanos, que dominavam os
povos daquela região. Eram conservadores. Só admitiam o
Pentateuco (os cinco livros de Moisés), não aceitavam nem
mesmos os outros livros de sabedoria, salmos e
ensinamentos. Não aceitavam a ressurreição. Não
acreditavam em vida após a morte. Não acreditavam na
imortalidade da alma. Só existia um Deus: o Deus tribal de
Israel. Os saduceus foram os responsáveis diretos pela
crucificação de Jesus.
Fariseus Fariseu quer dizer "o que está separado".
Eram parecidos com os saduceus, também pertenciam a uma
elite (mas não tão importante ou com tanto poder quanto os
saduceus). Eram extremamente racistas e radicais. Não
aceitavam os Gentios (os não judeus). Diferenciavam-se dos
saduceus por acreditarem na ressurreição (No caso a
ressurreição final, só no fim dos tempos).
Essênios Sociedade secreta a que Jesus e João Batista
pertenciam. Os essênios eram parcialmente vegetarianos
(Não comiam carne "vermelha", mas comiam peixe e
gafanhotos). Viviam separados dos demais judeus. Eram
doutos e sábios. Tinham sólidos conhecimentos religiosos e
doutrinários. Eram essencialmente espiritualistas, acre-
ditavam na imortalidade da alma, na ressurreição, na reen-
carnação e na vida eterna. Pregavam o batismo como o
renascimento para uma nova vida ainda nesta vida terrena.
Adotavam a liturgia da ceia de pão e vinho como a celebra-
ção de irmandade e união. A direção da seita era composta
por 12 "homens da santidade". Eram adeptos da humildade
como norma de vida. Pregavam a não-violência. Praticavam
a imposição de mãos. Faziam curas gratuitas aos doentes
através da emanação de energia corporal. Eram odiados por
saduceus, fariseus e zelotes. Os essênios adoravam mais a
Jesus e a João Batista do que a Moisés. E por isso eram
odiados pelos demais judeus, e por este motivo,
principalmente os essênios, foram dizimados pelos outros
grupos de judeus na diáspora de 70.
Zelotes Grupo radical, ultranacionalista. Odiavam os
romanos dominadores. Promoviam protestos e constantes
rebeliões, embora quase nunca tivessem muito sucesso
nestes atos de insubordinação, pois os zelotes eram minoria,
um grupo, embora barulhento, era muito pequeno. Os
zelotes achavam que Jesus era um pacifista traidor, que não
tinha coragem de enfrentar Roma. (Jesus bar Abas - Jesus
filho de Abas mais conhecido como Barrabás, foi o zelote
mais conhecido, citado pelos textos bíblicos) Gentios
Os não-judeus.

Erros e contradições do Novo Testamento

Não contentes em apresentar Jesus como um curandeiro,
vaidoso, arrogante e presunçoso, até porque esta era a
convicção do símbolo de poder de um Deus dos saduceus da
época, haja vista a forma como atribuíam o "poder" de Deus
no Antigo Testamento, os escribas saduceus e fariseus,
misturando seus escritos aos dos evangelistas, ainda
cometeram um número enorme de erros e contradições em
seus relatos. Senão vejamos:
Confronto entre espírito e matéria
(Lucas 20:38) "Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos
vivos, pois, para Ele, todos estão vivos."
(João 11:25) "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em
mim, ainda que esteja morto, viverá."
Viverá... sim... mas... como espírito ou como matéria?
Existe um conceito básico, universalmente aceito, de que
matéria é matéria (concreto) e que espírito é espírito
(imaterial), e a evolução deste raciocínio é que nós, seres
humanos, enquanto estivéssemos vivendo a nossa vida
material, aqui na Terra, seríamos espíritos (imateriais),
energia imaterial, fundido (aprisionado) dentro de um corpo
físico (material) e usando o corpo temporariamente e
meramente como meio de locomoção e não como um fim.
Entretanto, como nem sempre este conceito foi assim. Ou
melhor, o conceito entre matéria e espírito, dois mil anos
atrás, era bem diferente disso, os escribas do Novo
Testamento acabaram provocando uma confusão terrível
sobre o assunto, principalmente em duas situações. A
primeira na ressurreição de Lázaro e a segunda na
ressurreição de Jesus.
Na ressurreição de Lázaro, depois de quatro dias morto, após
o espírito já ter abandonado o corpo físico, com a sepultura
fétida de carne podre, conforme relatado na própria Bíblia,
Jesus faz Lázaro voltar à vida e retomar o seu corpo podre.
(Afinal... A vida eterna não é espiritual? Então, para que
ressuscitar Lázaro e fazer sua carne podre voltar à vida? Isso
contradiz todo o conceito entre carne e espírito. Contradiz,
destrói e aniquila com o conceito e a valorização da vida
espiritual, para supervalorizar o apego à vida material e
física).
Na ressurreição de Jesus, num primeiro momento, nenhum
dos discípulos reconhece Jesus (Nem Maria Madalena, nem
as outras mulheres, nem os discípulos no caminho de
Emaús, nem os discípulos no outeiro santo). Sinal de que a
materialização do espírito de Jesus era bem diferente do cor-
po físico original de Jesus, pois nem as pessoas mais íntimas
O reconheceram. Mas o mais espantoso é que o "espírito" de
Jesus ressuscitado é material. Isso mesmo: espírito material.
Ou seja, Jesus sente sede, sente fome, conversa com os
discípulos e pede para que toquem nele (espírito), na sua
carne/espírito, e para que tirem a dúvida Ele pede a Tomé
que toque nas chagas, nas mãos e nos pés, onde os cravos
haviam feito as perfurações na cruz. Um absurdo total,
somente imaginável no conceito dos saduceus que não
tinham o conceito de vida eterna e não acreditavam em
reencarnação. E por isso, está mais do que claro que este
texto é de um judeu saduceu e não de um essênio. (A não
ser que Jesus não tenha morrido na cruz e a "ressurreição"
não seja verdadeiramente uma ressurreição. Será?)
Aparição para Maria Madalena (João 20:4) "Dito isto, (Maria
Madalena) voltou-se para trás e viu Jesus de pé, mas não
sabia que era Jesus."
Sinal de que a aparição estava diferente do corpo original de
Jesus
Aparição para dois discípulos no caminho de Emaús, sem
reconhecerem Jesus (Marcos 16:12) "Depois disso, apareceu,
com um aspecto diferente, a dois deles (discípulos) que iam
a andar a caminho do campo (Emaús)."
Sinal de que a aparição estava diferente do corpo original de
Jesus.
Aparição, novamente, para os discípulos, sem reco-
nhecerem Jesus (Marcos 16:14) "Apareceu aos próprios
onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a
incredulidade e a obstinação em não acreditarem naqueles
que O tinham visto ressuscitado (Lucas 24:36-39) "Jesus
apresentou-se no meio deles e disse-lhes: 'A paz esteja
convosco'... Vede minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo.
Apalpai-me e olhai que o espírito não tem carne nem ossos,
mas verificais que Eu tenho."
Sinal de que a aparição não só estava diferente do corpo
original de Jesus, como a aparição era física a ponto de Jesus
pedir para que o tocassem, que o apalpassem.
Com fome após ter morrido e ressuscitado, Jesus pede
comida: (Lucas 24:41-42) "Ele perguntou-lhes: 'Tendes aí
alguma coisa que se coma?'. Então deram-Lhe uma posta de
peixe assado; e tomando-a, comeu diante deles."
Como assim? Fome física (material)? Um espírito, imaterial,
que acabara de ressuscitar estava com fome? Morrer dá
fome? Que tipo de mensagem esperavam os escribas
saduceus e os "evangelistas", os pregadores e a igreja com
esse tipo de relato? (A não ser que Jesus não tenha morrido
na cruz e a "ressurreição" não seja verdadeiramente uma
ressurreição. Será?)
Não há como atribuir ao leitor uma outra interpretação ou a
falta de compreensão do texto. Não há como imputar culpa
do texto ao leitor por falta de fé. Não há como solicitar
profunda ignorância do leitor para se poder fazer um texto
como esses ser digerível e compreensível. Decididamente, a
própria falta de conhecimento dos escribas sobre o que era
físico e imaterial, carne e espírito e de como seria ou deveria
ser o processo de reencarnação, é que provocam erros
grosseiros e absurdos como estes. (A não ser que Jesus não
tivesse morrido na cruz. Ou melhor, não tivesse morrido na
crucificação, e antes de morrer na cruz, houvesse sido salvo
da morte e posteriormente, já curado, apareceu como corpo
material. Será?)
Esta questão, no mínimo confusa, sobre reencarnação,
material e imaterial, somente se torna compreensível a partir
do ponto em que você assume que Jesus era um sábio
essênio, pertencente à Sociedade Secreta dos Essênios (odi-
ada pelos saduceus, fariseus e zelotes, e que foi dizimada por
eles na diáspora de 70), e que tinha convicções muito
próprias sobre ressurreição, reencarnação, incorporação, e
materialização, como sendo quatro coisas distintas e bem
diferentes, e que o espírito e a materialização de Jesus ocor-
reram de acordo com a crença daquela sociedade. Ou seja,
ressurreição (ressurgir dos mortos, como Jesus, indicando a
existência de vida eterna); reencarnação (como Lázaro que
reencarnou no próprio corpo); incorporação (no corpo
alheio, como o possesso, cujos "demônios" ou espíritos ruins
incorporaram-se nele e depois transferiram-se para os
porcos, ou como em (Marcos 6:14) quando Herodes diz que
Jesus estava incorporado por João Batista); e materialização
(que é transformar algo imaterial em matéria, como o
espírito imaterial de Jesus que se materializa para
Paulo/Saulo, no caminho de Damasco, ou quando aparece
aos discípulos).
Mas, continuando sobre os erros e contradições do Novo
Testamento:
A terra perecerá? (Como no Novo Testamento)
(II Pedro 3:10) "Os céus passarão com um grande estrondo...
a Terra e todas as obras que nela há serão consumidas."
(Hebreus 1:10-11). "Tu, Senhor, no princípio fundaste a
Terra e os céus, são obras das Tuas mãos. Elas perecerão, mas
Tu permanecerás."
Ou a terra vai durar para sempre? (Como no Antigo
Testamento)
(Salmos 104:5) "Fundastes a Terra sobre bases sólidas,
inabaláveis para sempre."
(Eclesiastes 1:4)...mas a Terra subsiste sempre."
Afinal, a Terra vai acabar ou vai durar para sempre?

O reino dos céus está próximo?
(Mateus 4:17) "Arrependei-vos, porque está próximo o reino
dos céus."
Ou já chegou?
(Lucas 17:20-21) "O reino dos céus já chegou. Ele está
dentro de vós."
Afinal, o reino dos céus chegou ou não chegou?

O testemunho de Jesus é verdadeiro?
(João 8:14) "Ainda que Eu dê testemunho de Mim mesmo, é
verídico o Meu testemunho, porque sei de onde vim e para
onde vou."
Ou Jesus era contraditório e o Seu testemunho é
falso?
(João 5:31) "Se Eu dou testemunho a respeito de Mim
mesmo, o Meu testemunho não é verdadeiro."
Afinal, o testemunho de Jesus é falso ou verdadeiro?

Jesus pregava a paz e o amor?
(João 13:34 e 15:12) "Amai-vos uns aos outros como eu vos
amei."
(Mateus 5:44) Eu, porém, vos digo: "Amai a vossos inimigos
e orai pelos que vos perseguem."

Ou pregava a desunião e a guerra?
(Mateus 10:34-36) "Não penseis que vim trazer paz à Terra.
Não vim trazer a paz, mas a espada. Porque eu vim separar,
o filho do seu pai, e a filha da sua mãe, e a nora da sua sogra.
(36) de tal modo que os inimigos de um homem serão seus
próprios familiares."
(Lucas 22:36) "...e quem não tem espada, venda sua capa e
compre uma."
Afinal, Jesus pregava a paz ou a guerra?
À bem da verdade, isso já foi abordado antes. É claro que
Jesus era essênio, humanitário, pacifista, pregador da não
violência. Atribuir a Jesus a pregação da guerra é mais uma
das tantas violências cometidas contra Ele pelos escribas
saduceus e deve ser retirada do contexto assim como o
escultor retira da pedra bruta o que não é escultura.

Quem foi o pai de José, e avô de Jesus: Jacó ou Heli?
(Mateus 1:16) "E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual
nasceu Jesus, que se chama Cristo."
(Lucas 3:23) "Ao iniciar o Seu ministério Jesus tinha cerca
de trinta anos, sendo filho, como se supunha, de José,
filho de Heli"
Afinal, quem era o avô de Jesus? Jacó ou Heli?
Aqui está uma daquelas situações que havíamos comentado
antes. Quando a igreja revisou e "refundiu" os textos dos
quatro evangelhos, tentando harmonizar ao máximo os
escritos entre si, em diversas situações deparou-se com a
dúvida atroz: "Diante de relatos conflitantes e
contradissentes dos evangelistas, a quem dar maior
credibilidade?" "Qual texto deve ser considerado o correto?"
Ante a este impasse, a igreja preferiu deixar os dois textos,
contraditoriamente, exatamente como estavam, pois se
escolhesse uma das versões poderia estar fazendo a escolha
errada, e com isso destruindo uma possível versão correta.
Razão pela qual diversas contradições bíblicas como esta
passaram a fazer parte da Bíblia, sem qualquer
constrangimento ou justificativa maior.
E assim, na mesma situação de dúvida histórica e
genealógica da igreja, ficamos sem saber: Afinal, quem era o
avô de Jesus? Jacó ou Heli?


Deus confiou o julgamento a Jesus?
(João 5:22) "O Pai não julga ninguém, mas entregou ao Filho
o poder de tudo julgar"
(João 5:27) "... e deu-lhe o poder de julgar por ser Filho do
homem"
(João 5:30) "Eu nada posso jazer por mim mesmo; conforme
ouço é que julgo, e o Meu juízo é justo, porque não busco a
Minha vontade, mas a vontade Daquele que a Mim enviou".
(João 8:26) "Tenho a vosso respeito, muito o que dizer e que
julgar"
(II Corintos 5:10) "Porque todos havemos de comparecer
perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba o que
mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver jeito,
enquanto estava no corpo."
Jesus, porém, disse que não julga ninguém.
(João 8:15) "Vós julgais segundo a carne, Eu não julgo
ninguém"
(João 12:47) "... não sou Eu que condeno, porque não vim
para condenar o mundo, mas para o salvar."
Os santos é que irão julgar o mundo?
(I Corintos 6:2) "Por ventura não sabeis que os santos hão de
julgar o mundo?"
Aqui repete-se a mesma situação de dubiedade de narração
dos evangelistas, sendo que no caso, o próprio João
Evangelista, o vaidoso e pernóstico João, que se definia
como: "o discípulo a quem Jesus amava" é quem mais se
contradiz.

Para os cristãos, a última ceia foi na quinta-feira, a
prisão de Jesus foi na madrugada de quinta para sexta-
feira, a morte de Jesus foi na sexta feira, e a
ressurreição foi no domingo (páscoa cristã).
Há que se considerar inicialmente duas coisas bem distintas:
A páscoa judaica, não é um único dia, mas uma semana, e se
inicia com a festa dos ázimos (comida de pães não
fermentados), por isso mesmo, pode começar em qualquer
dia da semana, dependendo da fase da lua e termina uma
semana após em qualquer dia da semana; e a páscoa dos cris-
tãos, que é celebrada sempre, sempre, sempre aos domingos.
Ou seja, os sete dias de semana da páscoa judaica (que come-
ça e termina em qualquer dia da semana) não têm
necessariamente correlação com o domingo da páscoa cristã.
A páscoa judaica inicia-se com os ázimos (pães não
fermentados) para celebrar a fuga dos judeus escravos do
Egito, onde os judeus fugiram com sacos de farinha nas
costas, e que em razão do suor do corpo molhando e
secando a farinha nas costas, fabricavam, espontaneamente,
pães não fermentados (ázimos) que serviam de alimento para
os judeus em fuga. E este ato extremamente simbólico
para os judeus passou a ser o início da celebração pascal,
preconizada por um grande jejum semanal, cujo início era a
festa dos ázimos e terminava com a fartura da morte do
cordeiro pascal (churrasco de cordeiro). Onde se pode
constatar que as páscoas judaicas e cristãs são
completamente diferentes, sendo a judaica regida pelas fases
da lua enquanto que a cristã é regida pelo calendário solar.

A santa (última) ceia foi na quinta-feira?
(João 13:1-2) "Antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que
chegara Sua hora de passar deste mundo para o Pai... E no
decorrer da ceia..."
Ou seja, a última ceia podia ser qualquer dia da semana antes
da festa da páscoa judaica. Supor que a última ceia tenha
ocorrido na quinta-feira é absolutamente falta de qualquer
fundamento histórico, concreto.

Ou a santa (última) ceia foi na terça-feira?
(Mateus 26:17) "No primeiro dia dos ázimos, os discípulos
foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: 'Onde queres que
façamos os preparativos para comer a páscoa?'."
João diz que a ceia foi antes da páscoa e Mateus diz que a
ceia foi no primeiro dia da páscoa (no primeiro dia dos
ázimos, quando não se comia fermento, para celebrar a
páscoa judaica, que era a celebração da libertação do povo
Judeu do Egito). Mas, independentemente de ter sido antes
da páscoa (como quer João) ou no seu primeiro dia (como
quer Mateus) não se sabe qual foi o dia da semana em que
isto ocorreu, porque a páscoa judaica poderia iniciar-se em
qualquer dia da semana.
Flávio Josefo, o maior historiador judaico conhecido, afirma
que a morte de Cristo ocorreu no 14° dia de Nissan (o dia de
preparação da Páscoa dos Judeus), que naquele ano havia
caído numa sexta-feira (nossa sexta-feira santa). Diversos
outros registros religiosos também indicam que a morte de
Jesus ocorreu numa sexta-feira.
Entretanto, não se pode concluir de imediato que se Jesus
morreu numa sexta-feira (véspera do sagrado sábado
judaico), sua prisão foi feita no mesmo dia (nossa madrugada
de quinta para sexta-feira) e que a última (santa) ceia foi feita
no dia anterior (quinta-feira). Isto porque, após Jesus ter sido
preso, Ele foi levado até Anás no Sinédrio (Anás era
membro dirigente do Sinédrio), e ali Jesus foi interrogado.
Posteriormente saiu dali e foi enviado a Caifás (sumo
sacerdote) no templo, e Jesus foi novamente interrogado.
Depois foi enviado ao palácio de Pôncio Pilatos, e foi
novamente interrogado. Reconhecendo Pilatos que Jesus era
galileu, foi encaminhado ao palácio de Herodes, e foi mais
uma vez interrogado (Aqui uma observação: No primeiro
interrogatório de Pilatos, Jesus declarou-se galileu de
nascimento Galiléia, no norte e como Pilatos tinha
poderes somente na Judéia no sul não poderia
interferir na jurisdição de Herodes (no norte). Daí o motivo
de Jesus ter sido enviado a Herodes). Absolvido por
Herodes, Jesus retorna a Pilatos, agora com a autorização
para julgar sobre crimes locais, pois nenhum crime contra
Roma havia sido encontrado por Herodes. Pilatos, interroga
novamente Jesus e Ele é levado para terrível castigo físico de
chicoteamento na masmorra do palácio, para ver se esse
castigo aplacaria a ira dos saduceus contra Jesus. No dia
seguinte, os saduceus inconformados com a simples prisão e
chicoteamento de Jesus, exigem de Pilatos um julgamento
público para a crucificação de Jesus. Finalmente, Jesus volta
da masmorra (chicoteado e sangrando) para um julgamento
público de Pilatos, exigido pelos saduceus, onde Jesus é
confrontado com Barrabás (Jesus bar Abas). Depois segue-se
o coroamento de espinhos, a "via crucis" até o Gólgota, e a
crucificação na terceira hora (nove horas da manhã) (Marcos
15:25) "Era a hora terceira quando o crucificaram. "
Logicamente, é física e humanamente impossível acontecer
tudo isso num espaço de tempo tão curto entre o nascer do
sol até as nove horas da manhã. Isso é física e praticamente
impossível. (Prisão, Anás, Caifás, Pilatos, Herodes, Pilatos e
chicoteamento, Pilatos novamente no dia seguinte em
julgamento público, coroação de espinhos, via crucis, e
crucificação às nove da manhã)
Assim, a data da morte de Jesus (sexta-feira) não tem relação
automática com o dia da Sua prisão. Que, por sua vez, não
tem relação automática com a data da última (santa) ceia.
Os escritos tidos como "apócrifos" e os manuscritos do Mar
Morto (Qunram) desmentem estas datas bíblicas confusas
dos evangélicos. A própria Bíblia católica reconhece o crasso
erro entre João e os outros três evangelistas, mostrando ser
impossível determinar estas datas, senão vejamos:
"Bíblia Sagrada Nova Edição Papal Traduzida dos
"originais" pelos missionários capuchinhos de Lisboa Pág.
1004 Nota sobre Mateus 26:17 "É difícil harmonizar o
texto de João 19:31, para quem o primeiro dia dos ázimos
cairia numa sexta-feira santa à tarde, com esta data dos
sinóticos. Descobertas recentes dão ensejo à possibilidade de
haver discrepância a cerca dos calendários. Qunram e outros
seguiriam o calendário solar, indicando a celebração da
páscoa na terça-feira, ao passo que, oficialmente, no templo,
a páscoa teria sido celebrada na sexta-feira."
Aqui um caso raro. Pela primeira vez a Igreja Católica
Apostólica Romana cita nominalmente e admite (num
comentário bula da própria Bíblia) o que não mais
pode ser escondido: a importância dos Manuscritos do Mar
Morto e dos evangelhos raivosamente alcunhados de
apócrifos ("Qunram e outros seguiriam o calendário solar"),
posto que os manuscritos de Qunram são os únicos
documentos historicamente autênticos, verdadeiros e
irrepreensíveis sobre os acontecimentos envolvendo a vida
de Jesus. E os documentos de Qunram desmentem
categoricamente muitas fantasias, erros e contradições dos
quatro evangelhos "refundidos" pela igreja.
Em outras palavras, a data da última (santa) ceia, assim como
a data da Sua prisão, pode ter acontecido em qualquer dia da
semana presumivelmente segunda e terça-feira.
De comum acordo, em toda esta história, somente o fato da
morte ter sido na sexta-feira, véspera do sábado sagrado dos
judeus. E a "ressurreição" ter ocorrido no domingo, que
acabou se transformando na data da páscoa cristã. Mas daí a
dizer que de sexta-feira a domingo passaram-se três dias para
fazer coincidir com as profecias do Antigo Testamento, "ao
terceiro dia ressurgiu dos mortos", a distância é grande, pois
de sexta para sábado é um dia, e de sábado para domingo é
um segundo dia e não terceiro.
O terceiro dia cairia na segunda-feira. Em número de horas é
pior ainda. Pois se Jesus morreu na tarde de sexta-feira e
ressuscitou na manhã de domingo, não havia se passado
sequer 48 horas.
Essa história de ressurgir dos mortos depois de três dias, é
para fazer coincidir a "profecia retroativa" de Mateus (escrita
mais de 70 anos depois da data do nascimento de Jesus) com
a profecia bíblica de Jonas (da baleia) e o relatado pelo
próprio Mateus como tendo acontecido semelhantemente
com Jesus:
(Mateus 12:40) "Assim como Jonas esteve no ventre da
baleia por três dias e três noites, assim o Filho do Homem
estará no seio da Terra três dias e três noites."
Especializando-se em "profecias retroativas", Mateus cria,
inventa "profecias" sobre fatos que ele mesmo irá relatar
como se tivessem acontecidos como profecia. Isto porque,
Mateus estava escrevendo o evangelho mais de 70 anos
depois da data do nascimento de Jesus, e mais de 40 anos
depois da "morte" de Jesus. E com isso, já que Mateus não
podia reescrever o Antigo Testamento, Mateus "previu"
(posteriormente ao ocorrido) que Jesus ressuscitaria dos
mortos ao terceiro dia, conforme a previsão que ele mesmo
inventou em 20:19: "Entregá-lo-ão aos pagãos, para o
encarnecerem, açoitarem e crucificarem. Mas ele
ressuscitará ao terceiro dia."
Conforme dito anteriormente, da morte de Jesus, na sexta-
feira à tarde até a Sua "ressurreição" no domingo de manhã,
não são três dias e três noites. Sequer chegam a 48 horas. E
quanto a Jonas ter sido engolido por uma baleia (na realidade
"grande peixe"), a impossibilidade resulta do lato da baleia
ser um animal que não se alimenta de carne humana, e que
biologicamente, em razão do tamanho do esôfago de uma
baleia, alimenta-se basicamente de pequenos peixes, crios
(uma espécie de camarões) e plancton. Seria um caso único,
na humanidade, de uma impossibilidade biológica, tão irreal
quanto ressurgir intacto do estômago da baleia após três dias
e três noites, sendo bombardeado por poderosos sucos
estomacais que destroem ossos, espinhas e couraças de
crustáceos. Mas, como na Bíblia, morcego é ave e insetos
têm quatro patas... pode ser que o caso de Jonas com a baleia
seja mais um caso bíblico zoológicamente raro e impossível.

Jesus foi crucificado na hora terceira, sexta ou nona?
(Marcos 15:25) "Era a hora terceira quando o crucificaram."
(João 19:14) "Era a parasceve pascal (dia da preparação da
páscoa judaica), e quase na sexta hora. Pilatos disse aos
judeus: "Eis aqui vosso rei".
Marcos garante que Jesus foi crucificado na hora terceira, ou
seja, nove horas da manhã. Mas segundo João, foi bem
depois da hora sexta (meio-dia). Ou seja, algum tempo após
Pilatos ter apresentado Jesus aos judeus/saduceus e fariseus,
condenado, na hora sexta (meio dia).
Já para Mateus, a crucificação foi próximo da hora nona (três
horas da tarde).
Decididamente, não há como harmonizar estes horários. E,
como a igreja, ao "refundir" (reescrever) os textos das folhas
soltas que viriam a ser os evangelhos, recusou-se a eleger um
horário como o definitivo, fica a critério de cada um admitir
o horário que melhor aprouver.
Para melhor compreensão da contagem do tempo naquela
época, o dia não se iniciava à meia-noite, iniciava-se ao
anoitecer, às seis horas da tarde e terminava às seis horas da
tarde do dia seguinte, quando só a partir daí eram iniciadas
as horas. Ou seja, o dia iniciava-se pelo anoitecer e
terminava com o fim da luz do dia seguinte e neste período
as horas não eram contadas. As horas só eram contadas com
a luz do dia.
A nossa zero hora coincide com a meia noite, e daí segue-se
pela madrugada: 1 da manhã, 2 da manhã, 3 da manhã etc. A
zero hora judaica iniciava-se às seis horas da manhã e a
primeira hora era às 7h, a segunda hora era às 8h, a terceira
hora era às 9h, a quarta hora era às 10h, a quinta hora era às
11h, a sexta hora era às 12h, a sétima hora era às 13h, a
oitava hora era às 14h, a nona hora era às 15h, a décima
hora era às 16h, a décima primeira ou undécima hora era às
17h, a décima segunda hora era às 18h.

Quantas mulheres foram ao sepulcro?
Uma mulher foi ao sepulcro?
(João 20:1) "Na madrugada do primeiro dia da semana, sendo
ainda escuro, Maria Madalena foi as sepulcro, e viu que a
pedra fora revolvida da entrada. Correu ela e foi ter com
Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus
amava..."
Duas mulheres foram ao sepulcro?
(Mateus 28:1) "Passado o sábado, ao alvorecer do primeiro
dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram visitar
o sepulcro."
Três mulheres foram ao sepulcro?
(Marcos 16:1-2) "Passado o sábado, Maria Madalena, Maria,
mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem
embalsamar o corpo de Jesus. Muito cedo, no primeiro dia
da semana, logo depois do nascer do sol, foram ao sepulcro."
Várias mulheres foram ao sepulcro?
(Lucas 23:54-55; 24:1; 24:10) "Era o dia da preparação e ia
começar o sábado. As mulheres que tinham vindo com Ele
da Galiléia, seguiram a José e viram o sepulcro, e como o
corpo fora ali depositado (...) No primeiro dia da semana
bem cedo, elas foram ao sepulcro, levando os perfumes que
tinham preparado (...) Voltando do sepulcro, foram contar
tudo aos onze e a todos os restantes. Eram elas Maria
Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago e as outras que com
elas estavam..."

Quais foram as últimas palavras de Jesus?
Mateus (27:46) "E por volta da hora nona exclamou Jesus em
alta voz: "Elli, Elli, lema sabacthani?." (Deus, Deus, por que
me abandonaste?) e que alguns até pensaram que Ele estava
chamando por Elias.
Marcos (15:34) "Eloí, lama sabachthni" (Deus, por que me
abandonaste?)
Lucas (23:46) "... Jesus clamou com grande voz- 'Pai, em
tuas mãos entrego o meu espírito'. Havendo dito isto,
expirou".
João (19:30) Quando Jesus recebeu o vinagre oferecido por
um soldado, embebido em uma esponja, disse: 'Tudo está
consumado!' E inclinando a cabeça, entregou o seu espírito.

Jesus profetizou que Pedro o negaria antes do galo
cantar uma vez.
(Mateus 26:34) "Jesus retorquiu-lhe: "Em verdade te digo
que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes
me negarás.
Ou duas vezes?
(Marcos 14:30) "Jesus disse-lhe: "Em verdade te digo que
hoje, esta noite, antes que o galo cante duas vezes, três
vezes me negarás"."

Pedro negou conhecer Jesus...
. três vezes, antes do galo cantar uma vez...
(Mateus 26:74-75) Então começou ele a praguejar e a jurar,
dizendo: "Não conheço esse homem." E imediatamente o
galo cantou. Então Pedro se lembrou das palavras que Jesus
lhe dissera: "Antes que o galo cante, três vezes me negarás."
(Lucas 22:60) "...e Pedro lembrou-se da palavra que o
Senhor lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três
vezes me negarás."
. três vezes, antes do galo cantar duas vezes...
(Marcos 14:70-72) "Mas ele negou a segunda vez, (e pela
terceira vez Pedro nega a Jesus) "Não conheço esse homem
que dizeis". E, imediatamente o galo cantou pela segunda
vez. Pedro lembrou-se então do que Jesus havia dito: "Antes
que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás." E
desatou a chorar"
. duas vezes, antes do galo cantar uma vez...
(João 18:27) "Pedro negou novamente (a Jesus), e naquele
momento um galo começou a cantar."
. ou três vezes, sem que o galo cantasse uma única
vez?
(João 13:38) Disse-lhe Jesus: "Tu darás a tua vida por mim?
Em verdade, em verdade te digo: Não cantará o galo antes
que tu Me negues três vezes."

Será que dá para perceber algum tipo de contradição, nisso?

Judas beijou Jesus durante a traição?
(Lucas 22:48) "Judas é com um beijo que entregas o Filho
do Homem?" (Porém, segundo Mateus, Jesus teria dito:
"Amigo, a que vieste?" ou também "Amigo, foi para isso que
vieste?")
Ou não?
Em João 18:1-11, numa longa narrativa, Jesus sequer fala
com Judas, e aparece como um valentão apresentando-se aos
guardas. "A quem buscais?", "A Jesus, O Nazareno?", "Sou
eu". "Já vos disse que sou eu". "Se é a Mim que buscais,
deixai partir os demais (discípulos)".

O anjo que anunciou a virgindade de Maria apa-
receu para José?
(Mateus 1:19-21) "José, seu marido, que era um homem
justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente.
Andando ele a pensar nisto, eis que um anjo do Senhor lhe
apareceu em sonhos e lhe disse: 'José, da casa de David, não
temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi
fecundado é obra do Espírito Santo. Ela dará a luz a um filho
e por-lhe-ás o nome de Jesus'."
Ou para Maria?
(Lucas 1:28-31) "Ao entrar na casa dela, o anjo disse-
lhe:'Salve Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo... Hás
de conceber em teu seio e dar à luz a um filho, ao qual porás
o nome de Jesus'."

Os três reis magos eram três? Eram reis? Eram magos?
(Mateus 2:1-3) "Tendo Jesus nascido em Belém, na
Judéia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns
magos vindos do oriente. 'Onde está o rei dos judeus que
acaba de nascer? perguntavam. Vimos sua estrela no
oriente e viemos adorá-lo'."
Um pequeno trecho e um amontoado de erros.
Primeiro, Jesus, de Nazaré, não nasceu em Belém, conforme
iremos verificar em outra oportunidade.
Segundo, a Bíblia não fala em reis e não existe o registro de
três reis vindos do oriente. Aliás, a Bíblia não fala em reis e
sim em magos e não em três, mas sim em "uns" magos.
Muito menos diz que estes "reis" se chamam Gaspar,
Baltazar e Belquior (ou Melchior). Estes registros da visita
dos "três reis magos" estão em trechos aleatórios nos evan-
gelhos proibidos pela igreja e que a própria igreja rejeita.
Terceiro, não existe qualquer registro histórico que dê
veracidade a que algum dia tenha existido no oriente, em
qualquer país, três reis com os nomes de Gaspar, Baltazar e
Belquior (ou Melchior).
Em quarto, registre-se que a expressão "magos" está
traduzida errada, pois na realidade a expressão original
refere-se a "magi" como sacerdotes mitrais (usando mitra,
chapéus pontudos), confundido assim estas figuras de sa-
cerdotes mitrais com mágicos ou magos.
E finalmente, em quinto, a coisa mais patética: Estavam
seguindo uma estrela? Como alguém segue uma estrela?
Como alguém acha o fim de um arco íris? Uma estrela
somente é seguida para orientar uma direção, e não um
lugar, como no caso das navegações, em que ao seguir-se
numa direção baseado num ponto fixo de uma estrela segue-
se sempre para o norte, ou para o sul, ou para o leste ou para
oeste. É como orientar-se pelo sol. Mas seguir uma estrela,
igual a uma placa luminosa, indicando: "É aqui, chegaram", é
abusar demais da paciência, da credulidade e da ignorância
de quem lê.
Existe ainda um outro erro geográfico terrível. Segundo
Mateus, os tais "reis" foram visitar Herodes, o Grande, em
Belém/Jerusalém (na Judeia, no sul), quando Herodes, O
grande, naquela época estava situado na Galileia, no norte.
Um erro de cerca de 150km de distância.

"Será chamado Nazareno?"
(Mateus 2:23) "... assim se cumpriu o que foi anunciado
pelos profetas: 'Ele será chamado Nazareno'."
Aqui, num pequenino trecho, não só um amontoado de
erros, como muita mentira e má fé de Mateus (ou do escriba
que fez o texto e atribuiu a ele a autoria do versículo).
Mateus especializou-se em inventar "profecias retroativas"
que aconteciam muitos anos (pelo menos 40 anos) depois
dos fatos terem sido relatados como acontecido. Como tam-
bém Mateus inventava muitas profecias do Antigo Testa-
mento, sem que as citadas profecias realmente estivessem
no Antigo Testamento. Isto porque, não existe um único
registro no Antigo Testamento a respeito de Nazaré ou
Nazareno. Trata-se de invencionice de Mateus (ou do
escriba que escreveu por ele), escrevendo sobre a vida de
Jesus mais de 70 anos após o seu nascimento e após a
destruição de Jerusalém no ano 70, e tentando fazer
coincidir, no ano 70, "profecias retroativas", como se elas
tivessem realmente se realizado. Aliás, Nazaré sequer existia
como cidade quando Jesus nasceu. Existia, sim, o lago de
Genesaré (Mar de Tiberíades), mas não a cidade de Nazaré,
que somente veio a existir alguns anos (cerca de quinze
anos) após Jesus ter nascido.
Vejamos a má fé de Mateus (ou do escriba que escreveu por
ele). Ele afirma, após o ano 70, época da destruição de
Jerusalém e da diáspora e extermínio dos essênios, portanto
70 anos depois de Jesus já ter nascido, que 70 anos antes iria
se realizar uma "profecia retroativa" e que Jesus iria ser
chamado de Nazareno.
Uma profecia ao contrário, relatada depois do fato ter
acontecido, passados mais de 70 anos. Porém, o mais gri-
tante é que além de Nazaré sequer existir quando Jesus
nasceu, sendo impossível, dessa forma, tal registro, Mateus
ainda confunde Nazireu com Nazareno, que são coisas
completamente diferentes.
Para efeito de argumentação, vamos conceder o benefício da
dúvida e admitir que Mateus estivesse com falhas mentais
(pois ele era contemporâneo de Jesus e que quando
teoricamente escreveu o seu evangelho, logicamente já
tinha mais de 80 anos) e com isso não se lembrou ou
"confundiu" que Nazaré (a cidade) não existia quando Jesus
nasceu, mas tão somente o lago de Genesaré.
Entretanto, como Mateus pode ter "confundido", no-
vamente, Nazareno (nascido em Nazaré) com Nazireu (de
Nazir), que é um judeu que tomou os votos de sacrifícios
especiais, de não beber vinho, não comer uvas e não cortar
os cabelos, que não era o caso de Jesus, pois Jesus era
essênio, e como tal era adepto da eucaristia, do ritual do pão
e do vinho, e comia uvas. Não podendo, por isso mesmo, ser
um Nazireu.
A profecia do Antigo Testamento a respeito do Nazireu,
refere-se a Sansão e não a Jesus. Dessa forma, Mateus ao
"confundir" a profecia do Antigo Testamento sobre Sansão,
que era Nazireu, que não bebia vinho, não comia uvas e não
cortava os cabelos, com Jesus, chamando-o de Nazareno,
não é o que se pode dizer como um caso do acaso, quando a
má fé e má intenção estão bastante claras. Mas o pior de
tudo é dizer que cumpriu-se a profecia do Antigo
Testamento afirmando que o messias se chamaria Jesus,
quando os nomes de "Jesus", assim como Nazaré, sequer são
citados no Antigo Testamento. Muito pelo contrário, o
messias, segundo o Antigo Testamento, não viria de Nazaré
e sim de Belém e deveria chamar-se Emannuel, conforme:
Isaias (7:14) "Por isso mesmo, o Senhor, por Sua conta e
risco, vos dará um sinal: Olhai: A jovem (palavra correta)
mulher está grávida e dará a luz a um filho, por-lhe-á o
nome de Emmanuel".
Portanto, a mãe de Jesus, Maria, era uma jovem mulher
("almah", que não quer dizer virgem), e não uma virgem
("bethulah"), e Jesus de Nazaré, não era de Nazaré (e nem de
Belém) e não se chama Emmanuel conforme previsto pelas
profecias de Isaias no Antigo Testamento. Ou seja, as
profecias alegadas por Mateus como tendo sido cumpridas,
jamais se realizaram (mesmo ele "prevendo" isso 70 anos
depois do acontecimento). As profecias de Isaias, no Antigo
Testamento também não se realizaram, pois Jesus chama-se
Jesus e não Emmanuel.


Jesus nasceu em Nazaré, na Galiléia (Norte)?
(João 7:41) "O Cristo virá da Galileia?"
Ou em Belém, na Judeia (Sul)?
(João 7:42) "Não diz a escritura que é da descendência de
David e do povoado de Belém, de onde vem David, que
vem o messias?"
(João 7:52) "Investiga e verás que projeta algum surgiu na
Galiléia"
Vezes há em que a Bíblia afirma que Jesus é de Nazaré, na
Galileia, no norte. Outras vezes a Bíblia afirma que Jesus é de
Belém, na Judéia, no sul. E na maioria das vezes refere-se a
Jesus como o Nazareno, como se fosse nascido em Nazaré,
na Galiléia, no norte. Mas, percebendo que messias algum
nasceu na Galiléia e isso seria "menos nobre" para o messias,
os escribas mantêm a confusão bíblica em relação ao local de
nascimento de Jesus e transferem o Seu nascimento para a
Judéia (Belém), no sul, para que Jesus pudesse ter como local
de nascimento o mesmo local nobre e santificado do
nascimento de David, o mais famoso dos hebreus, o grande
expoente do povo hebreu,.
Por mais contraditório que possa parecer, Jesus não nasceu
em Nazaré pelo fato de Nazaré sequer existir como cidade à
época do nascimento de Jesus (existia, sim o Lago de
Genesaré ou Mar de Tiberíades). Assim como Jesus também
não nasceu em Belém (na Judéia), pelo fato de Jesus ser
galileu, natural da Galileia (mas não da cidade de Nazaré), e
isto é sobejamente comprovado no julgamento de Jesus.
Pois, quando Pôncio Pilatos (na Judéia, no sul) pretendeu
julgar Jesus (na Judéia, no sul, sob o domínio de Arquelau),
foi constatado um erro de jurisdição, vez que Jesus era
galileu e confessava-se galileu de nascimento (da Galileia, no
norte, sob o domínio de Herodes), por isso Jesus teve que
ser enviado primeiro para Herodes (que tinha a Galiléia
como sua jurisdição), para só depois, somente após a recusa
de Herodes em condenar Jesus e ter aberto mão de sua
jurisdição é que Jesus retornou (mais uma vez) para ser
julgado por Pilatos, na jurisdição de Arquelau, a Judéia, no
sul.
Portanto, é assustador a quantidade de erros bíblicos, que
vão desde um aparente erro de "má tradução" da palavra
"virgem", atribuída a Maria, Mãe de Jesus, até este falso,
contraditório e confuso local de nascimento de Jesus, pas-
sando pelas contradições, já citadas ao longo deste relato,
onde a cada hora aparece um fato contradizendo outro, ou
as mais puras e simples invencionices dos escribas que re-
digiram os evangelhos, sejam estes escribas quais forem.
Sejam eles os quatro evangelistas apontados pela igreja:
Mateus, Marcos, Lucas e João. Sejam eles saduceus e
fariseus. Sejam eles religiosos da própria igreja, os que "re-
fundiram" as folhas soltas dos manuscritos no que ora co-
nhecemos como os quatro evangelhos.
Mas o mais estarrecedor são as ofensas à inteligência do
leitor do evangelho, com as afrontosas falsificações de
profecias, na realidade "profecias retroativas", feitas após o
ano 70 da nossa era. Ou seja, muito tempo depois dos fatos
terem ocorrido (no mínimo quarenta anos após a morte de
Jesus e dos fatos já terem acontecido). Assim como é de
todo lamentável que os escribas tenham aberto mão de
priorizar a vida de ensinamentos de Jesus, para dar priori-
dade ao enfoque de Jesus como um simples curandeiro
exibicionista, e com isso interferindo e desacreditando o
texto bíblico, pintando Jesus como um arrogante, vaidoso e
presunçoso, obrigando as pessoas de bom senso a separar o
verdadeiro Jesus, grandioso e humanitário, com profundos e
definitivos ensinamentos, do rascunho mal desenhado
criado pelos escribas, autores e co-autores, do evangelho de
Jesus.
Tentando minimizar os enormes danos causados pelos
escribas bíblicos, a igreja adota uma postura evangélica
(priorizando o evangelho em detrimento do Antigo
Testamento) e praticamente finge que o Antigo Testamento
não existe (é até compreensível que a igreja abandone a
parte de historinhas mitológicas do Antigo Testamento e
valorize somente os ensinamentos, salmos, provérbios e
sabedorias) e em relação ao Novo Testamento (apesar de
tentar fugir do Deus mitológico sentado numa nuvem) a
igreja tenta minimizar o impacto dos erros e contradições
bíblicas, hipocritamente, como tendo sido erros menores,
oriundos de relatos despretensiosos de seguidores de Jesus,
transmitidos originalmente pela tradição oral, sem que os
quatro evangelistas tivessem a preocupação em registrar
detalhadamente a "vida de Jesus" como se eles, evangelistas,
fossem repórteres apurando cada fato e cada detalhe da vida
de Jesus.
Ora! Se não era para relatar fiel e historicamente a vida de
Jesus, a Sua vivência, a Sua experiência, com precisão e
exatidão, então por que o detalhamento de árvore
genealógica completa de Jesus desde Adão e Eva? Por que a
precisão de locais, datas e até mesmo de horas? Por que
esconder a Sua vida do nascimento até os 30 anos? Por que a
censura e o banimento dos outros evangelhos chamando-os
de gnósticos e de apócrifos? Por que, hipocritamente, tentar
esconder e minimizar o relacionamento e envolvimento de
Jesus com mulheres, com vagabundos e com prostitutas? Se
Ele mesmo disse que não tinha que se preocupar com os que
já estão salvos, mas sim com os que precisavam de salvação..
E assim, manquitolando, a igreja tenta fugir de um Deus
mitológico do Antigo Testamento, velho, barbudo, sentado
numa nuvem, e cai na invencionice dos escribas (uma
mistura de folhas soltas de quatro evangelistas, mais ma-
nuscritos de escribas saduceus e fariseus, "refundidos" pela
própria igreja) que pintam Jesus como um Deus de carne e
osso, preocupado com o curandeirismo, arrogante, vaidoso,
presunçoso, que chega a ficar difícil enxergar, nos mal
escritos e mal orientados textos bíblicos, a grandiosidade da
maior figura humana que o mundo já viu: Jesus.
Felizmente, o próprio Jesus, com sua inspiração divina, nos
alerta sistematicamente justamente para o perigo dos
escribas e do quanto de mal eles podem produzir para a
humanidade, por toda a eternidade, com seus textos dúbios,
confusos, muitas vezes mentirosos e de contraditórias
informações, levando-nos a refletir sobre a veracidade do
que está escrito e atribuído a ele, Jesus, como se o que está
relatado fosse realmente verdade.
"Se a vossa virtude não superar a dos escribas e fariseus, não
entrareis no reino dos céus." (Mateus 5:20)
"Vós, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos preveni."
(Marcos 13:23)
Estes "proféticos" versículos de citações de Jesus, atribuídos
a Mateus e a Marcos, incitam claramente ao questionamento
sobre o que os escribas escreveram, e dizem claramente
os versículos que se a virtude de sua/nossa inteligência
não enxergar além do que foi escrito pelos escribas, nada do
que foi lido teve valia. Em verdade, em verdade, vos digo:
Questione. Quem tiver olhos que veja. Quem tiver ouvidos
que ouça. Quem tiver cérebro que use.

Os Ensinamentos de Jesus

O verdadeiro Jesus, humilde, humanitário, pacifista,
pregador da não-violência, está presente, e de corpo inteiro,
em sua grande obra, que são os seus sábios ensinamentos
que modificaram o mundo.
O mundo todo se modificou, parou e começou uma nova
era e até uma nova contagem de tempo a partir do
nascimento de Jesus. O mundo passou a ter seu tempo
cronometrado antes de Jesus Cristo e depois de Jesus Cristo,
em função de sua gloriosa vida de sabedoria e ensinamento.
O mundo não se modificou pela dor e sofrimento na cruz,
pois muitos seres humanos sofreram e sofrem, ainda hoje,
dores iguais ou piores do que as sofridas por Jesus. O mundo
não se modificou pelas suas curas, pois Deus cura pessoas
todos os dias. O mundo não se modificou pela dor da cruz,
símbolo do sofrimento, mas pelas palavras, pelos
ensinamentos e exemplos que Ele nos deixou.


O Sermão da Montanha e
As bem-aventuranças

1) Bem-aventurado os pobres de espírito, porque deles é o
reino dos céus.
2) Bem-aventurado os que choram, porque serão
consolados.
3) Bem-aventurado os mansos, porque possuirão a Terra.
4) Bem-aventurado os que têm fome e sede de justiça, por-
que serão saciados.
5) Bem-aventurado os misericordiosos, porque alcançarão a
misericórdia.
6) Bem-aventurado os puros de coração, porque eles verão a
Deus.
7) Bem-aventurado os pacíficos, porque serão chamados
filhos de Deus.
8) Bem-aventurado os que sofrem perseguição por causa da
justiça, porque deles é o reino dos céus.
9) Bem-aventurado sereis quando vos insultarem e
perseguirem, mentindo, disserem todo o gênero de calúnias
contra vós, por minha causa.

A Sabedoria e os Ensinamentos de Jesus

Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Marcos 12:31)
Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. (João 13:34 e
15:12)
Amai a vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem
(Mateus 5:44)
Sereis medidos com a medida que empregardes para
medir (Marcos 4:24)
Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não
sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-
vos-á dado (Lucas 6:37-38)
Se alguém te bater najace direita, oferece a outra face
(Mateus 5:40)
Se alguém te pedir para acompanhá-lo por uma milha,
acompanha-o por duas (Mateus 5:41)
Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta que
conduz ao caminho da perdição (Mateus 7:13)
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (João
8:32)
Quem exaltar a si mesmo será humilhado. E quem for
humilde será exaltado (Mateus 23:12)
Guardai-vos de Jazer as vossas obras diante dos homens
para vos tornardes notados por eles. (Mateus 6:1)
Quando orardes, não sejais como os hipócritas que gostam
de rezar de pé nas sinagogas e nas ruas para serem vistos
pelos homens (Mateus 6:5)
Quando deres esmola, não permitais que toquem trom-
betas por ti, como jazem os hipócritas nas sinagogas e nas
ruas (Mateus 6:2)
Quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o
quejez a direita, afim de que tua esmola permaneça em
segredo (Mateus 6:3-4)
Buscai primeiramente o reino de Deus e sua justiça e
todas as coisas materiais vos serão acrescentadas (Mateus
6:33)
Na casa de Meu Pai há muitas moradas (João 14:2)
Pelo fruto se conhece a árvore (Mateus 12:33)
Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro,
mas o que saí pela boca (Mateus 15:11)
Pelas tuas palavras serás condenado (Mateus 12:37)
Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os
últimos (Mateus 20:16)
Muitos são os chamados, mas poucos serão os escolhidos
(Mateus 20:16)
A quem muito joi dado, muito mais será exigido (Lucas
12:48)
Por que reparas no cisco do olho de teu irmão, se não
reparas no tronco que está no seu olho? (Mateus 7:3)
Dá a quem te pede e não voltes as costas a quem te pedir
emprestado (Mateus 5:42)
Orai e vigiai, para não cairdes em tentação (Mateus 26:41)
A carne é fraca. O espírito está pronto, mas a carne é
fraca (Mateus 26:41)
Nem só de pão vive o homem (Lucas 4:4)
Tudo quanto ligares na Terra ficará ligado no Céu, e tudo
que desligares na Terra será desligado no Céu (Mateus 16:19)
Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores (Marcos
2:17)
Meu reino nao é deste mundo (João 18:36)
O céu e a Terra passarão, mas as minhas palavras não
passarão (Mateus 24:35)
Minha paz vos deixo, minha paz vos dou (João 14:27)
Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, lá
estarei no meio deles (Mateus 18:20)
Ninguém pode servir a dois senhores, pois há de amar a
um e odiar o outro (Mateus 6:24)
Vinde a mim ejarei de vós pescadores de homens (Mar-
cos 1:17)
Deixai vir a mim as criancinhas, pois é delas o reino dos
céus (Marcos 10:14 e Mateus 19:14)
Ninguém deita remendo de pano novo em vestido velho,
pois o remendo novo arranca parte do velho e o rasgão fica
maior (Marcos 2:21)
O sábado foi feito por causa do homem e não o homem
por causa do sábado (Marcos 2:27)
Afasta de mim este cálice (Mateus 26:39)
Não permitais que vos tratem por doutores (Mateus
23:10)
Quem não é contra nós, é por nós (Marcos 9:40)
Para maior compreensão dos ensinamentos de Jesus, é
recomendável que sejam lidas as parábolas, em especial a do
convite à humildade (Lucas 14:7-11), a do semeador
(Mateus 13:3-9), a do joio e do trigo (Mateus 13:24-30) e a
do grão de mostarda (Mateus 13:31-32).
"A paz esteja convosco." (João 20:19)

Os Essênios

O maior pesquisador e historiador judeu de todos os tempos,
autor de "Antigüidades Judaicas", Flávio Josefo, com toda a
autoridade que lhe é conferida mundialmente afirma que:
"Existem, com efeito, entre os judeus, três escolas filosóficas:
os adeptos da primeira são os fariseus; os da segunda, os
saduceus; os da terceira, que apreciam justamente praticar
uma vida venerável, são denominados essênios: são judeus
pela raça, mas, além disso, estão unidos entre si por uma
afeição mútua, maior que a dos outros"
A origem dos essênios é bastante discutível e improvável.
Alguns acreditam que, por volta do ano 170 a.C., os
primeiros judeus que fugiram do Egito com a finalidade de
estabelecer uma civilização própria, rumou para o deserto na
Judéia e passou a viver às margens do Mar Morto, criando os
primeiros grupos de essênios. E, por isso, sofreram forte
influência religiosa dos egípcios, durante o período de
dominação. (Os "Rosacruzes", por exemplo, defendem a
origem dos essênios ligada a uma ramificação da Grande
Fraternidade Branca, fundada no Egito, no tempo do faraó
Akenaton). Outros, no entanto, crêem que a titulação
"Essênio" deriva de "Essen", filho adotivo de Moisés, a quem
foi confiada a incumbência de dar continuidade na tarefa de
manter pura as tradições religiosas dos ensinamentos
bíblicos do povo hebreu. Isto porque, os hebreus começa-
ram a dividir-se tanto em relação aos conceitos religiosos,
formando grupos distintos, e proliferava tanto a corrupção
religiosa em seu meio, comandada por um mercantilismo
em nome da religião e de Deus, que Moisés teria atribuído
ao seu filho adotivo Essen a incumbência de conservar as
tradições hebraicas e os segredos da doutrina pura.
De certo, somente a comprovação histórica de que os
essênios, já por volta de 150 a.C. encontravam-se nos
arredores de Jerusalém e Belém (em Qunram), e viviam
isolados da opulência e corrupção de costumes em que
Jerusalém estava mergulhada.
Independentemente de sua origem e do silêncio em que
viviam, a marca da passagem dos essênios pelo mundo é
uma das mais significativas da história da humanidade. No
ano 70 d.C., quando houve a diáspora (dispersão do povo
hebreu (judeus) por motivos políticos e religiosos), e a
destruição de Jerusalém pelas legiões romanas, a maior das
perseguições foi empreendida, contra os essênios, não só
pelos romanos, mas principalmente pelos próprios judeus
(saduceus e fariseus), onde quase todos os essênios foram
mortos e os que escaparam jamais puderam retornar às suas
comunidades de trabalho e oração. Mas, no entanto, antes
de fugirem, deixaram o maior legado que o cristianismo e a
arqueologia poderia encontrar: "Os Manuscritos do Mar
Morto".
Em 1947 (historicamente bastante recente), nas cavernas
em Khirbet Qunram, guardados em urnas, potes e vasos,
hermeticamente lacrados por quase dois mil anos, foram
descobertos os "Manuscritos do Mar Morto" ou os
"Manuscritos de Qunram". E, diferentemente dos evange-
lhos, que são traduções do grego e não do aramaico, de
autenticidade e idade nem sempre comprovadas, agora havia
uma quantidade imensa de manuscritos, de idade e
autenticidade comprovada, que viria jogar nova luz sobre a
história das religiões, principalmente sobre o cristianismo.
A descoberta de Qunram se tornou a maior prova e o maior
marco histórico palpável do cristianismo. As ruínas de cinco
mosteiros no deserto da Judéia são o marco da existência dos
essênios em passado distante, além de outros mosteiros
dispersos por diversas regiões na Samaria e na Galiléia.
Antes de Qunram, ou dos "Manuscritos do Mar Morto", a
maior crítica e acusação que se fazia e com justiça era
que os documentos (manuscritos em grego e não em
aramaico) que formavam o Novo Testamento eram
inconfiáveis, sem autoria certa e definida, e de autenticidade
questionável. No entanto, após a descoberta dos manuscritos
de Qunram, não só novas informações surgiram como
revalidaram, fortificaram e consolidaram algumas já
existentes.
Enquanto o Antigo Testamento, em especial o Pentateuco,
ou os cinco livros de Moisés, o Deus ali descrito era um
Deus quase humano e um Deus tribal, muito particular do
povo hebreu, só dos judeus (O tal Deus velho, barbudo,
sentado numa nuvem) após as revelações dos manuscritos
de Qunram surpreendentemente aparece, pela
primeira vez para os judeus (no caso, essênios), um Deus
universal (e não tribal) que iria enviar um messias, que não
seria rei, mas um salvador, e que viria para redimir, não só o
povo judeu, mas toda a humanidade.
Está certo que as bases de expansão do cristianismo estão
bastante ligadas à peregrinação de Paulo (Saulo) Apóstolo.
No entanto, a expansão empreendida por Paulo também
esteve ligada a uma propagação errada, torta e destorcida do
que foi Jesus. Principalmente quando se valorizava o Jesus
curandeiro, arrogante e presunçoso e um Jesus sofredor
pregado na cruz, em detrimento do Jesus humanitário,
doutrinador, pregador da paz, mensageiro da boa palavra e
dos ensinamentos de Deus.
De fato, a importância do surgimento dos documentos dos
essênios conhecidos como "Os manuscritos do Mar Morto"
foi corretamente retratada pelo jornalista do New York
Times, Edmund Wilson, numa série de reportagens
históricas sobre os documentos de Qunram, encontrados em
1947, que sem paixão, sem fanatismo, escreveu: "O con-
vento, esse prédio de pedras, junto às águas amargas do Mar
Morto, com seus fornos, tinteiros e piscinas sacras, túmulos,
é mais do que Belém e Nazaré, é o berço do cristianismo".
Em 1951, quatro anos apenas após a descoberta dos
manuscritos de Qunram, Hempel escreveu:
"Verdadeiramente esclarecida a origem dos cristãos. O
cristianismo é apenas essênio. Essênio ou cristão, dá no
mesmo."
No ano de 1923, cerca de quarenta anos antes dos
manuscritos de Qunram serem descobertos, o teólogo e
pesquisador religioso húngaro, Edmond Szekely, obteve
permissão do Papa para pesquisar os arquivos da biblioteca
do Vaticano, e qual não foi sua surpresa ao traduzir uma obra
antiquíssima (originária do primeiro século d.C.), ocultada
dos meios religiosos, principalmente católicos, chamada de
"O evangelho essênio da paz", que falava sobre os essênios e
suas características (mas que a igreja não gostaria que fosse
divulgado, ou pelo menos de conhecimento do grande
público, de modo a não causar controvérsia com o que até
então era dito e tido como verdade).
Antes mesmo disso acontecer, já em 1880, o reverendo
inglês Gideon Jasper Ouseley traduziu do aramaico (língua
que Jesus falava, que é a maior garantia de autenticidade que
um documento em princípio possa ter e não o grego
como nos evangelhos), um manuscrito essênio chamado "O
Evangelho dos doze santos", que também foi ocultado do
grande público, pois representava a versão mais autêntica do
Novo Testamento de Jesus, e conflitava terrivelmente com
as "versões" dos quatro evangelistas que a igreja reescreveu
ou "refundiu".
Neste evangelho essênio, Jesus aparece como uma figura que
veio inspirar um segmento religioso muito forte. Segmento
este de grande humildade, extrema devoção a Deus e
imensurável piedade pelos seres humanos e pelos animais,
que de fato orientou a ordem franciscana de São Francisco
de Assis. Jesus é apresentado neste evangelho como um
vegetariano parcial (no máximo comia peixe e gafanhotos) e
sua mansidão e paz são descritos assim: "As aves se reuniam
ao seu redor e lhes davam boas-vindas com seu canto e
outras criaturas vivas se postavam à seus pés e ele as
alimentava com suas mãos."
Claro que não interessava à igreja, impregnada pelo Deus
velho do Antigo Testamento, que fosse divulgado um Jesus
simbolizado pelo peixe (ao invés da cruz), humilde, manso,
humanitário e pacifista (sem grandes apelos de mídia e de
marketing) ao invés do carismático curandeiro presunçoso e
arrogante, conforme descrito nos quatro evangelhos,
principalmente caracterizado pelo impacto da emoção e
piedade causados pelo sofrimento que a cruz representava.
Tudo isso, um revisionismo religioso, poderia causar um
cisma e uma tremenda divisão entre e dentro das igrejas
cristãs. E de fato, para a maioria que tomou conhecimento
da realidade, criou-se este divisionismo, vez que um
segmento religioso esclarecido, fiel à verdade, desejava
trazer à baila a verdadeira história de Jesus, humilde, manso,
humanitário e pacifista. Entretanto, o tradicionalismo
religioso, receoso em mexer no sucesso de marketing do
Jesus sofredor, pregado na cruz, era tão imenso, tão maior,
que a própria igreja desencorajou-se em alterar algo tão
fantasticamente carismático e tão mercadologicamente
vitorioso.
E, entre manter o sucesso secular do Jesus sofredor, pregado
na cruz, simbolizando o cristianismo ou ter que colocar em
risco todo este sucesso de marketing, admitindo os erros e as
mentiras, revendo os conceitos errados emanados pelos
evangelhos, assumindo o símbolo do cristianismo como o
peixe e restituindo a Jesus a imagem de humilde, manso,
humanitário e pacifista, a igreja mais uma vez optou pelo
vencedor sucesso de marketing ao invés da verdade. (Foi
uma opção de marketing, comercial, de mercado)
Talvez o Papa ainda leve mais mil ou mil e quinhentos anos
para novamente pedir desculpas pelas mentiras e atrocidades
praticadas pela igreja católica, conforme recentemente o
Papa fez ao admitir, pela primeira vez, e pedir perdão pelo o
que a igreja fez durante as chacinas de caças às bruxas e as
mortandades das "santas" cruzadas, libertações do "santo"
sepulcro e "santas" inquisições. Talvez daqui a mil anos um
novo Papa venha nos pedir desculpas pelas ocultações de
verdades, pela ocultação de documentos e pelas mentiras e
perseguições contra os evangelhos tidos como apócrifos, os
evangelhos gnósticos e os Manuscritos do Mar Morto.
Mas, voltando aos essênios. Sobre esta extraordinária vida
comunitária dos essênios, diz Flávio Josefo (a maior
autoridade histórica e o maior pesquisador de antiqüidades
judaicas) que entre os essênios todos partilhavam igualmente
de todos os bens pertencentes à comunidade. Quando um
novo membro entrava para a sociedade os seus bens eram
igualmente divididos entre todos, evitando, com isso, que
houvesse pobres e ricos na sociedade essênia.
Com efeito, esta prática essênia era uma lei. Aqueles que
entravam para o grupo entregavam seus bens à comunidade
para serem partilhados por todos, de tal forma que entre eles
não se visse absolutamente nem a humilhação da pobreza
nem o orgulho da riqueza. As posses eram comuns e
encontravam-se disponíveis a todos, não existindo senão um
único haver, comunitário, como ocorre entre irmãos.
(Comparativamente, foi exatamente isso que Jesus propôs
àquele jovem rico que queria seguí-lo com os discípulos. Ou
seja: (Mateus 19:21) "Se queres ser perfeito, disse-lhe
Jesus, vai, vende tudo que possuíres, dá o dinheiro aos
pobres e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-
Me").
Esclarecendo melhor esta questão. Na citação anterior, Jesus
não pregava contra a prosperidade, mas sim contra o
acúmulo desnecessário e desmedido de riqueza e não diz a
todas as pessoas que façam o abandono das coisas materiais,
mas sim somente àqueles que querem se tornar discípulos e
seguí-lo numa vida de simplicidade, humildade e de desa-
pego material. Isto porque, Jesus, não como mestre da hu-
manidade, mas como um discípulo de Deus, no caso, obser-
vava um princípio essênio que afirma que a maior
abundância é ter poucos desejos e fáceis de serem satisfeitos.
Esta simplicidade essênia, muito rara entre os religiosos de
uma maneira geral e principalmente entre as pessoas
comuns, mesmo comparativamente com outras épocas e
com vários costumes e culturas, assemelhava-se em
simplicidade, mansidão e humildade aos conhecidos
monges tibetanos, e foram fortemente exemplo e inspiração
para a vida de Jesus e dos frades franciscanos. E a vida
comunitária essênia era de tal forma igualitária, que em suas
reuniões a cadeira principal era deixada sempre vazia, como
uma forma de demonstrar que não havia líder, não havia
chefia e não havia alguém que pudesse se violentar a ponto
de abrir mão da humildade para vestir a arrogância de ser
melhor ou mais importante do que os demais "irmãos".
(Comparativamente, esta humildade é exatamente o que
Jesus propõe no convite à humildade (Lucas 14:7-11) e na
citação "Quem exaltar a si mesmo será humilhado. E
quem for humilde será exaltado" (Mateus 23:12).
A aversão dos essênios pela empáfia e pela arrogância ia
muito além dos homens comuns, atingia diretamente quem
mais deveria prezar a humildade ao invés de valorizar a
arrogância, como os sacerdotes, oradores e escribas, que
com as pomposas vestimentas dos doutores das leis,
lideravam seus templos com presunção, soberba e arro-
gância. Desnecessário dizer o quanto Jesus se indispôs com
sacerdotes e escribas, principalmente pela soberba deles,
pela arrogância deles, até mesmo pelas vestimentas pom-
posas e pelos títulos que "se" auto-concediam de "doutores".
"Não permitais que vos tratem por doutores" (Mateus
23:10). Logicamente, o Jesus arrogante, presunçoso, vaido-
so, e curandeiro, equivocadamente apresentado nos quatro
evangelhos "refundidos" pela igreja, não representa e não
pode retratar e representar o que foi e o que é Jesus. Razão
pela qual sugerimos retirar estes textos dos evangelhos como
as lascas que são retiradas do bloco de pedra para dar lugar a
uma irretocável estátua.
Embora hebreus (judeus), os essênios não comiam carne
vermelha, principalmente cordeiro, pelo aspecto de paz e
mansidão do animal. Eram parcialmente vegetarianos (mas
comiam peixe e eventualmente gafanhotos), e em razão
disso desligaram-se das festas tradicionais do judaísmo,
inclusive a da Páscoa, dos tabernáculos e outras mais,
mormente quando nelas envolvia matança e holocausto de
animais (em especial o cordeiro).
Comparativamente, Jesus insurge-se contra a matança de
animais, ao expulsar os vendilhões do templo que vendiam
cordeiros, cabras, pombos e outros animais para serem
sacrificados "no altar de Deus". Desnecessário dizer que os
essênios praticavam a liturgia da eucaristia a celebração
do pão e do vinho exatamente a liturgia que Jesus passou
aos seus discípulos como um dos principais sacramentos.
Se as semelhanças dos usos e costumes e dos ensinamentos
dos essênios com os ensinamentos de Jesus podem parecer
poucas, vejamos algumas práticas, usos e costumes, e
ensinamentos dos essênios: 1) Os essênios ensinavam o
amor ao próximo mais do que a si mesmo, que é exatamente
o foco central dos ensinamentos que Jesus pregava; 2)
Pregavam a busca da verdade como a maior fonte do
conhecimento e uma das suas maiores diretrizes religiosas.
Que é o ensinamento de Jesus, muito pouco valorizado pelas
igrejas cristãs: "Conhecereis a verdade e a verdade vos
libertará"; 3) Acreditavam na ressurreição, reencarnação, na
imortalidade da alma e na vida eterna (Exatamente o que
Jesus ensinava, contrariando saduceus e fariseus); 4) O
conselho que dirigia a entidade essênia era composto por
doze membros, exatamente como Jesus instituiu os doze
apóstolos para criar a base de sua pregação. 5) O nascimento
do essênio dava-se pelo batismo, que foi um dos principais
sacramentos que Jesus incorporou à sua pregação; 6) Eram
humildes, humanitários e pregadores da paz, que é o perfil
mais exato de Jesus; 7) Mas o mais surpreendente: os
essênios possuíam como seu mantra (reza) principal, um
hino sobre as bem-aventuranças, cuja idéia central é o
"Sermão da Montanha" de Jesus.
Vivendo em comunidades distantes, os essênios sempre
procuravam encontrar na solidão do deserto (o lugar de
reflexão escolhido por Jesus) o lugar ideal para desen-
volverem a sua espiritualidade. Prezavam o silêncio como
um instrumento de disciplina e norma de conduta. Sabiam
guardá-lo como uma jóia preciosa ("O falar é de prata, mas o
silêncio é de ouro"). A voz era usada como um instrumento
e tinha um grande poder, não podendo jamais ser
desperdiçada. Através da voz, dependendo do ritmo, da
freqüência e da intensidade podia ser estabelecido um con-
tato com Deus e até ser objeto de transmissão de energia
(boas e más) entre pessoas. Por isso, evitavam falar alto,
jamais discutiam em público, jamais gritavam, e sempre
ouviam em silêncio a argumentação de seu interlocutor,
respeitando o direito de palavra de cada um.
Diferentemente de outros religiosos que também se
abstiveram de bens materiais (como os monges budistas), os
essênios trabalhavam a terra (plantavam, irrigavam, colhiam)
e em seus cuidados com a terra mantinham hortas e
pomares irrigados com a captação de água das chuvas guar-
dadas em cisternas. Estudavam, escreviam e dedicavam-se às
artes. Entretanto, o que obtinham pelo fruto de seus
trabalhos era o necessário para a manutenção e sustento da
comunidade. Viviam pelo necessário para a vida. Apenas o
necessário.
Não era possível encontrar entre eles açougueiros ou
fabricantes de armas, mas sim grande quantidade de mestres,
pesquisadores, instrutores, que .através do ensino passavam,
de forma sutil, os pensamentos da ordem religiosa aos leigos.
Cultivavam hábitos saudáveis, zelando pela alimentação,
pelo físico e pela higiene pessoal. Antes e após as refeições
realizadas em completo silêncio oravam e agradeciam
a Deus pelo alimento vindo da terra, o qual consideravam
como algo vivo e sagrado.
Faziam manipulações com ervas, eram profundos
conhecedores das propriedades curativas das ervas e eram
excelentes médicos, praticando uma medicina estritamente
natural. Faziam visitas constantes a pessoas enfermas, por
entenderem como obrigação dos sãos o permanente cuidado
pelos doentes, assim como respeitavam e quase que
idolatravam os velhos, cuidando deles com as próprias
mãos, como filhos gratos. E estendiam esse cuidado e
atenção, dispensados aos velhos, também aos antepassados,
cultuando-os e respeitando-os.
Contrastando com esta vida de absoluta simplicidade,
preocupavam-se com questões de física, astronomia e ciên-
cias em geral, buscando, inclusive, a harmonia das ciências
com a existência de Deus e a origem do universo.
Um assunto, entretanto, causava repulsa, indignação e até
mesmo intolerância aos essênios: a escravidão. Consi-
deravam a escravidão um ultraje, uma violação à vida, à
missão do homem dada por Deus. Não só porque destruía a
igualdade entre os seres humanos, como atentava ao mais
elementar princípio da irmandade e fraternidade que torna
os seres humanos iguais e irmãos.
Por mais estranho que possa parecer, um essênio jamais
jurava. Para eles a jura era um sacrilégio tão grande quanto a
mentira. Isto porque tinham na palavra dita a sustentação da
honra, e somente o mentiroso, que não honra o que fala, é
que precisava jurar para tornar verdadeiro o que disse ou que
tenha soado como falso. Aliás, este preceito está muito bem
definido nos relatos do evangelho atribuído a Mateus (5:33-
37) em que Jesus prega que não se deve jurar em hipótese
alguma.
Conforme dito, os essênios eram humanitários, pacifistas, e
não toleravam a guerra sob hipótese alguma. Mas, no
entanto, falavam constantemente de uma espécie de guerra:
a dos filhos da luz contra os filhos das trevas, uma luta
constante que se trava principalmente no interior de cada
criatura.
Para os essênios não existia nem a personificação (imagem)
do bem e nem a personificação (imagem) do mal. Toda a
essência do bem era uma dádiva de Deus e toda a raiz do mal
era fruto do livre arbítrio do próprio homem. E ambos, o
bem e o mal residiam dentro de cada ser humano,
cumprindo a cada um domar o seu mal interior e fazer
florescer o bem.
A principal razão de viver dos essênios consistia em
aperfeiçoar-se como ser humano, buscando a Deus como
amor e perdão, e buscando eternamente o bem dentro de si
mesmo, sufocando toda e qualquer forma do mal.
De costumes irrepreensíveis, moralidade exemplar, de
extrema boa fé, dedicavam-se aos estudos espiritualistas, à
contemplação e à caridade, longe do materialismo
avassalador que imperava entre os saduceus e fariseus. Os
essênios suportavam com admirável estoicismo os maiores
sacrifícios para não violar o menor preceito religioso. Pro-
curavam servir à Deus, auxiliando o próximo, sem imolações
no altar e sem cultuar imagens.
Embora os essênios fossem judeus, diferentemente dos
saduceus e dos fariseus, não consideravam Israel como o
centro de todas as coisas, nem como o grande bem a ser
preservado, mas sim o mundo. O Deus dos essênios não era
tribal, personificado, e a promessa de uma "Nova Jerusalém",
por ser uma idéia, tribal, dos saduceus, de visão estreita e
limitada, era inconcebível para os essênios. Entretanto, um
novo mundo, um novo porvir, como uma nova visão de
esperança, adequava-se perfeitamente à filosofia essênia. Até
porque os essênios acreditavam que Deus é a causa de todo o
bem e de nenhum mal. O ser humano, sim, que tendo
recebido a bondade como herança divina e usando o livre
arbítrio concedido por Deus é quem cria as possibilidades do
mal.
Para ser um essênio, o pretendente a discípulo era preparado
desde a infância na vida comunitária de suas aldeias isoladas.
Em geral, os essênios recebiam esses futuros adeptos ainda
muito jovens, em geral crianças, para serem educadas, e
tratavam-nos como se fossem realmente filhos.
Já adulto, o adepto, após cumprir várias etapas de
aprendizado, recebia uma missão definida que ele deveria
cumprir até o fim da vida.
Vestidos sempre com roupas brancas, muito alvas, o que era
muito raro para a época e para a região, pois o traje comum
era o tecido cru (bege); ficaram conhecidos em sua época
como aqueles de branco que "são do caminho".
Os essênios eram como santos que habitavam muitas aldeias
e vilas ao sul da Palestina. Não se uniam por clã lamiliar ou
por raça, mas sim por meio de associações voluntárias,
formadas com o intuito de melhor praticar a virtude e o
amor entre as criaturas humanas.
O celibato era um dos raros assuntos bastante contraditórios,
vez que mesmo não sendo obrigatório o celibato, muitos
não se casavam porque acreditavam que matrimônio era
impedimento à vida simples do sacerdócio. Outros, no
entanto, afirmavam que os que não se casavam recusavam a
melhor parte da vida doada por Deus, que é a propagação da
espécie.
Havia uma forte preparação religiosa ao iniciado na
comunidade essênia. Liam muito, debatiam muitas questões
religiosas, e principalmente recebiam muitos ensinamentos
através de parábolas, que acabavam fazendo parte de suas
bases religiosas.
Os mais velhos e mais preparados explicavam aos mais
novos a simbologia usada nos ensinamentos. Entretanto, não
necessariamente os graus mais elevados eram ocupados
pelos mais velhos, pois o grau de cada um dependia mais de
sua capacidade prática em ensinar e passar as mensagens e
ensinamentos do que da idade e do nível de cultura geral de
cada um. Isto porque o mais importante era que as
mensagens pudessem chegar com clareza ao maior número
de pessoas.
Os essênios formavam uma ordem religiosa extremamente
devotada, muito diferente da dos saduceus materialistas, e
completamente oposta à dos hipócritas e vaidosos fariseus.
Evitavam a vaidade, o egoísmo, o individualismo e toda
menção de si próprios, tendo na vaidade um dos piores
males corruptores do caráter. (Razão pela qual são irreais e
inimagináveis as citações imputadas a Jesus nos quatro
evangelhos, retratando-O como vaidoso, presunçoso e
arrogante)
Ainda hoje em dia, alguns conceitos e práticas essênios são
considerados como absolutamente revolucionários. E para a
época, então, eram inimagináveis e incompreensíveis para a
maioria das pessoas. Como, por exemplo, o fato dos essênios
praticarem a imposição de mãos (como Jesus), tendo como
premissa que todo ser humano emana energias, boas e ruins,
e que toda negatividade provém da desarmonia e do
desequilíbrio entre as energias boas e ruins de cada um,
como uma doença. Baseado nisso, aprendiam a reconhecer
as diferentes vibrações da matéria, bem como manter todas
estas vibrações sob controle, para atingir a harmonia do
corpo e da mente.
O conceito de tempo e espaço era outro conceito ex-I
ternamente revolucionário para a época. O pensamento dos
essênios não estava voltado apenas para sua vida atual. A
vida era vista como um eterno presente. O passado, o
presente e o futuro se tornavam uma unidade na grande
harmonia divina. Para os essênios tudo sempre estava inter-
relacionado, ligado com tudo e com todos. E como numa
ciranda ou numa mandala, a vida conduzia à morte. A morte
conduzia à vida, e o nascimento ou renascimento era sem-
pre um retorno à condição material e primitiva do ser hu-
mano.
Embora os hábitos e práticas dos essênios possam ser
provados e documentados (mais seriamente do que em
qualquer outra religião) é certo que nenhum dos Manus-
critos do Mar Morto comprova nominalmente a vivência
essênia de Jesus (pois os essênios, sabendo das perseguições
que sofriam, não citavam nomes e até mudavam seus nomes
após o batismo), tanto quanto é certo que historicamente há
muita contestação quanto a comprovação documentalmente
séria da própria existência real de Jesus. No entanto, os
documentos de Qunram, que registram e comprovam a vida
essênia, que são documentos verdadeiros, sérios e
incontestáveis, demonstram que todos os atos (sérios)
relatados a respeito de Jesus em "versões" evangélicas
indicam a educação de Jesus como tendo sido, inega-
velmente, essênia.
O mais espantoso entre todos os ramos judeus, é que, ao
contrário dos demais ramos judaicos, os essênios não
aguardavam um só messias, e sim, dois. Um messias era
esperado para preparar a vinda do segundo messias. Nasceria
e seguiria a tradição da linhagem sacerdotal dos grandes
mártires. Sua morte representaria o sofrimento e humilhação
por que teria que passar, em vida, por destino previamente
traçado por Deus.
Para muitos, a figura do pregador João Batista se encaixa
perfeitamente no perfil deste messias preparador do messias
salvador.
Um segundo e definitivo messias, salvador, que viria para
legislar e estabelecer a justiça restituiria ao povo a sua
soberania, restauraria a dignidade e semearia a esperança,
instaurando um novo período de paz social e de prosperi-
dade, que não ficaria restrito às tribos de Israel, mas resta-
beleceria uma nova ordem para o mundo inteiro.
Jesus foi recebido por muitos como a encarnação deste
messias salvador.
Muito se tem dito a respeito de Jesus e de João Batista, sobre
a importância de cada um, dependendo da linha religiosa
que se adote, mas o que surpreende é a indicação de forma
alternada de que ora Jesus é considerado como o messias,
ora João Batista é esse messias. Para a maioria dos cristãos,
Jesus é o messias. Já para alguns batistas, João Batista é o
messias.
Até os nossos dias, no sul do Irã, os mandeanos, sustentam
ser João Batista o verdadeiro messias essênio. O rei da
Prússia, escrevendo a Voltaire, afirma: "Jesus foi o messias
essênio". Gratz, em sua obra, afirma: "João Batista, era o
messias essênio". Entretanto, para os essênios, nunca houve
esta dúvida se eles eram de fato o messias, pois eles espera-
vam, de fato, a vinda de dois messias, que mais tarde viria a
se materializar nas figuras de João Batista e de Jesus. (Os
essênios só não sabiam qual dos dois teria a missão prepa-
ratória que antecederia o derradeiro messias e qual teria a
missão de reformar a humanidade)
Harvey Spencer Lewis, assim como muitos teólogos e
estudiosos do assunto, afirma que Jesus recebeu desde o
início, na infância e na adolescência, educação conforme os
preceitos essênios. Inclusive, foi previamente preparado
num mosteiro localizado no Monte Carmelo, na Palestina
para se tornar o Cristo, o Messias, o Salvador. (A bem da
verdade, João Batista também recebeu, juntamente com
Jesus, este tratamento por parte dos essênios, uma vez que
(Jes os essênios tinham nos dois a imagem dos dois
messias que estavam por vir e por isso não sabiam qual seria
o messias preparador da vinda do messias salvador e qual
seria o derradeiro messias salvador)
Posteriormente à essa iniciação e preparação essênia, os
jovens João Batista e Jesus levaram o pânico à comunidade
essênia ao abandonarem temporariamente a vida essênia de
preparação para a vida messiânica e começam então a
estudar profundamente as antigas religiões egípcias, algumas
religiões orientais (Índia, Nepal e China) e diversas seitas que
influenciaram o desenvolvimento da civilização mundial.
Para isso teriam feito diversas viagens pelo mundo antigo,
indo para a Índia e o Nepal, onde conviveram durante
alguns anos com os principais sábios budistas. Ao deixarem a
índia, viajaram para a Pérsia (atual Irã), onde estiveram com
os religiosos eruditos do país, aprenderam também com os
sábios da Assíria e já nessa época atraíam multidões à sua
volta, por seus poderes de imposição de mãos e por suas
palavras.
Em seguida, atravessaram a Babilónia, estiveram na Grécia e
por fim voltaram ao Egito, onde teriam sido iniciados nos
mistérios da Grande Fraternidade Branca.
Terminada toda essa preparação, João Batista e Jesus
voltaram a Qunram e aos essênios, onde reiniciaram suas
vidas de pregação e seus ministérios.
Foi somente no momento do batismo de Jesus, por João
Batista, que foi decidido quem batizaria quem. Isto porque,
até aquele momento, não existia, por parte dos essênios,
uma definição de quem batizaria quem. Se Jesus batizaria
João Batista. Ou se João Batista batizaria Jesus. Inclusive este
momento é descrito figurativamente nos evangelhos como
tendo sido o momento em que o Espírito Santo faz a escolha
entre os dois e desce sobre Ele, Jesus, em forma de uma
pomba branca, transformando-o no Cristo, no Messias, no
Salvador.
Segundo alguns estudiosos, foi com base na cultura essênia
de Jesus, aliada aos conhecimentos adquiridos durante estas
viagens aos diversos países pelos quais passou, que Jesus
adquiriu maturidade e conhecimento que o levaram à vida
apostólica relatada pela Bíblia, infelizmente restrita somente
à idade de 30 anos.
A igreja, de uma maneira geral, procura ocultar a prática e os
hábitos de Jesus como judeu (e principalmente como
essênio). Tanto que quando a igreja admite ser Jesus um
judeu, não O enquadra como saduceu (que Jesus chamava de
hipócritas e víboras); como fariseu (que Jesus nem podia se
imaginar como um arrogante e presunçoso fariseu); ou como
um louco, destemperado e revolucionário zelote (que Jesus
sequer podia ser enquadrado como tal, uma vez que os
zelotes tinham Jesus como um covarde pacifista e um
traidor, por ser um manso e humilde). Em outras palavras, a
igreja admite que Jesus era judeu, mas nega que Jesus tenha
sido saduceu, fariseu ou zelote. E hipocritamente furta-se
em admitir ter sido Jesus um essênio.
Não obstante esta omissão hipócrita, a igreja lança um
silêncio sepulcral sobre a infância de Jesus, sobre Suas via-
gens pelo oriente (seguindo a rota da seda) e sobre Sua vida
entre os 13 e 30 anos, e principalmente oculta, de todas as
maneiras, a formação religiosa de Jesus como um mestre
religioso (rabi) essênio, apesar de tratá-lo na Bíblia como
"rabi" essênio (mesmo sem ser saduceu, fariseu ou zelote).

A Sociedade Secreta de Jesus

No ano sete a.C., data em que, segundo o conhecido
astrônomo britânico da Universidade de Cambridge, Colin
Humprey, em 1991, e confirmado por antigos astrônomos
chineses, teria havido um cometa bastante visível, formando
um brilho todo especial no céu, na noite de 08 para 09 de
novembro, nas montanhas da tribo de Judá, na Judeia, nascia
o primogênito de Isabel e Zacarias, um menino que iria
mudar o mundo, chamado João (Batista).
No ano seis a.C., data em que, segundo o astrônomo alemão
Johannes Kepler, houve a conjunção de Júpiter e Saturno,
formando um brilho todo especial no céu, como se fosse um
cometa ou uma lenta estrela cadente, na noite de 19 para 20
de abril, em Cafarnaum, na Galileia, nascia o primogênito de
Maria e José, um menino que iria mudar o mundo, chamado
Jeshua, e que para nós é simplesmente: Jesus.

(Notas do autor: 1) O monge Dionísio, o Pequeno,
(500-545 d.C.) cometeu um erro de cálculo na
determinação do ano zero, entre 6 a 8 anos. 2) A
igreja, impossibilitada em determinar com precisão o
dia exato do nascimento de Jesus, e submetida às leis
de Roma, acatou a data de nascimento de Jesus como
25 de dezembro, fixada entre 525 d.C. e 533 d.C.,
para celebrar uma festa pagã de Roma (e não religiosa)
que tinha como motivo a confraternização da
felicidade, semelhante ao natal de hoje em dia.
Chamava-se "Dies Natalis Invicti".

Primas entre si, Isabel e Maria tiveram uma sina de vida
muito semelhante, isto porque os primos João (que o mundo
viria a conhecer por João Batista) e Jesus, criados juntos
como irmãos, tiveram vidas bastante próximas e entrelaçadas
e que muitas e muitas vezes e em momentos absolutamente
decisivos para os dois e para toda a humanidade
protagonizaram uma das mais fantásticas vivências
experimentadas pelo ser humano.
Por enorme coincidência, os pais de João Batista (Zacarias) e
de Jesus (José), tiveram sérias e quase que irreconciliáveis
dúvidas a respeito de suas paternidades e da fidelidade de
suas mulheres. Isto porque Zacarias, pai de João Batista
possuía idade muito avançada para ter filhos, e sua esposa
Isabel era considerada estéril, pois apesar das inúmeras
tentativas, jamais havia engravidado na juventude e na
maturidade, e não era imaginável que justamente agora, em
idade avançada, estar esperando um filho.
José, por sua vez, tinha semelhantes suspeições a respeito de
Maria, pois sendo ela uma moça muito jovem, e ele com
idade bem superior à dela, não conseguia entender como
após tanto tempo de casada, Maria ainda permanecia como
se fosse virgem. (E daí a sua dúvida, pois se mesmo depois
de casada ainda aparentava "virgindade"... como acreditar
que quando havia se casado era virgem de verdade?)
À época, não se conhecia e sequer se falava em hímen
complacente (que não se rompe e retorna ao seu estado
anterior, mesmo após a relação sexual, mantendo uma
impressão de permanente virgindade). Mas, no entanto,
após o parto de Jesus, constatando José que ainda assim
Maria aparentava virgindade, conforme continuou, apesar
dos vários filhos que Maria teve, José passou a acredi-lar que
algo diferente havia com a "virgindade" de sua esposa, e que
a sua aparente virgindade não deveria ser empecilho para
seu relacionamento com tão devotada esposa.
Com o tempo, as dúvidas sobre possíveis infidelidades que
assombravam Zacarias e José finalmente foram sanadas e os
relacionamentos com Isabel e com Maria, foram
restabelecidos sem as suspeições de traição que pairavam no
ar. E isso trouxe um grande alívio para ambos, pois Zacarias
era um sacerdote, um fervoroso religioso, e José, que apesar
de um humilde camponês, tinha profundo respeito e
devoção pelas leis religiosas. E estas leis religiosas eram bem
claras em relação às mulheres infiéis: Deveriam ser
apedrejadas e mortas publicamente. E, logicamente, pelo
amor que devotavam às suas esposas, ambos não queriam ler
que fazer cumprir as leis divinas que determinavam a morte
de ambas por apedrejamento.
Restabelecer o convívio matrimonial foi mais do que um
alívio imenso para Zacarias e para José, pois foi também,
coincidentemente, um restabelecimento de suas saúdes. Vez
que, por motivos inexplicáveis, Zacarias havia perdido a voz
e José passara a ter sua saúde bastante debilitada, sem ânimo
sequer para o trabalho. E o restabelecimento das relações
conjugais de ambos resultou no coincidente
restabelecimento da saúde de ambos. Pois Zacarias recupe-
rou sua voz e José voltou ao trabalho com o ânimo que antes
havia perdido.
Pela época do nascimento de Jesus, em Cafarnaum, no
norte, na região da Galiléia, apareceram uns pregadores
religiosos, praticando a catequese e falando de um novo
mundo, um novo porvir. Iam de casa em casa, vestiam seus
paramentos religiosos, suas mitras (chapéus pontudos se-
melhantes aos chapéus de magos) e iniciavam suas prega-
ções. Falavam de um novo Deus, uma nova consciência,
uma nova ordem religiosa, e como era hábito nas pregações
de nômades vindos do oriente, faziam uma série de
previsões de futuro para os moradores que os recebiam em
troca de abrigo e comida. Até que deparando-se com o re-
cém nascido, Jesus, foram tomados por uma intensa energia,
um grande impacto e comoção. E como que inspirados ou
tomados por entidades divinas começaram a falar
torrencialmente e a fazer profecias a respeito do recém nas-
cido, principalmente em razão de seu nascimento ter coin-
cidido com a grande luminosidade do céu causado por uma
luz que não sabiam bem como explicar.
Entre as profecias que faziam para o recém nascido, uma
assustou muito a José e Maria. Exatamente a que predizia
que Jesus viria a ser um rei, que mudaria o mundo, iria trazer
muita paz, mas que antes disso seria responsável por muita
dor e sofrimento. (As profecias eram muito comuns na
época, e ainda hoje em dia o são não sob o nome de
profecia, mas como adivinhações ou "previsões do futuro"
pois muitas predições ou previsões são feitas
simplesmente por dinheiro ou para angariar simpatizantes
para seitas, ordens e religiões, e em geral dificilmente qual-
quer dessas previsões se concretiza)
José, apesar de camponês, bronco, estava acostumado com
previsões, vez que era muito comum a prática de adi-
vinhação ou premonição em troca de alimentos. Entretanto,
embora respeitasse e temesse certas previsões, como a
maioria das pessoas, ficou muito assustado e situado entre o
medo de estar traindo a sua religião judaica (por estar dando
ouvidos à religiosos de outra agremiação religiosa) e a
possibilidade de seu filho vir a ter um trágico destino
messiânico.
Então, José, usando como pretexto a possibilidade de poder
vir a se concretizar a profecia dos religiosos, e isso tornar-se
um risco para seu filho e para a sua família, diferentemente
das outras vezes em que José insistentemente tentou mudar-
se para Belém, sua terra natal, José aproveitou que dentro de
alguns meses seria a época de recenseamento judaico,
instituído por Roma para poder aumentar a coleta de
impostos, José passou a pressionar Maria para que ambos
fossem para Belém.
Após alguns meses, com muita insistência, José conseguiu
convencer Maria de que deveriam aproveitar a oportunidade
do recenseamento e irem juntos para a sua terra natal,
Belém, na Judéia, afastando-se, desta forma, de Cafarnaum,
na Galileia, e da proximidade de Herodes, o Grande, que po-
deria vir à saber da tal profecia messiânica dos religiosos da
nova ordem e insurgir-se contra seu filho, considerando-o
como uma ameaça ao império de Herodes, o Grande.
Embora Maria não acreditasse piamente que isso fosse
possível, pois aquela deveria ser mais uma das tantas
profecias que são feitas diariamente, a cada pessoa, em troca
de alimentos ou algum outro pagamento e que nunca se
concretizam, Maria, entre a dúvida e o medo, concordou
com a mudança para Belém e a longa viagem (cerca de 150
km, ou dois a três dias de viagem).
Das vezes anteriores em que José quis mudar-se de
Cafarnaum para Belém, Maria sempre demonstrava má
vontade com a viagem e recusava insistentemente alegando,
principalmente, que não podia viajar em razão de sua
gravidez. Mas agora, diante de uma ameaça de perigo real, e
com o filho (Jesus) já com alguns meses de vida, Maria
poderia, finalmente, atender à vontade de seu marido e ir a
Belém, ao menos por um breve período de tempo.
Procurando pousada em Belém, José e Maria buscam ajuda
com parentes, em especial na casa da prima Isabel. E ao
visitarem a casa de Zacarias e Isabel algo de inusitado
aconteceu. Pois o primeiro encontro entre João Batista e
Jesus foi arrepiante para os pais de ambos. Isto porque,
Zacarias e Isabel incentivavam a aproximação entre os pri-
mos e tentando ensinar João Batista a falar corretamente o
nome de seu primo Jesus (Jeshua). Ficavam repetindo:
"Seu primo, Jeshua (Yeshua), Jeshua (Yeshua), Jeshua
(Yeshua)".
Subitamente João Batista balbuciou algo como: "lesthus",
e abraçou Jesus apertado para só largá-lo após grande
insistência dos pais.
Foi um espanto geral, pois o que João falara ("lesthus") tanto
poderia ser "Jeshua" (Yeshua), como poderia ser "Ichtus",
que em grego significa "Peixe". Ou... o final da palavra
"Christus". Foi algo tão inesperado e surpreendente que
ninguém sabia o que realmente havia sido balbuciado por
João Batista e a estranha razão de tamanha afinidade
assombrosa, repentina e imediata entre João Batista e Jesus.
Embora isso possa parecer algo comum entre crianças, e até
mesmo possa acontecer muitas e muitas vezes entre pessoas,
o olhar de admiração de João Batista para Jesus e a paixão
instantânea que foi estabelecida entre ambos foi algo que
tornou-se marcante para os pais de João Batista e de Jesus
que chegou a assombrá-los, assustando-os mesmo.
Esse vínculo inexplicável entre João Batista e Jesus, como se
fossem "duas almas gêmeas", dois irmãos inseparáveis de
outras vidas, viria a se estender por toda a existência de
ambos.
Já havia se passado mais de seis meses do encontro de José e
Maria com os religiosos da nova ordem mitral, quando
Herodes, o Grande, por reclamação de religiosos hebreus,
temendo a concorrência de novas e proibidas religiões, com
adorações a novos deuses, toma conhecimento de que al-
guns religiosos de terras distantes, do Egito e da Índia, es-
tavam profetizando sobre gente do seu povo.
Chamados ao palácio de Herodes, o Grande, os religiosos da
nova ordem mitral apresentam-se a Herodes, o Grande, mas
nada do que foi dito por eles era novidade ou coisa que já
não tivesse ouvido. Eram as religiosidades de sempre e as
previsões habituais, das quais ele, Herodes, estava cansado
de ouvir. Aparentemente, eram só mais uns profetas e
visionários, iguais aos demais que trocam previsões por
dinheiro ou alimento, exatamente iguais aos tantos que
existiam espalhados da Judéia à Galileia. Entretanto, um
detalhe não escapou de Herodes, o Grande: O fato de que
entre as previsões havia uma que detalhava sobre um dos
primogênitos recém nascidos na Galileia que um dia viria a
ser rei.
Percebendo que Herodes, o Grande, havia se interessado em
especial pela profecia do novo rei e que hipocritamente mal
disfarçava sua ira ao solicitar aos religiosos mitrais que
fossem até Cafarnaum e Genesaré, recomendando que
fossem até a criança que viria a ser rei e trouxessem-na para
que ele mesmo, Herodes, o Grande, adorasse o "futuro rei".
Foi o suficiente para que os religiosos mitrais percebessem as
reais intenções de Herodes, o Grande.
Uma vez percebido as intenções mal ocultadas de Herodes,
o Grande, demonstrado por um incontido rancor sobre a
possibilidade de haver um rei ameaçando seu trono, os
religiosos da nova ordem, com a consciência pesada pelo
possível mal que tal previsão poderia causar, partem então
em busca dos pais de Jesus para alertá-los sobre o
descontentamento de Herodes, o Grande, e de uma possi-
bilidade de vingança ou retaliação sobre o "futuro rei".
Como José, Maria e Jesus não foram encontrados em
Cafarnaum ou em Genesaré, os religiosos mitrais começam
então a perguntar sobre o paradeiro deles, até que são
informados por amigos que a família havia se mudado para
Belém.
Como Belém ficava no sul, no exato caminho para o Egito,
de onde os religiosos mitrais haviam vindo, eles foram até
Belém, sua passagem obrigatória, e por estranha
coincidência encontram-se com José em um mercado pú-
blico (uma espécie de feira) e alertam do acontecido no
palácio de Herodes, o Grande.
Assustado, e temendo por sua família, José convence Maria
a fugir mais uma vez, posto que agora o perigo não era só
uma suposição, era real. E, aceitando a oferta de abrigo e
esconderijo oferecido pelos religiosos mitrais preparam-se
para uma fuga para o Egito, longe do alcance de Herodes e
seus filhos, que dominavam a Judéia e a Galiléia.
Temendo também pela vida de João Batista, seu sobrinho,
filho de Zacarias e Isabel, de quem tanto havia recebido
ajuda, José tenta convencer Zacarias e Isabel a deixar João
Batista fugir com eles para o Egito, uma vez que, segundo os
religiosos mitrais, Herodes, o Grande, iria mandar matar
todos os primogênitos nascidos nos dois últimos anos para
evitar que um rei nascesse em seu reino.
Sabendo que João Batista, agora com pouco mais de um ano,
se ficasse em Belém, iria ser morto pelos guardas de
Herodes, o Grande, pois João Batista era somente quase seis
meses mais velho do que Jesus, Zacarias consente em que
João escape com os tios para o Egito. Entretanto, Zacarias re-
cusa-se a ir junto, pois sendo um sacerdote muito conhecido
em Belém e pelo fato de ter tido um filho já em idade
avançada, com uma mulher tida como estéril, e que o fato
do nascimento de seu filho ser de grande conhecimento
público, Zacarias preferiu ficar em Belém, com Isabel, e
simular a morte do próprio filho, para garantir a sua
sobrevivência no Egito.
Nesse meio tempo, de fato, Herodes, o Grande, manda
vasculhar seu reino, da Galiléia à Judéia, em busca do tal
primogênito que poderia um dia vir a ser um rei. E após
longa e incessante busca, frustrada em seu intento em loca-
lizar o "menino-rei", e sentindo-se traído pelos religiosos
mitrais, que poderiam ter advertido à família do menino
sobre as suas reais intenções, eis que ele chega à conclusão
de que não tendo sido possível localizar pacificamente o tal
"futuro rei", a única solução seria mandar matar todos os
primogênitos, da Galiléia à Judéia, que tivessem menos de
dois anos de vida.
Ensandecido, Herodes, o Grande, passa das palavras à ação e
determina a "matança dos inocentes". Algo dantesco,
inimaginável, uma chacina terrível, cruel. Eram mães e pais
desesperados, vendo seus filhos sendo arrastados por sol-
dados de Herodes, o Grande, para serem assassinados fria-
mente, na presença do rei, para que ele tivesse a certeza de
que nenhum primogênito (varão) com idade inferior a dois
anos pudesse escapar com vida.
Embora nos níveis de hoje em dia, 30 a 40 crianças,
primogênitos do sexo masculino, possa parecer um número
pequeno, em razão da explosão demográfica do mundo
atual, proporcionalmente à população de cerca de dois mil
habitantes, entre Cafarnaum, Genesaré e Belém, é um
número altamente significativo, em termos de mortandade,
sem falar na crueldade que é, para um pai, a morte prema-
tura de um filho, primogênito ainda por cima.
Felizmente, graças à providencial informação dos religiosos
mitrais, Jesus havia escapado com vida da matança dos
inocentes. E João Batista também, pois tendo menos de dois
anos e se seus pais não tivessem sido alertados por seus tios,
dos riscos que corria, teria tido um triste fim caso houvesse
permanecido em Belém.
Durante três longos anos, José, Maria, Jesus e João Batista,
passam a viver no Egito, e com isso a conviver e a aprender
outra cultura, novas línguas, a confrontar sua religião com
outras religiões e a adquirir novos ensinamentos e a sofrer
um processo de aculturação. Que acabaram sendo
basicamente a "cultura de berço" de Jesus e João Batista.
Ao fim de três longos anos, eis que finalmente Herodes, O
Grande, vem a falecer, deixando seu reino para os seus
filhos: Herodes Antipas (Galiléia), Arquelau (Judéia) e Filipe
(Cesaréia de Filipe e Transjordânia). Quando então Zacarias
vai até o Egito e avisa a José e Maria da morte de Herodes, o
Grande, e que com isso eles agora poderiam voltar em paz,
pois o perigo de vida (ou de morte) para Jesus e João Batista
havia passado.
Foi uma festa enorme o retorno de Jesus e João Batista a
Belém. Zacarias e Isabel não cabiam em si de contentamento
pela volta de João Batista, e de seus primos e sobrinho. Até
porque, agora, após três anos sendo criados juntos, Jesus e
João Batista eram quase que como irmãos, a afinidade entre
os dois (um com quatro para cinco anos e o outro com três
para quatro anos) era algo incrivelmente indescritível. Pois
se desde o nascimento já havia algo de transcendental e
inexplicável entre os dois, imagine agora após os três
primeiros anos sendo criados juntos... como irmãos.
Embora houvesse uma afinidade muito grande entre José e
Zacarias, e entre Maria e Isabel, José não se sentia bem em
Belém, embora fosse sua terra natal. Algo de assustador e
muito negativo José via em Arquelau (filho de Herodes o
Grande) que governava a Judeia, pois seu perfil era de um
grande corrupto e meio louco. No íntimo José sentia que
Arquelau era muito parecido com o pai, Herodes, o Grande,
e que a loucura e os atos públicos de Arquelau, poderiam
causar grande revolta popular, ou até mesmo uma revolução
ou um período de muita conturbação (que de fato acabou
acontecendo), o que colocaria em risco a família de José.
Conseqüentemente, isto não inspirava confiança para que
José permanecesse em Belém.
A ter que escolher um lugar para morar dentre os três reinos
dos filhos de Herodes, o Grande, José escolheu retornar à
região da Galiléia, onde morara antes, e que agora era
governada por Herodes Antipas, filho de Herodes, o
Grande, e que parecia mais confiável do que o pai e o irmão
Arquelau. Vez que sua quase única e grande preocupação
era construir, construir e deixar um grande legado de
construções, de modo a deixar sua marca para a posteridade.
E foi assim que José mudou-se novamente para Cafarnaum
(na Galileia), às margens do Lago de Genesaré (Mar da
Galileia ou Mar de Tiberíades), vizinho às cidades de
Corozaim e Betsaida, onde ele tinha grandes amigos e
muitos conhecidos, o que, por sua vez, tornaria a vida mais
fácil para seus trabalhos.
Foi uma grande, sentida e dolorosa separação entre os quase
irmãos João Batista e Jesus e os parentes Zacarias e Isabel,
José e Maria.
Em Cafarnaum, a vida seguia normalmente para José e
Maria. Mas, no entanto, algo de muito estranho acontecia
com Jesus, pois, por mais que os pais tentassem ocultar e
esconder dos vizinhos os dons de Jesus, não conseguiam
ocultar um incontrolável poder dele sobre a matéria, que
causava danos, transtornos e problemas para os vizinhos e
para a comunidade.
Sem que Jesus desejasse, ou soubesse como, as coisas
aconteciam à sua revelia, coisas estranhas aconteciam ao seu
toque, e às vezes nem ao seu toque. Era algo inexplicável. E
por ser algo que ele, criança, não sabia como direcionar ou
controlar, logicamente muitas coisas boas aconteceram, mas
principalmente muitos problemas foram criados por Jesus
para José e Maria, que nada entendiam sobre o que se
passava.
O fenômeno mais comum era a telecinesia, explicada pela
parapsicologia (e no espiritismo) como a movimentação de
objetos inanimados, à distância, sem qualquer ação mecânica
humana.
Eram objetos que caiam sem que ninguém os houvesse
tocado, eram coisas que se moviam sem que ninguém
conseguisse explicar. E o estranho disso tudo é que todos
sabiam que era Jesus quem fazia aquilo acontecer, mas
quando ele era instado a fazer deliberadamente o que se
pedia para fazer acontecer, ele não conseguia... tinha o
poder mas não sabia como usá-lo ou direcioná-lo.
Logicamente, a fama dos acontecimentos não tardaram a se
espalhar pela vizinhança e não faltava gente apegando-se às
coisas de Jesus, como suas vestes, restos de suas roupas, água
em que ele tivesse sido banhado, qualquer coisa que ele
tivesse tocado ou usado, para serem utilizados como
amuletos de sorte ou objeto das mais variadas curas, sendo a
mais comum a de enfermidades. E como costuma acontecer
nos casos em que pessoas esperançosas de determinados
acontecimentos desejarem tanto, tanto, tanto a realização de
um acontecimento que, por sugestão, indução ou coisa que
o valha, muitos "milagres" (frutos do acaso, coincidência ou
não) passaram a ser atribuídos a Jesus.
Sua fama logo correria por toda a cidade e pelas cidades
vizinhas. E logo não tardaram a se formar verdadeiras
romarias ao menino abençoado, em busca de soluções de
problemas. Mas o que viam era simplesmente um menino
parecido com quase todos os meninos de sua idade e que
realizava coisas estranhas e inexplicáveis, mas todas elas
independente de sua vontade.
Por outro lado, não tardou que as opiniões ficassem divididas
à respeito dos "milagres" de Jesus. Uns achando que
realmente muitas pessoas foram curadas pelo seu toque
divino ou por objetos pertencentes a Jesus, mas muitos (a
maioria, frustrada por não alcançar a graça ou o resultado
esperado) achando que os casos acontecidos eram mera
coincidência, pois somente alguns casos (a minoria) havia
surtido efeito.
Os que alcançaram o resultado esperado acrescentavam ao
seu resultado alguns outros acontecidos com terceiros para
dar maior credibilidade e veracidade à sua história. E não
faltavam histórias de que Jesus ressuscitava pássaros mortos,
ou que matava pássaros acidentalmente. Ou que fazia
árvores secarem a um simples toque ou rebrotarem depois
de mortas. Ou que fazia levitação em pleno campo aberto.
Enfim, muitas histórias eram contadas a respeito de Jesus.
Por outro lado, muitos descontentes tratavam de espalhar
como falsos os poderes de Jesus e citavam casos e mais casos
de gente que havia buscado a cura e nada havia acontecido,
quando não havia piorado do estado em que estava. Gente
que estava "quase" sadia e que morrera sem maiores
explicações. Enfim, as opiniões dividiam-se muito, até que
com o passar do tempo as pessoas passaram a conviver com
naturalidade com as coisas estranhas que Jesus fazia, e não
tardou que Jesus voltasse à vida normal de qualquer criança.
E as coisas inexplicáveis que Jesus fazia passaram a ser
recebidas sem espanto ou sem maiores alardes.
Como as coisas ditas, boas e ruins, sobre uma pessoa não
ficam aprisionadas e circunscritas ao seu convívio direto,
não tardou que a fama de Jesus chegasse a um ou outro em
Belém e em Jerusalém. E em lá chegando a fama dos
acontecimentos de Jesus, não tardou que chegasse ao
conhecimento de seu tio, Zacarias, um conhecido sacerdote
hebreu.
Tão logo pôde, Zacarias foi a Cafarnaum, a pretexto de uma
visita para conhecer Tiago, o mais novo filho de José e Maria
e de aproveitar dos prazeres da vida próxima ao mar, no lago
de Genesaré. E em lá chegando, demonstrou enorme
satisfação pelo seu mais novo sobrinho, Tiago, mas, sem
disfarçar, apressou-se a verificar o que ouvira a respeito de
Jesus. E para sua surpresa, constatou a realidade e assustou-se
com as coisas que via e com os poderes de seu sobrinho
Jesus. Para, logo em seguida, recuperando-se do susto, ter
uma visão muito clara do proceder.
A José, Zacarias confessa, então, estar ensinando a seu filho
João, a ler e escrever, juntamente com fundamentação
religiosa (Para a época, saber ler, escrever e interpretar era
muito pouco comum para as pessoas de uma maneira geral.
O ensino básico era aprendido, em geral, para somente
alguns privilegiados, na juventude).
Zacarias, mostrava-se espantado com os prodígios de seu
filho João Batista, com alguns de seus poderes inexplicáveis
(semelhantes aos de Jesus) e confessava-se temeroso de
ensinar na mesma velocidade com que seu filho aprendia. E,
por isso, ele preferia que João Batista fosse educado de
maneira mais competente por sábios religiosos, estudiosos,
próximo a Belém, em Monte Carmelo ou Qunram. E, sendo
João Batista e Jesus praticamente irmãos, e com claros dotes
especiais e incomuns de pessoas super especiais, ele,
Zacarias, entendia que seria bastante proveitoso para Jesus se
José permitisse que Jesus fosse aprender o ensino
fundamental (ler, escrever e interpretar) juntamente com
seu primo João Batista.
A primeira reação de José foi totalmente negativa. Era
inconcebível entregar Jesus para Zacarias para que ele
enviasse Jesus e João Batista para serem educados por sábios
em um mosteiro em Monte Carmelo ou Qunram. A resposta
era "não", "não" e "não".
José, entre assombrado e curioso, questiona então a Zacarias
se, sendo ele um sacerdote saduceu, não o incomodava ou se
não era um contra-senso confiar a educação de seu próprio
filho João a um grupo essênio. No que Zacarias contesta e
garante que quer para seu filho o melhor que a cultura
pudesse dar. Descontente com sua própria religião, Zacarias
diz que Belém e Jerusalém estão à beira do caos, com
corrupção moral e de costumes, uma versão "moderna" de
Sodoma e Gomorra. Os ensinamentos religiosos dos
saduceus e dos fariseus estavam menos educando do que a
própria ignorância. Por isso, a melhor solução para a
educação estava em tirar João Batista de Belém ou Jerusalém
e enviá-los a quem pudesse dar bons ensinamentos de base e
uma sólida orientação religiosa ortodoxa, pautada na
humildade, na caridade e na sabedoria do
autoconhecimento.
Zacarias, apelando para o sentimentalismo e para a dívida de
gratidão, argumentou com José que pelo bem de seu filho
uma vez confiara a vida de João Batista a José, quando da
fuga para o Egito. Agora, não era só uma questão de
confiança, mas José deveria pensar primeiro no futuro e
bem estar de Jesus antes de querê-lo agarrado a si, sem dar
uma chance dele ter uma oportunidade de ser alguma coisa
diferente de um simples camponês. E, de mais a mais, José
não poderia esquecer que Jesus iria ser tratado como a um
filho, como é habito entre os essênios, e que iria estar
permanentemente na companhia de seu quase irmão João
Batista, o que seria ótimo para a formação de caráter e o
desenvolvimento de ambos.
Maria foi mais sensível às palavras de Zacarias do que José.
Ela reconheceu de imediato que Zacarias iria fazer por Jesus
o mesmo que iria fazer por seu filho João Batista. Iria dar-lhe
a melhor instrução, o melhor preparo para a vida e quem
sabe ter até um destino conforme o previsto nas profecias...
e, de mais a mais, Maria e José não ficariam sós, vez que
estavam com um filho nascido há pouco (Tiago) e Maria já
estava grávida de outro.
E foi dessa maneira, com o apoio de Maria e com José meio
a contragosto, que Jesus foi enviado por meio de Zacarias
para ser educado junto com seu primo João Batista.
No início, João Batista e Jesus foram enviados para a
iniciação dos ensinamentos não em Qunram, mas no mos-
teiro essênio em Monte Carmelo, ao sul de Belém e Jerusa-
lém, onde tiveram a instrução elementar. Posteriormente,
foram enviados para Qunram para a fase mais profunda e
madura do aprendizado.
Durante o período em que estiveram sob a orientação dos
essênios, João Batista e Jesus receberam várias vezes as
visitas de seus pais, o que não era um fato comum entre os
internos do mosteiro. Nas principais festas religiosas eles iam
para a casa de suas famílias e para as celebrações festivas. E a
cada ano João Batista e Jesus iam passar uma curta temporada
em casa com seus pais, o que também era algo incomum, e
que denotava um tratamento especial e diferenciado que era
destinado a Jesus e a João Batista.
Esta liberdade de ir e vir e este procedimento pouco
comum, permitido a João Batista e a Jesus, criava um grande
embaraço e constrangimento entre os essênios. Isto porque,
em geral as crianças eram entregues nos mosteiros essênios,
nas mais tenras idades, eram tratados verdadeiramente como
filhos, e somente após estarem totalmente prontos, na
puberdade, com o caráter bastante forjado com sólidos
ensinamentos, é que voltavam a ter saídas mais freqüentes
dos mosteiros e contatos com seus familiares. Entretanto,
percebendo a luz interior de ambos e os seres especiais que
eram João Batista e Jesus, foram-lhes concedidas condições
diferenciadas e especiais de tratamento.
Embora Jesus fosse pobre (e João Batista nem tanto), o
aprendizado da leitura e da escrita, assim como a
interpretação de textos, parábolas e ensinamentos era algo
incomum e quase inalcansável para sua classe social. Essa
aculturação provocou uma gradativa ascensão social de Jesus,
que passou a freqüentar e a privar de determinados grupos
sociais, antes inatingíveis para a sua classe social.
Judeus convictos, circuncisados desde os oito dias do
nascimento (nota do autor, deixar a palavra circuncisado,
pois circuncidado é mais uma das tantas "preciosidades" de
dicionaristas), aos 12 anos João fez o seu tradicional Bar
Mitzvah (uma festividade judaica que consiste na entrada da
puberdade, onde a criança deve justificar e dizer aos adultos
como e porque merece adentrar à vida adulta), o que não se
constituiu numa grande surpresa, pois sendo João Batista um
filho de um sacerdote, presumia-se uma grande cultura
capaz de impressionar os mais velhos, no templo, no seu
discurso de entrada na juventude. Era algo esperado. Mas,
quando no ano seguinte Jesus fez seu Bar Mitzvah, que para
surpresa geral ninguém esperava tamanha fonte de
conhecimento por parte de um humilde filho de camponês,
foi algo absolutamente marcante, isto porque, além de
demonstrar um incrível e fantástico conhecimento,
incompatível para um filho de camponês (os religiosos do
templo não sabiam da instrução essênia de Jesus), e por isso
Jesus foi sendo mais e mais questionado pelos mais velhos, e
quanto mais questionado, mais conhecimento Ele
demonstrava. A ponto de estarrecer os sacerdotes e seniores
do templo, com tamanho conhecimento das leis religiosas,
bem como demonstrando uma impressionante cultura geral.
Inegavelmente, Jesus era o irmão destacado de uma família
comum, tradicional da época. Nada de especial havia sido
manifestado em seus irmãos. Tiago já estava bastante
crescido, com quase sete anos. Os outros irmãos, José,
Simão, e Judas, eram crianças absolutamente normais, co-
muns. Sem que merecessem registro destacado. Mas, para
Jesus (e também para João Batista) de certa maneira, a che-
gada dos doze/treze anos acabou marcando não só uma
posição de passagem para a adolescência, como expôs de
maneira mais acirrada as contradições entre a doutrina e a
vida dos essênios e o convívio com os demais grupos judeus,
como os saduceus e os fariseus. As disparidades eram muito
grandes e gritantes.
Os essênios, por seu turno, não estavam contentes com os
rumos das vidas duplas de costumes diferentes de João
Batista e Jesus. Assim como eles (Jesus e João) não estavam
plenamente satisfeitos em ater-se a uma só cultura. A
curiosidade e a fome de saber consumiam os dois jovens. E,
coincidentemente, estava chegando o momento de ambos
decidirem (ou os pais de ambos) se iriam dar seqüência à
doutrina essênia, optando por tornarem-se mestre (rabi) ou
sacerdote essênio, ou se optariam por outro tipo de rumo ou
religiosidade.
De certo, certo mesmo, somente as sólidas bases de cultura
geral e religiosa, passadas pelos essênios, que eles haviam
adquirido. Mas, isso era muito pouco ante o fogo e a fome de
saber que ardia em ambos, visto que eles ansiavam por mais
e mais conhecimentos, que eles sabiam que existia mundo a
fora, e que por esta razão não se contentavam com o que
tinham, apesar de muitos acreditarem que era conhecimento
suficiente. Mas que para eles era muito pouco.
A inquietude e o fogo da adolescência empurravam João
Batista e Jesus para aventuras além das terras da Palestina. Os
propalados mistérios do Egito e da índia, e mais os desafios
de suas culturas e religiosidades, colocavam os agora jovens
João Batista e Jesus em verdadeiro estado de tormento e
ânsia pelos desafios que se apresentavam.
Com a chegada da juventude aumentaram a inquietude, a
angústia e o tormento. O chão queimava sob seus pés.
Foram mais alguns anos vivendo a contragosto entre a
Galiléia e a Judéia, até que a força e o ímpeto da juventude
os empurrou definitivamente para o mundo de aventuras em
viagens de experiências fantásticas.
Foram viagens ao Egito (a sudoeste), para rever velhos
conceitos, ensinamentos e relembrar dos primeiros anos de
vida, quando haviam fugido para o Egito e passados os
primeiros anos de suas vidas. Mas, o principal motivo das
viagens era o de confrontar e adicionar novos conhecimen-
tos, verificando, de perto, ciências que despertavam enorme
curiosidade como o ocultismo, previsões e o zoroastrismo
(Religião de Zoroastro ou Zaratustra, nascido na Média, no
século sete a.C., criador da casta dos magos e reformador do
masdeísmo religião antiga dos iranianos = persas e medas
-, caracterizada pela divinização das forças naturais e pela
admissão de dois princípios em luta, aura-masda e arimã (o
bem e o mal), do qual conservou-se a concepção dualística
do universo.)
Como conseqüência da curiosidade pelos conhecimentos
egípcios (os essênios cultuavam muito a cultura egípcia e
respeitavam a influência que tiveram da ramificação da
Grande Fraternidade Branca, fundada no Egito pelos
ascendentes do faraó Akenatom, em cerca de 1450 a.C.),
interligado aos conhecimentos dos persas (Irã), e à cultura
budista da Índia e do Nepal, mormente referente à medita-
ção transcendental dos monges tibetanos e aos ensina-
mentos humanitários, pacifistas e adeptos da não-violência,
isto sem falar em reencarnação, vida eterna e evolução
espiritual (que o judaísmo saduceu e fariseu se furtavam a
discutir e sequer queria ouvir falar), não tardou que uma
longa jornada fosse empreendida no sentido oposto ao Egito.
Ou seja, seguindo a Rota de Seda, a nordeste (Síria e Turquia)
e depois ao sudeste e sul, atravessando os países hoje
conhecidos como Iraque, Irã, Paquistão, Índia e Nepal.
A vida de Jesus, dos 16 aos 28 anos, período em que esteve
em constantes viagens e aprendizado no extremo oriente,
pode ser lido em diversas publicações de diversos
pesquisadores (conforme citado em grande bibliografia
anexa), mas de uma maneira séria e inconteste, pode ser
confirmado pela própria igreja católica, na biblioteca do
Vaticano, onde existem 63 (sessenta e três) manuscritos
variados, em diversas línguas orientais, referindo-se às via-
gens de Jesus ao extremo oriente: Egito, Arábia, Síria, Tur-
quia, Índia, Nepal e China, com especial vivência na índia e
no Nepal, onde Jesus era conhecido e chamado de "Issa",
conforme constatado em 1887 pelo pesquisador russo, da
Criméia, Nicolai Notovitch.
Outros manuscritos (atos e evangelhos) que tratam do
assunto, e que por isso mesmo haviam sido banidos pela
igreja nos primeiros quinhentos anos da era cristã, foram
redescobertos e trazidos por missionários cristãos, entre eles
os Atos de Tomé, publicados em 1823, Atos de Barnabé,
publicado em 1870, o evangelho de Pedro 1893, o evange-
lho secreto de Tomé, descoberto no alto Egito, em 1945,
dois anos antes (1947) dos manuscritos (Qunram) do Mar
Morto.
Outro que pesquisou a fundo estes documentos no Vaticano
foi o alemão Holger Kersten, o que ensejou a autoria do
livro "Jesus viveu na Índia", onde descreve com riqueza de
detalhes a longa estada de Jesus ("Issa") na índia e no Nepal.
E não diferente são os estudos e pesquisas do teólogo-
pesquisador russo Nicolai Notovich, que aliás foi o primeiro
a descobrir (em 1887) os manuscritos sigilosos da biblioteca
do Vaticano, e que foram por muito tempo ocultados do
mundo cristão, assim como seu livro "A vida desconhecida
de Jesus" (The unknown life of Jesus).
Portanto, escrever sobre a vida de Jesus, dos 16 aos 28 anos,
baseado em manuscritos do Vaticano e livros sérios já
editados e confirmados, parece ser um ato repetitivo e que
muito pouco acrescentaria ao relato atual sobre a vida de
Jesus, vez que o foco de nossa abordagem é especificamente
"A Sociedade Secreta de Jesus".
Assim sendo, retornemos a Jesus e João Batista, aos 27 e 28
anos, após as longas viagens de ambos ao extremo oriente.
De volta à Palestina, impregnados de novos e sólidos
conhecimentos religiosos, do zoroastrismo ao budismo, com
uma visão espiritualista amplificada, Jesus e João Batista
deparam-se com uma terrível corrupção de costumes, da
Judeia à Galileia. Era como uma antevisão muito próxima de
Sodoma e Gomorra. Havia uma séria inversão de valores e
uma tremenda injustiça social que infelicitava e empobrecia
cada vez mais o povo.
A política dos romanos era perversa. Exigiam mais e mais,
cada vez mais e contavam com total apoio e cumplicidade da
elite dos judeus (saduceus) para ajudar cada vez mais a
Roma. Enquanto que os judeus pobres e os gentios (não-
judeus) viviam em lastimável estado de miséria.
A tática dos romanos era mais ou menos simples: Não
impunham seus Deuses e as várias divindades do panteão
romano, e permitiam que a elite dos judeus (saduceus),
sabidamente corrupta e canalha, controlasse o povo pela
religião casuística deles e pela cega e inconteste adoração a
Javé. Em troca, exigiam que os saduceus sangrassem o povo
ao máximo, com tributos escorchantes, para "honra e glória
de Roma". E com isso o povo tinha que trabalhar mais e
mais, cada vez mais, para sustentar essas duas classes da elite
parasitária.
É certo que isso (injustiça social e corrupção de costumes,
principalmente a desenfreada libertinagem que havia se
instalado nas classes dominantes) revoltava e indignava
terrivelmente a João Batista e a Jesus. Mas cada um tinha sua
revolta particular dirigida para um foco da questão. À João
Batista indignava mais a promiscuidade, a libertinagem, a
devassidão e a corrupção de costumes. À Jesus indignava
mais a corrupção religiosa, pois os templos haviam se
transformados em verdadeiros mercados e casas de câmbio,
onde alguns dos impostos só poderiam ser pagos com a
moeda "tetradracma tíria", que obrigatoriamente tinha que
ser trocada no templo dos saduceus (como se fosse uma casa
de câmbio), enquanto que ao mesmo tempo os espertalhões
saduceus obrigavam sob ameaça dos "fiéis" arderem em
fogo eterno do inferno aos pobres coitados ansiosos por
melhorar de vida, que para melhorarem de vida tinham que
fazer sacrifício de animais, comprar amuletos e oferendas no
templo, pagar dízimo, e seguir determinados rituais que
beneficiavam diretamente os gerentes e mercadores do
templo.
O poder de exploração da ignorância alheia pelos gerentes e
mercadores do templo dos saduceus era de tal ordem que
aos pobres "fiéis", amedrontados ante o fogo eterno do
inferno, nem o direito de trazer seus próprios animais para
serem sacrificados era permitido. Nem trazer sua água para
ser benzida. Nem trazer seus azeites e óleos para serem
benzidos. Nem trazer seus próprios amuletos. Tudo isso era
considerado impuro pelos vigaristas do templo. Os "fiéis"
ignorantes só podiam oferecer em holocausto animais
"puros", comprados com exclusividade no templo dos
vigaristas. A água, os azeites, os óleos e os amuletos para
serem santos, bentos, tinham que ser "puros" e para isso
tinham que ser comprados no templo dos gerentes, sacer-
dotes e mercadores vigaristas, que detinham uma exclusiva
reserva de mercado, concedida por Roma em retribuição
à subserviência dos saduceus e fariseus e que ao mesmo
tempo era garantido pela ignorância do povo ameaçado pela
igreja. (Esta exploração religiosa da ignorância, desejada e
mantida por uma igreja que se pretende fazer e manter
próspera, em benefício dos gerentes do templo, foi o que
tanto irritou Jesus a ponto de em determinada ocasião
perder o controle e expulsar os vendilhões do templo).
Não se pode nem dizer que as lutas de João Batista e Jesus
ficaram centradas somente neste aspecto de revolta contra a
exploração do povo e as desigualdades sociais. Claro que isso
não é a verdade inteira. Isso era, também, um tema e um
assunto de interesse permanente dos revolucionários
ultranacionalistas zelotes. Que infelizmente tinham uma
visão desfocada do problema e a tudo atribuíam a culpa a
Roma, esquecendo-se que seus próprios irmãos judeus
(saduceus e fariseus) eram os maiores culpados de tudo.
Não se pode esquecer e nem perder de vista que de alguma
forma este aspecto de uma vida corrupta e mundana de
romanos, saduceus e fariseus, influenciou o direcionamento
e a vida de João Batista e de Jesus.
Estas corrupções, religiosa que tanto revoltou, irritou e
angustiou Jesus e a de costumes, pela degradação de
valores morais, ligados à libertinagem e devassidão que
tanto revoltou, irritou e angustiou João Batista, acabaram
sendo decisivas para suas vidas e responsáveis pela "sorte" e
tragicidade de seus destinos.
Os quase irmãos, João Batista e Jesus, decepcionados com a
permissividade e corrupção instalada por toda a Palestina,
vendo e assistindo a degradação de Belém e Jerusalém
espalhando-se por toda a Judéia e Galileia, voltam então ao
mosteiro essênio em Qunram para retomar seus antigos
contatos, trocar conhecimentos e experiências com os
"irmãos" essênios, e estabelecer uma forma de resistência e
luta contra o que estava acontecendo com o povo hebreu
(judeu).
Puros como o branco das roupas que vestiam (conforme já
explicado, o branco não era uma cor tão comum quanto
possa parecer. Ao contrário, eram raros os tecidos brancos,
bem brancos, pois como os tecidos eram todos feitos
artesanalmente, por isso tinham a cor crua original e
característica dos tecidos (bege) ou a cor de seus tingimentos
mais berrantes: vermelho, azul, amarelo, etc. Exceto o bran-
co que era uma descoloração difícil de ser conseguida) os
essênios juntaram-se a João Batista e a Jesus em suas preo-
cupações quanto à corrupção de costumes que havia tomado
conta do povo hebreu (judeu), associado à degradação dos
romanos.
Algo deveria ser feito para conter aquele avanço
incontrolável de devassidão e corrupção. E foi exatamente
diante deste quadro que um grupo de essênios (não era a
maioria) resolveu organizar um combate sistemático à po-
dridão de costumes que campeava pelas cidades.
Inicialmente falavam em ir às ruas fazer pregações e usar o
poder de convencimento. Mas esta idéia encontrou bastante
resistência por vários motivos. Primeiro, porque os essênios
mais velhos e tradicionais primavam pela vida reclusa dos
mosteiros e não se aventuravam por pregações abertas em
ruas. Segundo, porque a pregação aberta em ruas envolveria
críticas além da religiosidade e esta não era a finalidade da
religião essênia. Aliás, sem sucesso os zelotes já criavam
tumulto suficiente (e sem muito sucesso) combatendo e se
insubordinando contra a corrupção de costumes dos
romanos, dos saduceus e dos fariseus. Terceiro, porque
grande parte das críticas iria encontrar resistência religiosa
junto aos grupos saduceus e fariseus, com conseqüências
drásticas para os essênios, onde a menor delas seria a
perseguição pessoal aos essênios: Quarto, porque
identificando abertamente os revoltosos essênios eles seriam
presas fáceis e colocariam em risco não só suas vidas como a
de seus familiares.
Era uma situação extremamente difícil, mas da necessidade e
do debate surgiu então uma solução alternativa, qual seja:
uma irmandade, uma fraternidade, uma sociedade agindo
secretamente em princípio desvinculada dos mosteiros
essênios visando combater a corrupção de costumes e de
religião, onde seus membros usariam nomes falsos de
batismo de modo a dificultar as suas identificações e para
não terem seus parentes, familiares e amigos perseguidos.
Suas regras de funcionamento eram bastante simples. Iriam
fazer pregações dos conceitos religiosos tradicionais dos
essênios (ampliados e associados aos conhecimentos
religiosos adquiridos por João Batista e por Jesus, quando de
suas viagens ao extremo oriente. Basicamente índia, Nepal e
China); iriam revolucionar e despertar a religiosidade de
cada pessoa, iniciando pelo renascimento, pelo batismo,
dando a cada alma uma nova oportunidade de renascimento
e uma vida nova a cada pecador. Iriam manter rituais
sagrados como a eucaristia (pão e vinho) para selar os laços
da arca da amizade. Iriam pregar a paz e o amor acima de
todas as coisas, pois só a paz e o amor conduzem à harmonia
com Deus. Iriam pregar a busca da verdade como meta a ser
alcançada, sempre, como uma forma de libertação (até para
que os fiéis parassem de ser enganados por pregadores
vigaristas). Iriam pregar a reencarnação e a vida eterna,
como a base da esperança de vida do ser humano e
estabelecer um ritual de reza (mantra) com as principais
aspirações do ser humano, conforme encontram-se
colocadas no hino dos essênios, sobre as bem-aventuranças.
Estas eram as principais metas de orientação. Mas ainda
faltava a questão prática de operacionalidade. Ou seja, como
fazer isso tudo funcionar sem despertar a ira dos saduceus e
dos fariseus.
Assim como a sociedade dos essênios, a sociedade secreta
que dali estava surgindo iria ser dividida por respon-
sabilidades. Os mais capacitados iriam formar a base da
sociedade secreta, num grupo de doze mestres, rabinos, que
iriam buscar a evolução dentro do grupo, para que
posteriormente cada um dos doze mestres viesse a formar
seu próprio grupo de doze, onde cada um dos doze formaria
novo grupo de doze discípulos e assim sucessivamente,
numa progressão matemática assustadora. Ou seja, a missão
não buscava somente convencer o discípulo às convicções
religiosas, mas convencê-lo a convencer outros, que
convenceriam outros e assim sucessivamente, sempre em
grupos fechados e sucessivos de doze.
Para que os membros da sociedade secreta não pudessem ser
identificados publicamente, ou pelo menos dificultar a sua
identificação, todos teriam um novo nome dentro da
sociedade, adquirido depois de um batismo especialmente
feito para celebrar a entrada de cada membro na sociedade
secreta, e por este nome deveriam ser tratados em público
para que nenhum vínculo pudesse ser estabelecido com suas
famílias e seus amigos, ou que pelo menos fosse dificultado a
identificação direta, e com isso preservar a segurança
familiar e o círculo de amizades dos pregadores.
O símbolo da sociedade seria o peixe, um dos poucos seres
vivos que comiam e que representa o milagre da vida, a
fonte de energia e alimentação da sabedoria dos seres
humanos e a perpetuação das espécies, pois mesmo sendo
adeptos de um parcial vegetarianismo, os essênios enten-
diam que o homem precisava de nutrientes animais para a
sua dieta, sustentada pobremente à base de vegetais, e que o
peixe e o sal, ligado ao peixe, tinham um significado sim-
bólico de sobrevivência do ser humano e por isso o peixe foi
escolhido como um símbolo muito especial para a sociedade
secreta originária dos essênios ("Vós sois o sal da terra.
Imprescindíveis. Sem o sal não há gosto, não há vida. Sem o
peixe não há alimento que haste ao homem sobre a Terra, e
sem alimento o homem não vive").
E aperfeiçoando o símbolo do peixe, foi sugerido que o
perfeito equilíbrio e a perfeita harmonia do peixe seria
exatamente a colocação de dois peixes em posições opostas.
Ou melhor, um peixe com a cabeça apontada para a cauda
do outro, dando a dimensão exata da harmonia e do
equilíbrio, que poderiam significar, o bem e o mal, o certo e
o errado, o dia e a noite, o corpo e a alma, a matéria e o
espírito, num eterno dualismo.
Do símbolo do peixe surgiu o sinal (código) de comunicação
secreta da sociedade em público. Pois, os membros da
sociedade, que eventualmente não se conhecessem entre si,
ou que quisessem ter uma conversa reservada, longe dos
olhos das demais pessoas identificavam-se pelo desenho do
peixe. Ou seja, faziam um arco como se fosse um
semicírculo, abrindo os dedos polegar e indicador, e o outro
membro da irmandade fazia o mesmo, e em seguida
tocavam polegar com polegar e faziam o dedo indicador
passar pelo indicador de seu companheiro, completando,
com isso, o desenho de um peixe.
Vezes havia em que este mesmo desenho era feito riscando-
se na areia, com gravetos ou com os próprios dedos, fazendo
cada um o seu semicírculo, que juntos, ao se cruzarem,
perfaziam o desenho do peixe.
Partindo do planejamento teórico para a prática, ini-
cialmente foram nomeados doze jovens mestres (Jesus, João
Batista, Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob, Aarão, Josias,
Nicodemos, Amós, Silas e Oséas), indicados pelos doze
mestres veteranos que dirigiam a comunidade essênia. Estes
mestres veteranos, que elegeram os doze membros da
sociedade secreta, mas que a ela não pertenciam, em prin-
cípio não iriam se envolver diretamente com as atividades
da sociedade secreta, mantendo suas vidas normais como
mestres essênios, reclusos nos mosteiros. Enquanto isso,
cada um destes doze jovens mestres (rabi), membros da
sociedade secreta, deveria ir buscar junto ao povo, através de
pregação, doze discípulos (cada um) para segui-los e levar
adiante a sociedade secreta, para que no futuro cada
discípulo constituísse sua própria irmandade de doze, e
assim sucessivamente. Este era o sistema de irradiação de
idéias que daria sustentação prática à sociedade ou irman-
dade.
Para cada um dos membros da sociedade secreta, além das
atividades normais desenvolvidas, caberia uma atividade
específica e prioritária. A Jesus coube a pregação visando a
recuperação da religiosidade e a recomposição das tradições
religiosas, contra o mercantilismo dos templos. A João
coube a pregação contra a libertinagem, a devassidão, e a
corrupção dos costumes. Aos outros dez (Benjamim,
Samuel, Isaac, Jacob, Aarão, Josias, Nicodemos, Amós, Silas,
Oséas) coube temas diferentes como orientadores de suas
pregações e objetivos.
E foi com esta sociedade secreta instituída e constituída
dessa forma que Jesus e João Batista iniciaram as suas
pregações específicas pela Judeia e pela Galileia, cumprindo
a grande orientação e determinação da sociedade essênia:
"Ide. Batizai a todos. Pesquem almas como peixes".
Em muito pouco tempo, João Batista na Judeia e Jesus na
Galiléia já haviam conquistado seus doze discípulos, embora
vivessem rodeados de um número muito maior de
seguidores do que o número de doze discípulos. A
receptividade às suas pregações eram fantásticas, imediatas,
muito além do que havia sido planejado ou esperado. Eles
diziam exatamente aquilo que o povo, cansado da de-
gradação moral e religiosa, queria ouvir. Logo se formavam
imensos grupos e pequenas multidões para ouvir os prega-
dores essênios, sem que fosse dito obviamente que
eles eram essênios ou sequer que pertenciam a qualquer
religião. Pois até mesmo nos templos dos saduceus eles
faziam as suas pregações livremente, como rabinos inde-
pendentes, vez que eles não se definiam a que ramo hebreu
pertenciam. Foi uma revolução de pregação religiosa como
nunca dantes vista.
Às margens do Lago Genesaré (Mar de Tiberíades ou Mar da
Galiléia), com todos os seguidores reunidos, especialmente
convocados para uma grande reunião, Jesus explicou que,
dentre todos, dezenas de seguidores, Ele iria convocar 12
(doze) discípulos que iriam assumir a função de apóstolos e
que iriam seguí-lo permanentemente. E após a escolha dos
doze discípulos, Jesus explicou a cada um o funcionamento
da Sociedade Secreta de Jesus, de modo a que cada um dos
doze se tornasse responsável pela difusão e propagação das
idéias da sociedade secreta.
Os discípulos escolhidos eram, e sua esmagadora maioria, da
Galiléia, e por isso tinham uma forte ligação com o mar, com
a pesca, com o peixe, até por serem, na maioria, pescadores
ou viverem nas proximidades do mar. Os 12 (doze)
primeiros discípulos a quem Jesus batizou como membros
da Sociedade Secreta de Jesus foram: Simão a quem Jesus
batizou como Pedro; André irmão de Simão/ Pedro;
Bartolomeu a quem Jesus batizou como Natanael; Levi a
quem Jesus batizou como Mateus; Tomé a quem Jesus
batizou como Dídimo; Tiago a quem Jesus batizou como
Boanerges Maior; João irmão de Tiago e filho de Zebedeu, a
quem Jesus batizou como Boanerges Menor (os irmãos
Filhos do Trovão); Tiago irmão de Judas Tadeu e filho de
Alfeu; Judas Tadeu irmão de Tiago e filho de Alfeu; Filipe;
Simão o cananeu e Judas Iscariotes, que por ser o mais
próximo e chegado a Jesus e de sua maior confiança foi
escolhido como o tesoureiro da irmandade de Jesus. Isto
porque, em cada irmandade de 12 membros sempre havia
um tesoureiro, independente, para que cada irmandade
trabalhasse de forma autônoma e independente, ficando o
tesoureiro responsável pelo controle das doações recebidas e
do fruto do trabalho de cada um dos membros da sociedade,
de modo a garantir a manutenção e sustento da irmandade.
Junto com a nova vida os discípulos eram instruídos da
importância do novo nome que assumiam perante a
Sociedade Secreta de Jesus e as razões de se ter uma outra
identidade, de acordo com os preceitos da sociedade a que
agora pertenciam. E como uma recomendação de prática
religiosa, seguiam o conselho de Jesus:
"Ide pelo mundo. Eu vos dou a Minha autoridade. Pregai
a liberdade, a vida nova e a revolução pela paz. Não carre-
guem nada exceto o que Deus vos deu. Usem vestimentos
simples, carreguem somente um cajado e calcem as sandálias
da humildade do pescador. Eu vos farei pescadores de
homens. Batizai a todos. Pescai almas como peixes. E Eu
estarei convosco até o fim dos tempos.", Disse Jesus.
Além dos doze discípulos, Jesus foi chamando e batizando
um a um de seus demais seguidores (eram dezenas, no
início, e chegou rapidamente a milhares posteriormente),
sem dar-lhes novos nomes, pois o batismo especial da
sociedade secreta era aplicável somente aos doze membros,
apóstolos, discípulos da Sociedade Secreta de Jesus. E pelo
batismo aos demais seguidores Jesus foi purificando-os pela
água, e explicando o significado e a importância do batismo,
demonstrando que à partir daquele ritual cada um estaria
tendo a oportunidade de começar uma vida nova, in-
dependentemente dos erros e dos pecados anteriores. Essa
era a idéia da conversão batismal.

(Nota do autor: A fim de evitar confusão de alguns nomes ao
longo do relato, esclareça-se que existiam muitos nomes
comuns e corriqueiros para a época, razão pela qual deve-se
fazer distinção entre eles, quais sejam:
Tiago irmão de João e filho de Zebedeu
Tiago Irmão de Judas Tadeu e filho de Alfeu
Tiago irmão de Jesus e filho de José
Judas (Tadeu) irmão de Tiago e filho de Alfeu
Judas (Iscariotes), o tesoureiro, a quem atribuiu-se traição.
Judas irmão de Jesus
José pai de Jesus
José irmão de Jesus José (de Arimatéia)
Simão discípulo a quem Jesus chamou de Pedro.
Simão irmão de Jesus
Simão o cananeu
João (Batista) Primo de Jesus, que batizou Jesus e teve
uma vida fantástica, paralela à de Jesus.
João (Evangelista) A quem atribui-se um dos evange-
lhos e que vaidosamente e pernosticamente arrasta seus
escritos insinuando-se como "o discípulo a quem Jesus
amava" (Como se Jesus só amasse a ele)
Maria mãe de Jesus
Maria (Madalena) seguidora de Jesus
Maria irmã de Jesus
Maria irmã de Lázaro

Na escolha dos discípulos de Jesus e de João Batista, de
imediato, apresentou-se uma grande e quase irreconciliável
diferença. Pois, enquanto João Batista escolheu, como
discípulos, basicamente jovens de vida regular e correta,
praticamente sem grandes vícios aparentes e que por isso
mesmo foram facilmente doutrinados, Jesus escolheu uma
corja, um bando totalmente heterogêneo. Pessoas comuns, a
maioria muito mais velha do que ele, com muitos vícios e
muitos pecados, inclusive com descrentes e materialistas
absolutos dentre eles.
Certa feita, após um banquete na casa de Levi, o publicano
(coletor de impostos) a quem Jesus batizou como Mateus (a
quem atribui-se um dos evangelhos), a título de provocação,
uns fariseus questionaram Jesus por ter Ele se banqueteado
com comerciantes, coletores de impostos, prostitutas e
vagabundos que bebiam e tinham grandes vícios. No que
Jesus respondeu que não são os que têm saúde que precisam
de médico, mas os que estão doentes. Não foram os justos,
mas os pecadores a quem Ele veio chamar. Demonstrando
claramente, com isso, que Seus discípulos e Seus seguidores
não são santos e muito mais do que isso, são declarados
pecadores, pessoas normais, comuns, e que pelo batismo
estavam renascendo para a vida. (Parcialmente relatado em
Lucas 5:27-32)
"Mas alguns de seus discípulos sequer acreditam em Deus,
são materialistas como ele, Tomé". Retrucou o fariseu.
"Mais uma razão para tê-lo entre os Meus. Existe maior
mérito do que a conversão de um descrente?" Acrescen-
tou Jesus.
Insistindo nas provocações, os fariseus tentam jogar os
discípulos e os conceitos de João Batista contra Jesus,
dizendo que os discípulos de Jesus não eram como os de
João Batista. Os discípulos de Jesus não jejuavam, não faziam
orações antes das refeições, não faziam abluções (higiene
antes e após as refeições), eram mal educados e agiam como
animais. No que Jesus retrucou, entre conformado e com
graça, que não se põe remendo novo em pano velho, como
que a explicar que existiam coisas muito mais profundas a
serem ensinadas aos discípulos e à humanidade do que jejuar
ou fazer higiene às refeições. Eles iriam mudar no que fosse
preciso, ou seja, na questão religiosa, mas que poderiam
continuar mantendo velhos hábitos, pois ninguém muda
tudo radicalmente, de uma hora para outra, e para Jesus
bastava que eles mudassem o essencial. (Parcialmente
relatado em Lucas 5:33-39)
No fundo, Jesus reconhecia que o caminho dos discípulos
era longo, árduo e não era pelo fato d'Ele havê-los
escolhidos que se deveria esperar desses discípulos uma
imediata santificação e beatificação (Aliás, se a santificação
feita por homens já é um erro, outro erro muito maior e
mais terrível ainda é essa automática santificação destes
discípulos, pela igreja, considerando-os como "santos ho-
mens" baseado somente no fato de Jesus tê-los escolhidos
para discípulos, e não pelos seus méritos de vida).
Jesus não se incomodou com as provocações dos fariseus.
Sabia muito bem que estas não seriam as únicas provocações
e que muitas outras viriam. E com esta certeza, um tanto a
contragosto, Jesus dá continuidade à sua pregação na
Galiléia, mesmo sabendo que seu alvo era e deveria ser
Jerusalém, pois a sua maior meta era o faraônico templo de
Jerusalém, onde estava o coração da religiosidade dos
saduceus e dos fariseus, e por conseqüência o foco da
corrupção religiosa.
Lentamente Jesus vai fazendo pregações cada vez maiores,
em Cafarnaum, e aos poucos vai conquistando adeptos em
todos os lugares por onde passava: Genesaré, Corozaim,
Betsaída, Tiro, Sidónia. Por onde passava arrastava multidões
de adeptos às suas pregações e aos seus ensinamentos
religiosos, absolutamente revolucionários para a época.
Enquanto isso, os outros 11 (onze) líderes religiosos da
sociedade secreta (João Batista, Benjamim, Samuel, Isaac,
Jacob, Aarão, Josias, Nicodemos, Amós, Silas, Oséas) trata-
vam de arregimentar 12 (doze) discípulos cada um, e espa-
lhar as idéias da nova ordem religiosa.
De longe, acompanhando tudo com muita curiosidade e
apreensão, os 12 líderes (mestres) essênios permaneciam no
mosteiro e coordenavam a irmandade monasterial dos
essênios, que não necessariamente intervinham diretamente
na sociedade secreta composta pelos novos 12 jovens
mestresQesus, João Batista, Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob,
Aarão, Josias, Nicodemos, Amós, Silas, Oséas) que havia sido
formada à partir da fraternidade essênia, e da qual João
Batista e Jesus eram destacadamente considerados mais do
que mestres ou rabi, mas como messias.
Sendo João Batista e Jesus os messias que a comunidade
essênia esperava, e não tendo ainda sido ambos batizados,
pois eles eram tidos como essênios desde criança quando
estudavam no mosteiro, daí não haver sentido em um ba-
tismo imediato de quem já era purificado desde a infância...
Entretanto, como eles iriam continuar pregando o batismo
como forma de renascer para uma vida nova, ainda em vida,
nada mais natural que eles mesmo (Jesus e João Batista)
fossem oficialmente e formalmente batizados.
Surge então a grande dúvida: Se eles iriam ser batizados,
quem os batizaria?
Eis que chegam, então, à conclusão de que ambos deveriam
ser batizados publicamente, em cerimônia de grande
conhecimento de todos e que João Batista batizaria Jesus e
Jesus batizaria João Batista, numa simbólica igualdade, a fim
de evitar conflitos. Vez que quem batizasse Jesus ou
batizasse João Batista seria tido como um ser humano pri-
vilegiado. Um privilégio que a nenhum essênio jamais seria
concedido.
Em razão desta decisão, Jesus é chamado à Judéia para o seu
batismo e a ambos (João Batista e Jesus) é comunicado a
decisão dos 12 mestres sábios essênios a respeito do batismo
recíproco.
Jesus e João Batista passam, simultaneamente aos seus
discípulos e à comunidade essênia, a imagem messiânica da
condição de quase irmãos. Cada qual enaltecendo o outro e
julgando-se inferior ao seu quase irmão e atribuindo-lhe a
condição de verdadeiro messias salvador.
Jesus se opõe a batizar João Batista e diz que não existe entre
os homens, nascidos e a nascer, alguém que se iguale a João
Batista. E garante que João Batista, sim, é o verdadeiro
messias. "Ele é o Elias que está por vir."
João Batista, por sua vez, se opõe a batizar Jesus. Per-
guntando: "Quem sou eu para batizar a Ti? Eu é que
tenho a necessidade de ser batizado por Ti. E Tu vens a mim
para que eu te batize?"
E foi ante a este impasse, que a comunidade essênia tomou a
salomônica decisão de ambos batizarem-se mutuamente. O
que de fato ocorreu com grande pompa e circunstância, pois
era algo tão inusitado, tão fabulosamente espetacular, que foi
tido como um dos eventos religiosamente históricos mais
importantes acontecido na humanidade.
Contando com a presença dos doze discípulos de João
Batista, dos doze discípulos de Jesus, dos discípulos dos
outros dez líderes da sociedade secreta, dos demais mem-
bros da irmandade essênia, cerca de trezentas pessoas as-
sistiram, no Rio Jordão, ao batismo de João Batista e de Jesus.
Primeiramente, Jesus batizou João Batista, nas águas do Rio
Jordão, numa cerimônia absolutamente carregada de uma
energia fantástica que tomava conta de todos. Em seguida,
João Batista começou a batizar Jesus.
Segundo alguns, no momento em que João Batista estava
batizando Jesus, uma pomba branca pairou por alguns
instantes sobre a cabeça de Jesus, e em razão deste
acontecimento, atribuiu-se como um sinal do Espírito Santo
a presença da pomba, indicando que, entre os dois, Jesus
teria sido escolhido como o messias salvador e que João
Batista seria o messias que iria anunciar a vinda do Salvador,
o Cristo. E de fato João Batista disse para que todos
ouvissem: "Tu és o Cristo. Tu és o Salvador. Que a irmandade
te conheça como XPTO"
À partir daquele instante, João Batista assumiu a sua sina de
pregar a vinda do messias e de lutar contra a devassidão, a
libertinagem e a corrupção de costumes instalada por toda a
Palestina. E de imediato iniciou esta sua missão por uma
pregação pelo deserto, para que nenhum canto ficasse sem
ouvir a boa nova da vinda dos novos tempos com a chegada
do messias salvador.
Da árdua peregrinação do deserto, João Batista volta após
longo jejum, comendo somente pães não fermentados, uvas
secas e alguns gafanhotos encontrados no deserto. E
satisfeito pela missão cumprida, por falar e anunciar ao vento
e aos quatro cantos vazios do mundo a vinda do messias,
João Batista retorna à cidade para a complementação de sua
obra, iniciando por Jerusalém.
Jesus, por seu turno, temporariamente afastado da Galiléia,
principia tentar acomodar seus discípulos nas terras da
Judéia. E já conformado por ter sido ungido por João Batista
como o messias, como o Cristo, assume a sua missão e sina
como o messias salvador, e por conseqüência a identidade
de XPTO (letras que designam, na comunidade secreta, o
Cristo).
Embora tivessem tido a mesma educação, as personalidades
de Jesus e a de João Batista eram marcadamente diferentes.
Pois enquanto Jesus era mais calmo, comedido e manso,
João Batista era mais explosivo, mais impulsivo, mais
vibrante messianicamente.
Dentro do seu estilo e comportamento, João Batista
questiona seu quase irmão Jesus sobre as suas amizades com
bêbados, vagabundos, desocupados e prostitutas. E até
mesmo a escolha dos discípulos de Jesus foi objeto de crítica
por parte de João Batista.
Jesus, com um leve sorriso e com a serenidade e calma que
Lhe era peculiar, responde a João Batista, com um certo
humor nos lábios, o mesmo que havia respondido aos
fariseus. Ou seja, Ele estava interessado nos que haviam que
ser curados e não por aqueles que não necessitavam de cura.
João Batista contra-argumenta que ele, João, não teria como
criticar os corruptores sociais se Jesus andava em bando com
pecadores, vagabundos, bêbados e prostitutas, e que até
mesmo entre seus discípulos vários exemplos destes eram
visíveis e reconhecidos.
Jesus, mantendo a serenidade messiânica, responde
aconselhando a João Batista: "Não critique os que estão
errados, João. Recupere-os. Não amaldiçoe a escuridão.
Acenda uma luz."
Reconhecendo a clareza de raciocínio de Jesus, seu quase
irmão, eis que João Batista aceita a lição e volta à sua missão
de pregação em Jerusalém.
Jesus, por seu turno, tentava administrar um bando quase
que incontrolável. Eram vaidades exacerbadas, brigas por
posições dentro do grupo, disputas por proximidades com
Jesus (para ver quem ficava mais próximo ou mais perto de
Jesus), ciúmes terríveis. Era realmente um bando disforme
onde quase todos brigavam com todos.
Pedro tinha ciúmes terríveis da amizade de Jesus com Maria
Madalena, a quem Jesus freqüentemente beijava na boca.
Mateus era olhado com desdém por ser um publicano
(coletor de impostos), que era muito mal visto pelos povos
dominados, como um explorador. Tomé era de uma incre-
dulidade a toda prova. Faltava pouco para ser ateu. Tiago e
João (Evangelista) eram um poço só de vaidades. Inclusive
chegaram ao desplante de pedirem à sua própria mãe que
rogasse a Jesus para que Ele deixasse que os dois sentassem à
sua esquerda e à sua direita como símbolo máximo da
vaidade e do privilégio pessoal. Sem falar no ridículo e na
futilidade de João (Evangelista), posteriormente, atravessar
um evangelho inteiro referindo-se a si mesmo como "o
discípulo a quem Jesus amava", como se Jesus amasse só a
ele. E Judas Iscariotes, a quem Jesus tratava com especial
carinho e amizade, demonstrando ter mais proximidade com
ele do que com os demais, gerando grandes ciúmes e até
porque Judas era o tesoureiro da sociedade, cargo de extrema
confiança, mas que por despeito reiteradamente era
acusado de materialista, apegado ao dinheiro e a valores de
propriedade. Quase ninguém escapava às brigas por posições
dentro do grupo, às vaidades exacerbadas e aos ciúmes
mesquinhos.
Não bastassem os problemas que Jesus tinha com seus
próprios discípulos e com as provocações feitas pelos
saduceus e pelos fariseus, uma coisa preocupava a Jesus mais
do que tudo no mundo: era a posição extremamente crítica
de João Batista, que de maneira quase que suicida, apontava
abertamente os erros das maiores autoridades e governantes.
Praticamente esquecendo a recomendação de Jesus para
salvar e recuperar antes de criticar, para trazer a luz ao invés
de amaldiçoar a escuridão, João Batista passou a criticar
abertamente o governante máximo, Herodes Antipas, por
ele estar tendo relações carnais espúrias com a sua cunhada,
Herodíade, esposa de seu irmão Filipe.

(Nota do autor: Com o afastamento de Arquelau, pelas tantas
loucuras que cometeu e corrupções que praticou e
acobertou, seu irmão Herodes Antipas havia assumido o
controle não só da Galileia, que lhe era de direito, como o
controle da Judéia, deixada por Arquelau. E em razão disso,
Herodes Antipas, agora, não só governava, como tinha
palácios na Galiléia assim como na Judéia)

E tantas críticas abertas João Batista fez ao relacionamento
de Herodes Antipas e Herodíade, que pressionado por
Herodíade (a esta altura considerada publicamente como
uma vagabunda real, amante do rei), Herodes Antipas
resolve mandar prender João Batista. Prisão esta que tinha a
finalidade muito mais intimidativa para tentar silenciar João
Batista do que propriamente punitiva, vez que Herodes
tinha muito medo pessoal de João Batista e de suas maldi-
ções. Sem contar o grande receio de fazer-lhe algum mal,
por causa de uma possível reação popular por estar tirani-
zando um profeta respeitado e adorado pelo povo.
Ao contrário, sem medo algum, mesmo preso, João Batista
enfrenta Herodes Antipas e diz que não é a ele, João Batista,
que Herodes Antipas deve temer, e sim a Jesus, o messias
que irá fazer um novo reino na Terra. E, complementando,
João Batista profetiza para Herodes Antipas: "Aquele que
vem depois de mim é muito mais poderoso do que eu. Eu
não sou sequer digno de Lhe levar as sandálias."
Com medo de João Batista e ao mesmo tempo não querendo
se indispor com Herodíade, Herodes Antipas mantém por
algum tempo João Batista em cárcere, mas com planos de
soltá-lo na primeira oportunidade. Até que Herodíade
engendra um plano de vingança terrível contra João Batista.
Sem o menor pudor, usando a própria filha, Salomé, como
arma e instrumento, Herodíade convence sua filha Salomé a
oferecer-se, também, na cama, como concubina ao seu
cunhado e amante Herodes Antipas e com ele partilhar o
leito, não sem antes fazê-lo assumir publicamente a sua
palavra imperial de que, em troca, satisfaria ao menos a um
grande desejo de Salomé.
Isto planejado e feito, Salomé oferece-se em leito a Herodes
Antipas (seu padrasto) e logo após, numa festividade no
palácio, dança lascivamente, provocativamente,
publicamente, no salão principal do palácio, na presença de
todos.
Extasiado, Herodes Antipas enaltece as "virtudes" de Salomé
(sua "sobrinha", enteada e amante). Enquanto que esta,
espertamente, pergunta, publicamente, em alto e bom som,
se Herodes Antipas não estaria devendo-lhe um desejo.
Sem perceber totalmente a maldade que estava por trás
daquele plano, Herodes Antipas, meio constrangido, con-
firma estar devendo, sim, um desejo a Salomé. Mas não sem
antes, de sustentar a sua palavra imperial, jocosamente
perguntar o que Salomé queria: Parte de seu reino? Ouro?
Prata? Jóias? O que queria?
Salomé, espertamente, garante não querer parte do reino,
nem ouro, nem prata, nem jóias. Queria tão somente algo
simples que Herodes nem dava importância, a ponto de
considerar desprezível e jogar fora tratando como lixo.
Certo de que não perderia nada de importante, Herodes
Antipas cai na armadilha engendrada por Herodíade e
pomposamente honrando a posição imperial de governante,
garante a sua palavra real empenhada.
Salomé, então, industriada por Herodíade, sua mãe,
constrange Herodes Antipas e publicamente declara que não
quer ouro nem jóias. Simplesmente ela quer a cabeça de um
preso vagabundo. Quer a cabeça de João Batista,
literalmente, numa bandeja.
Assustado, mas não tendo como descumprir a sua palavra
dada publicamente, Herodes Antipas, mesmo com medo e a
contragosto, manda cortar a cabeça de João Batista e servi-la
numa bandeja de prata a Salomé.
Este episódio, aos chegar ao conhecimento de Jesus,
perturba-o terrivelmente. O choque pela perda de alguém
tão próximo, o Seu quase irmão, companheiro de uma vida
inteira... é demais para Jesus.
Seguido ao primeiro choque, pela perda de João Batista, Jesus
começa a experimentar um pânico até então nunca antes
sentido.
Com visível medo, e não sabendo bem avaliar toda a
situação e o que estava se passando, Jesus literalmente foge
com os discípulos para a Galileia e retoma Sua pregação em
Sua terra natal.
Abalado pelo incidente da morte de João Batista, Jesus perde
o equilíbrio emocional e não consegue coordenar seus
controles, e seguidamente falha na tentativa de cura de
diversos doentes. A ponto de ser ridicularizado, ser cha-
mado de charlatão e de ser hostilizado pelas próprias pessoas
que um dia o endeusaram.
Sem entender completamente o que estava acontecendo, e
experimentando o fracasso inusitado, ante um mau
momento de sua vida, Jesus atribui este fracasso ao fato de
que ninguém faz milagre em sua própria terra. Ou seja, usa
como desculpa que "santo de casa não faz milagre."
(Esquecendo-se que antes, tantas vezes, já havia feito muitos
milagres em sua terra natal e nas cidades vizinhas).
Não convencendo a si mesmo e muito menos aos Seus
discípulos e seguidores, Jesus principia a imprecar e a
amaldiçoar as cidades onde um dia Ele havia feito tanto bem
e levado tanto conforto a tanta gente.
"Ai de ti Corozaim! Ai de de ti Batsaída! E tu, Cafarnaum,
julgas que serás exaltada até o céu? Haverá mais tolerância
para Sodoma e Gomorra, no dia do juízo final, do que para
ti."
Percebendo o erro em atribuir a terceiros e culpar,
maldizendo e amaldiçoando, as cidades e seu povo pelas
falhas por não conseguir realizar o que antes realizara com
facilidade, Jesus reconhece que não está bem, e que na
realidade Ele estava fugindo, com medo, por não querer
enfrentar o Seu destino, que Ele bem sabia qual era.
Refletindo sobre Seu erro, mais calmo e buscando a paz
interior, Jesus arrepende-se de ter fugido de Jerusalém e
comunica a Seus discípulos a Sua vontade em voltar para
enfrentar a Sua sina e o Seu destino. E que, para tanto, eles,
seus discípulos, se preparassem para a volta a Jerusalém e
para assistir ao que estava por vir. Ou seja, um grande
embate entre as forças das trevas e as forças da luz.
Retomando a serenidade, e aí já sem demonstrar medo,
Jesus reúne seus discípulos e simpatizantes, e organiza uma
entrada triunfal em Jerusalém. Para tanto, pede que toda a
Sociedade Secreta reúna seus discípulos e junte todos os
simpatizantes para a entrada em Jerusalém e para que as-
sistam o enfrentamento com os saduceus e fariseus junto ao
maior templo judeu já erigido.
A dois dos discípulos, Jesus pede que dirijam-se até a um
casebre num monte próximo ao Monte das Oliveiras, na
direção de Betânia, e que façam o sinal (do peixe) e peçam
emprestado um jumentinho para servir de montaria a Ele,
Jesus. Aos demais apóstolos e simpatizantes Jesus pede que
colham ramos de palmeiras e lancem pelo caminho até o
templo judeu, de modo a marcar o novo caminho religioso
que será traçado para o povo hebreu.
Os dois discípulos, irmãos, Tiago e Judas Tadeu, aflitos e sem
saber como agir, questionam a Jesus como iriam obter um
jumentinho de uma pessoa tão pobre, que possivelmente era
seu maior bem material, e provavelmente o seu maior
instrumento de trabalho.
No que Jesus tranqüiliza-os e responde a ambos, orientando
que o dono do jumentinho é um simpatizante da Sociedade
Secreta de João Batista, e que facilmente reconhecerá o sinal
secreto da sociedade. E dizendo isso recomendou que
fizessem o sinal da sociedade secreta, o peixe, e que
dissessem ao dono do jumentinho que tratava-se de um
empréstimo e que logo o jumentinho seria devolvido. O uso
temporário era somente para atender a uma necessidade
imediata do Cristo, XPTO. (E aí Jesus fez o desenho dos dois
semicírculos na areia, formando o peixe, e colocou ao lado
as letras XPTO).
Meio desconfiados, sem entender os reais planos de Jesus, os
discípulos questionam ao mestre o por quê de usar como
montaria um simples e humilde jumentinho para uma
entrada em Jerusalém, acompanhado de uma multidão.
Jesus então explica que não veio ao mundo para se exibir,
demonstrar ostentação ou força física. Os que O esperavam
num cavalo branco estavam enganados. Os que O esperavam
fisicamente forte e com o domínio e a força da espada,
estavam enganados. Jesus queria que O vissem como um ser
normal, comum, igual a todos, vestindo as sandálias da
humildade de pescador, trajando as roupas simples e comuns
dos homens do povo, montado num animal a quem os
poderosos desprezam pois só trabalha, trabalha e trabalha, e
tendo como "exército" um bando de pessoas comuns,
pecadores recuperados, vagabundos e prostitutas renascidos
para uma nova vida.
A entrada de Jesus em Jerusalém foi triunfal naquele
"domingo de ramos". Montado num jumentinho, era sau-
dado pelo "Seu povo" com ramos de palmeiras. E à Sua
passagem os ramos eram jogados ao chão indicando o ca-
minho da nova era que estava por vir, conforme queria
Jesus. E logo não tardou que outras e outras pessoas se
juntassem ao movimento para ver e ouvir àquele que cha-
mavam de o Cristo (Salvador).
Chegando ao maior templo judeu até então construído
(havia levado 46 anos para ser construído) Jesus tem seu
primeiro embate com os religiosos judeus.
Alguns fariseus, assustados com aquele alarido todo e
tamanho movimento de gente, recepcionam Jesus,
cinicamente, à porta da sinagoga e ironizam o "novo rei".
Saúdam-No hipocritamente como a um grande imperador e
apontam para um povo pobre e miserável que O seguia e
perguntam se aquele bando era o Seu "reinado".
Jesus não recua ante as provocações dos fariseus e afirma
que Seu reino não é deste mundo, e que deste mundo
orgulha-se muito da amizade dos humildes. E apontando
para o templo diz: "Vede aquela pedra que ampara o tem-
plo? Foi comprada com o dinheiro dado por um destes
pobres. E outros destes pobres a colocaram no lugar. Vede a
vossa roupa suntuosa que a vós causa tanto orgulho? Foi
comprada com o dinheiro que estes pobres dão ao templo
para sustentar-vos. Quem sois vós para desdenhar daqueles
pobres que vos alimentam?"
Irritados, os fariseus questionam Jesus: "Acaso és contra
os dízimos sagrados instituídos pelas leis de Moisés?"
"Não sou contra as contribuições voluntárias dadas ao
templo por aqueles que querem e que podem ofertar à Deus
ou para garantir a sobrevivência daqueles que oram e têm
como trabalho levar a palavra de Deus ao povo. Afinal, o
templo precisa ser mantido, assim como os sacerdotes que
no templo trabalham. No entanto, sou contra a obrigação e a
cobrança exploratória do dízimo como um imposto devido a
Deus. Porque Deus não possui publicanos cobrando
impostos em Seu nome." Diz Jesus.
Constrangidos, os fariseus tentam uma ironia para con-
tradizer a parte material que Jesus tanto criticava, de modo a
demonstrar que Jesus era um cabotino por colocar-se ao lado
dos pobres e dos humildes. E ao mesmo tempo, questionam
Jesus, na frente de simpatizantes de Herodes Antipas, por
estar incitando o povo contra Roma, incentivando as pessoas
a não pagarem impostos "devidos" e "justos": "És contra o
tetradracma tíria que trocamos no templo? (Moeda romana
que só podia ser trocada pelos judeus no templo, como se o
templo fosse uma casa de câmbio)
Percebendo a armadilha e a hipocrisia dos fariseus, Jesus
firmemente questionou: "Por que me tentais, fariseus
hipócritas? Não luto contra Roma como insinuais, mas
contra o pecado dos homens. Por acaso o dinheiro dos
impostos não é o dinheiro de Roma, com as inscrições de
Roma e com a efígie de César? Então? Daí a César o que é de
Cesar e a Deus o que é de Deus!".
Estupefata, a multidão riu com ironia pela armadilha mal
traçada pelos fariseus e pelo desfecho imprevisível que todos
acabavam de presenciar.
Imaginando poder reverter a situação, os fariseus então
apelam para o lado religioso, tentando demonstrar que Jesus
era um herege e que desrespeitava as leis sagradas.
Dirigindo-se a Jesus, um fariseu questiona: "Tu, falso
profeta, viste dois de Teus discípulos roubando espigas de
milho num sábado e não lhes repreendeu, nem pelo furto
nem pelo desrespeito ao sábado. E Tu mesmo, falso messias,
herege, desrespeita o sábado fazendo curas e obrando aos
sábados".

Indignado e sabendo onde os fariseus queriam pegá-Lo em
truques e armadilhas, Jesus responde que não poderia
repreender a quem furtava por fome. Água e comida não
podem ser negadas a qualquer ser vivente. E quanto aos
sábados, Jesus questionou aos fariseus: "Bando de
hipócritas, raça de víboras. Por acaso desconhecem as
escrituras? Não sabem que David, o idolatrado David,
quando teve fome, furtou do templo e comeu os pães não
fermentados, num sábado? Vós mesmos e os sacerdotes
saduceus comem, violam o sábado e não se culpam, pois a
vós, vós mesmos vos permitem criar leis que vos
beneficiem... Bando de hipócritas!."
E continuou Jesus: "Acaso se vísseis uma de vossas
ovelhas presa num poço ou num atoleiro... não a salvariam
simplesmente porque era sábado? O que é preferível? Salvar
uma vida ou perdê-la? Fazer o bem ou fazer o mal? Então?
Por que não posso Eu curar um necessitado num dia de
sábado? O que vale mais? Por acaso a vida de uma ovelha
vale mais do que a vida de um homem? Raça de víboras!"
A multidão encanta-se com o conhecimento de Jesus e ri da
falta de preparo dos fariseus.
"Estás desvirtuando a conversa, falso messias!", dizem os
fariseus. "Fazes as curas e dizes agir em nome de Deus, mas
o teu Deus não é o nosso Deus. Dizes expulsar os demônios
das pessoas, mas o fazes em nome de Belzebu."
Acostumado a este tipo de argumentação estapafúrdia, Jesus
surpreende uma vez mais os fariseus e ironicamente
contesta: "Vós dizeis que ajo em nome de Belzebu, o que
não é verdade. Mas, ainda que fosse, Eu estaria expulsando
demônios em nome do próprio demônio. E com isso,
dividindo o poder das forças do mal. E se o mal se divide e
enfraquece, logo Eu estou agindo em favor do bem. Ou
não?"
"Vós, fariseus, nem bem sabem o que é Belzebu ou o
que são demônios. Colocam culpa numa imagem para
explicar coisas que desconhecem".
Inconformados, diante de tantos fracassos públicos perante
Jesus, os fariseus tentam uma última cartada. Arrastam uma
prostituta até Jesus, sabendo que pelas leis de Moisés a
prostituta tem que ser apedrejada até a morte. E se Jesus
fizesse isso, teria que fazer o mesmo com as demais prostitu-
tas que O acompanhavam (Madalena, Verônica e outras).
"E então falso messias, dizes que conhece as escrituras
sagradas. O que devemos fazer com esta prostituta que
corrompe a nossa sociedade e leva a devassidão e a
libertinagem às famílias corrompendo lares honestos?"
Questiona o "príncipe" dos sacerdotes saduceus.
Jesus fica impassível... calado.
A multidão faz um silêncio sepulcral, sabendo que Jesus teria
que mandar matar a prostituta a pedradas, conforme as leis
de Moisés.
Subitamente Jesus abaixa, pega uma pedra, como quem vai
começar a apedrejar a prostituta e levanta a pedra com a
mão, oferecendo-a a todos: "Atire a primeira pedra aquele
que não tem pecado."
Foi um silêncio sepulcral.
Os fariseus e alguns saduceus saem em retirada para dentro
do templo e Jesus, adentrando ao templo depara-se com uma
cena dantesca, uma verdadeira feira livre. Pessoas vendendo
animais para serem usados em oferendas de sacrifício
(holocausto). Amuletos eram vendidos por mercadores para
tirar o mal das pessoas. Vendia-se água benta, óleos bentos, e
um monte de amuletos e bugigangas para trazer sorte aos
pobres coitados, "fiéis", crédulos, que supunham que usando
ou fazendo determinado ritual com aquelas bugigangas iriam
afastar os males de suas vidas.
A população, pobre coitada, sofrida, desesperançosa, ansiosa
por melhorar de vida, era industriada pelos vigaristas do
templo no sentido de que as pessoas para poderem melhorar
de vida tinham que fazer sacrifício de animais, comprar
amuletos e oferendas no templo, pagar dízimo, e seguir
determinados rituais que beneficiavam diretamente os
gerentes e mercadores do templo.
Este mercantilismo, esta corrupção religiosa indignava a
Jesus mais do que qualquer outra coisa em sua vida. A
criatividade dos sacerdotes vigaristas era tamanha, que até
alguns dos impostos só poderiam ser pagos com a moeda
"tetradracma tíria", que só podia ser trocada no templo dos
saduceus vigaristas. Ou seja, o templo era uma verdadeira
casa de câmbio misturada com sinagoga e um mercado
varejista.
A exploração da credulidade religiosa das pessoas era tanta
que além de ser uma enorme ignorância esta credulidade
e gigantesca vigarice estas vendas de amuletos e uma
maldade atroz a mortandade de animais os pobres não
podiam nem sequer trazer sua própria água para ser benzida.
Não podiam sequer trazer seus azeites e seus óleos para
serem benzidos. Não podiam trazer ou fazer seus próprios
amuletos. Pois tudo isso era considerado impuro pelos viga-
ristas do templo. Os "fiéis", ignorantes, pobres coitados, só
podiam oferecer em holocausto animais "puros", comprados
com exclusividade no templo dos vigaristas. Era exploração
demais. Era a degradação total da religião.
Irritado, perdendo a têmpera e o controle, como seu quase
irmão João Batista, Jesus passa a mão num chicote preso a
uma barraca de venda de animais para sacrifício e sai
distribuindo chicotadas nos vendilhões do templo,
empurrando e derrubando as barracas e as pessoas, enquanto
que estupefatos os discípulos assistiam a tudo boquiabertos
pois nunca haviam visto o mestre, o calmo e pacífico rabi,
descontrolado como João Batista.
"Bando de hipócritas! Raça de víboras! Estais profanando
a casa de meu Pai. A César o que é de César e a Deus o que é
de Deus. Aqui é a casa de meu Pai, não um lugar de compra
e venda" Bradava Jesus, enquanto chicoteava os
vendilhões e derrubava suas barracas.
"Como podem vender oferendas? Como podem vender
animais para serem mortos em holocausto? Como podem
enganar o povo desta maneira? Como podem vender
amuletos, coisas inanimadas, como se Deus residisse nelas?
Como podem comercializar a fé? Como podem vender Deus
em barracas?" Esbravejava Jesus.
Ante ao tumulto generalizado que ali se instalara, e com
medo que o descontrole de Jesus pudesse comprometer a
sua própria vida ou segurança, alguns dos discípulos
seguraram Jesus e conduziram-no para um lugar onde pu-
desse ser acalmado.
Mais calmo e recobrando o controle, Jesus viu com clareza
que aquele era o grande divisor de águas da sua vida. Aquele
era seu destino que, por alguns instantes quis evitar de
acontecer, como se Ele pudesse evitar sua missão, sua sina,
os planos de Deus.
Era impossível tamanha exploração religiosa continuar. Era
impossível o ser humano se rebaixar tanto, a ponto de se
deixar explorar em nome da fé. Aquela estrutura religiosa
exploradora, massacrante, tinha que ser destruída, nem que
isso custasse sua própria vida.
Pedro, Tiago e Mateus acercam-se de Jesus e questionaram o
Seu procedimento e o destempero diante de algo que parecia
tolerável, mas que havia causado tamanha repulsa a Jesus.
"Acaso tu não vês, Pedro, que estás diante da maior
luta de nossas vidas? Não percebes que esta exploração
religiosa é o maior e o pior dos males que se pode praticar
em nome de Deus? Esses religiosos hipócritas e exploradores
não podem transformar a casa do Pai Eterno num negócio,
num grande negócio, baseado na exploração da fé das
pessoas!"
Pedro então retrucou: "A religião, Mestre, transformou-se
num grande negócio. Um grande e lucrativo negócio, com
grandes lucros e prestígio para os exploradores da religião,
que ainda se fazem passar por santos homens, agindo em
nome de Deus".
"Eu sei, Pedro. A religião transformou-se num grande
negócio e os exploradores da religião acostumaram-se tanto
e de tal forma com as vantagens e os benefícios desta
exploração religiosa que lutarão até a morte pela manutenção
destes privilégios. E não permitirão que uma verdade, uma
simples verdade, uma mera verdade se torne uma ameaça à
religião lucrativa deles." Retrucou Jesus.
Continuou Jesus: "De pouco adianta, agora, Eu dizer que
só a verdade e o conhecimento liberta o ser humano. As
pessoas continuarão a ser enganadas por exploradores
religiosos, sem buscar a verdade, e acreditando que a
verdade é a que está sendo dita pelo farsante escriba ou pelo
farsante pregador dissimulado".
"Pois é, Senhor, há de se passar muito tempo até que a
humanidade compreenda a sua revolta e se indigne contra o
comércio nos templos". Retorquiu Pedro.
"Mas o pior, Pedro, é que esse Deus que ora eles explo-
ram irá falir, sucumbir e irão criar outros e outros Deuses, e
até mesmo em meu nome e em teu nome, Pedro, algum dia,
ainda farão explorações como estas e ainda dirão que estão
agindo em meu nome, em teu nome e em nome de Deus. O
que me angustia, Pedro, é que esse Deus que eles cultuam
hoje é um Deus falido e particular, e que não há de durar. O
Deus verdadeiro, o verdadeiro criador do mundo, que
prevalecerá acima de todas as religiões, não é um Deus
particular que mora em um templo.
"É, Senhor, mas o que Deus tenta mostrar, revelar, aos
homens, os religiosos são os primeiros a tentar esconder E é
com base nisso que estes religiosos se mantêm e iludem o
mundo."
"Precisamos que Deus seja consolo e compreensão,
Pedro. Um Deus infinito. Um Deus de amor, que seja para
nos civilizar e não para nos manter selvagens matando e
sacrificando animais. Precisamos que as religiões não sejam
um insulto à nossa compreensão e à nossa inteligência. Este
Deus que é vendido e comercializado nos templos é um
sacrilégio e uma ofensa ao próprio nome de Deus."
Jesus estava muito angustiado, muito desesperado. Sabia que
aquele era o momento crucial de sua vida. Sabia que aquele
era o início do cálice amargo da sua missão.
Para libertar os que n'Ele acreditavam Ele precisava
enfrentar aquele falso altar, aquele falso templo, aquela falsa
adoração a Deus, aquela mercantlização religiosa e a grande
exploração em nome do santo nome de Deus.
Antevendo o que sucederia e que já se mostrava claramente
desenhado, Jesus começa a jejuar e pede aos discípulos que
O aguardem pois Ele precisava repousar, refletir, conversar
com Deus.
Afastando-se de Jerusalém, Jesus chega a uma parte deserta a
caminho de Qunram, começa a refletir e pede que Deus o
inspire e que dê forças para enfrentar todo aquele poderio,
mantido e sustentado com o dinheiro do povo fiel a Deus.
Primeiramente Jesus pede a Deus que dê forças e que o
ajude a destruir o templo para dar um exemplo àqueles falsos
adoradores. Mas percebe que se fosse tão fácil e simples
assim, Deus não precisaria de Jesus e nem do Seu sacrifício
pessoal. Deus mesmo faria sozinho o trabalho e pronto,
estaria feito.
Refletindo, Jesus conclui que Deus não iria dar-Lhe
superpoderes para que Ele destruísse seus inimigos. Deus
não iria fazer milagres transformando pedras em pães, pois
os homens precisam resolver sozinhos as suas questões e
não transferir a Deus esta responsabilidade. Os homens pre-
cisam acreditar com o coração e não com os olhos. E Deus
indicava o caminho que Jesus teria de enfrentar sozinho o
mal, se é que Ele queria realmente acabar com o mal.
Recuperado, Jesus retorna de sua reflexão no isolamento
desértico e reúne os apóstolos explicando-lhes o que está
para acontecer, que certamente acontecerá, e como os
apóstolos deverão proceder.
"Os pregadores, escribas, saduceus e fariseus, instalaram-
se na santa casa de Deus, na cátedra de Moisés. Observai
bem o que eles vos disserem. Buscai a verdade, porque ela
vos libertará. Não avaliai a importância dos que vos falam
pelas aparências que possam ter. Não imitai as obras dos
pregadores fariseus e dos escribas saduceus. Eles dizem e não
fazem. Atam fardos pesados, nas costas dos homens, difíceis
de serem transportados. E eles mesmos, pregadores e
escribas, não movem um dedo para retirar estes fardos das
costas dos homens. Tudo o que fazem é em benefício
próprio, para serem notados, e por isso encobrem suas
falsidades com roupas que os façam parecer sérios. Por fora
parecem sepulcros caiados, mas por dentro estão cheios de
osso e de imundice. Por fora, com suas sérias roupas,
parecem honrados e justos homens, mas por dentro estão
cheios de hipocrisia e iniqüidade. Gostam de ocupar os pri-
meiros lugares em todos os lugares onde compareçam.
Querem ser saudados e reconhecidos como pregadores,
como pais (palavra latina = padres), como mestres, e serem
saudados pelos homens. Culpam de falta de fé aos fiéis e
crentes pela falha do que não conseguem realizar ou fazer.
Eles, fariseus e saduceus perseguirão implacavelmente a
Mim e a vós, Meus discípulos. Eles são um bando de
hipócritas, raça de víboras. A vós, meus discípulos,
recomendo que não se preocupem por mim, pois estou com
a paz de Deus. Cuidai de vós e passai a diante as mensagens
de que são portadores. Mantenham a irmandade e a
fraternidade acima de tudo. Espalhem pelo mundo a
mensagem de um novo mundo, porque Jerusalém está
perdida."
"Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedreja os
que te são enviados. Quantas vezes quis reunir teus filhos
como uma galinha reúne seus píntinhos sob suas asas e tu
não quiseste. Pois bem, a vossa casa ficará deserta e vosso
templo se destruirá. Jamais haverá paz sobre Jerusalém."
Assustados, os discípulos sentem que além dos sábios
conselhos Jesus está profetizando sobre seu próprio futuro, o
futuro da irmandade e sobre os destinos do templo e de
Jerusalém.
Neste meio tempo, os saduceus conspiram contra Jesus. Os
sacerdotes Anás, Caifás, Ariel, Hedi, Soari e Silas querem a
cabeça de Jesus como Herodíade queria a cabeça de João
Batista. Os judeus saduceus e fariseus queriam a morte de
Jesus antes da páscoa pois não queriam que aquela morte
causasse qualquer tipo de alvoroço ou confusão pública
durante os festejos. O que seria praticamente impossível,
pois já era véspera do primeiro dia de ázimos e não haveria
tempo suficiente para prisão, julgamento e execução.
Decepcionados, planejavam para que pelo menos Ele não
morresse no sábado sagrado. Mas o certo é que seria melhor
cortar o mal pela raiz, com a morte de um só para exemplo,
do que a morte de muitos, caso frutificassem as idéias de
Jesus.
Anás, o dirigente do sinédrio, inconformado com o
incidente da expulsão dos vendilhões do templo queria um
castigo exemplar para Jesus. Era inadmissível que ele en-
trasse no templo, na casa de Deus, e fizesse o que fez, des-
respeitando a "santidade" do templo.
Caifás, o sumo sacerdote, revoltado, dizia que Jesus queria
acabar com as sagradas ofertas a Deus e impedir a venda de
animais puros nos templos, contrariando as sagradas
escrituras (feitas por eles mesmos).
Ariel, o pregador racista e beligerante, vociferava, pois Jesus
estava falando em paz e justiça, e pregando igualdade dos
hebreus com os gentios (não judeus).
Hedi, o sacerdote materialista, mostrava-se estupefato por
Jesus insurgir-se contra a venda de sacramentos. "Como a
igreja vai sobreviver sem venda? De onde virá o dinheiro
para a manutenção do nosso templo? Como poderemos
honrar a Deus?", questionava Hedi.
Soari, o sacerdote dissimulado, ironizava Jesus, questionando
como um hebreu pobre, da Galileia, ousava interferir na
Judeia, curando pessoas sem nada cobrar por isso.
"Amanhã, dizia Soari, todos hão de querer curas gratuitas,
sem pagar nada ao templo. Isso é uma subversão dos valores
de Deus."
Silas, o pregador simuladamente enfurecido, arrogan-
temente, ridicularizava Jesus, um messias camponês, sem
espada, sem lança, sem cavalo branco, que entrara em Je-
rusalém montado num jumentinho, seguido por uma mul-
tidão de maltrapilhos, vagabundos e prostitutas. "Que
messias maltrapilho é esse que diz ter vindo para redimir o
povo de Israel?", questionava Silas.
Estava mais do que claro que Jesus havia ferido
profundamente o mercantilismo do templo, os saduceus e os
fariseus. Jesus havia atentado contra a sociedade religiosa
lucrativa que se instalara no mundo hebreu e que não queria
abrir mão de seus privilégios. Jesus havia tocado
profundamente na ferida da religiosidade: o comércio
eclesiástico, o comércio nas igrejas. E por este motivo, sabia
Ele que estava com a morte sendo encomendada pelos
sacerdotes hebreus.
Terça-feira, dois dias após a entrada triunfal em Jerusalém,
no "domingo de ramos", e um dia após ter ido refletir no
deserto, Jesus encontra-se com os discípulos para combinar
como seria a ceia pascal, vez que era o início dos Ázimos
(pães não fermentados, feitos somente com farinha e água).
Ao ser perguntado pelos discípulos sobre como e onde seria
realizado a celebração da páscoa (judaica), Jesus explica que
não irá comer o tradicional "cordeiro pascal" dos judeus, pois
Ele (por ter formação essênia) não comia carne (com
sangue) de determinados animais. Iria comer somente peixe,
os pães não fermentados e beber vinho. E recomenda aos
discípulos que a celebração da ceia seja feita na casa de um
simpatizante da Sociedade Secreta de Jesus que já havia sido
ofertada anteriormente. "Vá até a casa dele, faça o nosso
sinal (o peixe) e diga que precisamos de sua casa para a
celebração da ceia pascal, pois o Meu tempo está terminando
e esta será a nossa última ceia e reunião", diz Jesus.
Os discípulos de Jesus entram em pânico diante de Suas
palavras e de Sua certeza sobre o que estava por vir.
Após a décima segunda hora, ou seja: depois das seis horas
da tarde, noite de terça para quarta-feira, reunida toda a
Sociedade Secreta de Jesus com seus doze membros à
mesa Jesus principia a explicar aos doze discípulos que o
Seu fim está próximo e que por Ele haver expulso os
vendilhões do templo e exposto a toda gente as vigarices dos
sacerdotes, Ele, Jesus sabia que naquele momento estaria
havendo uma grande trama contra Sua vida pelos saduceus e
pelos fariseus.
A primeira reação dos discípulos foi no sentido de que Ele,
Jesus, poderia ficar e sentir-Se seguro, oculto e protegido
pela fraternidade da Sociedade Secreta.
Jesus contesta e diz que fugir ao próprio destino seria abrir
mão de fazer o trabalho em nome de Deus para sim-
plesmente sobreviver, ou melhor: viver escondido como um
covarde e medroso. Pois, se era vontade do Pai que Ele
acabasse com a corrupção religiosa, com a iniqüidade, com o
comércio dentro dos templos religiosos, não cabia a Ele,
Jesus, fugir ao Seu destino, Sua sina, escondendo-Se e alte-
rando a vontade de Deus.
Iniciando a última ceia, Jesus principia o ritual da eucaristia
dizendo aos discípulos: "Pai, agradecemos pelo alimento
justo e honrado, conseguido com o suor de nossos rostos".
E tendo dito isso pegou os pães e foi repartindo (dividindo, e
não multiplicando) um a um (cada pão) com cada discípulo.
"Dividam sempre vosso alimento com vossos irmãos e
com os mais necessitados. Tomai e comei, este é meu
corpo".
Pegando uma jarra de vinho, foi servindo os discípulos e
dizendo: "Tomai e bebei, este é meu sangue. Celebrai e
fazei em cada rejeição estes gestos para que seja perpetuada a
sagrada aliança de nossa irmandade, nossa fraternidade, nos-
sa sociedade".
Atônitos, os discípulos vêem nas palavras de Jesus uma triste
e sentida despedida. E retornam as argumentações no
sentido de salvar a vida de Jesus pois era preciosa demais
para ser desperdiçada com um covarde e cruel assassinato.
Jesus intervém e explica que Deus tem tudo muito bem
traçado, pois se os saduceus e os fariseus realmente levarem
a cabo o plano de matá-Lo, mais do que um grande erro,
este será o início do fim do templo deles (saduceus e
fariseus) que ruirá como se fosse feito só de areia e água. E
que, com isso, ao mesmo tempo, seria o início de uma nova
conscientização religiosa que dali nasceria. Um fortaleci-
mento para uma sociedade religiosa mais humana, mais
igualitária, como a que eles pertenciam, voltada para o bem e
não para o comércio; voltada para a paz e a fraternidade e
não para a guerra, para o ódio ou para a ameaça e o terro-
rismo religioso.
"Mestre, e como podemos protegê-Lo?", questiona Pedro.
"Vós não podeis me proteger e nem devem. Aliás vós
não podeis proteger-me sequer de um de vós mesmos.",
complemente Jesus.
"Como assim, rabi?"
"Somos todos humanos, Pedro. Um ser humano já é um
mundo inteiro de contradições e sentimentos. Imagine o
quanto de diferente existe entre todos nós. Neste exato
momento, cada um aqui está tendo vários sentimentos e
muitas e diferentes idéias de como proceder para que isso
tudo acabe. E pode até ser que dentre vós um venha a Me
trair, ainda que isso possa ter como motivo ou justificativa
uma explicação compreensível em função de como se queira
ver."
"Traição? Tu dizes, rabi, que dentre nós, onde somos
como irmãos, um poderá ser traidor?, questiona Pedro, abis-
mado e perplexo com a possibilidade de traição.
"Mas é claro, Pedro. Não só poderá acontecer a traição
como se Eu for arrastado preso e perseguirem a vós pelas
ruas, muitos poderão fugir e até simular jamais ter-Me
conhecido."
Indignado, Pedro garante que se alguém for trair Jesus não
haveria de ser ele, Pedro. E que se Jesus for arrastado preso,
ele, Pedro, jamais haverá de negar ser irmão de fé, Jesus.
"Pedro, Pedro, Pedro. Vós sois humanos. Ao ferirem o
pastor, as ovelhas se dispersarão. Esse é o plano dos saduceus
e dos fariseus, que logo hão de por em prática. É a mim que
querem, num primeiro momento. De vocês eles querem a
dispersão. E você, como qualquer um outro aqui poderá
fugir como uma ovelha foge do rebanho sem o pastor",
explica Jesus.
"Poderá acontecer com qualquer um. Menos comigo. Eu
jamais te negarei, Senhor", diz Pedro.
"Como qualquer um de vós, Pedro, tu poderás Me negar
ou Me trair antes mesmo do galo cantar.", vaticina Jesus.
"Eu, Senhor? justo eu, Senhor?, espanta-se Pedro
"Sim, Pedro, no que tu presumes ser dijerente de
nós?, questiona Tomé.
O clima da ceia transforma-se numa espécie de anunciação
de um velório, e nem mesmo é amenizado pelos cânticos e
salmos após a ceia.
Após a ceia, enquanto uns conversavam e outros dirigiam-se
ao Monte das Oliveiras para reflexões e aprendizado com
Jesus, Judas Iscariotes, que era o mais chegado e de maior
confiança de Jesus, o tesoureiro da Sociedade Secreta e o
responsável pela manutenção e guarda dos bens comuns da
sociedade, e por isso mesmo tinha uma visão bastante
prática de tudo, dirige-se à casa de Anás, "príncipe" dos
sacerdotes saduceus e um dos dirigentes do sinédrio, com
um plano na cabeça.
Sabendo que Jesus já tem como certo que Ele será preso e
morto pelos saduceus e pelos fariseus, e que Jesus mesmo
sabe que isso é inevitável e espera que isso aconteça nas pró-
ximas horas, Judas Iscariotes, segundo suas convicções, tenta
evitar o pior, ou seja, que Jesus seja morto covardemente
pelas costas num local isolado e solitário. E, tentando evitar
essa morte silenciosa e covarde, Judas Iscariotes imagina
poder fazer prender Jesus às claras, na presença de seus dis-
cípulos, de modo a garantir um julgamento justo, onde Ele,
certamente, sairá ileso, uma vez que Jesus não havia cometi-
do nenhum pecado religioso, assim como não havia pratica-
do nenhum crime contra Roma. E Judas Iscariotes confiava
mais num julgamento justo dos romanos, pelas leis romanas,
pelo direito romano, do que nos próprios judeus, pois apesar
dos romanos serem imperialistas dominadores, tinham um
rígido código de leis e de direito romano.
Isto posto, Judas Iscariotes encontra-se com Anás,
"príncipe" dos sacerdotes saduceus e dirigente do sinédrio, e
propõe entregar Jesus em troca de um julgamento público e
justo pelos romanos, visando poupar-lhe a vida.
Enquanto isso, Jesus, consciente do fato de que os saduceus
e fariseus lutariam de todas as maneiras e usariam de todos
os recursos para garantir e manter os privilégios e vantagens
financeiras que a religiosidade dissimulada proporciona, e
que por Jesus haver tocado profundamente no cerne da
questão Ele tornara-se a maior ameaça para os saduceus e
fariseus; conseqüentemente Sua vida estaria por um fio.
Com o espírito tumultuado, confuso, com grandes dúvidas e
ao mesmo tempo triste, Jesus recolhe-se ao horto das
oliveiras, num lugar chamado Getsêmani, com o propósito
de meditar, orar, aconselhar-se, pedindo a Deus que O
ilumine diante do cálice amargo que Ele sabia que estava
prestes a beber.
Jesus sabia que os saduceus e fariseus iriam resistir fe-
rozmente à revolução religiosa que Jesus começara e que
com isso os saduceus e fariseus iriam atentar contra a Sua
vida, de todas as maneiras.
A uma certa distância, Pedro, Tiago e Judas Tadeu observam
Jesus, enquanto Ele prostrava-se no chão, com os braços
abertos e o rosto na terra, falando baixinho palavras
incompreensíveis àquela distância.
Após alguns tempo, Jesus levanta-se e dirige-se aos três
discípulos e conta o que ele falara e meditara.
"Meu Deus, não me recuso ao sacrifício. Mas valerá a
pena ser o cordeiro pascal em nome de Deus? Não serei Eu
só mais um profeta? E João Batista? E Isaias? E se em Meu
nome muitos se matarem? E se em Meu nome muitos
explorarem muitos? E se Eu for objeto de exploração da fé
alheia? E se, em Meu nome, Eu virar objeto de comércio
como meu Pai nas mãos dos vendilhões do templo que
negociam em Teu nome, Meu Pai? Será esta é a Tua
vontade, Pai? Valerá a pena este sacrifício?"
Orando a Deus Jesus disse: "Pai, afasta de mim este cálice
amargo. Mas, se este cálice amargo não puder passar sem
que Eu o beba, seja feita a Tua vontade, Senhor. Se este Meu
sacrifício for livrar a Tua casa, Meu Deus, dos mercadores,
dos vendilhões, dos pregadores hipócritas e falsos, então terá
valido à pena o sacrifício."
"E Tu não tens medo, Jesus?", questiona Pedro.
"Pedro, eu sou tão humano como vós todos. O espírito
está calmo e preparado pela paz de Deus, mas o que fazer se
a carne é fraca. O que fazer? É claro que Eu estou em
agonia.", Jesus falou isso suando muito, embora estivesse
uma noite fresca. O suor de Jesus estava amarelado, como se
fosse suor misturado com sangue.
"Senhor, o que queres que façamos? Queres ervas para
acalmar os sentidos? Queres que oremos por Ti? O que
queres? O que devemos fazer", perguntou Pedro, aflito.
"Não, Pedro. Não preciso de nada em especial. Basta orar
e vigiar. Orai e vigiai! A minha alma está numa tristeza de
morte, pois esta poderá ser a noite em que Meus inimigos
venham a ter comigo. A oração lava-Me o espírito, mas a
vigilância garante a sobrevivência do corpo que os saduceus
e fariseus querem destruir."
Isto posto, os discípulos organizaram-se para que cada um
vigiasse por uma hora o sono dos demais, de modo a que
Jesus não ficasse jamais sozinho, para que não fosse preso e
morto covardemente.
Judas Iscariotes, por seu turno, consegue de Anás a sua
palavra de que Jesus ao ser preso terá um julgamento
romano limpo e isento. Segundo Anás, os próprios romanos
irão julgá-lo.
Para ter certeza de que Jesus não seria morto covardemente,
Judas Iscariotes vai com os guardas, convocados por Anás,
até o Monte das Oliveiras, e ao chegar onde todos estavam
dormindo, inclusive o discípulo que montava guarda e que
deveria estar protegendo Jesus, Judas toma a frente e dirige-
se a Jesus. Abraça-O e nervosamente dá-lhe um beijo na
boca (que pelas tradições significa transmissão de sabedoria).
Jesus, sabendo perfeitamente o que estava acontecendo,
entendeu o gesto de Judas e nada falou que pudesse
censurar-lhe. E, apesar da agonia que passara momentos
antes no horto, desta vez sem demonstrar qualquer receio,
pois a prisão era mais do que esperada, Jesus pergunta para a
coorte (grupo de soldados): "A quem buscais?"
"A Jesus, que se diz messias! responde um dos
guardas.
"Sou Eu!" apresenta-se Jesus.
Como houvesse uma certa indecisão e um certo
constrangimento pela reação inesperada de destemor de
Jesus, os guardas ficam sem saber como agir por alguns
instantes, diante daquelas pessoas todas (discípulos de Jesus).
"Já vos disse que sou Eu. Seéa Mim que procuram,
deixai partir estes inocentes que não têm nada comigo",
disse Jesus.
Então numa reação surpreendente, Pedro desembainha a
espada e fere um dos servos de Anás, na orelha direita. No
que, imediatamente, Jesus coloca-se à frente e impede que
Pedro continue com a impulsiva reação que começara. E,
virando-se para dois dos discípulos, Jesus solicita que
coloquem medicamentos curativos de ervas no corte feito
na orelha do servo de Anás.
Aparentemente cumprindo o que havia sido combinado
entre Judas Iscariotes e Anás, Jesus é conduzido pelos
guardas (coorte) à presença de Anás, "príncipe dos sacer-
dotes" e um dos dirigentes do sinédrio.
Anás, já não tão cortês como na conversa inicial com Judas
Iscariotes, interpela Jesus ainda de pé, cercado pelos
guardas: "Então, Tu és o criminoso que procuramos?"
"Tu o dizes!", respondeu secamente Jesus.
"Não foste tu que profanaste o templo?"
"Eu jamais profanei templo algum!"
"Profanaste a casa de Deus, sim!"
"Não profanei a casa de Meu Pai. Estive sim, num
mercado religioso de exploradores da fé."
"Não és o falso messias a quem os maltrapilhos e as
vagabundas vivem a seguir?"
"Tu o dizes. Sempre falei e preguei abertamente nos
templos e em todos os lugares públicos onde os hebreus
(judeus) se reúnem e nada disse em segredo. Pergunta aos
que Me ouviram se alguma vez preguei contra os
ensinamentos hebreus (judeus). Por que me interrogas, se
não cometi crime algum?"
Irritado com o tom firme e destemido de Jesus, Anás manda
secamente que os soldados amarrem as mãos de Jesus e
conduzam-no a Caifás (de quem Anás era genro), para saber
a opinião de Caifás (que era mais velho e o sumo sacerdote
do templo) e se o sinédrio (tribunal em Jerusalém formado
por sacerdotes, anciãos e pregadores/escribas que julgavam
questões criminais e administrativas referentes ao povo
judeu) poderia reunir-se pela manhã, logo nas primeiras
horas, para que os juizes pudessem julgar Jesus o mais rápido
possível.
Chegando na presença de Caifás, seguiram-se perguntas
semelhantes às de Anás, e as respostas de Jesus foram as
mesmas em tom desafiador e firme.
Irritado com a insolência de Jesus, Caifás determina que
sejam convocados os membros do sinédrio, imediatamente,
para o julgamento de Jesus.
Após longa espera, até que fossem convocados todos os
sacerdotes, todos os pregadores e escribas, todos os anciãos,
após a hora sexta (meio-dia) daquela quarta-feira, iniciou-se
o julgamento de Jesus no sinédrio.
O clima era de extrema exaltação por parte dos julgadores de
Jesus, uma vez que agiam em causa própria, na defesa de
seus interesses e benefícios, e ao mesmo tempo a firmeza de
Jesus nas respostas era como se fossem lanças perfurando
cada sacerdote, cada pregador, cada ancião, cada juiz do
sinédrio.
Jesus conhecia muito bem as leis dos hebreus e buscava em
cada brecha da lei uma saída e uma resposta de modo a
desautorizar o julgamento pelo sinédrio.
Com isso, Jesus irritava profundamente os membros do
sinédrio, principalmente pela certeza de Jesus de que o
sinédrio nada poderia fazer contra Ele. Isto porque, Jesus era
galileu (natural da Galileia) e não poderia estar sendo julgado
por crimes religiosos na Judéia. Não havia cometido crime
algum e a todas as acusações Ele respondia com firmeza e
segurança, mostrando que estava absolutamente seguro de si
e no estrito respeito às leis dos hebreus.
Os membros do sinédrio mais irritados eram Ariel, Hedi,
Soari e Silas. Consideravam um ultraje e um desrespeito a
"baderna" feita por Jesus expulsando "honrados"
comerciantes autorizados do templo. Alegavam que não
eram justas as razões de Jesus impedindo a venda de animais
puros no templo, a venda dos amuletos, bugigangas e coisas
bentas, bem como pela cobrança dos sacramentos religiosos.
Enfurecidos questionavam se Ele, Jesus, considerava-se rei.
Percebendo que isto declarar-se rei o colocaria
cometendo um crime contra Roma (confrontando o poder
do imperador e ameaçando o império), Jesus responde, mais
uma vez secamente: "Tu o disseste!".
Vendo que não conseguiriam pegar Jesus pela palavra,
confrontam-no com uma coisa sobre a qual esperava-se que
Jesus não pudesse desviar-se da pergunta, acabando por
confessar-se culpado.
"Tu és o messias?", perguntaram-Lhe
"Se eu vos disser que sou o messias, vós não Me
acreditareis. Se Eu mesmo vos perguntar se sou o messias,
vós mesmos me negareis." retrucou Jesus.
Procurando forjar uma confissão, Caifás conclui: "Então
confessas que só não dizes porque não acreditaremos. Isso é
uma confissão."
E apressadamente concluindo para vaticinar o veredicto,
arremata: "Não há mais nada o que questionar. Ele
confessou ser o messias. Isso é heresia. Todos ouviram a
blasfêmia. Não precisamos sequer de testemunhas. É réu de
morte"
Irritados, e buscando a esperada revanche contra o homem
que ousou tentar acabar com a comercialização no templo,
os juízes do sinédrio, literalmente atropelando a lei a todo
custo, agridem fisicamente Jesus com socos e pontapés,
cuspindo-lhe na face e para completar dão uma sentença
ameaçadora: condenam Jesus à morte dolorida e lenta pela
crucificação, por fazer-se passar por rei dos judeus, por
ridicularizar e ultrajar a religião, dizendo-se messias mon-
tando um jumentinho, seguido por uma multidão de infiéis
maltrapilhos, vagabundos e prostitutas. (Quando, na
realidade, todos estes motivos eram simples e meros
pretextos, pois o único e real motivo para a condenação de
Jesus era a ameaça em acabar com o próspero negócio em
que o templo se transformara, tomando dinheiro e
aproveitando-se do desespero de gente humilde, pobre,
desesperada e aflita).
Apesar das agressões físicas e das ofensas, após algum tempo,
Jesus se recompõe e absolutamente seguro repete que não
havia cometido crime algum, nem contra os romanos e nem
contra a religião dos hebreus, e que não existia previsão nas
leis dos hebreus para a pena de morte conforme queria o
sinédrio; pois somente Roma (através de um governante
seu) poderia determinar a pena de morte. E que o que o
sinédrio estava fazendo ou o que quer que fosse feito com
Ele seria uma arbitrariedade e um crime coletivo praticado
pelo sinédrio, e que pelo Seu assassinato Roma poderia punir
todo o sinédrio.
Temerosos e sabendo que Jesus conhecia as leis e estava
certo, vez que de fato não poderiam impor a Jesus uma pena
maior do que a que queriam, resolvem mandá-lo a
julgamento ao governador romano local, Pôncio Pilatos.
Ainda na mesma tarde de quarta-feira, Jesus é enviado a
Pilatos já com a "condenação" prévia do sinédrio.
Pilatos recebe Jesus, interroga-o detidamente e espanta-se
ante o saber e conhecimento das leis romanas e das leis
religiosas dos judeus.
"És rei dos judeus?", pergunta Pilatos
"Tu o disseste!", responde Jesus.
"Mas aqui existe uma condenação do sinédrio dizendo que
Tu Te consideras rei dos judeus!"
"Outros disseram isto por mim. Não confessei por minhas
palavras ou gestos"
"Cometeste algum crime contra Roma?"
"Não há qualquer ato meu que possa ser considerado
ofensa contra Roma ou contra os romanos"
Pilatos confirma o que já sabia por informantes seus,
enviados para ouvir as pregações de um homem que arras-
tava multidões para ouvi-lo. E vendo a inocência em Jesus,
irrita-se com os sacerdotes do sinédrio e diz para que levem-
No pois ele não via crime ou pecado em Jesus. "A questão
é religiosa, resolvam vocês entre vocês. Eu não sou judeu!",
concluiu Pilatos.
"Mas nós só podemos punir com penas leves, e
somente Roma pode decretar a pena de morte pela
crucificação, pelos vilipêndios religiosos cometidos por Ele",
argumentam os juízes do sinédrio.
Pilatos vira-se para Jesus e questiona: "O que dizes?".
"Sou galileu, prego o amor a Deus, da Galiléia à Judéia.
Não cometi crime algum e tu mesmo disseste que sou
inocente.", retorquiu Jesus.
Com receio por estar julgando um galileu em terras da
Judéia, e sabendo da antipatia que Herodes Antipas, que era
rei e filho de rei, tinha por Pilatos, que era poderoso, mas
era somente um governador, eis que Pilatos decide: "Esse
homem é galileu, mandem-no para o rei Herodes Antipas
para que o julgue como um dos seus galileus."
Isto posto, Jesus é levado pelos guardas, acompanhado dos
juízes do sinédrio, até Herodes Antipas, no palácio de
Arquelau, ali mesmo na Judéia, vez que por aquele tempo
Herodes Antipas, irmão de Arquelau, não estava em seu
suntuoso palácio na Galiléia e sim na Judéia, posto que estava
ocupando os dois palácios (na Galileia e na Judéia) em razão
do afastamento de seu irmão Arquelau, que governara a
Judéia.
No dia seguinte, quinta-feira pela manhã, com profundo
desdém por cuidar de pequenas questões tribais dos judeus,
o rei Herodes Antipas recebe Jesus no palácio e faz
questionamentos semelhantes aos que Pilatos já havia feito.
E entendendo que não havia crime algum contra Roma, não
havia porquê, ele, um romano, julgar questiúnculas religiosas
de judeus. E com muita má vontade conclui que o assunto
não é relevante e nem importante para ele julgar, e portanto
Jesus foi devolvido a Pilatos para que ele fizesse o que bem
entendesse, pois por ele, Herodes Antipas, não havia o que
punir naquele homem.
De volta a Pilatos, devolvido por Herodes Antipas, com
autorização para decidir o destino de Jesus, ainda na metade
do dia, Jesus é novamente interrogado por Pilatos, que chega
à mesma conclusão anterior, considerando Jesus inocente.
Entretanto, para evitar problemas com o sinédrio, e para
evitar problemas em sua própria casa, pois sua esposa havia
ouvido secretamente a algumas pregações de Jesus, e que
por isso pediu a Pilatos que poupasse Sua vida, eis que Pilatos
tenta uma solução alternativa. Ou seja, manda prender Jesus
e chicoteá-Lo, para ver se, com isso, atendia tanto ao
sinédrio, aplacando a sua ira, quanto à sua esposa, que não
queria ver Jesus morto.
Os discípulos de Jesus, que até então esgueiravam-se pelos
cantos e perambulavam pelas ruas procurando saber a
respeito do andamento do julgamento de Jesus, ao saberem
da prisão e do chicoteamento, covardemente começam a
esconder-se. Fogem todos, sumindo para não serem
localizados e apanhados como cúmplices dos mesmos "cri-
mes" de Jesus.
Até mesmo Pedro, que acompanhava mais de perto as
inquirições a Jesus, indo às portas do templo, do sinédrio, e
dos palácios de Pilatos e Herodes, agora Pedro fugia como
um coelho assustado. Até que subitamente próximo à es-
cadaria do palácio de Pilatos uma escrava que ouvira Jesus
pregar, questiona Pedro: "Tu és amigo de Jesus, o galileu.
Tu estavas com ele."
E Pedro, amedrontado, responde: "Não sei quem ele é.
Não conheço este homem." E corre apavorado, até que mais
adiante pára por um instante e assustado teve arrepios ao
lembrar do que Jesus havia dito sobre a traição e a negação
pelos amigos.
Judas Iscariotes, por sua vez, estava inconsolável, pois tudo
estava saindo errado, completamente diferente do que ele
imaginara. O julgamento "justo", que deveria livrar Jesus
duma morte traiçoeira, pelas costas, havia se transformado
num verdadeiro linchamento moral. Os romanos,
tradicionais inimigos dos judeus, não condenaram Jesus e
nem queriam condená-Lo, mas seu próprio povo, os
próprios judeus (saduceus e fariseus) estavam arrastando-O à
crucificação. E Jesus, mesmo diante da morte que se
desenhava não fazia nada para alterar Seu destino. Não
procurava Se salvar. Deixava-Se conduzir à morte como um
cordeiro. Era incompreensível. Inaceitável. De nada havia
adiantado o beijo na boca, transmitindo sabedoria a Jesus.
Isso tudo torturava Judas Iscariotes e consumia-lhe em vida.
No dia seguinte, sexta-feira, ao saberem da pena alternativa
aplicada a Jesus, sem execução por crucificação, os juízes do
sinédrio enfrentam Pilatos e veladamente fazem-no ver que
não punir Jesus exemplarmente com a crucificação, por ter-
se declarado "rei dos judeus" poderia chegar aos ouvidos de
César como uma conspiração de Pilatos contra o imperador,
que àquela altura vivia uma paranóia profunda com
alucinações sobre conspirações de novos reinos.
Entendendo o recado dos saduceus e fariseus, e mesmo
assim não querendo punir pessoalmente Jesus por algo que
Ele não havia feito, Pilatos propõe um julgamento público
de Jesus, com o voto do povo. (O que é um preceito romano
normal de julgamento. Uma espécie de júri popular).
Jesus, então, é trazido preso a grilhões e amarrado, com as
roupas marcadas de sangue nas costas, devido às chicotadas.
E apresentando Jesus ao povo, para julgamento em frente à
escadaria do palácio, Pilatos anuncia: "Ecce Homo!" (Eis aqui
o homem).
Abaixo das escadarias o povo (orientado e manipulado pelos
saduceus e fariseus) se amontoava e gritava pedindo a
crucificação de Jesus. Era até compreensível, pois os
discípulos e simpatizantes de Jesus estavam fugidos,
escondidos, com medo de serem presos. Os saduceus e
fariseus insuflavam pessoas a pedir a morte de Jesus. Os
zelotes, embora simpatizassem com algumas das teorias de
Jesus, acham que Jesus era fraco demais, calmo demais,
moderado demais, um covarde. E, de mais a mais, um zelote
arruaceiro, bastante conhecido, estava preso, de nome
Barrabás (Jesus bar Abás ou Jesus filho de Abás). E, como os
zelotes sabiam que pela passagem da páscoa um preso seria
solto, logicamente eles queriam que libertassem Barrabás e
não Jesus.
Pilatos, ainda tentando salvar Jesus, que mesmo sofrendo
teimava em não salvar-se, eis que vira-se para Jesus e
questiona: "Quem realmente és Tu? És o messias deste
povo?"
Jesus fica impassível, não responde. Teimava em não
defender-se.
Pilatos se irrita e diz para Jesus que ele era insolente, pois
ele, Pilatos, como governador da Judéia, tinha o poder de
soltá-lo ou de crucificá-lo e Jesus sequer fazia algo em seu
próprio favor.
Para piorar a situação, Jesus responde mais uma vez de
maneira altiva e firme: "Tu não tens poder algum se Deus
não o te der. Só Deus tem poder sobre Mim e sobre ti"
Pilatos mais irritado ainda: "Então, não posso te tirar a
vida?"
Jesus volta a afirmar: "Podes mandar Me matar. Mas ainda
assim viverei junto a Deus e só Deus pode tirar-Me esta vida
eterna."
Incrédulo com o que via e irritado com a intransigência de
Jesus, Pilatos ainda tenta uma última cartada para salvar a
vida de Jesus: "Que pecado fez este homem? Por que
querem crucificá-lo?", questiona Pilatos enfurecido e aos
berros.
"Crucifica-o. Crucifica-o. Crucifica-o.", brada a multidão.
A esposa de Pilatos, atrás dele, sussurra dizendo que Pilatos
não deveria manchar seu nome com o sangue daquele
inocente. Mas, por outro lado, Pilatos não poderia contrariar
uma decisão de um julgamento popular.
Pilatos, então, joga sua derradeira alternativa para tentar
salvar Jesus da crucificação. Diz ao povo que conforme o
costume, pela época da páscoa, perdoava-se um culpado,
libertando-o. E assim, sugere que Jesus seja solto. Mas, a
multidão ensandecida, comandada pelos saduceus e pelos
fariseus, e ainda ajudada, desta vez, pelos zelotes, pedem a
libertação do zelote Barrabás.
Sem alternativas, Pilatos não vê outra saída senão render-se
à decisão popular. Não sem antes mandar vir uma ânfora
cheia d'água e uma bacia, e simbolicamente lava suas mão
para que não as sujasse com o sangue daquele inocente.
"Não vejo crime ou pecado neste homem. Mas não posso
contrariar uma decisão de um julgamento popular. Portanto,
lavo minhas mãos para que não as suje com o sangue deste
inocente. E se é a vontade de todos que seja crucificado,
levem-no e cumpram vocês mesmos, judeus, a justiça que
acabam de fazer."

1º. Final
Jesus Morre na Cruz

Começam os maus tratos a Jesus, com Ele sendo entregue à
multidão ensandecida e os guardas simplesmente cumprindo
a determinação de Pilatos de se fazer cumprir a vontade
popular, mas ao mesmo tempo permitindo que os saduceus e
os fariseus encarniçassem, humilhassem e tripudiassem
sobre Jesus. As cenas seguintes transformam-se
praticamente em um linchamento.
Populares arrancam um arbusto espinhoso e tecem uma
coroa de espinhos para ser colocada em Jesus. Entregam-na
a um dos guardas. Os guardas riem-se do escárnio que aquilo
tudo havia virado. Eram seres primitivos (não-romanos)
aguilhoando sua própria gente. Judeus humilhando judeus.
Era a confissão pública da autoridade moral de Roma e a
baixeza e selvageria dos primitivos povos conquistados.
De fato, simulando uma solenidade, com menosprezo e
profundo deboche, um dos guardas coloca a coroa de
espinhos na cabeça de Jesus, fazendo-o sangrar na cabeça.
"Eu te corôo, oh rei dos judeus!"
Em seguida colocam nos ombros de Jesus uns trapos cor de
púrpura simulando um manto real, e na mão direita uma
cana, como se fosse um cajado real.
A multidão ria zombeteira e dizia toda sorte de ofensas. Uns
simulavam respeito debochado e ajoelhavam diante de Jesus
e faziam saudações irônicas. Outros simplesmente cuspiam-
lhe no rosto.
Em seguida, arrastam uma trave de madeira, a parte superior
da cruz à qual Jesus irá ser pregado, e obrigam Jesus a levá-la
dali até o local da crucificação, no alto do morro conhecido
como Gólgota (lugar da caveira ou da calva). Tem então
início a "via crucis" ou "caminho do calvário", do palácio de
Pilatos (Hoje Fortaleza Antônia) até o Gólgota.
Por entre ruas estreitas, espremido por uma multidão que se
comprimia para assistir a tudo, carregando a trave superior
da cruz e vez por outra recebendo chibatadas, Jesus cai pela
primeira vez.
Seguindo pelas vielas, Jesus depara-se com seu maior
desespero, Ele sofre como nunca ao ver Sua mãe e Seu ir-
mão Tiago presenciando tudo e sofrendo por Ele.
Guardas empurram-No e chicoteiam-No para que continue
andando. Mas Jesus abate-se moralmente ao ver o
sofrimento e a dor de Sua mãe e Seu irmão mais querido
presenciando aquilo tudo. Quando então, um homem apa-
rece da multidão e se oferece para ajudar Jesus. É Simão
Cireneu quem socorre Jesus e ajuda-O a carregar a trave
superior da cruz, com a autorização de um dos guardas que
permite que Jesus seja ajudado.
Suado e sangrando na cabeça, em razão da coroa de
espinhos, surge uma mulher para limpar-lhe o rosto, é
Verônica, uma de suas seguidoras, que se apieda de Jesus e
transmite-lhe coragem e compaixão.
Já em direção ao morro (lugar da caveira), Jesus cai pela
segunda vez, apesar da ajuda de Simão Cireneu.
Um guarda irritado, aplica novas chibatadas em Jesus.
Arrastando a trave superior da cruz pela subida do morro,
Jesus vê as mulheres, aos prantos, que seguiam-no
fervorosamente: Verônica, Salomé, Maria Madalena, Maria
Sua mãe, Marta e duas outras Marias. Jesus diz: "Filhas de
Jerusalém, não choreis por mim. Chorai por vós mesmas e
pelos vossos filhos."
Chegando ao alto do Gólgata, Jesus não resiste de cansaço e
cai pela terceira vez. E mais uma vez Simão Cireneu ajuda-o
a levantar-se. Ao longe, disfarçados e cobrindo o rosto,
alguns dos "santos" discípulos, covardemente, não se
atreviam a chegar perto.
Os guardas despem Jesus de suas vestes andrajosas,
deixando-o somente com um pano cobrindo a cintura e a
virilha.
Alguns saduceus e fariseus, ansiosos pela crucificação de
Jesus, pregam, na parte superior da cruz, a trave horizontal
trazida por Jesus. Fixam o apoio para os pés. Colocam Jesus
deitado para pregá-Lo na cruz. Amarram-Lhe cordas
envolvendo os bíceps, os pulsos e os tornozelos... Em
seguida crucificam-No, colocando um cravo em cada mão e
nos pés. E como um deboche final, os guardas colocam uma
placa, acima de sua cabeça, com a inscrição INRI (Iesus
Nazarenus Rex Iudaeorum), que significa Jesus Nazareno Rei
dos Judeus.

Nota do autor: Por um exagero do "evangelista" João, o
pernóstico, que a cada parágrafo estava mais preocupado em
titular-se como "o discípulo a quem Jesus amava", do que
relatar fatos com isenção, diz em João 19:20 que o letreiro
estava escrito em três idiomas: hebraico, grego e latim. (Só
faltando dizer que quem não pudesse ou não soubesse ler
deveria perguntar a quem soubesse)

Os saduceus e fariseus que até então divertiam-se com tudo
que acontecia, revoltam-se com a placa chamando Jesus de
rei dos judeus. Bradam e dizem que aquilo era uma
blasfêmia. Tentam forçar os guardas a retirar a placa, mas
firmemente os guardas garantem que a placa é instrução e
ordem de Pôncio Pilatos. A placa é mantida.
Mesmo diante de tanto escárnio, num gesto de piedade e
comiseração, Jesus pede pela alma dos que o agrediam:
"Pai, perdoai, eles não sabem o que fazem."
Uma vez amarrado e pregado na cruz, esta é levantada e
fixada no lugar, com Jesus crucificado, sob o olhar de uma
pequena multidão, tendo à frente as piedosas e corajosas
mulheres de Jerusalém (Verônica, Salomé, Maria Madalena,
Maria Sua mãe, Marta e duas outras Marias). Quando Jesus
olha para sua mãe e diz: "Mulher, eis aqui o Teu filho!"
(como que a dizer: "Veja no que me transformaram") e
virando-se para seu adorado irmão Tiago, que a tudo
acompanhava de perto, junto de sua mãe, diz: "Irmão, eis
aí a sua mãe. Zele por ela."
Indiferente aos choros e lamentações, os soldados, após
repartirem as vestes de Jesus, disputam a sorte nos dados
para saber com quem ficará o manto púrpura de Jesus.
Crucificados pouco antes de Jesus, postados ao Seu lado, um
à direita e outro à esquerda, dois ladrões esqueciam de seus
próprios sofrimentos e zombeteiam de Jesus: "Tu não é o
messias? Não fazes milagres? Livra-te a Ti mesmo desta
cruz!"
Imediatamente arrependido, um dos ladrões pede perdão a
Jesus e suplica que o abençoe, pedindo um lugar, no reino
de Jesus, nos céus. No que Jesus abençoa-o e diz que ainda
hoje, naquele mesmo dia, eles irão se encontrar junto ao Pai,
no reino dos céus.

Nota do autor: Ao contrário do que se supõe, a morte na
cruz não é imediata e nem rápida. Na realidade, a verdadeira
intenção da crucificação é que o crucificado sofra bastante e
fique por muito e muito tempo penando na cruz, até que
com o tempo e o sofrimento, lentamente, o crucificado
venha a morrer. E isso pode demorar até dias, pois na
crucificação nenhum órgão vital é atingido. Ou seja, os
cravos são enfiados entre os osso das mãos e dos pés e a
perfuração corta a pele e um pouco de carne. E dependendo
do caso, raramente pega uma veia que sangre muito. (E a
intenção é esta mesmo, fazer o crucificado sofrer e morrer
aos poucos, lentamente)

Jesus estava na cruz havia três horas (o que em termos gerais
de uma crucificação é muito pouco tempo), e desde a hora
sexta (meio-dia) até a hora nona (quinze horas ou três horas
da tarde) tinha ocorrido simultaneamente dois fenômenos
naturais coincidentes: um eclipse e próximo ao final do
eclipse houve um ligeiro tremor de terra, o que fez com que
muita gente, com medo de ser um prenúncio dos céus,
fugisse dali.
Sentindo muitas dores, Jesus solta um brado, quase que de
revolta, e questiona Deus: "Pai, Pai, por que me
abandonastes?" ("Elli, Elli, lema sabacthani?"). Mas quase que
imediatamente, arrepende-se, lembrando de suas meditações
no horto das oliveiras e como que pedindo perdão a Deus
exclama: "Seja feita a vossa vontade."
Os guardas e um dos ladrões na cruz, não entendem direito
as palavras murmuradas por Jesus, e fazem troça com o que
Jesus fala. E ironizam dizendo que Ele estava chamando por
Elias, pedindo que Elias o salvasse. Quando na verdade Jesus
chamava por Deus (Elli) e não pelo profeta Elias.
Sofrendo muitas dores, Jesus pede água: "Tenho sede.
Dai-me de beber!", diz. E um guarda, apiedando-se d'Ele,
pega a água de seu cantil (que na realidade era água com um
pouco de vinagre, conforme era comum aos guardas da
legião romana e à qual eles estavam bastante acostumados,
isto porque os guardas não carregavam água pura em seus
cantis, sem nada, pois água pura, sozinha, não alimenta e
não mata a sede, por isso os guardas romanos carregavam
sempre água misturada com um pouco de vinagre), e
embebendo um chumaço de pano das próprias vestes de
Jesus na água misturada com vinagre, oferece a Ele para
matar a sede. Entretanto, Jesus supondo tratar-se de mais um
deboche, mais um escárnio, ante o gosto estranho da água,
cospe e rende-se: "Tudo está consumado. Pai, em tuas
mãos eu entrego meu espírito."
Como era sexta-feira, véspera de um sábado que é sagrado
para os judeus -, dois essênios pertencentes à irmandade de
Jesus, José de Arimatéia (um rico comerciante e que era
simpatizante, mantenedor e permanente doador de recursos
às causas essênias ) e Nicodemos (um mestre essênio, um
dos doze primeiros essênios que compunham a Sociedade
Secreta e um fervoroso admirador de Jesus) vão até Pilatos e
fazem um pedido respeitoso em razão de suas religiões, ou
seja, como aproximava-se o sábado sagrado dos judeus (que
começava às seis horas da tarde da sexta-feira, ou na décima
segunda hora, deles), nenhum judeu poderia atravessar o
sábado sagrado em sofrimento a caminho da morte. E em
razão disso, solicitavam, José de Arimatéia e Nicodemos, que
fossem apressadas as mortes dos três crucificados, e em
especial pediam autorização a Pilatos para sepultar o corpo
de Jesus, uma vez que ele era essênio e seu corpo não
poderia ficar insepulto num sábado sagrado.
Contrariado com o que havia acontecido durante o
julgamento de Jesus, e parcialmente arrependido por ter
cedido às pressões dos saduceus e fariseus do sinédrio,
Pilatos autoriza que sejam apressadas as mortes dos três
crucificados e que o corpo de Jesus fosse entregue aos dois
religiosos essênios.
Acompanhados por um guarda para garantir o cumprimento
das ordens de Pilatos, José de Arimatéia e Nicodemos, que
sabiam que nenhum dos três crucificados havia morrido
ainda, uma vez que a morte na cruz demora muitas e muitas
horas e em geral até dias, engendravam um plano para ver se
conseguem salvar Jesus da morte.
Em lá chegando, o guarda enviado por Pilatos transmite aos
outros três guardas, que guardavam o local da crucificação,
que a morte dos três crucificados deveria ser abreviada por
ordem de Pilatos e que o corpo de Jesus fosse entregue, para
sepultamento, aos dois religiosos essênios.
Cumprindo as ordens de Pilatos, os guardas soltam as
amarras dos tornozelos de um dos ladrões crucificados,
arrancam o suporte dos pés e quebram-lhe as pernas para
que, com o corpo pendente, sem sustentação, morresse por
asfixia em função do seu próprio peso.
O mesmo é feito com o outro ladrão, mas quando isto vai ser
feito com Jesus, José de Arimatéia e Nicodemos interferem e
dizem que pela religião deles (essênia) nenhum osso poderia
ser quebrado após um homem estar morto e alegam que não
é necessário quebrar as pernas de Jesus, pois Ele já estaria
morto.
Concordando, em princípio, um dos guardas então pega uma
lança e dá uma estocada abaixo da costela esquerda de Jesus
para certificar-se de que Jesus havia realmente morrido. E
imediatamente escorre sangue e soro (um líquido como
água).
Com a descida do corpo de Jesus da cruz, consuma-se o
maior de todos os sofrimentos sobre a face da Terra, o
derradeiro sofrimento, a agonia e desespero de uma mãe,
que depois de assistir à todas as maldades, ofensas, humi-
lhações, torturas e selvagerias feitas contra seu filho, toma-O
no colo, após a crucificação, e consola-O mesmo morto. É a
imagem da "Pietá".
Entretanto, José de Arimatéia e Nicodemos, ainda supondo
estar Jesus vivo, em estado de letargia ou em estado de
coma, envolvem-No em um lençol branco, apressam-se em
carregá-Lo até o sepulcro, e ao mesmo tempo pedem às
mulheres, que estavam acompanhando Jesus o tempo in-
teiro, que trouxessem panos, ataduras, unguentos, óleos e
ervas curativas.
Desconfiados, dois guardas colocam-se na porta de entrada
do sepulcro, aguardando a saída das pessoas para fechar a
entrada do sepulcro com uma pedra. Entretanto, como eles
demorassem muito a sair, os guardas ficaram bastante
irritados e desconfiados daquela atitude.
Após um longo período no sepulcro, os seguidores de Jesus
justificam a demora na saída dizendo que as ervas, óleos e
perfumes que foram levadas eram para embalsamar o corpo
e que os rituais essênios para a encomenda da alma eram
bastante demorados. (Na realidade, o ritual de embalsamento
e um tratamento curativo, como no caso de Jesus, têm
procedimentos semelhantes e por isso demoram
aproximadamente o mesmo tempo)
Contrariados, finalmente os dois guardas rolam a pedra
fechando a entrada do túmulo, e principiam a vigiar para que
não roubassem o corpo de Jesus, pois os sacerdotes saduceus
haviam pedido a Pilatos que os guardas não se afastassem do
túmulo por pelo menos três dias, vez que Jesus havia
prometido ressuscitar após o terceiro dia, e eles não queriam
histórias e invencionices de ressurreição.
Junto com os guardas, velando a entrada do sepulcro,
ficaram as seguidoras de Jesus, as mulheres de Jerusalém, até
tarde da noite. Entretanto, no alvorecer do dia seguinte,
sábado sagrado dos judeus, o sepulcro estava aberto, sem a
pedra que fechava a entrada e os guardas não estavam mais
guarnecendo o sepulcro. Mas, o mais misterioso é que o
corpo de Jesus havia sumido.
Segundo o evangelista Mateus (28:11-15), os sacerdotes
saduceus e os guardas, sabendo do misterioso
desaparecimento do corpo de Jesus, ainda no sábado, teriam
inventado uma história de que os discípulos de Jesus teriam
vindo à noite e roubado o Seu corpo.
Ainda segundo Mateus, esta "mentira" estaria vigorando até
a data em que ele escreveu o evangelho.
Os dois evangelistas (Marcos e João) pouco falam do corpo
de Jesus, exceto que o corpo misteriosamente sumiu e nunca
foi encontrado. Entretanto Lucas é mais rico em detalhes.
Fala que as mulheres (as primeiras que viram o sepulcro
aberto e as primeiras que viram Jesus ressuscitado. Mas isso
não contava, pois eram mulheres, seres inferiores, eram
somente mulheres. Suas palavras não valiam nada) ao
visitarem o sepulcro viram dois essênios, da irmandade de
Jesus, vestidos de branco, muito alvo, resplandecente, que
pareciam anjos e que com elas conversaram. (Marcos, no
entanto, diz que era somente um jovem essênio vestido de
branco. Já Mateus atribui esta pessoa a um anjo)
Lucas, sempre mais rico em detalhes, afirma em (24:4-5)
"Estando elas perplexas com o caso (do desaparecimento do
corpo de Jesus), apareceram-lhe dois homens em trajes
resplandecentes (os dois essênios já citados). Como estives-
sem amedrontadas e voltassem o rosto para o chão, eles
disseram-lhes: "Por que buscais entre os mortos Aquele que
vive?"
Lucas segue dizendo que Jesus não estava mais ali, havia
ressuscitado, exatamente conforme Ele havia prometido,
ressurgir dos mortos ao terceiro dia (Embora de sexta-feira a
domingo houvesse se passado muito menos de três dias. Ou
seja, um dia e meio de luz ou duas noites completas).

Nota do autor: Desse ponto em diante, é preciso entender a
ressurreição de Jesus como uma questão de fé e religiosidade
e não somente como uma simples e documentada questão
de história. Razão pela qual, neste livro, para que o leitor
possa ter a liberdade de escolha entre a fé e a razão, foram
colocados dois finais, onde em um final são atendidos os
interesses religiosos, da fé, em que Jesus ressuscita dos
mortos, assombrando e modificando o mundo; e no segundo
final, que atende aos interesses frios e documentados da
história em si, até então pouco conhecida, em que Jesus não
morre na cruz e tem uma vida grandiosa, após escapar dos
seus algozes. (A escolha do final é do leitor)

Mas, voltando ao primeiro final: Jesus ressurge entre os
mortos, mas estranhamente ninguém O reconhece. Maria
Madalena não reconhece
Jesus. Os dois seguidores de Jesus que seguiam no caminho
de Emaús, andam quilômetros pelo caminho inteiro com Ele
e não O reconhecem. Nem mesmo quando Ele aparece aos
10 discípulos (Judas Iscariotes e Tomé não estavam
presentes), estes não O reconhecem num primeiro
momento.
Lamentavelmente, sendo o episódio mais significativo de
toda a Bíblia, que é a ressurreição e a prova definitiva da vida
eterna, os apóstolos pouco falam a esse respeito,
proporcionalmente ao tanto que se fala de outras coisas,
como curandeirismo, por exemplo, sem esta relevância.
Mateus quase não fala sobre a ressurreição de Jesus. Quando
fala é vagamente sobre as mulheres (sem precisar quantas)
que o viram e num curto relato, apresenta Jesus, muito
tempo depois, aparecendo aos discípulos, não mais na
Judéia, mas já na Galiléia.
Marcos é muito sucinto e fala muito pouco a respeito de
ressurreição. Muito rapidamente fala da aparição para
Madalena, aos dois de Emaús e aos discípulos ainda na
Judéia.
Lucas é o mais pródigo nos detalhes sobre a ressurreição, em
24:36-42. Fala do aparecimento de Jesus aos dois a caminho
de Emaús, mas ao falar na aparição de Jesus aos discípulos
apresenta um espírito de Jesus materializado, em carne e
osso, pedindo que O toquem para sentir Sua carne. E depois,
depois da morte, com fome e sede, Jesus pede comida
(servem peixe a Ele) e bebida.
João Evangelista fala quase tanto quanto Lucas. Só que no
aparecimento de Jesus para Madalena, que ela não o
reconhece, Ele aparece junto com o essênio vestido de
branco. E ainda, no relato de João Evangelista, um dado
muito curioso e místico, Jesus diz que ainda não subira aos
céus. E, horas depois, de tarde, Jesus aparece aos discípulos
(Sem Judas Iscariotes e sem Tomé). Entretanto, Tomé, que
estivera ausente, ao saber da ressurreição de Jesus, duvida do
renascimento e diz que quer tocar as feridas de Jesus para
acreditar na reencarnação.
E oito dias após, ainda sem subir aos céus, Jesus aparece
novamente aos 11 (Sem Judas Iscariotes) ainda na Judéia e
desta vez com Tomé presente. Tomé, entretanto, somente
acredita em Jesus tocando-Lhe as feridas físicas, materiais
(feitas no espírito?). E muito tempo depois Jesus aparece na
Galiléia a Pedro, Tomé e Natanael.
E com este relato, a Bíblia encerra os seus quatro evangelhos
narrando a vida de Jesus.
É certo que todo esses registros sobre a história de Jesus
poderia ter-se perdido no tempo e o cristianismo sequer ter
se desenvolvido e tomado as proporções que tomou, não
fosse, entre outras coisas, a participação abnegada de um
homem, um discípulo a posteriori que tornou-se o
maior responsável pela difusão e propagação do cristianismo
como religião, e que contribuiu mais do que qualquer outro
discípulo de Jesus para a implantação mundial do
cristianismo: Saulo / Paulo de Tarso.
Natural da cidade de Tarso, na Turquia, Paulo de Tarso,
nascido Saul (hebreu) ou Saulo (romano) e mais tarde pas-
sando a Paulo, era um defensor do judaísmo ortodoxo,
colocando-se a serviço de Roma (tinha a cidadania romana),
como uma espécie de oficial assistente, ferrenho perseguidor
de cristão. Perseguiu e matou muitos cristãos, e que de tanto
perseguir cristão e de tanto perseguir Jesus ("Saulo, Saulo,
por que me persegues?") e aprender sobre Sua vida, acabou
transformando-se no maior admirador do cristianismo e o
seu maior propagador.
A transformação e conversão de Paulo de Tarso foi uma
questão tão importante e acima de tudo tão surpreendente e
inimaginável (algo como um dia ser possível haver paz sobre
o povo de Israel), que merece por si só um registro
destacado. Paulo era hebreu, mas também era um cidadão
romano, defensor das tradições judaicas, que não aceitava
Jesus como o messias, como a maioria dos judeus, e que
durante a perseguição a Jesus, no caminho de Damasco,
converte-se diante de Jesus e transformando-se em seu dis-
cípulo, contra a opinião de todos os demais discípulos, e
principalmente enfrentando os ciúmes, a presunção e arro-
gância de Pedro (que considerava a si mesmo como o dis-
cípulo número um), João (o evangelista pernóstico e fútil,
que achava que Jesus amava somente a ele) e Tiago (irmão
de Jesus, que imaginava herdar o cristianismo pelo paren-
tesco, e a quem a Bíblia chama de Tiago de Jerusalém, com
receio de identificá-lo corretamente como irmão de Jesus,
para não descaracterizar Maria como "virgem").
Paulo de Tarso deixou o maior de todos os legados do
cristianismo. Escreveu, pregou e deixou obras, registros e
ensinamentos mais do que todos os outros discípulos juntos.
Foi o maior e mais claro propagador das verdadeiras "boas
novas" (evangelho) de Jesus. Centrou seus ensinamentos na
verdadeira pregação de Jesus, na divulgação do
humanitarismo, na paz, na esperança, no perdão, ao invés de
valorizar o curandeirismo conforme fizeram os quatro
"evangelistas". E principalmente Paulo de Tarso difundiu o
conceito de ressurreição e vida eterna, com a possibilidade
de um renascimento e um novo porvir, como a maior
dádiva dos ensinamentos de Jesus. Correu o mundo
difundindo o cristianismo e fundando várias e importantes
igrejas. Na Anatólia / Antióquia, atual Turquia (e não na
Síria, como querem alguns, pois a Antióquia da Síria não
tem nada a ver com a Antióquia da Turquia), levadas por
Saulo, foram criadas as bases de expansão do cristianismo.
Pois foi nas sete igrejas da Ásia (Éfeso, Esmirna, Pérgamo,
Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia Todas próximas
umas das outras) que o cristianismo, como religião, teve o
seu nascimento, sua base e propagação. E foi na Anatólia /
Antióquia (Turquia) que pela primeira vez falou-se numa
nova religião que surgia, chamada cristianismo, e chamando
seus seguidores de cristãos.
Pode parecer estranho que o cristianismo surgido com Jesus
na Palestina, tenha tido a sua base e propagação surgido a
muitos quilômetros da Judéia e da Galiléia, exatamente na
Turquia. Mas a explicação é razoavelmente simples. Pois o
cristianismo da Palestina era só e pobremente um dos
muitos ramos do judaísmo, e deveria ficar preso e restrito às
bases judaicas, com todos os seus ritos e sacramentos
(principalmente a circuncisão), conforme mantido e
preconizado por Tiago (irmão de Jesus), intolerante e
intransigente com os gentios (não-judeus), de quem não
queria a conversão ao cristianismo. Entretanto, Paulo de
Tarso queria e fez o inverso. Ou seja, tirou o cristianismo da
obscuridade e da limitação de simples ramo religioso judeu,
restrito somente a judeus, para o universalismo da prática
cristã, aberto a gentios (não-judeus) adeptos de outras
religiões que quisessem se converter, sem ter que seguir os
ritos judeus (circuncisão, jejum, etc.). E mais atrevido ainda
foi Paulo de Tarso, ao enfrentar os judeus ortodoxos,
separando, de vez, o judaísmo do cristianismo, atribuindo
importância maior a Jesus do que a Adão (em quem ele não
via importância alguma), e do que Moisés (a quem atribuía
somente relativa importância), e estabelecendo o
nascimento de Jesus como o maior marco da humanidade, o
ano zero, que dividiria a humanidade em antes e depois de
Jesus.
Com esta prática e abertura ousadas, Paulo de Tarso tirou o
cristianismo da condição de uma religião judaica tribal,
restrita à palestina e aos judeus, como queria Tiago, para
lançar as bases de uma gigantesca religião universal. E com
isso Jesus deixou de ser apenas um messias judeu, renegado
pelos próprios judeus, e passou a ser o salvador de todos os
povos. (Só isso merecia um lugar único e de destaque para o
discípulo Saul / Saulo ou Paulo de Tarso)

2° Final
Jesus NÃO Morre na Cruz

(Nota do autor: Conforme alertado anteriormente, o pri-
meiro final, em que Jesus morre na cruz, é um final em res-
peito à fé que cada um possa ter e não é intenção do autor
discutir a fé. Entretanto, abstraindo-se a questão da fé tradi-
cionalista, caso seja de interesse do leitor buscar um Jesus
histórico, que não necessariamente altera a fé (em sua es-
sência), baseado em documentos, fatos, evidências e provas,
o leitor poderá se informar neste segundo final em que Jesus
não morre na cruz)

Tão logo Jesus foi levado pelos judeus (saduceus e fariseus) e
pelos guardas para ser crucificado, diferentemente dos
discípulos de Jesus que estavam apavorados e com muito
medo de ter o mesmo destino do mestre, dois seguidores
arquitetam um plano de salvamento de Jesus: José de
Arimatéia (um rico comerciante e o maior doador e
mantenedor individual dos essênios) e Nicodemos (um dos
doze essênios que formavam a primeira Sociedade Secreta:
Jesus, João Batista, Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob, Aarão,
Josias, Nicodemos, Amós, Silas e Oséas)
Sabendo de antemão que a crucificação não mata rapi-
damente e sim por demorada e muito prolongada exposição
ao tempo e à dor, e que Jesus por ser essênio, de vida
bastante regrada, e de cuja formação fazia parte a doutrina-
ção do controle da mente sobre o corpo, Ele suportaria
dores que as pessoas comuns normalmente não suportam, e
por isso, as chances de Jesus suportar a dor na cruz, mais do
que as pessoas normais, seriam ainda muito maiores do que
as de uma pessoa comum. E com isso a chance de
sobrevivência de Jesus à crucificação seria muito grande.
De posse deste conhecimento e certeza, José de Arimatéia e
Nicodemos iniciam então a execução do plano de
salvamento de Jesus. Vão até Pilatos e convencem-no de
que por ser sexta-feira, véspera do sábado sagrado dos ju-
deus, e que a agonia e sofrimento dos crucificados deveria
ultrapassar a décima segunda hora (seis horas da tarde) e
conseqüentemente após aquele horário já seria sábado.
Pedem então que Pilatos autorize antecipar a agonia dos
crucificados, matando-os, para que não morressem no sá-
bado sagrado. E em especial pediram também a autorização
de Pilatos para sepultar o corpo de Jesus, uma vez que José
de Arimatéia era rico e dispunha de um sepulcro particular
disponível e que Jesus, por ser essênio, Seu corpo não
poderia ficar insepulto.
Sem perceber o plano de José de Arimatéia e Nicodemos, e
achando justa a solicitação religiosa, Pilatos autoriza a
antecipação da morte dos três crucificados (Jesus e os dois
ladrões crucificados), assim como autoriza, também, a
entrega do corpo de Jesus a José de Arimatéia e Nicodemos
para sepultamento.
De fato, em chegando ao local da crucificação, conforme o
esperado, constataram que nenhum dos três crucificados
havia morrido (Jesus e os dois ladrões estavam vivos), pois
havia se passado somente cerca de três horas que estavam
sofrendo aquela tortura. O que em termos de sofrimento é
bastante, mas em termos de ser fatal ou mortal, é muito
pouco tempo.
Cumprindo as determinações de Pilatos, os guardas soltam as
amarras dos tornozelos dos ladrões crucificados, arrancam os
suportes dos pés, quebram-lhe as pernas para que
morressem por asfixia em função do peso de seu próprio
corpo.
Quando o mesmo procedimento é iniciado com Jesus,
espertamente José de Arimatéia e Nicodemos interferem
dizendo que pela religião deles (essênia) nenhum osso po-
deria ser quebrado após um homem estar morto e alegam
que não seria necessário quebrar as pernas de Jesus, pois Ele
já estaria morto (e de fato Jesus estava como se estivesse
morto, em estado de letargia, semelhante a um coma).
Para que não restasse dúvidas quanto a morte de Jesus, um
dos guardas então pega uma lança e dá uma estocada abaixo
da costela esquerda de Jesus. E imediatamente escorre
sangue e soro (um líquido como água).
É o suficiente para que Nicodemos (por ser um sábio
essênio, dominando perfeitamente a cura e a medicina)
constatasse que Jesus realmente estava vivo, uma vez que se
não houvesse mais vida em Jesus não haveria como ter a
fluidez sangüínea apresentada. Pois não havendo mais vida
não havia como o sangue circular e jorrar como jorrou.
Acreditando piamente ainda estar Jesus vivo, em estado de
letargia, José de Arimatéia e Nicodemos apressam-se em
retirar Jesus da cruz, envolvendo-O rapidamente em um
lençol branco, carregando-O até o sepulcro, e ao mesmo
tempo pedindo às mulheres, que estavam acompanhando
Jesus o tempo inteiro, que trouxessem, rapidamente, panos,
ataduras, assim como os unguentos, óleos e várias ervas
curativas previamente preparadas e já separadas na casa de
um "irmão" essênio.
Sem muita surpresa, constataram, que de fato, Jesus estava
muito mal, ferido e traumatizado pela tortura, mas estava
vivo, sem nenhum osso quebrado, e sem haver sido atingido
qualquer grande artéria ou veia que pudesse causar grande
hemorragia.
Enfim, Jesus estava vivo e podia ser curado...
Usando os conhecimentos curativos das ervas, dos
unguentos, e dos óleos medicinais, que os essênios conhe-
ciam muito bem, Nicodemos e José de Arimatéia, trataram
de todos os ferimentos e colocaram ervas, unguentos e óleos
medicinais cobertos por ataduras em todos os locais de
feridas. Enquanto que para simular o sepultamento de Jesus,
as mulheres que acompanhavam Jesus rezavam alto e
pranteavam de modo a não gerar desconfiança por parte dos
guardas.
Como demorassem muito no tratamento das feridas, os
guardas que estavam vigiando a entrada do sepulcro
começaram a reclamar e a pedir o término daquele "funeral".
Após completar todo o serviço de curativos em Jesus, o seu
corpo é parcialmente coberto com o lençol usado para
carregá-lo da cruz e saem todos para não despertar maiores
suspeitas nos guardas.
Para garantir que Jesus estaria em segurança, as mulheres
que acompanharam Jesus permaneceram em frente ao
sepulcro, montando vigília juntamente com dois guardas,
após o sepulcro ser fechado por um pedra.
Altas horas da noite, José de Arimatéia e Nicodemos
retornam com mais dois essênios mestres, pertencentes
àquela primeira formação de doze mestres que compunham
a primeira base essênia da Sociedade Secreta, com Jesus, João
Batista e outros dez, vestidos de branco, um branco
resplandecente, bastante incomum de se ver habitualmente,
e dispensaram as mulheres que seguiam Jesus, para que
pudessem ir para casa descansar, enquanto José de Arimatéia
e Nicodemos montavam vigília durante a noite toda.
Como trouxessem vinho, pão, azeite e queijo para passarem
a noite em vigília, com o avançar das horas ofereceram aos
dois guardas um dos vinhos especialmente preparado com
uma beberagem de modo a apressar-lhes o sono. E,
realmente, pouco tempo depois os guardas estavam dor-
mindo em sono profundo, e os quatro (Nicodemos, José de
Arimatéia e os outros dois mestres essênios) entram no
sepulcro, retiram os primeiros curativos aplicados em Jesus
(que mais tarde são achados por Pedro, espalhados pelo chão
e por toda parte, conforme relatado em João (20:5-7),
refazem os curativos e cuidadosamente carregaram Jesus
para um abrigo seguro, na casa de um "irmão" da sociedade
dos essênios, mantendo-O oculto até Sua completa re-
cuperação.
Segundo o receituário essênio, uma combinação de doze
plantas, óleos e medicamentos foram aplicados em Jesus: 1)
Cera branca; 2) Goma Gugal (também conhecida como
bálsamo dendron mukul) ; 3) Plumbi oxidum; 4) Mirra
(também conhecida como bálsamo dendron myrrh); 5)
Galbanaum; 6) Aristoelchia longa; 7) Subacetato de cobre; 8)
Goma ammonicum; 9) Resina de pinus longifolia; 10)
Olibanum; 11) Aloés; 12) Óleo de oliva (azeite).
Ao raiar do dia, no sábado, vendo o sepulcro aberto e tendo
o corpo de Jesus sumido, os guardas, com medo de Pilatos,
vão até os sacerdotes saduceus e contam-lhes a história do
desaparecimento do corpo de Jesus. No que os sacerdotes
saduceus tranqüilizam os guardas e garantem que, caso a
história chegue aos ouvidos de Pilatos, eles (os sacerdotes)
iriam convencer Pilatos a não punir os guardas, deixando-os
em paz, pois era sabido que os discípulos de Jesus iriam
mesmo tentar roubar o corpo.
Esta história está parcialmente contada em Mateus (28:11-
15) Entretanto, como o cadáver de Jesus jamais apareceu e
isto desmoronaria a tese da ressurreição, pois ninguém
ressuscita sem morrer e para morrer tem que haver um
cadáver; este corpo de Jesus morto jamais apareceu. E
Mateus, novamente, conta exatamente esta história do
roubo do corpo, mas depois diz que é mentira.
Para os próprios cristãos, segundo evidências claras na
Bíblia, Jesus não morreu na cruz. Senão vejamos:
João (20:11-17) Dois essênios de branco (confundidos
como anjos) são vistos no sepulcro e Jesus depois de
"morto" diz para Madalena, dentro do sepulcro, que ainda
não havia morrido.
"Jesus disse-lhe: = Não Me detenhas porque ainda não subi
para Meu Pai."
Lucas (24:4-5) Dois essênios de branco, resplandecentes,
estão no sepulcro vazio e falam para Madalena, Joana e
Maria mãe de Tiago: "Por que buscais entre os mortos
Aquele que vive?"
Mateus (28:3) Um essênio, vestido de branco, estava no
sepulcro e fala às mulheres sobre o desaparecimento do
corpo de Jesus. (Aqui uma questão simples: Se Jesus tivesse
morrido (matéria) e ressuscitado (espírito)... onde foi parar o
corpo? Tinha de haver um corpo. Tinha de haver a matéria).
Marcos (16:5) Um jovem essênio, vestido de branco,
guardava o túmulo de Jesus e fala com Madalena, Salomé e
Maria Mãe de Tiago. Aqui sai Joana e entra Salomé, mas
tudo bem (Novamente a mesma questão simples: Se Jesus
tivesse morrido e ressuscitado... onde foi parar o corpo?)
João (20:5-7) Pedro entra no sepulcro e encontra ataduras
de curativos e ligaduras espalhadas por toda parte. (Se Jesus
havia morrido na cruz... por que colocaram ataduras,
remédios, unguentos e ligaduras num "morto", como as que
Pedro encontrou no sepulcro? Coloca-se atadura e remédio
em morto?)
Lucas (24:36-43) Diante do espanto dos discípulos que
imaginavam estar vendo um espírito, Jesus confessa aos
discípulos, com todas as palavras que Ele não havia morrido
na cruz. E para provar que era Ele mesmo, Jesus diz:
"Vede as Minhas mãos e os Meus pés?; Sou Eu mesmo!" E
para provar que não era espírito e sim carne,
complementa: "Apalpai-me e olhai que um espírito não
tem carne, nem ossos, como verificais que eu tenho!"
E para encerrar de vez a discussão sobre espírito e matéria,
Jesus pede comida aos discípulos ainda assombrados:
"Tendes aí alguma coisa que se coma?". Deram-lhe então
uma posta de peixe assado e, tomando-a, comeu diante
deles."
Pode um relato ser mais claro? Ou seja, nem mesmo os
cristãos, mais cegamente fiéis seguidores da Bíblia, podem
acreditar na morte de Jesus na cruz, pois o relato de Lucas
(24:26-43) é claro demais, cristalino demais, insofismável,
resistente até ao mais insano dos exegetas de bicicleta. Jesus
diz claramente que não havia morrido na cruz ("não ascendi
ao pai"), que não era espírito e sim carne (e para provar que
não era espírito e sim carne, complementa: Apalpai-me e
olhai que espírito não tem carne nem ossos como verificais
que eu tenho") e para finalizar Jesus pede comida e bebida, e
de fato come peixe assado e bebe com os discípulos.
Por mais algum tempo Jesus ainda permaneceu escondido na
casa de um seguidor da Sociedade Secreta Essênia, arranjado
por José de Arimatéia e Nicodemos. Até que, por segurança,
foi levado para o mosteiro essênio de Qunram, conforme
relatado em "The Crucifixion by an Eye-Witness (A
crucificação, por uma testemunha ocular). Livro de pesquisa
lançado em 1873, relançado em Chicago, USA, em 1907,
mas que foi rapidamente retirado de circulação e todos os
exemplares destruídos. Uma cópia ficou em poder da Ordem
Maçônica em Massachussets. Outra com a Fraternidade
Maçônica da Alemanha e uma última na Ordem dos
Essênios, em Alexandria.
À partir do restabelecimento de Jesus e da realidade de sua
nova vida, um terrível dilema passou a tomar conta dos
essênios. Ou seja, se Jesus aparecesse novamente, muito
certamente seria crucificado mais uma vez e desta vez seus
algozes iriam tomar mais precaução no sentido de garantir
que Ele fosse morto, de verdade. Por outro lado, estando
Jesus vivo e mantê-lo oculto, todos os seus ensinamentos e
legados de uma vida inteira poderiam ser perdidos. E para
piorar, os discípulos de Jesus, que já viviam em disputas
pequenas, menores, com jogos de vaidades, ciúmes tolos,
agora sem uma liderança efetiva de Jesus, estavam se
dispersando e absolutamente fora de controle.
Então, os mestres essênios da Sociedade Secreta que se
formara originariamente, (Jesus, João Batista, Benjamim,
Samuel, Isaac, Jacob, Aarão, Josias, Nicodemos, Amós, Silas,
Oséas) agora com Seth ocupando o lugar deixado por João
Batista, após longas discussões, chegam à conclusão de que
Jesus deveria decidir seu próprio destino, para que, à partir
daí, a sociedade essênia tivesse uma continuidade normal.
Ou seja, ou Jesus aceitaria ficar em definitivo no mosteiro,
incógnito, para sempre, como se efetivamente tivesse
morrido, ou Jesus deveria sair da Palestina, também
incógnito, para não comprometer a vida de seus discípulos e
seguidores, e ir para um lugar distante onde ninguém
conhecesse a sua história.
Resumindo: qualquer que fosse a decisão de Jesus, Ele teria
que assumir que havia morrido e jamais poderia aparecer
novamente como Jesus.
Sem um plano perfeitamente definido, e ainda bastante
confuso com todos os acontecimentos que transformaram
terrivelmente a sua vida, e emparedado pela única al-
ternativa de ter que assumir que havia morrido, Jesus opta
por deixar a comunidade essênia e partir para fazer a viagem
que um dia ele e João Batista haviam feito, rumo ao extremo
oriente, seguindo a rota de seda, até a China, passando por
Irã, Iraque, Índia, Paquistão, etc.
Embora os essênios soubessem que esta era uma das opções
possíveis de Jesus, deixar a comunidade essênia foi um
choque tremendo para a irmandade. Os essênios estavam
perdendo sua referência maior, o seu messias e o ser
iluminado em quem eles depositaram tanta fé e esperaram
por tantos e tantos anos. E para piorar, juntamente com
Jesus, mais quatro mestres daquela primeira sociedade tam-
bém estavam deixando o mosteiro seguindo os passos de
Jesus. Restando somente seis dos essênios da primeira So-
ciedade Secreta que se formou, que ficaram na Palestina e se
dedicaram à luta de resistência e fundamentação religiosa
conforme a tradição essênia pura, dentro do mosteiro.
Estes seis essênios da primeira formação da sociedade
secreta, e mais os "irmãos" que viviam na clausura dos
mosteiros, ficaram, resistiram e documentaram para a pos-
teridade a vida de Jesus e João Batista e deixaram registrado
suas vivências e ensinamentos em vários documentos
manuscritos, que posteriormente alguns destes documentos
foram encontrados ao longo de vários séculos, sendo os mais
importantes descobertos nos séculos 19 e 20 como as
descobertas arqueológicas religiosas mais importantes até
hoje encontradas, onde os documentos mais conhecidos
e por isso mais importantes são os Manuscritos do Mar
Morto ou Manuscritos de Qunram.
Lamentavelmente, esta resistência essênia e a devoção e
idolatria a Jesus e João Batista, mesmo depois de mortos (ou
"morto") acarretou mais uma grande tragédia para os
essênios, vez que provocou uma enorme ira dos saduceus e
fariseus, a ponto de, quando da invasão das legiões romanas
destruindo Jerusalém em 70 d.C., e da diáspora do mesmo
ano, os essênios sofrerem terrível e implacável perseguição,
onde foram praticamente dizimados, não sem antes lacrar
hermeticamente seus manuscritos em potes (urnas) de
barro, guardados em catacumbas, que duraram por séculos e
séculos até serem encontrados quase dois mil anos depois.
Os cinco membros que saíram da comunidade essênia (Jesus
e mais quatro membros da formação da primeira Sociedade
Secreta), uniram-se aos discípulos de Jesus de modo a
debaterem e decidirem qual o caminho a ser tomado dali em
diante.
Inicialmente foi um choque. Os discípulos não acreditavam
que Jesus estivesse vivo. Mas aos poucos, foram se
recompondo e a felicidade passou a tomar conta de todos
pela volta e retorno do rabi. Entretanto, os planos de Jesus
não eram bem o que os discípulos esperavam.
A vontade de Jesus era sair da Palestina e seguir, com uma
outra identidade, rumo ao extremo oriente. E tão fortemente
Jesus colocou esta questão que passou a ser ponto pacífico, a
ponto de não se discutir mais sobre isso. Quer dizer,
discutia-se muito sobre várias coisas, mas a única certeza era
que Jesus deixaria seus discípulos (na Palestina ou espalhados
pelo mundo), mas Ele partiria incógnito, numa viagem sem
volta.
Jesus tinha irrestrita convicção sobre sua crença e por isso
assumiu que iria continuar a fazer suas pregações "em outros
apriscos", sem identificar-se como Jesus (até para preservar
sua vida, de sua mãe, de seus irmãos e dos discípulos).
Entretanto, os demais seguidores de Jesus não tinham o
menor consenso sobre quais caminhos seguir sem o messias
e grande mestre. E o pior, o que fazer com tanto
ensinamento, tanta sabedoria deixada por Jesus? Uma vida
inteira de ensinamentos estaria perdida? E os discípulos e os
seguidores de Jesus? Fariam o que? Teria valido a pena
acreditar em Jesus e depois desperdiçar tudo?
O primeiro impulso do grupo foi manter a sociedade unida e
continuar com a pregação religiosa, levando a palavra de
Jesus a cada canto da Terra, como se nada tivesse
acontecido. Ou melhor, como se os acontecimentos havidos
só tivessem fortalecido ainda mais a sociedade.
Jesus, de imediato foi contra esta idéia, mas à força dos
argumentos, aos poucos deu-se por vencido ao ser con-
vencido pelos discípulos de que não tendo o mestre para ser
perseguido, não haveria como os saduceus e fariseus
perseguirem os seguidores de Jesus, que iriam se espalhar
por todos os cantos do mundo, seguindo a dialética de Jesus.
Entretanto, Jesus colocou um ponto crucial: O que seria dito
às pessoas a respeito de Jesus? Isto porque, se falassem a
verdade, que Jesus não havia morrido na cruz, haveria
perseguição à sua mãe, seus irmãos, seus parentes, seus
discípulos e demais seguidores. E rapidamente a sociedade
seria destruída. Sem contar que ninguém seria convencido
por uma pregação religiosa, por melhor que ela fosse, onde o
líder espiritual estava oculto, escondido com medo de
aparecer.
Por outro lado, se dissessem que Jesus havia morrido na
cruz, ressuscitado, e deixado um legado enorme de
ensinamentos, as chances de sucesso na evangelização se-
riam enormes, mas esbarraria num ponto crucial: as prega-
ções estariam encobertas por uma grande mentira. E como
iniciar uma pregação religiosa, embora cheia de bons e pro-
fundos ensinamentos, cuja base fundamental era uma men-
tira?
A maneira encontrada por Jesus e passada aos discípulos para
resolver este impasse foi quase que salomônica. Ou seja, em
todos os locais onde pudessem existir registros escritos, a
verdade sobre a não-morte de Jesus seria contada sempre
(em todos os evangelhos, em todos os manuscritos, em tudo
que pudesse ficar registrado para a posteridade) e claramente
seria evidenciado que Jesus não havia morrido na
crucificação. Exatamente conforme está registrado em todos
os evangelhos existentes (inclusive nos da Bíblia).
Estes registros seriam guardados e ocultados em locais
seguros, secretamente, como de fato o foram, de modo a
que quando aparecessem estes registros, no futuro, um dia,
já não estariam vivos Jesus e os primeiros discípulos, tor-
nando-se impossível a perseguição pessoal a eles e a seus
parentes. E ao mesmo tempo a verdade, a história real sobre
a não-morte de Jesus estaria preservada, claramente
documentada e enquanto isso o cristianismo já estaria alas-
trado pelo mundo todo, tendo como base os ensinamentos
de Jesus. E o fato de Jesus ter morrido ou não na cruz não
teria mais importância alguma, vez que o que importava era
o legado de Jesus, sua pregação, seus ensinamentos, suas
parábolas, suas obras.
Por outro lado, na pregação oral, que é a que convence, que
atrai o adepto às idéias de evangelização, seria dito uma
mentira temporária, provisoriamente, simplesmente dizendo
que Jesus havia morrido na cruz e que havia ressuscitado. O
que seria suficiente para que não houvesse perseguição aos
discípulos de Jesus e para que estes mesmos discípulos
pudessem fazer suas pregações em paz, sem serem
incomodados. Pois as pregações orais seriam feitas de
imediato, enquanto que os registros por escrito (evangelhos
manuscritos) somente seriam divulgados muitos anos após as
pregações verbais terem sido difundidas e consolidadas.
Ou seja, seria dito de imediato uma coisa nas
pregações (e com isso seriam evitadas as perseguições) mas
ao mesmo tempo a verdade ficaria registrada, para todo o
sempre, por escrito, em todos os lugares, para serem
divulgadas mais tarde, para demonstrar que a verdade tinha
sido ocultada por bons e sólidos motivos e que esta havia
sido a única forma encontrada para se falar da vida e obra de
Jesus, sem expor ao perigo ou risco de vida os discípulos, os
familiares de Jesus e os familiares dos discípulos.
Assim, ciente de que Seus discípulos e companheiros da
"Sociedade Secreta de Jesus" e os demais "irmãos" essênios
iriam deixar registrado a verdade (que Jesus não havia
morrido na cruz) em vários documentos manuscritos, e que
seus discípulos também contariam a verdade em vários
evangelhos que seriam escritos, Jesus então concordou em
que nas pregações dos discípulos fosse dito que Jesus teria
morrido na cruz e ressuscitado.
Diante desta nova realidade, foi estabelecido o plano de
evangelização mundial, onde cada discípulo foi orientado
para seguir evangelizando numa determinada direção
geográfica, de modo a espalhar pelo mundo os ensinamentos
da cristandade.
Alguns ficariam na Palestina mesmo. Outros seguiriam o
rumo norte, indo em direção a Roma e ao centro da Europa
(como Pedro). À oeste os ensinamentos seriam espalhados
pela África, começando pelo norte da África. À leste, bem
na direção extrema, seriam lançadas as bases do cristianismo
no que hoje é a Rússia (a sóbria igreja ortodoxa cristã). Ao
sul, uma parte cobriria o Egito e região, enquanto que outros
seguiriam passos semelhantes aos de Jesus (como Tomé) pela
rota da seda em direção à Índia e China.
Nesta longa viagem sem volta, aos poucos Jesus vai se
despedindo dos discípulos e indicando os caminhos a serem
seguidos: A Pedro, pede que ele seja a base (a pedra) de sua
igreja e designa como sua função atingir a Grécia e toda a
Europa, principalmente o centro do império romano: Roma.
À Tiago e João é pedido que lancem as bases religiosos e
façam suas pregações pela Palestina, Síria e terras vizinhas. À
Tomé, Jesus pede que evangelize pelo mesmo caminho que
ele irá seguir, no extremo oriente. À Bartolomeu, Jesus pede
que siga o caminho do extremo leste, até onde hoje é a
Rússia. E assim vai indicando o caminho de evangelização a
cada um dos discípulos.
Passando pela Síria até chegar à Turquia (Anatólia/
Antióquia), Jesus inicialmente detém-se temporariamente na
Síria, e novamente em Damasco, com Saul/Saulo, a quem ele
batizara como Paulo (de Tarso), Jesus estabelece o maior
plano de evangelização que o mundo já viu. Ou seja, cria as
bases para que Paulo e Pedro (principalmente), junto com
alguns discípulos pudessem criar as sete igrejas da Ásia, e
dali fazer a maior propagação religiosa sobre a face da Terra.
Eufórico, Paulo garante a Jesus: "Mestre, iremos
evangelizar o mundo, levar a palavra do Senhor a cada canto
da Terra e criar uma nova Jerusalém."
Ao que Jesus contesta: "Não Paulo. Nova Jerusalém não!
Jerusalém está perdida para sempre. E sempre será alvo de
disputas encarniçadas, com chacais e hienas disputando cada
resto de carniça. Jamais haverá paz sobre Jerusalém. A nossa
direção é muito maior do que Jerusalém. É um novo mundo,
uma nova vida, um novo futuro, um novo porvir!"
Repassando mais uma vez aos discípulos os seus
ensinamentos e as diretrizes religiosas da irmandade, basi-
camente os ensinamentos essênios que ele tanto pregou,
difundiu, encantou e reconfortou tantos e tantos seguidores;
Jesus reforça então o aspecto organizacional da irmandade,
explicando que com base em doze discípulos, que ele
transformaria em doze mestres eles conquistariam o mundo
e fariam a maior propagação de idéias religiosas que o
mundo jamais havia visto: doze discípulos se tornam mestre
e convencem doze discípulos a que cada um convença mais
doze a convencer outros doze e assim sucessivamente, até
atingir a maior quantidade de gente possível, numa perfeita
irradiação e propagação de idéias.
Despedindo-se definitivamente de seus discípulos, Jesus
deixa Paulo na Turquia, com a missão de estabelecer sete
pontos, em sete igrejas, para que depois de estabelecido estes
sete pontos dali seguisse numa peregrinação percorrendo o
mundo e difundindo as boas novas de Jesus. Enquanto que
Jesus partiria para sua nova vida como um homem sem
nome e sem passado. Assumindo uma vida inteiramente
nova, fazendo as mesmas pregações que sempre fizera ao
longo de toda a sua vida, sem, entretanto, poder dizer que
Ele era Jesus e que não havia morrido na cruz.
Em seu rastro vai deixando para trás a Palestina, Síria e
Turquia onde torna-se um profeta para os muçulmanos
(logicamente sem falar em crucificação, reencarnação, pois
estes são aspectos inadmissíveis para os muçulmanos). E
como profeta muçulmano, desce pelo que hoje é o Iraque,
Irã e Paquistão. (Embora lamentavelmente mais de 90%
noventa por cento dos cristãos não saibam, Jesus também
é um profeta muçulmano, tem uma importância fantástica
para aquela religião, como nenhum outro de qualquer
religião, salvo Maomé)
Chegando na Índia e Nepal, arregimenta não só seguidores
muçulmanos que o têm como um profeta, como passa a ser
idolatrado no hinduísmo e no budismo, como um
iluminado. (Um caso único no mundo. Idolatrado pelo cris-
tianismo, pelos muçulmanos, pelo hinduísmo e pelos bu-
distas)
Para os muçulmanos não ortodoxos, do ramo Ahmadiyya,
fundado no século dezenove por Hazrat Mirza Ghulam
Ahmad de Qadian, Paquistão, com milhões de seguidores
espalhados pelo mundo todo, após longa pesquisa por toda a
Ásia, e os caminhos percorridos por Jesus após a
crucificação, eles têm como certo e verdadeiro que Jesus
não morreu na cruz, sobreviveu à crucificação em estado de
torpor e letargia, com o coração lento e pulso fraco, quase
imperceptíveis, foi salvo pelos essênios que fizeram
atendimento médico com ervas curativas, óleos medicinais e
unguentos, ainda no sepulcro e foi viver na região da
Caxemira (entre a Índia e o Paquistão), onde teria se casado,
teve um filho, e morreu de velho, com cerca de quase 100
anos.
A maioria dos escritos muçulmanos refere-se a Jesus (Yesus)
como "Yuz" ou como Yuz (Líder) Asaf (Curador), líder das
curas (ou Yuzu Asaph). Em amplas descrições muçulmanas,
inclusive ligando Jesus a Maria e Tiago, não deixam a menor
dúvida que Jesus adotou como nome profético o "título" que
lhe atribuíram: Yuz (Líder) Asaf (Curador), líder das curas.
Nas tradições Iranianas, por exemplo, contadas por Agha
Mustafai, Yuz Asaf veio pregando do oeste (Palestina e Síria)
arrebanhando muitos seguidores, a sua pregação era a
mesma que Jesus pregava quando na Palestina. Entretanto, a
única diferença é que Ele não falava em reencarnação. Ou
porque isso era contra os conceitos do Islam, ou porque os
documentos muçulmanos não quiseram registrar casos
polêmicos como reencarnação que só interessavam aos
cristãos.
E, finalmente, na região de destino de Jesus (Yuz Asaf) que
inicialmente era Índia e Nepal e que acabou tendo como
residência final a região da Caxemira (área de disputa entre
Índia e Paquistão), lá encontramos o seu último e derradeiro
registro: A sepultura em Srinagar, capital da Caxemira (Índia)
como o profeta Yuz Asaf.
Em documentos existentes em mosteiros na Índia há a
versão de que Jesus teria vivido com o nome de Yuz Asaf,
até a velhice, em Srinagar, capital de Caxemira, onde se
casou, teve filho e viveu até próximo dos cem anos.
Ainda em Srinagar, há um monumento em homenagem ao
trono de Salomão, que foi parcialmente destruído pelos
Sikhs em 1819, mas que restaram quatro inscrições em
Persa, das quais as duas últimas foram descritas pelo
historiador muçulmano da Caxemira, Mulla Nadiri, em 1413,
como:
"Nesta época, Yuz Asaj, proclamado como profeta, no ano
cinqüenta e quatro do reinado do Marajá Gopadatta, é Ele
mesmo Jesus, profeta das crianças de Israel."

Nota do autor: A data, ano 54 do reinado do Marajá
Gopadatta, é tido como ano 107 da nossa era, pelo historia-
dor alemão Holger Kersten, enquanto que o professor Fida
Hassnain, diretor arqueólogo da Caxemira e especializado
em antigüidades aponta o ano 78 d.C. como sendo o ano 54
do reinado de Gopadatta.

Há na cidade de Srinagar uma sepultura com a placa na qual
se lê Rozabal ou Roza bal (Túmulo Sagrado) "Tumulo de Yuz
Asaf". Nesses documentos, diz-se que Yuz Asaf (que em
Persa quer dizer algo como "líder das curas") foi um homem
que chegou à Índia no reino do rajá Gopadatta e passava os
dias rezando a Deus e meditando. Ressalta também que ele
"pregou a existência de um único Deus até a morte".
A sepultura de Srinagar (Roza bal) é reconhecida
mundialmente como um monumento santo desde 1766 e
anualmente milhões de muçulmanos, cristãos, hindus e
budistas, do mundo inteiro, fazem romaria ao túmulo de
Jesus/Yuz Asaf e prestam homenagem a um exemplo único
no mundo, capaz de reunir ao mesmo tempo as quatro
maiores religiões do mundo venerando uma única pessoa:
Jesus.

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